1. Períodos históricos
A civilização grega tem sua origem relacionada a diferentes povos que se encontraram na região da Península Balcânica a partir de 3 000 a.C. A identidade do povo grego na Antiguidade foi resultado de um processo histórico marcado por conquistas e inovações. Sua poesia, seu teatro, sua filosofia e sua política influenciaram o que na atualidade se denomina cultura ocidental.
Formação do mundo grego
A Grécia Antiga compreendia diversos domínios, que podem assim ser divididos: a Grécia continental (localizada ao sul da Península Balcânica), a Grécia insular (formada pelas ilhas do Mar Egeu e do Mar Jônico), a Grécia peninsular (Península do Peloponeso), a Magna Grécia (Península Itálica) e as colônias asiáticas (litoral da Ásia Menor).
Em seu extenso território, diversificado e fragmentado, ocorreu o encontro de diferentes povos de origem indo-europeia, como os dórios, eólios, aqueus, jônios, entre outros. Esses povos influenciaram diretamente a cultura grega na Antiguidade, que deixou heranças para os povos da sociedade ocidental atual.
 
Período pré-homérico (ca. 3000 a.C.–1200 a.C.)
Para facilitar a compreensão e o estudo da história grega, os historiadores a dividiram em fases ou períodos. O primeiro deles é denominado de pré-homérico, pré-grego ou Idade do Bronze, pois faz referência aos povos anteriores à organização da Grécia Antiga propriamente, mas que a influenciaram diretamente.
Nesse período houve a formação dos primeiros grupos sociais reunidos em núcleos urbanos primitivos. Esses núcleos estavam localizados, principalmente, na Ilha de Creta, entre a Península Balcânica e o norte da África.
Em Creta, uma ilha que se situa no Mediterrâneo oriental, foram encontradas as ruínas de Cnossos, uma cidade desenvolvida e centro administrativo da civilização cretense ou minoica, formada pela união de pequenos reinos. O nome dessa civilização foi dado por Arthur Evans, arqueólogo que primeiro explorou os vestígios da antiga Creta, que tomou por base o mito envolvendo o rei Minos e o Minotauro.
Por volta de 2000 a.C., povos indo-europeus – aqueus e jônios – chegaram ao sul da região da Península Balcânica.
Os aqueus fundaram cidades como Micenas e Tirinto, construídas em lugares altos e cercadas por muralhas de pedras. Possivelmente, a maioria dos habitantes dessas cidades eram guerreiros, e apenas a população mais pobre dedicava-se à agricultura. Assim, viviam das conquistas e dos saques que realizavam em outras cidades.
Em torno de 1450 a.C., a civilização cretense foi conquistada pelos aqueus, quando estes invadiram a Ilha de Creta e destruíram o palácio de Cnossos. A união de elementos cretenses e aqueus deu origem ao que chamamos de civilização micênica. Os jônios, por sua vez, fundaram a cidade de Atenas.
 
Período homérico (1200 a.C.–800 a.C.)
A civilização micênica teve forte influência cretense em muitos aspectos, seja no campo político, econômico, social ou cultural. A expansão dos aqueus foi registrada na lendária Guerra de Troia, ocorrida por volta de 1200 a.C. Contudo, os registros desse conflito datam do século VIII a.C.: são as obras Ilíada e Odisseia, cuja autoria é atribuída a Homero (ca. 928 a.C.-898 a.C.).
A civilização micênica chegou ao fim com a violenta invasão dos dórios no século XII a.C. Os dórios eram um povo formado essencialmente por guerreiros e sua superioridade caracterizava-se pelo conhecimento técnico e pela utilização do ferro. Foram eles que fundaram, no Peloponeso, a cidade de Esparta.
Historicamente falando, a civilização micênica não desapareceu com a dominação dos dórios. Grupos micênicos foram escravizados. Outros grupos migraram para a Grécia continental, para diversas ilhas do Egeu e para a costa da Ásia Menor. A população que migrou para essas regiões ampliou o território grego, fundando novas cidades. Essa é considerada a primeira diáspora grega, ocorrida por volta de 1100 a.C.
Com os dórios houve um retrocesso nas práticas comerciais e um avanço técnico, com a ampla utilização de armas e ferramentas agrícolas feitas de ferro, que aumentaram a produção e o cultivo da terra.
 
Organização da sociedade grega
Durante o período homérico, a sociedade começou a se organizar em genos. Os genos, uma espécie de clã, eram compostos por um grupo de pessoas unidas por laços de parentesco e de religião. Cada genos constituía uma unidade social, econômica, política e religiosa da sociedade grega.
Após as invasões dos dórios, os genos passaram a constituir a forma predominante de organização social. Assim, podemos afirmar que os tempos homéricos foram também os das comunidades gentílicas.
De fato, esses pequenos agrupamentos humanos conseguiam, isoladamente, assegurar a sobrevivência dos indivíduos com uma economia coletivista, ou seja, os meios de produção (terra e sementes), assim como os bens produzidos (alimentos e objetos), pertenciam a todos.
Nessa época, as principais atividades econômicas eram a criação de animais e a agricultura. Cultivavam uva, azeitona, trigo e cevada; criavam, principalmente, cabras e carneiros, e também bois. O solo era rico em argila (bom para a produção de cerâmica), mármore, prata e cobre.
Dentro do genos havia a figura do basileu, geralmente o homem mais velho, que atuava como a autoridade máxima e exercia as funções de juiz, chefe religioso e militar. A ele também cabia a função de administrar os bens comuns dos genos. A sucessão do basileu era direito atribuído ao filho mais velho, chamado direito de primogenitura.
Entre os membros do genos havia forte vínculo de fidelidade, o que os obrigava a ajudarem e a protegerem uns aos outros.
A luta pela sobrevivência, que dependia basicamente da terra, desencadeou uma série de guerras entre os genos. Em momentos de guerras, os genos se uniam formando uma fratria. Reunidas, as fratrias constituíam uma tribo, a qual se submetia à autoridade de um basileu.
Por volta do século VIII a.C., a crise da sociedade gentílica alterou profundamente a estrutura interna dos genos. Aos poucos, a terra deixou de ser propriedade coletiva para ser propriedade privada. Esse é o início da aristocracia grega determinada pelo nascimento, pois as melhores terras eram distribuídas aos familiares do basileu.
O processo de desintegração dos genos ocorreu mais rapidamente em algumas regiões do que em outras. E, além da aristocracia, a propriedade da terra provocou o aparecimento de outro grupo, o daqueles que não possuíam terras e trabalhavam para a aristocracia: os thetas. Ao mesmo tempo, começaram a aparecer os primeiros escravizados, em número reduzido. Tratava-se, no entanto, da escravidão doméstica ou patriarcal, em que o escravizado trabalhava ao lado do homem livre, seu proprietário. Com o tempo, a autoridade absoluta do basileu enfraquece-se, ficando restrita às funções religiosas e administrativas (atuando como magistrado).
 
Período arcaico (séculos VII a.C.–V a.C.)
O processo de dissolução dos genos, ocorrido por volta do século VIII a.C., pode ser relacionado, principalmente, à formação da propriedade particular. Nesse contexto, como você viu, os genos deram lugar a organizações maiores, como as fratrias e, por fim, as tribos. A união destas levou à formação das cidades-Estados, que na Grécia eram chamadas de pólis. No período arcaico, ocorreu também o movimento de colonização grega.
 
A colonização
Com a propriedade da terra nas mãos da aristocracia e a exclusão dos que não pertenciam aos genos, uma parte da população das cidades-Estado buscou melhores condições de vida por meio da colonização de novas terras. Esse processo foi motivado principalmente pelo aumento da população e pela falta de terras férteis; desse modo, um grupo deslocava-se para uma nova área, fundando uma nova colônia, ainda que mantendo laços comerciais com a cidade-Estado da qual partiu. Houve dois tipos de colônia: um voltado para a ocupação de novas terras e outro com ênfase no comércio:
O processo de colonização incentivou o desenvolvimento do comércio, pois as novas pólis mandavam para a Grécia novos produtos e gêneros agrícolas. Além disso, as populações das regiões conquistadas eram escravizadas, ampliando o número e a importância das pessoas escravizadas na economia grega.
Embora, inicialmente, em número reduzido, com o tempo os escravizados passaram a ser utilizados em diversas atividades. Esse fato trouxe graves problemas principalmente para os pequenos camponeses, pois eles não conseguiam competir com os latifundiários, que produziam para o comércio explorando uma grande quantidade de escravizados. Nesse sentido, as cidades-Estados gregas foram marcadas por conflitos e agitações sociais, o que levou a cidade de Atenas, por exemplo, a promover reformas políticas.
Os pequenos proprietários muitas vezes se endividavam com empréstimos para a compra de sementes e, quando não conseguiam pagá-los, eram escravizados. Os centros de artesanato também passaram a utilizar mão de obra escravizada, reduzindo a possibilidade de os homens livres encontrarem trabalho. Por isso, a Grécia Antiga foi considerada, durante um longo tempo, uma sociedade escravista.
As colônias gregas se espalharam ao longo da costa do Mediterrâneo e do Mar Egeu. Também avançaram para a Ilha da Sicília, para o norte da África e para a Trácia, na região do Mar Negro. Porém, no século VI a.C., a expansão marítima foi interrompida quando os gregos enfrentaram a resistência dos fenícios e dos etruscos, que também disputavam o domínio do litoral do Mar Negro e do Mar Mediterrâneo.
 
Período clássico (V a.C.)
Durante o período clássico, houve grande crescimento das cidades-Estados, e a Grécia Antiga conheceu grande esplendor cultural antes de o território ser invadido e conquistado pelos macedônios.
Também foi um período de importantes confrontos externos, em que os gregos lutaram contra os persas nas Guerras Médicas. Esse foi um conflito de importantes proporções, que mobilizou o mundo grego. Em um primeiro momento, os atenienses venceram os persas na batalha de Maratona. Estes contra-atacaram e, na Batalha das Termópilas, venceram os gregos. Heródoto narra os eventos que antecederam o confronto entre os gregos, liderados por Leônidas, e os persas, liderados por Xerxes, nas Termópilas. Você deve conhecê-lo, pois é nesse episódio que se reúnem os “300 de Esparta”.
Por fim, os gregos venceram os persas, e Atenas iniciou um período de hegemonia entre as cidades gregas. Internamente, porém, Esparta não aceitou essa situação e teve início a Guerra do Peloponeso, entre Atenas e Esparta (e cidades-Estados aliadas). Esparta saiu vitoriosa, mas por pouco tempo. Os tebanos se aproveitaram do enfraquecimento das cidades-Estados e as dominaram. Em seguida, os macedônios as conquistaram facilmente.
Período Helenístico (IV a.C.)
Foi com as conquistas de Alexandre, o Grande, que o mundo grego se transformou. As cidades-Estados perderam sua independência, ocorreu a reconquista das cidades gregas dominadas pelos persas e a ampliação do Império Macedônico para a região entre o Egito e Vale do Rio Indo. Com o domínio de Alexandre, o Grande, teve início o período helenístico que terminou em 146 a.C., quando os romanos expandiram suas conquistas territoriais.
 
2. Organização política e cultura
Em razão de ter sido colonizada por diferentes povos, a Grécia Antiga apresentou formas variadas de organização política. Entretanto, essa localidade apresentava uma característica política fundamental: não constituiu um Estado unificado.
 
A cidade-Estado grega: pólis
As cidades gregas, denominadas pólis, em grego, eram muito diferentes das cidades que conhecemos hoje em nosso país. Cada pólis funcionava como um Estado soberano independente (por isso são denominadas cidades-Estado), podendo até mesmo guerrear entre si.
O que unia o povo grego era o culto às mesmas divindades, a língua falada e escrita e alguns rituais como as Olimpíadas, que reuniam homens considerados cidadãos de quase todas as cidades-Estado. Por isso, é possível afirmar que a Grécia Antiga, diferentemente da Grécia atual, não unificou seu Estado em um governo único.
 
Estrutura da pólis
De modo geral, as cidades-Estado possuíam uma estrutura semelhante, divididas em áreas urbana e rural. Na área urbana, havia uma parte alta, provavelmente uma colina onde se encontrava o templo dedicado à divindade protetora da cidade – mostrando a importância da religiosidade no dia a dia das populações gregas, uma vez que tão importante quanto fundar a própria cidade era determinar o local da morada dos deuses dentro dela. Essa região mais alta era a acrópole, que também tinha função de proteger a cidade e era onde, provavelmente, o conselho se reunia.
Na parte baixa, ficavam muitas casas e também a Ágora, centro comum do cotidiano dos habitantes, região da praça pública, onde as ideias eram debatidas e fundamentadas. Havia também o asty (mercado), onde eram encontrados peixeiros, barbeiros, artesãos, mercadores com artigos importados e pessoas simples que vendiam galinhas e ovos. Ainda havia ginásios e casas de banho.
A área rural situava-se ao redor e apresentava campos de cultivo de oliveiras, videiras, trigo e cevada. Também criava-se cabras, ovelhas, porcos e cavalos.
De modo geral, a pólis era pequena. Esse fato pode ser explicado por sua geografia, pois o terreno da Grécia é muito acidentado, ou seja, possui poucas áreas planas e com solo fértil. Outra explicação inclui a concentração das maiores propriedades de terras entre os aristocratas. Esses dois fatores dificultavam a expansão do território das cidades.
 
Formas de governo
As cidades-Estado gregas apresentaram, ao longo de sua história, diferentes sistemas de governo: a monarquia, que poderia ser com um rei ou dois reis (diarquia); a oligarquia, a tirania e a democracia.
• Monarquia: o governo era exercido por um rei, que desempenhava funções de governo e religiosas. Esse rei era auxiliado por um conselho. O rei era sucedido por seu filho mais velho (direito de primogenitura). Quando não havia um príncipe, era escolhido um homem entre os conselheiros.
• Diarquia ou duarquia: o poder era exercido simultaneamente por dois reis. É uma característica da cidade-Estado de Esparta.
• Oligarquia: o poder era dividido entre as pessoas mais importantes da cidade, a aristocracia.
• Tirania: na Grécia Antiga, o termo indicava um governante que não havia sido eleito. Geralmente esse tipo de governante assumia o poder pela força, contando com apoio popular, rompendo o poder da aristocracia instalada. Apenas mais tarde a tirania passou a ser identificada com opressão.
• Democracia: originado na cidade-Estado de Atenas, em 509 a.C., era um tipo de governo no qual os cidadãos, naquela época, a minoria da população, poderiam se expressar e votar de forma direta sobre as questões relativas à cidade.
 
A religião dos gregos
Os gregos eram politeístas (acreditavam em vários deuses), assim como muitos outros povos da Antiguidade. Porém, seus deuses apresentavam uma característica singular: eram antropomórficos, ou seja, possuíam aparência física semelhante à dos humanos. Além disso, vivenciavam os mesmos sentimentos, como raiva, inveja, medo, orgulho, amor e vaidade.
Os deuses mais importantes viviam no alto do Monte Olimpo, e além deles existiam ainda ninfas, semideuses, ou heróis (filhos de deuses com mortais), e outros seres mitológicos, como a Medusa e o Ciclope, homem gigante de um olho só.
Na mitologia grega, cada deus era dotado de características próprias e pessoais, sendo responsável por algo: um era responsável pelo fogo, outro era protetor das terras, outro era associado a festas. Eles interferiam diretamente na vida dos mortais e, por isso, deveriam ser honrados e respeitados. Por isso, muitos templos foram erguidos em várias cidades-Estado para homenagear os deuses. Festas e jogos também eram realizados em honra a eles, para que não se voltassem contra os mortais.
Todas as cidades tinham templos para homenagear os deuses locais e os deuses comuns aos gregos. A realização de rituais em homenagem aos deuses era comum, e incluía a prática de sacrifício de animais, sobretudo, do boi.
Era um hábito dos gregos consultar os oráculos para ler os destinos dos homens e saber a vontade dos deuses, sendo o mais conhecido o Oráculo de Delfos. O Oráculo de Delfos ficava dentro do templo de Apolo localizado na cidade de Delfos, local sagrado e que chegou a ser o centro religioso no período helenístico.
Jogos Olímpicos
Um dos acontecimentos mais importantes da Grécia Antiga eram os Jogos Olímpicos, realizados de quatro em quatro anos na cidade-Estado de Olímpia, no Peloponeso, em honra a Zeus (ou seja, os jogos eram realizados por motivos religiosos). O primeiro festival aconteceu em 776 a.C., e continuou sendo realizado até 393 d.C., quando o imperador cristão Teodósio proibiu o evento, considerado pagão.
Quando os jogos eram realizados, as cidades-Estado precisavam cessar suas guerras. Todos os que se dirigissem a Olímpia para participar ou assistir aos jogos possuíam salvo- -conduto, ou seja, não poderiam ser perturbados. Durante esse período, ficava decretada a paz entre as cidades-Estado.
Muitas provas eram realizadas nos jogos: combates, arremesso de dardo, salto em altura, lançamento de disco, corridas e lutas. O vencedor ganhava uma guirlanda de folhas de oliveira silvestre e era recebido em sua pólis como um herói.
 
Cultura grega
A civilização da Grécia Antiga é tida como referência cultural para diferentes povos ao longo da história, inclusive na atualidade. Esse fato se explica pelo legado cultural, artístico e científico deixado por eles. Com os gregos conhecemos a filosofia, a noção de cidadania e a valorização do pensamento fundamentado em explicações racionais e científicas. Dos gregos também herdamos nosso senso de estética e beleza, sobretudo, por meio de suas obras de arte.
 
Arte grega
Os artistas gregos buscavam mostrar com realismo e perfeição os corpos humanos, muitas vezes, representados nus. As pinturas gregas, geralmente, estão apresentadas em vasos cerâmicos. Seu estilo era marcado pela cor de fundo vermelho e tinta preta, ou o inverso, fundo preto com tinta vermelha. As características da arte grega influenciaram a civilização romana na Antiguidade e os artistas do Renascimento, no século XIV.
Na arquitetura, a cultura dos povos indo-europeus, que invadiram o território da Grécia Antiga, é visivelmente destacada nos monumentos gregos. Uma edificação rica em detalhes arquitetônicos é o Partenon, em Atenas, um templo construído entre 447 a.C. e 438 a.C., erguido com colunas no estilo dórico.
 
Literatura e teatro
Os gregos foram os criadores da poesia épica, cujos exemplos mais conhecidos são atribuídos a Homero: a Ilíada e a Odisseia. Há quem diga que esses poemas são as raízes da tragédia grega.
Além de Homero, Hesíodo (ca. 750 a.C.-650 a.C.) é um poeta que merece destaque. Em Os trabalhos e os dias, Hesíodo descreveu a situação social dos pequenos proprietários rurais da Ática. Em Teogonia, refletiu sobre a origem do mundo e a história dos deuses.
Anacreonte (563 a.C.-478 a.C.), Píndaro (522 a.C.-443 a.C.) e Safo (poetisa nascida na ilha de Lesbos no século VII a.C.) são representantes da poesia lírica e cantaram o amor e os prazeres humanos.
No teatro, os gregos consolidaram dois gêneros: a tragédia e a comédia. Personagens míticos conhecidos da tradição oral eram temas das tragédias, enquanto o cotidiano e os costumes eram temas da comédia, ainda que em tom de crítica. Ésquilo (525 a.C.- 456 a.C.) retratou a fatalidade que governa os homens, a que nem os deuses poderiam se opor. São de sua autoria as obras Os persas e Prometeu acorrentado.
 
Filosofia e ciência
Os gregos foram os primeiros a procurar respostas ligadas à razão e ao pensar para explicar o mundo que habitavam. Assim foi criada a filosofia (que, em grego, significa “amizade ao conhecimento”), no fim do período Arcaico.
A cidade de Mileto foi residência de vários filósofos. Contudo, a cidade de Atenas merece destaque, pois, no século V a.C., foi cenário para o desenvolvimento de um pensamento filosófico que tentava explicar a existência, o comportamento humano e os sentimentos. A filosofia grega debateu também questões relacionadas à ética, à moral e, como dito, à razão. Nomes importantes como Sócrates (469 a.C.- 399 a.C.), Platão (427 a.C.-347 a.C.) e Aristóteles (384 a.C.-322 a.C.) discutiram questões e promoveram ideias que são debatidas até a atualidade sobre esses e outros temas.
Os gregos desenvolveram diversas áreas do conhecimento: matemáticos como Tales de Mileto (624 a.C.-546 a.C.), Pitágoras de Samos (570 a.C.-496 a.C.) e Arquimedes de Siracusa (287 a.C.-212 a.C.), por exemplo, contribuíram para o desenvolvimento das regras básicas de geometria e para a teoria dos números.
Além da matemática, os gregos estudaram astronomia. Aristarco de Samos (310 a.C.-230 a.C.) foi o primeiro estudioso a sugerir que nós habitávamos um sistema heliocêntrico, ou seja, que o Sol está no centro do universo e a Terra gira ao redor dele.
No campo das ciências biológicas destaca-se Hipócrates (460 a.C.-370 a.C.), considerado o pai da medicina no Ocidente.
 
3. Atenas e Esparta
Os gregos estabeleceram uma forma específica de se organizar: em cidades-Estados independentes. A Grécia na Antiguidade nunca esteve unida sob a autoridade de um rei. As pólis mantiveram a independência e podiam lutar entre si. Contudo, aliavam-se para combater um inimigo externo em comum.
Esparta
Para os gregos antigos, havia um sentimento de devoção à cidade. Por ela, eles podiam morrer guerreando e sentiam-se honrados com tal feito. Esse fato ficou bem evidenciado nas cidades gregas de Esparta e de Atenas, as quais vamos estudar com mais detalhes a partir de agora, começando com os espartanos.
A região da Lacônia ou Lacedemônia, localizada na planície cortada pelo Rio Eurotas, situava-se a sudeste do Peloponeso. Essa região, dominada pelos dórios no século XI a.C., apresentava situação geográfica estratégica que, somada à capacidade guerreira dos dórios, colaborou para que a pólis ali fundada se transformasse em uma potência militar: Esparta.
Como você viu no primeiro capítulo desta unidade, os dórios utilizaram o conhecimento sobre o uso do ferro para o desenvolvimento de instrumentos agrícolas que propiciaram o aumento na produtividade da terra. Principalmente porque a Lacedemônia – nome oficial do Estado espartano – era uma região formada por terras férteis, importantes para o cultivo de cereais, oliveiras e vinhas.
No processo de domínio da região, os dórios conquistaram as localidades vizinhas, inclusive Messênia, no século VIII a.C. Os messênios resistiram bravamente à dominação espartana, travando três guerras contra Esparta.
O resultado da primeira guerra foi a conquista dos messênios e a população local foi mantida na condição de hilotas, cujo significado literal seria “aprisionados”. Eles não eram propriamente escravos, mas eram a principal mão de obra utilizada pelos esparciatas (guerreiros espartanos). Ainda que o Estado tentasse impedir, os hilotas apresentavam elementos culturais comuns, o que lhes permitia unir-se e provocar revoltas.
Eles tinham direito a ter família e casa, mas tinham que trabalhar nos lotes de terra dos esparciatas e eram obrigados a ceder, aproximadamente, metade da produção para o dono da terra.
A necessidade constante de manter o domínio sobre os hilotas e a possibilidade de produzir alimentos foram fatores que influenciaram a organização de Esparta. A fama dos guerreiros espartanos se espalhava pelas cidades-Estado gregas como os mais disciplinados e destemidos. A estrutura de governo oligárquica de Esparta – ou seja, apenas um pequeno grupo de pessoas participava do poder – foi mantida ao longo de sua história.
 
Organização social e política
A divisão social era determinada pela hereditariedade e mantida por meio de mecanismos de poder que impediam a mobilidade entre as categorias sociais e, até mesmo, tentavam impedir a possibilidade de rebelião dos desfavorecidos. Os esparciatas eram considerados espartanos de fato, ou seja, eram nobres e, por isso, componentes de uma elite bem reduzida. Dedicavam-se exclusivamente às atividades ligadas ao Estado: a eles cabiam as funções políticas e militares.
Qualquer atividade manual ou de caráter econômico estava proibida a esse grupo. Os periecos eram gregos não espartanos e livres, mas sem direitos políticos. Trabalhavam na agricultura, ainda que em terras menos férteis do que aquelas reservadas aos esparciatas, e no comércio. Quando necessário, eram obrigados a atuar no exército.
Politicamente, em Esparta vigorava a diarquia como sistema de governo, ou seja, dois reis governavam o exército, além de assumirem funções de sumo-sacerdotes e juízes. Contudo, as funções judiciárias eram limitadas e fiscalizadas pelos éforos. Os éforos eram cinco magistrados eleitos por um ano entre os integrantes da Ápela e, de fato, governavam Esparta, uma vez que eram responsáveis por controlar a educação, administrar a pólis e decidir pela realização das guerras. Assim, a realeza de Esparta era mantida apenas como uma tradição.
 
Organização e educação militar
A estrutura militar e a rigidez das leis eram características fundamentais do modo de vida espartano. Ao nascer, as crianças eram apresentadas ao Conselho de Anciãos para que verificassem sua robustez e resistência, condições necessárias para a vida militar. As crianças fracas ou com algum defeito físico eram sacrificadas. As aptas ficavam sob os cuidados maternos até os sete anos de idade, quando então, eram entregues aos responsáveis pela aprendizagem militar, sob a direção de mestres escolhidos pelo Estado.
Desde pequenos, os meninos se exercitavam, treinavam, competiam e suportavam provações físicas, passando fome e frio e aprendendo a defender a própria vida. Aos 18 anos, após uma prova especial de coragem e força, o jovem concluía o treinamento e tornava-se um hoplita (soldado). Ao completar 30 anos, o soldado passava a ter direito de participar da Ápela (assembleia) e era considerado cidadão.
As mulheres espartanas eram respeitadas, e exerciam autoridade na ausência dos maridos, devido às guerras. Recebiam educação atlética, pois deveriam gerar guerreiros saudáveis para a pólis. Participavam de jogos, podiam comparecer às reuniões públicas e administravam o patrimônio junto com os maridos.
Atenas
A pólis de Atenas foi fundada pelos jônios, no século X a.C., na Ática, região da Península Balcânica, no litoral do Mar Egeu. Desde os primeiros séculos do período Arcaico, nessa região, houve significativo crescimento do comércio marítimo. A localização facilitava o contato comercial e cultural com outras cidades. Além disso, Atenas contava com argila de qualidade para a produção de cerâmica e reservas de minérios, fontes de importantes produtos para o comércio. Isso compensava as poucas terras férteis da região.
 
Organização social
Os eupátridas (literalmente, os bem-nascidos) eram considerados descendentes dos fundadores da cidade de Atenas e compunham uma elite minoritária com poder político e econômico. Eles recebiam as melhores terras, por isso formavam uma aristocracia rural. Mantinham a hegemonia por meio do casamento e da hereditariedade. Sua riqueza provinha principalmente da exploração das terras e dos escravizados. Eram os únicos com direitos políticos plenos, assim, podiam votar e ser votados para ocupar os cargos públicos. Cada eupátrida dedicava um ano para ocupar um deles.
A sociedade ateniense era formada ainda pelos georgois ou geomores, pequenos agricultores. Os artesãos constituíam o grupo dos demiurgos, que viviam do próprio trabalho, mas geralmente em situação de pobreza, restando ainda os thetas, trabalhadores rurais marginalizados que permaneceram sem terras.
Havia, também, os metecos, considerados estrangeiros, e que, por isso, não tinham direitos políticos, não podiam ter a posse da terra, e nem casar com eupátridas. Dedicavam-se ao artesanato e ao comércio. Devido ao desenvolvimento das atividades mercantis, esse grupo conseguiu enriquecer e passou a lutar por participação política. Por último, estavam os escravizados, que inicialmente eram em pequeno número e, com o tempo, tornaram-se a principal mão de obra em Atenas, chegando a representar cerca de metade da população dessa cidade-Estado.
Organização política
A oligarquia foi instituída em Atenas durante o século VIII a.C., quando os aristocratas acabaram com a monarquia. No século seguinte, os regimes aristocráticos passaram por uma crise social. Os camponeses que tomavam empréstimos da aristocracia agrária, dando como garantia suas terras, perderam as propriedades e chegaram a ser escravizados por não conseguirem pagar as dívidas.
Na tentativa de resolver a situação, a aristocracia, em 620 a.C., designou Drácon (século VII a.C.) para redigir um código de leis que se tornaria público e seria aplicado a todos. Essas leis, denominadas draconianas, mesmo sendo rigorosas, não resolveram as tensões econômicas dos camponeses, o que determinava uma situação grave, pois a pólis estava à beira de uma guerra civil. Drácon, na verdade, elaborou leis que favoreciam a aristocracia e ignoravam as demandas políticas dos pobres, além de punirem com a morte diversos crimes, como o roubo.
A crise ateniense pode ser relacionada também à hegemonia econômica da aristocracia, que controlava a posse da terra e utilizava a mão de obra escravizada em larga escala. Ao mesmo tempo, uma camada de artesãos e comerciantes, enriquecida, lutava por direitos políticos.
As leis draconianas foram posteriormente remodeladas por Sólon (638 a.C.-558 a.C.), em 594 a.C. Verifique algumas das mudanças feitas:
• libertou os atenienses escravizados por causa de dívidas;
• permitiu que todos os homens livres, independentemente de suas posses, participassem da Assembleia, a qual elegia os magistrados e aprovava ou não as leis;
• estabeleceu categorias de cidadãos a partir da renda anual dos indivíduos e não mais baseado no nascimento;
• estimulou a vinda de artesãos estrangeiros para Atenas;
• incentivou o cultivo de uvas para a produção de vinho e a plantação de oliveiras (azeite de oliva).
Em virtude das medidas de Sólon em relação ao artesanato e ao comércio, Atenas tornou- -se a grande produtora de cerâmica. A política dele acabou por converter Atenas num grande centro comercial. Porém, as reformas não eliminaram as disputas entre os clãs aristocráticos, nem diminuíram o descontentamento dos pobres. Isso porque as decisões mais importantes ainda eram tomadas pelo Arcontado, a mais alta magistratura de Atenas, acessível apenas aos homens mais ricos.
 
Tirania
A insatisfação ainda presente em Atenas permitiu que Pisístrato (600 a.C.-528 a.C.), em 546 a.C., subisse ao posto de governante absoluto, mandando para o exílio aqueles que se opunham a ele. Assim, a tirania substituiu a oligarquia. A tirania era muito comum nas cidades-Estado gregas, quase sempre aristocratas. Os tiranos geralmente apareciam como defensores dos pobres na luta contra a aristocracia.
Pisístrato usou as terras confiscadas dos nobres, que faziam oposição ao governo, para ampliar o número de pequenos proprietários e tomou medidas para favorecer o desenvolvimento cultural e econômico de Atenas. Algumas das medidas determinadas por Pisístrato foram a instalação de canais para aumentar o abastecimento de água em Atenas e a concessão de empréstimos estatais aos pequenos proprietários.
 
Democracia
Após a morte de Pisístrato, seus filhos o sucedem por um breve período. Assume o poder, então, uma facção chefiada por Clístenes (565 a.C.- -492 a.C.). Por meio de um método de redistribuição da população, Clístenes pôs fim à tradicional prática de competição entre os clãs aristocráticos e os principais cargos do Estado. Substituiu essas práticas arraigadas na tradição e na autoridade por um novo sistema, concebido para garantir que a fidelidade histórica à tribo ou ao clã fosse representada pela lealdade a pólis. Clístenes foi responsável pela criação de uma prática política chamada de ostracismo.
As antigas quatro tribos hereditárias foram substituídas por dez novas, definidas então pelo território geográfico. Todo cidadão alistado em um demos, maior de 18 anos e com pais atenienses, podia votar na Assembleia. As reuniões eram realizadas em praça pública. Desse modo, Clístenes esperava fazer da democracia a forma permanente de governo em Atenas, para proteger a cidade-Estado contra a tirania.
Depois de vencer a guerra contra o Império Persa (Guerras Médicas), a democracia floresceu na cultura ateniense. O Estado se firmou por meio da união de democracia direta, em que as leis eram feitas e aprovadas pelos próprios cidadãos, e de uma democracia indireta, uma vez que a Bulé, conselho criado por Sólon para preparar os trabalhos da assembleia dos cidadãos (Eclésia), fora mantido. Na Bulé só participavam os cidadãos mais ricos da cidade.
Na Eclésia podiam participar todos os cidadãos adultos do sexo masculino. Essa Assembleia se reunia cerca de 40 vezes por ano, e os cidadãos votavam erguendo o braço. Os atenienses discutiam e votavam sobre os principais problemas do Estado, declaravam guerra, firmavam tratados e decidiam em que aplicar os recursos públicos. Porém, a maior parte da população, formada por mulheres, estrangeiros e escravizados, não era considerada cidadã e não tinha atuação política.
 
A sociedade ateniense
As mulheres atenienses viviam submissas à autoridade do pai, quando solteiras, e depois de casadas, do marido. Não desfrutavam, portanto, da mesma liberdade que as mulheres espartanas. As meninas recebiam educação preparatória para a vida adulta, como esposas e mães. Reclusas, ficavam sempre em casa, no gineceu, um aposento exclusivamente feminino.
De modo geral, não somente em Atenas, mas na Grécia Antiga a condição das mulheres era semelhante.
Os meninos recebiam educação diferenciada, com ênfase em disciplinas como Oratória e prática de esportes, além de aprenderem também a arte da música. Os atenienses valorizavam as artes, a poesia e o teatro. Todo ano, em homenagem a Dionísio, o deus do vinho, era realizado um festival de teatro.
1. As guerras
A Grécia Antiga mantinha a sua união por uma série de fatores que não envolviam a política, como a língua, os costumes, a mitologia e o comércio. Por isso mesmo, essa união podia se mostrar frágil ou instável. Inimigos externos, como os persas, e disputas entre os próprios povos gregos levaram os helenos a travar uma série de guerras na Antiguidade.
Período Clássico (VI–IV a.C.)
O Período Clássico grego foi caracterizado pelo seu esplendor e riqueza. O desenvolvimento econômico era resultado de uma grande troca comercial entre as cidades e as colônias gregas. Essa prosperidade foi perdida em um período de guerras que enfraqueceram as cidades-Estados e possibilitaram sua conquista pelo povo da Macedônia. Podemos caracterizar essas guerras em dois tipos: guerras externas, contra os ataques do Império Persa, e guerras internas, entre as próprias cidades gregas.
Guerras Médicas ou Greco-Pérsica
Durante a expansão territorial grega, diversas colônias se estabeleceram na região da Ásia Menor, iniciando uma grande rota comercial entre as cidades gregas e suas colônias. O Império Persa não aceitou essa ampliação da influência grega e entrou em guerra na Ásia Menor com o objetivo de controlar a região. Após os ataques nas colônias, o território foi anexado pelos persas que passaram a oprimir as colônias gregas com cobrança de impostos.
Os ataques persas resultaram na aliança das cidades-Estados gregas, ainda que elas mantivessem sua autonomia política e econômica. Nesse momento, havia duas cidades que melhor representavam o poderio militar da Grécia Antiga: Atenas e Esparta. A primeira, democrática, detentora de força naval, e a segunda, oligarca, dona de um exército terrestre conhecido pela sua força e treinamento.
Você já ouviu falar de Leônidas ou Xerxes? E Maratona, você conhece? Todos esses nomes estão relacionados às Guerras Médicas. Vamos saber mais sobre elas?
As Guerras Médicas foram consideradas uma das maiores do mundo antigo. As principais batalhas foram:
• Maratona (490 a.C.) – batalha terrestre vencida pelos gregos, comandados pelo ateniense Milcíades;
• Termópilas (480 a.C.) – batalha terrestre vencida pelos persas comandados por Xerxes; nessa batalha os espartanos, liderados por Leônidas, resistiram até o último homem. O próprio Xerxes mencionou a bravura dos soldados espartanos. Essa é uma das batalhas mais famosas das Guerras Médicas e foi retratada na HQ de Frank Miller, 300, e no filme de mesmo nome. Como resultado da vitória persa, Atenas foi invadida e incendiada. A população havia se refugiado na ilha de Salamina;
• Salamina (480 a.C.) – batalha marítima vencida pelos atenienses liderados por Temístocles;
• Plateia (479 a.C.) – batalha terrestre também vencida pelos gregos.
Com a derrota persa em Plateias, ficou garantida a soberania grega. No ano 448 a.C., os gregos impuseram um acordo de paz ao inimigo. Os persas reconheceriam o domínio grego e se comprometiam a não mais atacar. Em troca, os gregos renunciariam a toda atividade no Oriente, por meio do Tratado de Susa.
Mas, a estabilidade externa não significou um período de paz nas cidades gregas. Uma das consequências das Guerras Médicas foi a disputa pelo controle do território grego entre as cidades-Estados, desencadeando um período de caos e instabilidade.
Guerra do Peloponeso
A Guerra do Peloponeso foi uma luta entre as cidades gregas que resultou na destruição da região. Como consequência do conflito, ocorreram a desorganização da atividade econômica e o empobrecimento da população grega. Esse momento foi marcado pela rivalidade entre gregos, pela decadência e pelo fim da autonomia das cidades-Estados. A causa dessa rivalidade remonta às diferentes alianças que se formaram na Grécia ao longo da luta contra os persas.
Durante as Guerras Médicas, com o objetivo de vencer os persas e garantir o domínio do Mar Egeu, algumas cidades gregas lideradas por Atenas fundaram a Liga de Delos, uma associação de algumas cidades-Estados cujos objetivos eram proteger o território grego e garantir-lhe a segurança. Cada cidade da confederação era obrigada a enviar para Atenas grande volume de recursos, o que possibilitou à Atenas exercer seu domínio sobre as outras cidades.
Com os recursos da Liga de Delos, Atenas, sob o comando de Péricles, realizou diversas obras de reconstrução e modernização urbana, cujos gastos eram pagos pelos impostos das outras cidades. Essa situação, somada à intervenção política exercida por Atenas em outras cidades gregas, ocasionou grande descontentamento entre seus aliados.
Esparta reagiu à expansão ateniense aliando-se a outras cidades descontentes, como Tebas e Coríntio, formando a Liga do Peloponeso. O objetivo principal da Liga era combater o domínio ateniense na Grécia, iniciando, assim, uma rivalidade interna que desencadeou a guerra entre Atenas e Esparta.
A Guerra do Peloponeso durou 27 anos, tendo início em 431 a.C. e terminando apenas em 404 a.C. As forças atenienses enfrentaram seus antigos aliados das Guerras Médicas, mas não resistiram à força espartana. Atenas se rendeu ao domínio inimigo. Esparta, assumindo o controle da Grécia que antes pertencia a Atenas, passou a impor sua liderança e controle na região, dando continuidade às tensões entre as cidades.
Tebas, contrária à hegemonia espartana, declarou guerra a Esparta, vencendo-a em 371 a.C., na Batalha de Lectra, e passando a controlar a região. Essa sucessão de conflitos atingiu toda a população grega, pois a instabilidade econômica, as pestes e os conflitos arrasavam a região e enfraqueciam as cidades.
O período de domínio de Tebas (371-361 a.C.) não iniciou um período de paz, já que as cidades-Estados eram contrárias às suas intervenções políticas, fator esse que garantiu a continuidade do conflito. A instabilidade econômica, a fragilidade política e a desintegração dos exércitos enfraqueceram a região, que não pôde resistir à invasão do rei Filipe II, da Macedônia, em 338 a.C. Dessa forma, a independência das cidades gregas chegava ao fim.
Macedônia
A região da Macedônia fica situada ao norte da Grécia. Por sua proximidade, o povo dessa região sofreu grande influência grega. O idioma compartilhado e a influência cultural não geraram empatia nos gregos, que os consideravam semibárbaros e estrangeiros.
Essa visão dos gregos perante os macedônicos estava relacionada às suas diferenças econômicas: os macedônicos se mantinham de uma agricultura rudimentar e de pastoreio.
O governo da Macedônia era uma monarquia hereditária aliada a uma nobreza agrária. Como forma de legitimar o poder, o rei era considerado descendente de Hércules, filho de Zeus.
A ascensão do reino da Macedônia tem como ponto de partida o início do reinado de Filipe II, em 359 a.C. Grande admirador do mundo grego, o rei Filipe passou a organizar o governo com um intuído expansionista. Confrontou a nobreza agrária e distribuiu terras aos camponeses, exercendo o poder com grande apoio popular. Reuniu um exército forte e poderoso, sendo seu principal núcleo de força os proprietários rurais. A invasão das cidades gregas foi iniciada no seu governo, graças às forças organizadas durante seu reinado. Filipe II foi assassinado durante a cerimônia de casamento de sua filha no ano 336 a.C. O herdeiro e sucessor foi seu filho, Alexandre. Sob o comando dele, a Macedônia se transformou em um extenso e poderoso império.
2. Conquista da Grécia pela Macedônia
É possível um conquistador não usar apenas a força para dominar uma região? Contrariando as expectativas da época, o herdeiro do trono da Macedônia organizou um dos maiores Impérios da Antiguidade, unindo força e diplomacia.
 
O avanço macedônico
Você já ouviu falar de Alexandre Magno? E Alexandre, o Grande? Ele foi um dos maiores líderes da Antiguidade, soberano de um dos maiores impérios vistos até então. Como estudado no capítulo passado, as lutas internas entre as poleis gregas levaram ao enfraquecimento delas. Com isso, o domínio dos macedônicos sobre os territórios gregos foi mais fácil.
Em 338 a.C., na Batalha de Queroneia, Filipe II derrotou os gregos após a tentativa de resistência de Tebas e Atenas. A partir dessa vitória, a Macedônia conquistou toda a Grécia. As cidades-Estados não deixaram de existir, mas perderam sua independência e passaram a fazer parte de um vasto Império.
Durante os primeiros anos de conquista, Filipe II agiu com grande tolerância política, ganhando a aprovação de parte da Grécia. Garantida a supremacia sobre os gregos, passou a estruturar o exército para iniciar uma guerra contra o Império Persa, com apoio de parte da Grécia, representada pela Liga de Corinto.
Pode parecer surpreendente, mas a cidade de Esparta, conhecida pelos seus feitos militares, se recusaria a participar da guerra contra os persas. Segundo os espartanos, suas leis não lhes permitiam obedecer a um estrangeiro.
Um dos desejos de Filipe II, ao preparar uma invasão das terras pertencentes ao Império Persa, era vingar os povos gregos da destruição de seus templos por Xerxes, durante a batalha de Termópilas, descrita no capítulo anterior.
Certamente, existiam outros interesses na conquista das terras persas. Mas a determinação numa possível vingança da humilhação sofrida durante Termópilas pôde unir os povos gregos a aceitarem ir à guerra sob a liderança de um rei macedônio, visto como estrangeiro pelos próprios gregos.
O filho de Filipe II e da rainha Olímpia, Alexandre Magno, conhecido como Alexandre, o Grande, assumiu o lugar do pai após a morte deste. Ele herdou não apenas a organização de um futuro Império, mas o desejo expansionista de Filipe. Alexandre teve uma educação voltada aos valores da cultura grega. A Ilíada, de Homero, era uma de suas narrações favoritas. Além disso, por um breve período, ele recebeu a orientação de Aristóteles, filósofo de grande importância para a cultura ocidental.
Conquistada a Grécia, o foco de Alexandre tornou-se os persas. Por 150 anos, os persas tentavam sem êxito invadir a Grécia e, durante esse período, enfraqueceram-se militarmente. No entanto, o rei persa, Dario III, dispunha de uma riqueza maior do que a de Alexandre, podendo recrutar enormes exércitos.
O Império Persa estendia-se do Mediterrâneo às margens do Rio Indo (Paquistão atual). Em 334 a.C., Alexandre invadiu e conquistou a Anatólia, libertando as cidades costeiras gregas do controle persa. No ano seguinte, na Batalha de Isso, as forças alexandrinas venceram Dario III.
Após a derrota do Império Persa, Alexandre lançou seu exército na conquista da Índia onde sua campanha chegou ao limite: conseguiu ter êxito inicial, mas não chegou a dominá-la, como ocorreu com todos os outros povos contra os quais seu exército lutou.
O domínio macedônico caracterizou-se pelas suas várias formas de conquista, que poderia se estabelecer por meio da formação de alianças entre o exército de Alexandre e a população local, ou pelo uso da força. Um exemplo de uso da força foi a cidade de Tiro (na atual costa do Líbano), principal porto fenício, que acabou sendo uma das poucas localidades que não se rendeu: a cidade, murada, garantia a proteção dos seus habitantes. Alexandre organizou um cerco à cidade, que durou oito meses, para conquistá-la.
 
Helenismo
A fama de Alexandre não se deve apenas ao seu grande poderio militar e ao alcance do seu Império, conquistado em tão pouco tempo (ele morreu em 323 a.C., aos 33 anos, na Babilônia). O objetivo de Alexandre não era apenas a conquista militar, mas também a união cultural. Ele foi responsável pela consolidação de uma nova ordem social, tendo como principal característica a união do Ocidente com o Oriente em aspectos políticos, sociais, econômicos e culturais.
Assim, durante a formação de seu Império, Alexandre se diferenciou de outros conquistadores por sua política de tolerância, respeitando as tradições e as religiões dos povos conquistados, incorporando-as ao Império, fato demonstrado durante a conquista do Egito, em 332 a.C. Na ocasião, Alexandre foi recebido como libertador e consagrado como filho do deus Amon.
A morte de Alexandre desencadeou grave crise no Império. A inexistência de um sucessor provocou disputas pelo controle do poder entre os generais. Após quase 40 anos de conflitos, formaram-se três reinos: Macedônia, Egito e Ásia. Aos poucos, eles foram conquistados pelos romanos no decorrer do século II.
Alexandre, ao conquistar um vasto território, foi responsável pela integração dos valores culturais gregos e orientais. Seu incentivo às trocas culturais entre os povos conquistados permitiu um entrelaçamento entre a cultura grega e as culturas orientais.
Durante suas campanhas, incentivava o casamento entre os soldados e as mulheres orientais, ampliando os laços e a integração. Essa época de predomínio cultural grego, sob influência de elementos da cultura oriental, foi denominada helenismo, caracterizada pelo grande desenvolvimento artístico e matemático. Nesse período, o grego tornou-se o idioma predominante, embora, pelas próprias características do mundo helênico, houvesse muitos idiomas.
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