Pré-História

2. Pré-História
“Pré-História” é o termo usado para designar o período que se estende do aparecimento da humanidade sobre a Terra há cerca de 200 mil anos até a invenção da escrita, cerca de 4000 a.C. Nesse período, muitos registros foram feitos, como as pinturas rupestres. 

 

Primeiras histórias
A denominação “Pré-História” foi dada pelos historiadores europeus do século XIX. Nesse período, acreditava-se que somente os povos que tinham escrita, consequentemente, possuíam História, pois a única fonte considerada confiável era o documento escrito, tratando como irrelevante as pinturas, os objetos de uso cotidiano e as esculturas. Para essa concepção tradicional, a invenção da escrita significava um marco de distinção entre as sociedades.
Atualmente, a divisão dos períodos em Pré-História e História gera muitas discussões entre os estudiosos. Essa denominação deve ser usada apenas para se referir às diferentes fases do processo histórico, e não como forma de afirmar que uma sociedade é superior à outra. 
Nas sociedades daquele período, a tradição oral, sobretudo, conservava os traços do passado, transmitidos de geração a geração por meio de danças, cantos e rituais, conservando e ampliando a memória coletiva. 
Com base no que você viu até o momento e em seus conhecimentos prévios, é correto afirmar que não há registros gráficos da Pré-História?

 

Primeiros seres humanos
Quem nunca se perguntou como os seres humanos surgiram? Para cada povo, em cada cultura, há uma resposta diferente, que depende de suas crenças, sua religiosidade e de como cada cultura entende o mundo.
Para compreendermos como os povos da Antiguidade entendiam e explicavam o mundo, quais eram suas crenças, o que acreditavam ser certo e errado, bom e mau, muitas vezes recorremos aos mitos. Eles são narrativas fantásticas, que representam pensamentos, histórias de forma alegórica utilizadas para explicar o que era desconhecido.
Sem ignorar a importância dos mitos, a História realiza estudos sobre as primeiras sociedades humanas com base em vestígios arqueológicos, como as pinturas rupestres, os fósseis e os sambaquis.
As pinturas rupestres eram feitas com pigmentos naturais, misturados a sangue, gordura animal, carvão e ovos. Para outras pinturas, faziam pincéis usando pelos de animais amarrados a gravetos.

 

Alegoria: metáfora, representação.
Os sambaquis, que em tupi significam “amontoados de conchas”, são sítios arqueológicos onde estão preservados vestígios de sociedades litorâneas brasileiras que viveram entre 6000 a.C. e 1000 d.C. Entre as conchas podem ser encontrados ossadas, pedaços de cerâmicas, utensílios e ferramentas feitas de pedra ou de ossos de pessoas e animais.

 

Um ancestral comum
A cronologia aproximada do aparecimento do homem sobre a Terra é cada vez mais remota. Atualmente, grande parte dos cientistas considera que os seres humanos descendem de um ancestral comum, que teria vivido na África há cerca de 3 milhões de anos. Os pesquisadores chegaram a essa conclusão porque, em 1974, foi encontrada na Etiópia uma ossada de Australopithecus afarensis de aproximadamente 3 milhões de anos. 
Os homo sapiens (nossa espécie) existem há 200 mil anos, segundo os vestígios e indícios no continente africano.
Para sobreviver, os primeiros grupos humanos precisaram aprender a dominar a natureza: desenvolveram técnicas para criar ferramentas e instrumentos, aprenderam a contar o tempo, construíram os primeiros abrigos etc.
Os estudiosos costumam dividir a Pré-História nos períodos Paleolítico e Neolítico. Essa divisão foi criada de acordo com o tipo de material e a técnica utilizada pelos primeiros grupos humanos para a elaboração de seus instrumentos. Um dos materiais mais utilizados pelos homens da Pré-História era o sílex (pedernal), mas também usavam fibras naturais, dentes, peles e ossos de animais, madeira, dentre outros. A pedra, por sua durabilidade, resistiu melhor ao tempo, e por isso são vestígios mais conhecidos daquele período.

 

Paleolítico ou Idade da Pedra Lascada
O período chamado Paleolítico (do grego, palaiós, antigo; líthos, pedra), ou Idade da Pedra Lascada, começou com os primeiros grupos humanos, que viviam na África Oriental há cerca de 3 milhões de anos. Recebeu esse nome porque os vestígios encontrados desse período mostram objetos elaborados com pedra. Ao bater uma pedra na outra, podiam moldar formas pontiagudas para seus instrumentos.
Nossos ancestrais paleolíticos eram caçadores e coletores de alimentos. Viviam em grupos familiares pequenos, em sistemas de cooperação mútua. Não cultivavam a terra, por isso não estabeleciam aldeamentos duráveis. Eram nômades, pois se deslocavam constantemente em busca de alimento e água, essenciais para a sobrevivência. As condições climáticas também incentivaram deslocamentos humanos.
Naquela época, segundo os estudiosos, a alimentação dos seres humanos já era onívora. As mulheres se dedicavam à coleta de grãos, frutos, raízes, ovos e outros alimentos. Aos homens cabia a tarefa de caçar e pescar.
A caça de animais significou uma série de benefícios para o grupo, pois, além da carne, fornecia o couro para tendas, roupas e tiras, que se transformavam em sapatos. Os tendões eram utilizados como fios para a costura, e os ossos serviam para a fabricação de um tipo de botão, acessórios e flautas.
Pode-se dizer que foram os povos do Paleolítico que iniciaram a prática de sepultar os mortos, às vezes com oferendas, sugerindo uma crença na vida após a morte. 
Um dos importantes feitos dessa época foi a dominação do fogo. No início, não sabiam como produzi-lo. Contudo, aprenderam a mantê-lo aceso. A utilização do fogo enriqueceu a dieta desses grupos, uma vez que a carne poderia ser cozida. 
O Período Paleolítico terminou há cerca de 10 mil anos, quando o homem desenvolveu processos de domesticação de plantas e animais. 

 

Neolítico ou Idade da Pedra Polida
Há cerca de 10 mil anos, teve início o Período Neolítico (do grego, neo, novo; lítico, pedra) ou Idade da Pedra Polida. Recebeu esse nome em razão de os artefatos de pedra serem pontiagudos e polidos.
Naquela época, o homem descobriu como domesticar os animais e cultivar a terra, estabeleceu aldeamentos e desenvolveu a tecelagem. Essas realizações tiveram tamanha importância que foram chamadas de Revolução Neolítica.
Os caçadores e coletores do Paleolítico eram obrigados a utilizar os recursos que a natureza colocava à sua disposição, já os agricultores do Neolítico modificavam o meio em que viviam de modo a atender às suas necessidades. Assim, diz-se que a Revolução Agrícola ou Neolítica, com a domesticação de animais e a prática da agricultura, foi responsável por transformar a vida na Pré-História de nômade em sedentária. Isso significa que favoreceu o surgimento de povoados permanentes, já que os agricultores tinham que viver próximos aos campos que cultivavam e podiam armazenar alimentos. 
A garantia de alimentos permitiu ainda que a população aumentasse. Os grãos secos ou torrados podiam ser armazenados, assim como o excedente de produção era utilizado para o comércio. 
No fim do Neolítico, iniciaram os trabalhos com a fundição de metais. Esse conhecimento, séculos depois, aprimorou o desenvolvimento de civilizações como a do Egito Antigo.

 

Primeiras migrações
Vimos até agora as transformações ocorridas entre os diferentes períodos da Pré-História. Também vimos que há registros e vestígios humanos nos cinco continentes. Mas como aconteceu o povoamento dos continentes?
Há inúmeras teorias que explicam a migração de pessoas, as mais aceitas pela comunidade científica indicam que os grupos partiam da África para outras localidades. Primeiro chegaram ao Oriente Médio, posteriormente seguiram em direção à Europa e à Ásia. Da Ásia chegaram às Américas.
Para chegarem às Américas, segundo uma teoria, durante a Era Glacial, o Estreito de Bering (separando atualmente a Rússia do Alasca) estava congelado, desta forma permitindo que os seres humanos migrassem da Ásia até o nosso continente. Outra teoria indica que partiram das ilhas na Polinésia, na Oceania, em direção à América, entrando pelo atual território do Chile.

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