A água é um elemento fundamental para a sobrevivência dos seres vivos. Os primeiros humanos procuravam as margens dos rios para estabelecer seus grupos. No Extremo Oriente não foi diferente. Nessa região, duas grandes civilizações se desenvolveram: a indiana, no Vale do Rio Indo, e a chinesa, no Vale do Rio Huang He (Rio Amarelo).
 
Civilizações fluviais
Conforme vimos, a presença dos rios foi fundamental para o desenvolvimento das civilizações do Crescente Fértil. Com as civilizações indiana e chinesa não foi diferente, por isso elas são consideradas civilizações fluviais.
A Índia se originou no Vale do Rio Indo, região que atualmente compreende parte do território do Paquistão. A China teve origem no Vale do Rio Huang He. Observe esses locais no mapa a seguir
 
Povos do Vale do Indo
O Vale do Rio Indo é uma região que apresenta um histórico de invasões de diferentes povos, que migraram, principalmente, do Oriente Médio (os sumérios) e da Ásia Central (civilização harapense) até o vale.
Nosso estudo sobre a história da Índia começa, então, aproximadamente em 2500 a.C., com a civilização harapense, pois graças a eles podemos conhecer as bases da cultura indiana vigente até hoje.
 
Civilização harapense
Da civilização harapense destacam-se três cidades: Harappa, Mohenjo-Daro e Lothal, embora até a atualidade mais de 2 500 cidades desse período já tenham sido identificadas. Estudos históricos apontam que a cidade de Harappa foi a mais importante, dominando as cidades menores.
Ambas as cidades, Harappa e Mohenjo-Daro, podem ser consideradas obras-primas de urbanismo da Antiguidade. Com ruas planejadas e grandes avenidas, eram verdadeiras fortalezas cercadas por muralhas. Nas cidades ainda havia celeiros para armazenamento de colheitas, sistema de esgoto e poços artesianos.
Havia uma estrutura comercial bem organizada devido ao solo bastante fértil, favorecendo uma farta produção de frutas e de grãos como melão, damasco, cevada, trigo e arroz. Havia também ampla produção artesanal, de artefatos bélicos e de utensílios domésticos.
A civilização harapense entrou em decadência ao ter contato com os árias, povos indo-europeus provenientes do atual Irã, por volta de 1500 a.C. Eles se estabeleceram na região do Rio Ganges, localizados nos atuais territórios da Índia e de Bangladesh, fundando cidades-Estados. Tinha início o Período Védico, o qual teria fim no ano 500 a.C. Esse período é fundamental à história indiana, pois diversos aspectos dessa sociedade tiveram origem nesse momento.
Em primeiro lugar, deu-se início à divisão da sociedade indiana em castas – sistema hereditário, onde a profissão do pai (ou da mãe) é obrigatoriamente herdada pelo filho. A casta impossibilitava que pessoas pobres se tornassem ricas, ou as ricas se tornassem pobres, pois todos deveriam permanecer na posição de seus antepassados. Para termos uma ideia da permanência desse sistema, apenas em 1940 o governo indiano proibiu as castas em seu território. Atualmente, mesmo proibido, ele ainda persiste na informalidade dos costumes, como no impedimento de casamentos entre pessoas de castas diferentes.
Essa separação de pessoas pelo seu nascimento (castas) ganhou o nome de varnas. Há um aspecto religioso nas castas indianas, pois a crença nessa divisão baseia-se em um livro sagrado, conhecido como Vedas. Segundo esse livro, os grupos sociais (sacerdotes, governantes, soldados, comerciantes, agricultores e trabalhadores) tiveram origem no corpo de um deus, chamado de Purusha. O único grupo que não é originário de Purusha são os dalits – os “intocáveis”, responsáveis pelas atividades consideradas indígnas pelos próprios indianos.
Impérios Maurya e Gupta
Entre 321 a.C. e 185 a.C. a Índia foi governada pelo Império Maurya, fundado por Chandragupta Maurya, considerado o primeiro imperador da Índia, uma vez que sob seu governo houve a primeira unificação do território indiano.
Asoka, neto de Chandragupta, assumiu o poder e governou entre 273 a.C. e 232 a.C. Nesse período, o budismo foi amplamente divulgado pelo imperador.
Mas foi a partir de 320 d.C., com o Império Gupta, que a Índia conheceu a Era de Ouro. O período, de paz permitiu grande desenvolvimento cultural nas artes, na arquitetura e na literatura. Com as invasões dos hunos, o Império Gupta ruiu no século VI e o território voltou a se fragmentar.
 
Cultura e sociedade
Pelas cidades da Índia, é possível encontrar animais transitando livremente nas ruas, como a vaca, um animal sagrado e adorado em festividades religiosas.
Há outros conhecimentos herdados dos povos do Vale do Rio Indo. Essa civilização deixou como legado os cálculos matemáticos precisos, com a invenção do sistema decimal, os números arábicos – apesar do nome, não foram criados pelos árabes, mas foram difundidos por eles – e o conceito do zero.
As castas
Como vimos, a divisão da sociedade indiana em castas tinha origem em sua religião e em seu livro sagrado. As castas diferenciavam as pessoas com base na cor de pele delas e no grupo em que nasciam.
Além dessas castas, havia o grupo dos harijans, considerados indígnos pela elite, e os dalits, impuros por não pertencerem a nenhuma classe.
Para cada classe havia um rígido sistema de normas de conduta, desde alimentação e vestimentas até comportamento. A pessoas de classes diferentes somente lhes era permitido o relacionamento por exigências do trabalho.
A religião
As formas védicas de crença religiosa são consideradas raízes do bramanismo e do hinduísmo. Já o budismo não é compreendido como uma crença religiosa de origem védica.
Bramanismo
O bramanismo pode ser considerado como a origem do hinduísmo. Surgido no século VI a.C., o bramanismo se constitui em uma filosofia religiosa, com base na leitura e interpretação do Vedas.
Os seguidores do bramanismo acreditavam na existência de um deus supremo, o Brahman, que dominava o Universo. Também acreditavam na reencarnação, pois somente o corpo físico morre, permanecendo viva a alma para retornar em um outro corpo. Esse é o fundamento da evolução espiritual.
 
Hinduísmo
O hinduísmo é considerado um agrupamento de religiões, porque não tem um fundador. É uma religião derivada do Vedas e do bramanismo e seus seguidores adotam variados credos e práticas. Assim como no bramanismo, os hindus acreditam na reencarnação. Também acreditam em moksha, a busca pela purificação e pela salvação do espírito.
Há um grande número de divindades hindus, sendo as mais importantes Kali, Shiva, Ganesha e Vishnu. As divindades são reverenciadas em templos, considerados as casas dos deuses.
Atualmente, o hinduísmo permanece como religião de maior credo na Índia.
 
Budismo
Além das religiões criadas com base no Vedas, na região do Vale do Rio Indo surgiu o budismo, no século V a.C. As escrituras budistas contam que Sidharta Gautama, filho de um nobre indiano, é o criador dessa religião. Ele ficou conhecido como Buda.
O budismo não possui a crença ou reverência a divindades. Nem mesmo Buda é uma divindade, ele é considerado uma pessoa iluminada, um exemplo de conduta espiritual. Conforme a história budista, Sidharta recebeu a iluminação (bodhi) aos 35 anos, quando estava sentado debaixo de uma figueira. Durante sete dias e sete noites, Buda ficou em meditação profunda e atingiu o nirvana, uma realidade absoluta acima do tempo e do espaço.
Buda recusou o sistema de castas e iniciou um tratamento mais igualitário com as mulheres também, fundando mosteiros para ambos os sexos. Por ter negado o sistema de castas, Buda sofreu inúmeras tentativas de assassinato pelos fiéis do bramanismo, mas sobreviveu a todas. Morreu com 80 anos.
Povos do Vale do Huang He
Outra civilização do Extremo Oriente que se destaca é a civilização chinesa, que teve início há mais de 6 mil anos no Vale do Rio Huang He. Por volta de 4000 a.C., os primeiros indivíduos fixaram-se na região e aprenderam a domesticar alguns animais, tais como porcos, carneiros, cabras e bois, e dedicaram-se à agricultura. Gradualmente, esses pequenos povoados foram se transformando em aldeias e, por volta do ano 1600 a.C., surgiram as primeiras cidades.
Civilização chinesa
Quando as primeiras aldeias transformaram-se em cidades, por volta de 1600 a.C., surgiram as dinastias chinesas, que foram responsáveis pela centralização do poder.
Dinastia Shang
A dinastia Shang governou a região da atual China entre 1766 a.C. e 1046 a.C. A dinastia teve várias capitais, sendo Xibo, uma cidade fortificada, totalmente cercada por muralhas, uma delas. A essa dinastia é atribuída a criação de um sistema de escrita com base em ideogramas. Por se tratar de um sistema muito complexo, a escrita era transmitida a pessoas da nobreza e da elite, sendo a maioria da população iletrada.
 
Dinastia Zhou
Sucessora da dinastia Shang, os Zhou vieram da parte norte do Rio Yang-Tsé e governaram entre 1046 a.C. e 256 a.C., constituindo a mais longa dinastia da história chinesa.
Eles foram responsáveis pelo amplo desenvolvimento da agricultura – com a produção de trigo, painço, arroz, amora, gengibre entre outros – após a invenção do arado e de um sistema de irrigação. Também desenvolveram a fundição do ferro.
A história da dinastia Zhou é marcada por fases de poder e de decadência, com a eventual fragmentação do reino.
Dinastia Chin
Entre 221 a.C. e 206 a.C., a dinastia Chin (ou Qin) unificou os Estados e reinos e formou o primeiro império da China. Che Huang Ti tornou-se o primeiro imperador chinês.
Ele governou de forma rígida e estabeleceu a padronização do sistema de escrita, bem como do sistema de pesos e medidas. Preocupado com a proteção do império e para evitar invasões dos povos da Mongólia e da Manchúria, Che ordenou a construção da Grande Muralha. Foi esse imperador que ordenou também a construção do exército de terracota (argila cozida no forno).
Dinastia Han
Com a dinastia Han, entre 206 a.C. e 220 d.C., o Império da China vivenciou um período de inúmeros conflitos e de grande expansão territorial. Praticantes de comércio, abriram rotas comerciais entre o Oriente e o Ocidente que ficaram conhecidas como “Rota da Seda”.
Com esta dinastia ocorreram transformações culturais significativas. O mandarim tornou-se o idioma oficial do Império chinês e o budismo foi introduzido no território, influenciando a literatura, a pintura e a escultura.
 
Cultura e sociedade
Na China Antiga, a maior parte das terras pertencia aos nobres. Os camponeses arrendavam terras e pagavam em serviços e com parte da produção. Aos camponeses havia a exigência de pagar impostos ao governo real. Além disso, todos os anos, eles deveriam prestar serviços de manutenção e construção de edificações públicas como pontes, estradas e fortificações, pelo menos durante um mês.
Nas cidades, a vida econômica dos chineses estava concentrada nos mercados. As ruas eram movimentadas com a presença dos mercadores, artistas fazendo malabarismo e alguns videntes que praticavam o I Ching, um sistema de adivinhação baseado na geomancia chinesa e na filosofia taoísta.
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