2 - BACTÉRIAS: “UM UNIVERSO MICROSCÓPICO”

Usando seu conhecimento sobre Biologia, responda rápido: quais são os seres vivos mais abundantes da biosfera? Serão estes seres microscópicos ou macroscópicos?
Imaginem vocês que no passado, a ciência acreditou que os seres vivos criados por Deus permaneciam imutáveis ao longo de sua vida. Esta concepção ficou conhecida como Teoria Fixista. Essas idéias influenciaram o pensamento científico por um longo período. A partir do final do século XVIII, com os avanços da geologia e da paleontologia, as idéias fixistas começaram a ser questionadas. Na Inglaterra, com a expansão ferroviária e a extração mineral, a geologia avança e aprofunda seus conhecimentos com novos achados fósseis que surgem das escavações promovidas pela extração mineral. 
Esses achados fósseis trouxeram evidências sobre a diversidade e alterações dos grupos de seres vivos, propondo novas explicações para o problema da história geológica da Terra, contrapondo-se ao fixismo. 
As idéias evolucionistas se fortalecem como uma nova explicação para a origem da vida.
Mesmo assim, com o achado de fósseis marinhos nas rochas das montanhas, os defensores do fixismo lançaram a hipótese de que os achados eram restos de criaturas mortas durante o Dilúvio Universal, pois segundo a Bíblia, nesse período, as águas cobriram totalmente os picos das montanhas.
 
A pré-história do Paraná 
Fósseis da era Paleozóica são coletados por acadêmicos de Biologia (Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras de Cornélio Procópio - FAFICOP) O Paraná pode ser delimitado, de acordo com sua topografia, em cinco grupos de paisagens naturais: o litoral, a Serra do Mar, o primeiro planalto, ou de Curitiba, o segundo planalto, ou de Ponta Grossa, e o terceiro planalto, ou de Guarapuava. 
A constituição litológica do segundo planalto – o Planalto de Ponta Grossa – é devido a depósitos sedimentares, ocorridos em ambientes marinho e continental, formados na era Paleozóica, com idades oscilando entre 570 e 230 milhões de anos a.C. 
Fonte: http://faficp.br/noticias/2004/ndxpai.html. 

A idéia criacionista, entretanto, não foi aceita por todos, e pouco a pouco, a interpretação literal do livro do Gênesis, mesmo tendo uma forte influência sobre o pensamento humano, teve que dar lugar a sede de conhecimento, buscando uma nova compreensão da história da vida na Terra. 
Essa idéia está fundamentada no livro do Gênesis, que explica a criação da Terra e de todos os seres vivos como obra de Deus. Leia no box abaixo alguns fragmentos da criação, segundo a visão bíblica:

No princípio, criou Deus os céus e a terra.(...) E disse Deus: produza a terra alma vivente conforme a sua espécie; gado, e répteis, e bestas-feras da terra conforme a sua espécie. E assim foi. E fez Deus as bestas-feras da terra conforme a sua espécie, e o gado conforme a sua espécie, e todo o réptil da terra conforme a sua espécie. E viu Deus que era bom. E disse Deus: façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou. (...) 
BÍBLIA, 1995. Adaptado do Livro do Gênesis cap.1.

As teorias que explicam a origem do universo e da vida são, sem dúvida, um antigo dilema na história da filosofia científica. De um lado, o universo e todos os seres vivos teriam sido criados por ato direto e especial de Deus; por outro lado, teriam surgido por acaso e se desenvolvido pelos mecanismos naturais da evolução que teria produzido a fabulosa variedade dos seres vivos atuais. Enfim, são muitas as teorias que explicam o processo de criação e evolução dos seres vivos, mas não contemplaremos todas elas neste Folhas.
No entanto, você poderá pesquisar sobre a teoria da evolução, neste Livro Didático Público, no Folhas: As cobras rastejam porque não tem pernas ou elas não têm pernas porque rastejam?
Você pode estar se perguntando por que demoramos tanto tempo para aceitar as evidências acerca dos fatos que auxiliam no entendimento sobre a evolução dos seres vivos! 
Hobsbawm, em seu livro “A Era das Revoluções”, discorre sobre a influência das pressões político-sociais sobre a produção científica. Questiona ele: “quais seriam as conseqüências das idéias evolucionistas para a estabilidade político-social defendida e apregoada pela Igreja em nome da Providência Divina?” (2001, p. 312). 
As pressões políticas acabavam favorecendo a divulgação, ao público, dessa nova teoria. Mas havia, por parte de alguns setores da sociedade, resistência às idéias evolucionistas e preocupação com as conseqüências desastrosas que poderiam ocasionar um caos social. 
Sob a influência da idéia criacionista, a hierarquia social e a distribuição de bens mantinham-se estáveis e inquestionáveis, pois o servo acreditava que sua posição social era dada por Deus. A maioria da população passava a vida sem lutar para mudar sua condição social. 
Esta condição favorecia alguns grupos que mantinham a maioria da população num regime de servidão. Sua riqueza jamais seria questionada, pois foi dádiva divina, merecimento.
As idéias evolucionistas trariam inquietação à população. Se os seres marinhos sofrem evolução ao longo de sua vida, por que o homem também não evoluiria? 
Na perspectiva das Ciências Sociais, especificamente da Antropologia, a discussão sobre a evolução humana legitimou a hierarquização dos seres humanos. Isso fez com que alguns povos europeus se julgassem superiores aos outros povos que não se enquadravam no modelo preestabelecido pelas idéias evolucionistas, classificando e subjugando o diferente como inferior. 
Contudo, muitas críticas foram levantadas a partir do final do século XIX, desmontando, tanto nas Ciências Sociais quanto nas Naturais, tais idéias e práticas, pois, ao longo da história, essas idéias legitimaram a discriminação, preconceitos, desigualdades sociais e muitas práticas violentas de dominação.
 
Afinal, o que é evolução? 
Como você pode perceber, as idéias evolucionistas estavam presentes mesmo antes da Teoria Evolucionista se consolidar. Já no século VI a.C., a hipótese da evolução da vida na Terra havia sido apresentada por alguns filósofos gregos, como: Tales, Anaximandro e Empédocles. Passados aproximadamente 25 séculos, no século XIX, os novos conhecimentos sobre a difusão dos organismos no tempo e no espaço geológico reacenderam o interesse e a discussão sobre evolução dos seres vivos na Terra. 
Em 1859, o naturalista inglês Charles Darwin (1809 - 1882), estimulado pelas idéias evolucionistas presentes no contexto histórico e social da época, coleta e estuda seres vivos e fósseis durante sua viagem ao redor do mundo, publicando o livro “A origem das espécies“, dez anos após o seu retorno, no qual expôs a sua explicação sobre a Teoria da Evolução das Espécies. Em poucas palavras, essa teoria afirma que as espécies atuais são descendentes de outras que viveram no passado e que ambas possuem ancestrais comuns. Quanto aos seres humanos, a teoria afirma, por exemplo, que nós e os chimpanzés pertencemos, hoje, a espécies obviamente diferentes, mas nossos antepassados, há milhões de anos, pertenceram à mesma espécie. 
Atualmente, estudos sobre a teoria da evolução baseiam-se na reconstrução da história evolutiva, agregando as evidências fósseis aos estudos da anatomia, embriologia, fisiologia comparada e genética dos organismos, buscando relações filogenéticas: quanto maior a afinidade entre duas espécies, maior a probabilidade de terem um ancestral comum.
 
Mas onde começa a história evolutiva da vida? 
Com o advento da evolução, os cientistas passaram a acreditar que todos os seres vivos existentes na Terra tiveram origem comum, a partir de uma única célula, há aproximadamente, 3,5 bilhões de anos. Essa célula, segundo a teoria evolutiva, seria simples, porém, muito semelhante àquelas que conhecemos hoje e que formam os seres procariontes e eucariontes. Somente 2,5 bilhões de anos após o surgimento dos organismos procariontes, o processo evolutivo daria origem aos primeiros seres eucariontes mais complexos quanto à organização celular.

Como uma única célula pode dar origem a tamanha diversidade entre os seres vivos? 
É difícil responder a essa pergunta com precisão, mas sabemos que a diversidade dos seres vivos do nosso planeta se manifesta em todos os níveis de organização – da célula aos ecossistemas – e diz respeito a todas as espécies vegetais, animais e aos microrganismos. 
A variedade desses seres é fundamental para que eles possam enfrentar as modificações ambientais. Quanto maior a diversidade, maior a opção de respostas da natureza, pois a distribuição dos seres vivos no planeta não é homogênea, nem estática.
É sabido que as formas de vida, inclusive a do homem, não foram sempre assim como conhecemos hoje. Desde que a vida surgiu no planeta Terra, vem sofrendo modificações, sejam elas provocadas pelo meio externo ou pelo meio interno (pH do citoplasma, herança genética, entre outros fatores). 
Os biólogos avaliam que, desde o surgimento da vida, existiram de 100 a 250 milhões de espécies, 90% das quais já desapareceram por completo. Essa diversidade biológica tem sua origem na variabilidade genética e nos processos de adaptação que permitem aos seres vivos responder à enorme variedade de estímulos do ambiente. 
Como o ambiente e as situações que ele impõe aos seres vivos, mudam continuamente, novas adaptações aconteceram e continuam acontecendo. As espécies que não são bem sucedidas entram em extinção (seleção natural). Entretanto, o caráter evolutivo não está restrito aos seres vivos, mas ao próprio meio, que também está sujeito à ação destes seres. 
Atualmente, são conhecidos entre o total de organismos, como animais, plantas, fungos e microrganismos, aproximadamente 1.700.000 espécies, mas os cientistas estimam que exista mais de 10 milhões de organismos ainda por descobrir e que, infelizmente, muitos deles desaparecerão antes que o homem possa conhecê-las.
Foi a partir de indagações como essas que os pesquisadores procuraram elaborar um sistema de classificação, numa tentativa de organizar a incrível abundância do mundo natural. E foi por meio da observação e da reflexão, que a humanidade foi conhecendo aspectos importantes a respeito dos seres vivos, os quais serviram como critério para identificação, a base para a sua classificação.
Você pode verificar que, ao longo da história, o homem aprendeu que a prática de classificar seres e objetos facilita a manipulação, além de permitir que seu estudo seja compartilhado entre pessoas, constituindo um eficiente método de comunicação. 
É importante que você saiba que nenhum sistema de classificação é completamente aceito por todos os biólogos. Um dos mais aceitos na comunidade científica, atualmente, é o Sistema de Classificação em Três Domínios, por possuírem um ancestral comum na evolução: Archaea e Bactéria (seres procariontes), e Eukarya (seres eucariontes). 
Mas, para facilitar a compreensão da distribuição dos seres vivos, utilizaremos o Sistema de Classificação em Cinco Reinos (FIGURA 1), proposto em 1969 pelo zoólogo Robert H. Whittaker (1920-1980), tendo como base para este sistema, a maneira pela qual os organismos obtém nutrientes de sua alimentação e como principal vantagem a clareza com que lida com os microrganismos. Fizemos tal escolha por ser o sistema de classificação que você já utiliza para identificar os seres vivos.
As características e os membros de cada um dos cinco reinos estão resumidos no quadro abaixo: 
Você já parou para pensar: com a existência de tanta diversidade, quais são os seres mais abundantes da biosfera?
No esquema de classificação apresentado, os procariontes constituem o reino Monera, considerado o reino mais primitivo e normalmente obtendo alimento por absorção, no caso das bactérias, e por fotossíntese ou quimiossíntese, no caso das cianobactérias. O reino Protista inclui os microrganismos eucariontes e já apresentam três tipos de nutrição: por ingestão ou absorção, no caso dos protozoários e pela fotossíntese, no caso das algas unicelulares.
Os organismos eucariontes superiores são colocados nos reinos: Fungi (absorvem os nutrientes, por não apresentarem pigmento fotossintetizante, a clorofila), Plantae (plantas verdes e algas superiores fotossintetizantes) e Animalia (que ingerem os alimentos e em alguns casos, como dos parasitas, que obtém seus nutrientes por absorção).
Neste universo tão diversificado de seres vivos, cada qual com características próprias, a reprodução vem como diferencial para resolvermos o problema inicial sobre os seres mais abundantes que existem. Em condições adequadas de alimento e temperatura, uma bactéria pode reproduzir-se a cada 20 minutos, dando origem, 11 horas depois, a seis bilhões de células (número próximo da população humana mundial em 1999, segundo dados da ONU).
Os Protistas não se desenvolvem a partir de um embrião, como ocorre em plantas e animais, não se desenvolvem a partir de esporos característicos como nos fungos, e nem com a rapidez das bactérias. Como exemplo, temos a ameba (figura 2), que em condições ideais de laboratório (24º C), necessita de alguns dias para se reproduzir.
No caso dos fungos, eles têm em comum com as plantas a formação de esporos, por esta razão, foram por muito tempo classificados no reino das plantas. Porém hoje formam um grupo à parte. Sabe-se que não formam sementes, são desprovidos de pigmentos fotossintetizantes e responsáveis pelos processos decompositores. Quanto à reprodução vamos usar um exemplo muito conhecido, o fermento biológico comprado no supermercado, conhecido como lêvedo, cujo nome científico é Saccharomyces cerevisiae. Ao longo de sua vida, uma célula, por gemação, pode produzir cerca de 20 células-filhas. Temos também nesse grupo o champignon Agaricus bisporus que leva em média 20 dias para se reproduzir.
Mas existem seres que necessitam muito mais tempo para a reprodução, como a Pitangueira, uma Angiosperma que leva de sete a oito anos, em condições favoráveis de solo, clima e luminosidade, para gerar seus descendentes. Entretanto, dentro das Gimnospermas, existem outras espécies que levam muito mais tempo para alcançar a maturidade de reprodução, como é o caso da Araucaria angustifolia (Pinheiro do Paraná), com tempo estimado entre 18 a 20 anos.
No reino Animalia incluem-se os animais derivados de zigotos (uma célula formada pela união de dois gametas, tais como óvulo e espermatozóide). O tempo aproximado de incubação é característico para cada espécie. No caso de um anfíbio muito comum, o sapo, por exemplo, do momento da fecundação até a metamorfose completa de cada indivíduo, leva em média 3 meses. Já nos grandes mamíferos, 9 meses na espécie humana, e 20 meses no elefante.
O mundo microbiano é composto por seres que não podem ser vistos a olho nu. São seres muito abundantes no planeta, por serem encontradas nos mais variados ambientes. Seu pequeno tamanho permite um metabolismo elevado, crescimento incrivelmente rápido e velocidade na conversão de nutrientes em energia, como é o caso das bactérias.
Dentre todos estes fatores envolvendo as bactérias, está aí a razão pela qual são amplamente utilizadas em pesquisas científicas e atualmente em grande escala, na engenharia genética.
A engenharia genética desenvolveu técnicas capazes de transferir genes de um ser vivo para outro. Por exemplo, quando o gene responsável pela produção do hormônio insulina, em seres humanos, é transplantado para o interior de certas bactérias, elas passam a produzir o mesmo hormônio, seguindo a informação determinada pelo gene humano.
Esse é um exemplo de como os cientistas podem dirigir o “comportamento” de bactérias geneticamente modificadas para fins previamente definidos. As bactérias portadoras de genes transplantados atuam como “fábricas” a serviço dos interesses humanos.
Sem dúvida, estamos diante de um dos acontecimentos mais importantes da história da humanidade, com repercussões incalculáveis em todos os setores da nossa vida. De tal forma, e em tamanha profundidade, podemos dividir a nossa história em pré e pós-engenharia genética, pelos impactos e modificações dessa biotecnologia na medicina, na pecuária, na agricultura e na vida em sociedade.
De fato, temos que concordar: as bactérias estão por toda parte, com uma função ecológica de fundamental importância para a manutenção de vida no planeta. Portanto, vários são os motivos que justificam a importância do mundo bacteriano para a humanidade.
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