Fenícios 
Entre os povos do Crescente Fértil, os fenícios ganharam destaque por suas habilidades na navegação e no comércio. Além disso, deram uma grande contribuição à humanidade ao aprimorar o ato de escrever, inventando o próprio alfabeto. Esse alfabeto influenciaria a formação de muitos outros, inclusive a do grego. Segundo alguns estudos, apenas os alfabetos da China e do Extremo Oriente não foram influenciados pelos fenícios.
De origem semita, habitavam a região próxima ao Egito, a Chipre e à Ásia Menor. Atualmente, essa região é praticamente toda ocupada pelo Líbano. Banhada pelo Mar Mediterrâneo, sua posição geográfica era privilegiada. Além disso, a região dispunha de portos naturais, favorecendo a navegação.
Constituída por uma área com relevo montanhoso e com terra fértil, era uma área pequena, mas bem utilizada, basicamente para o cultivo de oliveiras e frutas. Os fenícios dedicavam-se à pesca e à extração de madeira como carvalho, pinheiros e cedro-do-líbano, árvores abundantes na região.
Assim como os mesopotâmicos, os fenícios estavam organizados em cidades-Estados que compartilhavam elementos culturais, como o idioma, a religião e o alfabeto. Entre as cidades-Estados da Fenícia, merecem destaque Biblos, Sídon, Tiro, Arad e Ugarit. Não pretendiam ampliar seu domínio territorial. Contudo, era fundamental conquistar o maior número de rotas comerciais, sobretudo, marítimas. Com esse objetivo, fundaram no Mediterrâneo várias colônias e receberam concessões de outros Estados para fundar feitorias, onde poderiam comercializar seus produtos. As colônias fenícias mais importantes foram Cádiz, Cartago e, nas ilhas do Mediterrâneo: Chipre, Sicília e Sardenha.

 

Sociedade, religião e cultura 
Mercadores e exímios navegantes, os fenícios desenvolveram uma cultura muito influenciada pelos povos com quem realizavam comércio, sobretudo os egípcios, mesopotâmicos e hititas. Eles foram responsáveis por um verdadeiro intercâmbio de conhecimentos, levando em seus navios muito mais que produtos, mas também pessoas com diferentes ideias, conhecedores de ciências e de artes.
O contato com cretenses e egípcios favoreceu o aprimoramento das técnicas de navegação fenícias.

 

Sociedade 
Cada cidade-Estado possuía um rei que governava em uma monarquia hereditária, ou seja, a sucessão do trono era passada de pai para filho. O poder real era dividido com o Conselho dos Anciãos, formado pelos homens mais velhos e ricos de cada cidade. A riqueza de cada um desses anciãos vinha do comércio que cada um comandava.
Como eram de tradição no comércio marítimo, pode-se dizer que os fenícios possuíam uma talassocracia, um governo com supremacia marítima ou poder proveniente de práticas políticas e econômicas relacionadas ao mar. 
A monarquia deixou de ser hereditária quando o Conselho começou a definir quem governaria as cidades-Estados. Era uma monarquia temporária, ficando sob a responsabilidade dos anciãos a decisão de quem seria o próximo rei. Camponeses e militares não participavam nas decisões políticas, em geral.
Nas plantações, os pequenos proprietários de terras contavam com a mão de obra de trabalhadores livres e de pessoas escravizadas. Cultivavam muitos cereais, com os quais se fabricavam vários tipos de farinha; uvas, utilizadas para a produção de vinho; e azeitonas, usadas para a fabricação de óleo.
Na Fenícia, havia escravidão tanto nas plantações quanto nas cidades. Os escravizados eram geralmente prisioneiros de guerra capturados de outros territórios. Em suas viagens, quando chegavam a um território desconhecido e percebiam que tinham maior força militar comparada à dos povos nativos, tomavam-lhes como escravizados. Os escravizados também eram aceitos como moeda de troca em negociações, criando um mercado de compra e venda de pessoas por todo o Mediterrâneo e também pelo Crescente Fértil.
Os fenícios também se destacaram pela produção de artesanato como joias adornadas com pedras preciosas, peças entalhadas em marfim, além de peças de cerâmica e de vidro. Entretanto, algumas matérias-primas vinham de outras localidades: o marfim era africano; o ouro, o chumbo e o ferro provinham da região sul do Mar Negro; o cobre vinha de Chipre. 
Saindo do Mar Mediterrâneo, atravessaram o Estreito de Gibraltar e conheceram algumas ilhas do Oceano Atlântico, onde compravam estanho – metal utilizado para a fabricação do bronze.

 

Religião 
A religião tinha um caráter importante para os fenícios, pois as pessoas pediam aos deuses boas colheitas, sucesso no comércio e que os navegadores viajassem protegidos dos perigos marítimos e das terras desconhecidas. Politeístas e antropomórficos, os fenícios cultuavam o mesmo conjunto de deuses, porém cada cidade-Estado possuía o seu deus protetor.
As divindades principais de cada uma eram, geralmente, denominadas baal (senhor) e baalat (senhora). O baal de Biblos chamava-se Adônis, e a baalat, Astarte. Além desses, havia o deus do mar, Yam, e Eschmun, um deus curador.
Acreditavam na vida após a morte e, por influência dos egípcios, passaram a mumificar os corpos das pessoas mais importantes.
Os sacerdotes, além de serem responsáveis pela religião, eram homens ligados às práticas comerciais. Destacavam-se por cuidarem dos templos e das terras que possuíam.

 

Cultura 
Os fenícios dominavam as técnicas de navegação de longa distância. Quando começaram a viajar pelo Mediterrâneo, eles se localizavam por cartas cartográficas (mapas) que elaboravam, principalmente, referentes às regiões costeiras.
As relações comerciais e culturais com os egípcios e os mesopotâmicos influenciaram nos conhecimentos de navegação, pois os fenícios aprenderam a se situar pela observação das estrelas e, assim, iniciaram grandes viagens em alto mar, ou seja, para locais mais distantes da costa do Mediterrâneo. 
Ao ampliarem as rotas e trocas comerciais, surgiu a necessidade de controle dessas atividades econômicas. Por isso, os fenícios adaptaram os alfabetos mesopotâmico e egípcio, extremamente complexos, selecionando símbolos e simplificando a escrita das letras. O resultado foi um alfabeto com 22 consoantes e nenhuma vogal.

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