Crise econômica do Império Romano
A economia do Império Romano estava assentada na escravidão e no latifúndio. Os escravizados eram os responsáveis pelas construções monumentais nas cidades, pelo trabalho no campo e por alguns serviços domésticos. Por essa razão, o papel econômico que tinham em Roma não deve ser menosprezado. Sem eles, certamente não teríamos grande parte dos edifícios que tanto admiramos hoje. Como produtores de riqueza, eram os escravizados que faziam a grande parte do trabalho considerado degradante pela aristocracia romana.
Por séculos, Roma conseguiu suprir a sua demanda por mão de obra escravizada. Normalmente, essas pessoas eram prisioneiras adquiridas nas conquistas militares das legiões romanas e sem seus direitos mais básicos respeitados, podendo ser vendidas ou mortas pelos próprios proprietários a qualquer momento. 
Entretanto, a política expansionista romana já não tinha, durante o século III, o mesmo ímpeto que teve durante o período de Augusto (século I) a Marco Aurélio (século II), reconhecido como o auge militar do Império. Para suprir a demanda por mão de obra, algo muito importante para o crescimento de sua economia, o Império Romano tinha a necessidade de manter guerras constantes e em diversos fronts contra os povos conhecidos como bárbaros, scravizando mais pessoas.
No século III, o afluxo de pessoas escravizadas diminuiu consideravelmente, o que iniciou uma crise econômica de grandes proporções. O preço para se ter um trabalhador escravizado aumentou consideravelmente, afetando diretamente a produção de alimentos e os custos de cereais essenciais na alimentação cotidiana tanto da população plebeia quanto aristocrata. Quanto mais caro ficava manter e ter uma pessoa escravizada, mais caro se tornava o produto final desse trabalho. Como o trigo, que dependia dos escravizados para ser plantado e colhido, sendo essencial na produção do pão.
Somado à diminuição do lucro obtido pelos proprietários latifundiários, ao aumento do custo dos cereais, e à falta de mão de obra escrava, houve o declínio da arrecadação de impostos pelas autoridades romanas. Assim, os recursos financeiros para manter a estrutura administrativa e militar do Império Romano, indispensável para sua segurança, já não existiam em abundância como nos tempos da pax romana. 
Observe que esses fatores estão interligados, pois quem financiava as conquistas das legiões romanas eram os impostos recolhidos dos latifundiários. Eles, por sua vez, se beneficiavam com a expansão territorial do Império e com a chegada de novos prisioneiros de guerra para trabalharem no campo. Em suma, o latifundiário dependia das conquistas militares e vice-versa.
Para resolver o problema de falta de mão de obra, os romanos adotaram o sistema do colonato. Muitos plebeus empobrecidos e até escravizados libertos buscaram os latifundiários para sobreviver. Assim, os proprietários de terras cediam lotes de terra para os colonos, desde que eles pagassem com parte da produção agrícola. Essa prestação de serviço dos colonos em troca de terras e proteção se tornou vitalícia e hereditária, pois o colono ficou preso à terra que havia recebido.
A crise econômica do século III e o contrato de colonato iniciaram o predomínio do campo em relação à cidade. Afinal, nesse período, grande parte da população romana encontrou a possibilidade de subsistência no trabalho rural, em detrimento das atividades associadas à cidade, que estava em plena decadência. Os latifúndios eram autossuficientes, produzindo a sua própria alimentação e mercadorias para consumo dos seus moradores, diferentemente das cidades, que historicamente eram centros de comércio cosmopolitas.
 
Crise política do Império Romano
A grandeza do Império, disperso em três continentes, somada a um momento de crise econômica, representou um desafio a seus líderes políticos romanos. Poderia apenas um homem governar sozinho um Império tão grande? A resposta encontrada pelo imperador Diocleciano (245-313), em 285. d.C. foi reformar e descentralizar o poder, para que Roma mantivesse influência em seus domínios. 
Essa reforma ficou conhecida como Tetrarquia, pois estabeleceu um colegiado formado por dois Augustos e dois Césares. Um Augusto e um César ficariam responsáveis pelo Ocidente, ocorrendo o mesmo no Oriente. A fim de evitar disputas políticas entre os quatro governantes, ficou instituído que os césares sucederiam aos augustos. Foi incorporado um ritual chamado adoratio, em que o poder do imperador era representado como de origem divina. O Império foi dividido em duas partes (Ocidental e Oriental), quatro prefeituras, doze dioceses e inúmeras províncias. A Tetrarquia teve breve duração. Em 312, Constantino Magno (272-337) alcançou o predomínio sobre todos os outros governadores de Roma.
Com a divisão política entre Ocidente e Oriente, o Império Romano tinha agora duas capitais: Roma, sede do Ocidente, e Bizâncio, do Oriente. Foi em Bizâncio, sob a liderança de Constantino, ue ocorreu uma transformação religiosa com grande impacto nos domínios romanos. 
O cristianismo: de religião perseguida a religião oficial
O cristianismo teve origem no século I, na Palestina, quando essa região estava sob ocupação das legiões romanas. Inicialmente, os primeiros cristãos foram perseguidos como criminosos pelas autoridades romanas, pois se recusavam a cultuar o imperador e a participar do exército – atitudes compreendidas como de desobediência às leis de Roma. Porém, mesmo com a perseguição, a religião cristã ganhou rápida popularidade entre a população do Império. 
Há vários motivos para esse ganho de popularidade, conectados à própria mensagem da religião: 
• Os cristãos, como descendentes dos judeus, não aceitavam outros deuses além do seu.
• Davam ênfase à imortalidade da alma e aos milagres.
• Mantinham uma vida austera, evitando o luxo atribuído às religiões pagãs.
• Eram organizados, estabelecendo hierarquias entre si.
A rápida expansão do cristianismo está relacionada à própria existência do Império Romano. As estradas, que conectavam com facilidade diferentes partes do Império, foram muito úteis aos apóstolos cristãos e à pregação de sua mensagem.
Um homem que fez da transmissão dos valores cristãos aos povos sob domínio romano seu objetivo de vida foi Paulo de Tarso, cidadão romano de origem judaica e habitante de uma pequena cidade (Tarsus) que hoje pertence à Turquia. Paulo viveu no mesmo tempo que Jesus, mas nunca chegou a conhecê-lo. Sua atuação foi determinante para a abrangência da fé cristã, pois, como cidadão romano, tinha trânsito livre nas estradas imperiais, podendo ir de Damasco a Jerusalém sem ser questionado. Sua grande realização foi introduzir a religião cristã, além das terras palestinas. Não é certo o ano da morte de Paulo, mas segundo a tradição cristã ele foi decapitado em Roma, quando Nero era o imperador.
O crescimento do número de cristãos no Império Romano foi significativo. Isso levou o imperador Constantino, no século III, a adotar a liberdade do culto, efetivada pelo Édito de Milão, em 313. Ao fazer isso, os cristãos romanos não precisavam mais temer por suas vidas apenas por pregarem sua religião. Em 380, o imperador Teodósio assumiu o poder e assinou o Édito de Tessalônica, propagando o cristianismo como a religião oficial das terras romanas. As práticas religiosas tradicionais, associadas aos mitos greco-romanos de Roma, foram proibidas e alguns de seus templos destruídos.
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