A antiguidade oriental: Mesopotâmia

As civilizações mesopotâmicas se organizaram na região que hoje é chamada de Oriente Médio, sendo que a maior parte compreende o território do atual Iraque. Nessa região, a humanidade iria aperfeiçoar a agricultura, a escrita e daria início à construção das primeiras cidades.
 
Localização
As civilizações mesopotâmicas se desenvolveram na região que atualmente é conhecida como Oriente Médio e compreende o chamado Crescente Fértil. Essa denominação é proveniente de sua localização geográfica entre diversos rios, em especial, o Tigre e Eufrates.
Apesar de compreender uma região com altas temperaturas e clima seco, fatores que favorecem o surgimento de áreas desérticas, a presença de rios beneficiou a população local, auxiliando na sedentarização humana. Tudo porque ocorriam, periodicamente, enchentes que umedeciam a terra, possibilitando a prática da agricultura e a criação de animais.
 
Povos mesopotâmicos
Não foram somente os povos mesopotâmicos que usufruíram da região do Crescente Fértil, o Egito, a Palestina e a Fenícia, regiões e civilizações que serão estudadas nas próximas unidades.
O Crescente Fértil foi ocupado por comunidades de pastores e agricultores há cerca de 7 mil anos. Pela observação dos ciclos da natureza, esses povos conseguiram utilizar em seu favor, principalmente, as enchentes dos rios que banhavam essas terras e favoreciam o cultivo de cereais.
Ao aumentar a produção de comida, consequentemente houve o crescimento da população e, aos poucos, surgiram aldeias que gradativamente se transformaram em vilas e cidades. Para se protegerem, esses povos organizaram exércitos. Também estruturaram a sociedade e as formas de governos, geralmente comandados por reis que, por vezes, dominavam outras cidades e outros povos.
Assim, durante a Antiguidade, a região da Mesopotâmia foi conquistada por diferentes povos, como os sumérios, os acádios, os babilônicos e os assírios.
 
Sumérios e acádios
Das pequenas aldeias, surgiram as cidades. Estudos comprovam que as primeiras cidades mesopotâmicas foram criadas pelos sumérios, por volta de 3 000 a.C. Essas cidades autônomas foram Kish, Ur, Uruk, Nipur e Lagash, consideradas cidades-Estados.
Cada cidade-Estado era governada por um patesi, chefe político-religioso local. A disputa pelo poder entre as cidades-Estados enfraqueceu os sumérios, que foram dominados pelos acádios por volta de 2550 a.C.
Contudo, a estrutura político-administrativa dos acadianos era frágil e possibilitou que os sumérios reconquistassem o poder em algumas cidades-Estados. Por volta de 2100 a.C., os acadianos foram dominados pelos amoritas, que fundaram o Primeiro Império Babilônico.
 
Babilônicos
Os acádios foram dominados pelos amoritas, povo semita (tribos originárias da Península Arábica) que veio do Deserto da Arábia.
No governo do rei Hamurabi (1792 a.C.-1750 a.C.), houve a unificação da Mesopotâmia e a fundação do Primeiro Império Babilônico, sediado na cidade de Babilônia. Durante seu reinado, a Babilônia foi o centro cultural, econômico, político e religioso do Império.
Hamurabi foi um rei autoritário. Seu maior legado foi o código de leis que levou seu nome e caracterizava sua forma de governo. Com essas leis, escritas com base na Lei de Talião (“Olho por olho, dente por dente”), Hamurabi pretendia organizar a sociedade, estabelecendo os direitos das diferentes classes sociais, como: homens livres, semi-livres e escravos. Após sua morte, o Império Babilônico entrou em decadência, sendo dividido entre os vários povos que o invadiram. Assim, começou o Império Assírio.
Assírios
Os assírios viviam na cidade de Assur, ao norte da Mesopotâmia. Com um forte exército, por volta de 1300 a.C., os assírios haviam conquistado as cidades do Antigo Império Babilônico, formando o Império Assírio. Seus domínios se estenderam pela Síria, pela Palestina até o Egito Antigo.
Por séculos, os assírios dominaram a Mesopotâmia, até que, em 620 a.C., os habitantes da Caldeia, ao sul, uniram-se aos medos, – povo que habitava o Planalto do Irã. Caldeus e medos venceram os assírios e fundaram o Segundo Império Babilônico.
 
Segundo Império Babilônico
Mesmo com forte aparato militar, composto por carros de guerra puxados por cavalos e armas de ferro, os assírios não resistiram aos exércitos dos caldeus e dos medos. Assim, sob o comando do rei Nabopolassar, em 620 a.C., a cidade da Babilônia foi restaurada como um centro político, administrativo, econômico, cultural e religioso da Mesopotâmia.
Durante o Segundo Império Babilônico, a Babilônia atingiu o apogeu. Contudo, foram poucos seus anos de glória. O exército persa comandado por Ciro, em 539 a.C., conquistou a Babilônia e deu início ao Império Persa no Oriente.
 
Sociedade
Na sociedade mesopotâmica, houve uma variedade cultural e social, em razão das dominações de diferentes povos ao longo de séculos de história. De modo geral, a sociedade era formada por homens livres e pessoas escravizadas, geralmente como prisioneiros de guerra. Entre as pessoas livres, havia os aristocratas (representantes da nobreza), os governantes, sacerdotes, funcionários públicos, militares e comerciantes.
Como a base econômica da sociedade mesopotâmica era a agricultura, entre as pessoas livres havia os camponeses e artesãos, responsáveis pelo pagamento de altos tributos em produtos e prestações de serviço ao governo. Na região, cultivavam-se cevada, trigo, tâmaras e outros produtos. As práticas comerciais tiveram grande desenvolvimento após o contato com outros povos da Arábia, da Índia e do Golfo Pérsico (fenícios).
 
Religião e cultura
Os povos mesopotâmicos eram politeístas, isto é, cultuavam vários deuses. Também eram animistas, o que significa que seus deuses representavam elementos da natureza: Anu (deus do céu), Enlil (o deus da atmosfera), Enki-Eka (o deus dos rios), Utu (o deus do Sol), Sin (a deusa da Lua).
A realização de rituais, ao ar livre ou em grandes templos, fazia parte das homenagens a esses deuses. Tudo isso para assegurar que seus deuses não os punissem com doenças, guerras ou uma colheita ruim.
Nos rituais, comandados pelos sacerdotes, faziam- -se sacrifícios, oferendas e orações, além da prática ou consulta a adivinhações, magias e presságios. Os mesopotâmicos consideravam os sacerdotes representantes dos deuses. Por isso, a relação do povo com sacerdotes e os reis era de devoção.
 
A escrita cuneiforme
Os mesopotâmicos desenvolveram a escrita cuneiforme, por volta de 5 mil anos. Por meio de tabuletas de argila, os sumérios gravavam desenhos e pictogramas. Gradativamente, esses desenhos foram incorporando ideias e sentimentos, formando ideogramas, símbolos que representam um sentimento ou conceito.
O sistema de escrita era utilizado, basicamente, para registrar bens, cobranças de impostos e transações comerciais. Também foram registrados textos jurídicos, religiosos, políticos e literários. Por ser uma atividade especializada, somente os escribas dominavam a escrita e obtinham cargos de confiança entre os governantes.
Com o desenvolvimento da escrita, foram registrados estudos sobre Astronomia e Matemática. Os mesopotâmicos observavam a Lua, o Sol e as estrelas e os consideravam meios de comunicação com os deuses. A observação do céu os auxiliava no reconhecimento das estações do ano e, assim, definir um calendário dividido em 12 meses lunares. As observações das fases da Lua levaram à divisão da semana em sete dias.
Foi assim também com a Matemática. A necessidade de medir e demarcar as terras após as enchentes instigou os mesopotâmicos a desenvolver conhecimentos matemáticos e a criação dos princípios da Álgebra. Também desenvolveram um sistema de pesos e medidas, organizaram tabelas para facilitar os cálculos e construíram relógios de sol e água.
Hebreus
De origem semita, os hebreus eram nômades que se estabeleceram na região da Palestina no século XVIII a.C. As secas os obrigaram a migrar para lugares mais férteis, como o Delta do Nilo, durante a dominação dos hicsos, em torno de 1700 a.C. Com o fim da dominação estrangeira, os hebreus sofreram com a política do governo egípcio em relação aos outros povos, tendo sido servilizados. Durante este período, fomentaram a ideia de retornar à “Terra Prometida” por Deus (a Palestina). Partiram guiados por Moisés, que morreu antes de chegar ao destino desejado. O Antigo Testamento é a principal fonte da história dos hebreus e trata-se de um conjunto de textos em que existe a narrativa deste período de peregrinação, notadamente no texto do Êxodo.
De volta à Palestina, tiveram dificuldade para povoar a terra, ocupada por outros povos. Lutaram intensamente para reconquistar a terra (territórios próximos ao Rio Jordão), enfrentando dificuldades devido à fragmentada organização política (divisão em 12 tribos chefiadas por um juiz, líder militar e religioso). Para fortalecê-la, a junção de tais tribos deu origem à monarquia hebraica, cujo primeiro soberano foi o rei Davi. O apogeu dessa forma de governo foi com o rei Salomão, herdeiro do primeiro rei. Sua morte dividiu o reino em dois: Judá e Israel. A divisão enfraqueceu o povo hebreu, que foi dominado por assírios, caldeus (no já mencionado cativeiro da Babilônia, durante o reinado de Nabucodonosor), persas, gregos e romanos. Expulsos por estes últimos no episódio conhecido como diáspora, os hebreus permaneceram até o século XX – mais precisamente, 1948, com a criação do Estado de Israel – sem pátria.
Podemos traçar uma característica dos hebreus fundamental para diferenciá-los dos outros povos da região: o monoteísmo. Tratou-se da primeira experiência bem-sucedida de religião monoteísta da Antiguidade. A religião é o elemento central na civilização hebraica – cuja lei é pautada pela Torá – e estabelece uma união cultural e identitária deste povo.
 
Fenícios
Bem como os hebreus, os fenícios eram um povo semita. Suas origens remontam ao terceiro milênio a.C., quando ocuparam uma estreita faixa litorânea – atual Líbano – ao norte da Palestina. Eis algumas de suas peculiaridades: eram marinheiros e comerciantes, uma vez que suas terras férteis eram escassas. Os fenícios foram grandes navegadores de seu tempo, devido à ampla atividade comercial, pois travaram contato com outras civilizações.
Exportavam seus produtos para todo o Mediterrâneo (vinho, azeite, objetos de madeira, marfim, tecidos tingidos usados pelas altas camadas sociais dos grandes impérios da Antiguidade). Importavam os itens de que necessitavam, sobretudo cereais. Estabeleceram colônias/feitorias em várias partes do Mediterrâneo (Mar Egeu, Ásia Menor, Sicília, Sardenha, Espanha, entre outras). Uma das mais famosas foi Cartago (Golfo de Túnis, norte da África), a mais importante colônia ocidental.
Organização política
Diferentemente dos egípcios, não constituíam um império, dividindo-se em cidades-estados governadas por um rei, juntamente com um conselho de anciões, magistrados e sacerdotes.
Aspectos culturais
Certamente, a grande contribuição da cultura fenícia foi o alfabeto, mais simples (composto por apenas 22 letras) e dinâmico do que o cuneiforme mesopotâmico e o hieroglífico egípcio. Acredita-se que foi elaborado na cidade-estado de Biblos, uma das mais importantes da civilização fenícia. Habitando uma estreita faixa de terras áridas, entre as montanhas do Líbano e o Mar Mediterrâneo, os fenícios dedicaram-se ao comércio marítimo.
A presença de florestas de cedro na região montanhosa facilitou o desenvolvimento da indústria naval, favorecendo a navegação. Essa civilização se deu entre 1400 e 600 a.C. Os fenícios nunca formaram uma unidade política. Estavam organizados em cidades-estados, governados por oligarquias mercantilistas; entras elas, destacam-se as cidades de Tiro, Sidon, Biblos e Ugarit. Essas cidades comercializavam ouro, prata, estanho, cobre, marfim, âmbar, madeiras, peles finas, seda, linho, gado, perfumes, condimentos, alimentos e escravizados. Pela necessidade de comunicação com outras nações, organizaram um código de escrita: o alfabeto fenício, mais tarde adotado pelos gregos, que colocaram nele as vogais, transformando-o naquele que se conhece hoje.
 
Persas
Os povos medos e persas, de origem ariana e indo-europeia, vêm da região oriental do Cáucaso (Ásia Central). Em busca de boas pastagens, deslocavam-se constantemente, do Cáucaso ao Planalto do Irã. No século VIII a.C., eram grupos organizados em pequenos estados – destacando-se o Reino dos Medos (ao sul do Mar Cáspio) e o Reino dos Persas (a leste do Golfo Pérsico).
Os conflitos em que os medos, juntamente com os caldeus, derrotaram o Império Assírio resultaram na constituição do Império Neobabilônico (para os caldeus) e de um reino englobando persas aos medos. Ciro (550-529 a.C.), então rei da Pérsia, fundiu os dois reinos, formando o Império Persa, cuja expansão territorial foi levada a cabo respeitando as diferenças culturais e religiosas dos povos subjugados. Foi sob o reinado de Ciro que se deu a conquista da Babilônia, libertando os hebreus do cativeiro.
O sucessor de Ciro foi seu filho Cambises, que conquistou o Egito em 525 a.C. e morreu sem deixar filhos. Após sua morte, assumiu o poder Dario, soberano persa considerado um administrador exemplar e responsável pelo apogeu do império. Dario dividiu o império em satrapias, unidades administrativas com relativa autonomia, governadas pelos sátrapas e fiscalizadas por inspetores reais (os “olhos e ouvidos do rei”). Apesar da magnitude e da extensão do Império Persa, as satrapias não ficavam isoladas uma das outras: eram interligadas por uma ampla rede de estradas que cortava todo o império, viabilizando uma rápida comunicação entre elas – evidenciada pelo eficaz sistema de correios –, algo raro à época. A sólida unidade do Império Persa habilitou a circulação da primeira moeda com valor aceito e confiável no mundo antigo: o dárico.
Porém, o bem-sucedido reinado de Dario foi marcado por um conflito militar que visava garantir o domínio completo das colônias gregas: foram as Guerras Médicas, início da decadência do Império Persa. O desgaste da luta e, principalmente, vitória dos gregos desencadearam o declínio irreversível do império que, apesar de conseguir conter várias revoltas da população (já na época de Xerxes), sucumbiu à conquista do território por Alexandre Magno, que derrotou Dário III, um século depois.
 
Características econômicas
Viviam, basicamente, do cultivo agrícola e do recolhimento de tributos cobrados dos povos dominados.
 
Divisão social
Uma minoria integrava a elite, composta por imperador, sacerdotes, sátrapas e inspetores reais. A maioria restante da população englobava camponeses, artesãos, comerciantes e afins.
 
Aspectos culturais
Os persas fizeram uma síntese cultural com outros povos. No campo religioso, merecem destaque o mazdeísmo e o mitraísmo. O primeiro foi fruto de uma profunda mudança na religião, realizada pelo profeta Zaratustra, que alegava haver uma luta entre o bem (deus Mazda) e o mal (deus Ahriman) envolvendo o homem. De acordo com o profeta, o homem deve seguir Mazda, deus que venceria o conflito. Já o mitraísmo valorizava o bem e a vida após a morte.
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