A antiguidade oriental: Palestina

Hebreus 
Os hebreus constituem um povo de origem semita, na região da Ásia, que migrou para o Crescente Fértil milênios antes de Cristo. Com os hebreus, a Antiguidade conheceu o monoteísmo, ou seja, a crença em um único deus. Os primeiros dados históricos referentes aos hebreus remontam à cidade de Ur, na Mesopotâmia. 
Liderados por Abraão, o povo saiu de Ur por volta do ano 1800 a.C., rumo a Canaã, considerada a Terra Prometida por Deus, com o objetivo de conseguir o próprio território. Esta migração do povo hebreu está contida no livro Gênesis, da Bíblia. 
Canaã é uma região situada ao sul da Fenícia, vizinha da Síria e próxima ao deserto, na região da Palestina. Naquela época, a organização social dos hebreus era constituída, fundamentalmente, por pequenos clãs, um grupo de pessoas ligadas por uma descendência familiar, chefiados por um patriarca. Assim, essa fase ficou conhecida como Período dos Patriarcas.
Em Canaã, uma grave seca assolou o povo hebreu por volta de 1700 a.C. Novamente, saem em migração para outra região. Agora liderados por Jacó, neto de Abraão, rumaram ao Egito. Conforme as narrativas da Bíblia, Jacó teve doze filhos, os quais originaram as doze tribos de Israel. Na história de José, um dos filhos de Jacó, há relatos de como os hebreus chegaram ao Egito. Por aproximadamente cem anos, os hebreus permaneceram escravizados pelos egípcios. Com Moisés, esse povo fugiu do Egito e iniciou uma nova migração que durou 40 anos no deserto, retornando para a Palestina.
Na Palestina, encontraram um território dividido entre cananeus, jebuseus e filisteus. Nesse período, um juiz (chefes militares e religiosos) se responsabilizava pelo comando do exército e pela administração das tribos. Os juízes que mais se destacaram nesse período foram Gedeão, Débora, Sansão, Gefté, Eli e Samuel.
Os hebreus, então, derrotaram esses povos e uniram as tribos. Perceberam que havia necessidade de centralizar o poder e, por volta de 1000 a.C., organizaram o Reino de Israel sob o regime monárquico, governado por um rei. Jerusalém foi a capital desse reino.
No reinado de Salomão (1009 a.C. -935 a.C.), o Reino de Israel chegou ao apogeu. Após sua morte, rompeu-se a unidade política do reino ocorrendo o Cisma, que foi uma divisão do povo hebreu. O Estado, então, foi desmembrado em dois reinos: Reino de Israel, ao norte, formado por dez tribos, com a capital em Samaria, e Reino de Judá, ao sul, com duas tribos, cuja capital era Jerusalém.

 

Religião, cultura e sociedade 
O povo hebreu é monoteísta e Abraão é considerado o primeiro judeu, segundo a Bíblia. O Deus é Jeová, também escrito Iahweh, sendo proibida a sua representação. Diferentemente de outros deuses, Jeová não era compreendido como um elemento da natureza (chuva, trovão ou fertilidade), mas como uma presença onipresente (está em todos os lugares).
Ao se fixarem na região da Palestina, no Crescente Fértil, a religião judaica se disseminou. Foi durante o reinado de Salomão que o trabalho se tornou obrigatório para a população mais pobre, responsável pela mão de obra das grandes construções públicas. 
Na questão econômica, ainda no governo de Salomão, foram construídas estradas e portos com o intuito de fortalecer as atividades comerciais, uma vez que Jerusalém ficava em uma localização geográfica privilegiada. Era local de passagem para os comerciantes que iam em direção à Mesopotâmia ou ao Mediterrâneo. Dessa forma, os hebreus encontraram uma alternativa além da agricultura e do pastoreio.
Do ponto de vista cultural, a escrita, em hebraico e em aramaico, é um elemento que garantia a união entre os hebreus por todo o mundo. Os hebreus desenvolveram conhecimentos na Biologia e na Medicina. Seus hábitos alimentares e de higiene preveniam a transmissão de diversas doenças. Costumavam isolar as pessoas doentes para que as demais não fossem infectadas. 
A proibição do consumo de carnes de porco, animais carnívoros, répteis e aves de rapina era uma medida para se evitar a proliferação de doenças. Associaram o mal-estar aos hábitos do porco: em comer fezes e restos mortais, além de habitar lugares sujos. Por isso, sua carne foi banida da culinária hebraica.

A antiguidade oriental: Egito

1. Formação da sociedade
As primeiras civilizações surgiram há cerca de cinco mil anos, junto aos férteis vales dos rios Nilo, Tigre e Eufrates, em uma região denominada Crescente Fértil. Nessa região, pela primeira vez, as comunidades sedentárias deram origem a cidades, organizaram Estados, inventaram escritas, estabeleceram religiões e construíram grandes edificações e monumentos. 
• No século V a.C., o historiador grego Heródoto disse: “o Egito é uma dádiva do Nilo”. O que o levou a fazer essa afirmação?
• Por que o Egito foi considerado o celeiro do mundo na Antiguidade?

 

Nilo: dádiva e riqueza de uma civilização
Foi durante o Neolítico que os primeiros habitantes se estabeleceram na região nordeste da África, devido a profundas alterações climáticas que ocorriam na área do Saara.
Nesse local, os habitantes se depararam com um ambiente diferente. Um imenso rio, que hoje conhecemos como Nilo, cruzava uma extensa área entre o Deserto da Líbia e o Deserto da Arábia. No início, os egípcios não conheciam a nascente de seu rio, não compreendiam como ocorriam as enchentes.
Com o tempo, e pela observação, perceberam que as cheias eram periódicas, ou seja, ocorriam sempre em determinadas épocas do ano, causando o transbordamento das águas. Eles relacionavam esse fato aos deuses, como se fosse um presente. O Nilo tinha uma importância tão fundamental para os egípcios, que eles criaram um sistema que registrava a intensidade das cheias do rio ao longo de vários anos em monumentos reais. Afinal, com as cheias do Nilo e o lodo fértil disponível nas margens, a região se tornou uma grande produtora de cereais.
Heródoto (485?–420 a.C.), historiador grego que ficou admirado pela civilização egípcia, e morou por anos no Egito Antigo, escreveu: 

 

[...] X – A maior parte do país é uma dádiva do Nilo, como dizem os sacerdotes, e foi essa a minha impressão. [...] Quanto ao regímen desse rio, nada de novo pude aprender, nem com os sacerdotes, nem com qualquer outro habitante do país. Tinha, entretanto, o maior desejo de saber por que o Nilo começa a encher no solstício de verão, prosseguindo gradativamente a cheia durante cem dias, e por que razão, enchendo por esse espaço de tempo, ele se retrai, baixando de maneira notável e permanecendo pouco volumoso durante todo o inverno, até o novo solstício de verão. Gostaria muito de saber por que o rio possui um regímen diferente do de todos os outros, e por que é o único que não produz brisa. Todavia, nada consegui apurar entre os egípcios que viesse satisfazer essa minha natural curiosidade
HERÓDOTO. História. Livro II – Euterpe. Disponível em: <www.ebooksbrasilorg/eLibris/historiaherodoto.html>.


Como você viu, Heródoto concordava com os sacerdotes egípcios, que descreviam o Nilo como dádiva ou presente aos egípcios, pois as cheias periódicas eram fonte de água, peixes e terra fértil à população. Suas águas navegáveis beneficiaram os meios de transporte e de comunicação dos egípcios. Assim, o Nilo era para os antigos egípcios uma das fontes indispensáveis para a vida.
Para se beneficiarem das enchentes do Nilo, os egípcios construíram canais de irrigação que garantiam a ampliação da área de cultivo e a alta produtividade o ano inteiro, além de diques e barragens para estocar e controlar as águas e armazéns para guardar os alimentos, uma vez que a produção deveria durar o ano todo, até a próxima semeadura. 
Assim, era necessário designar pessoas para construir essas edificações, para lidar com os estoques de alimentos e para protegê-los, além de técnicos para sanar dúvidas sobre o plantio. 
Era uma preocupação do faraó (governante e soberano do Egito) que a população tivesse acesso aos alimentos produzidos, especialmente caso ocorresse uma seca duradoura. Por essa razão o estoque de alimentos ganhou um papel tão central no Egito Antigo. 
Como a rotina no Egito Antigo estava diretamente relacionada ao Rio Nilo, os egípcios desenvolveram inúmeros modelos de embarcações, inclusive para o transporte de pessoas e mercadorias. As primeiras embarcações eram construídas com papiro (pois havia pouca madeira disponível no Egito). Com o tempo, os egípcios realizaram contatos com outros povos, o que favoreceu o desenvolvimento de técnicas de construção de embarcações utilizando o cedro como matéria-prima. Essa árvore era nativa da Fenícia, atual Líbano.

 

Sociedade dividida, poder de um só 
Antes de se transformar em uma grande civilização, até o final do período Neolítico, o povo do Egito Antigo se localizava em pequenos territórios independentes, os nomos, ao longo do Rio Nilo. Nesses territórios, o poder político estava nas mãos dos nomarcas. 
Havia duas regiões onde se concentravam os nomos: no Alto Egito, ao sul, e no Baixo Egito, ao norte. Essas regiões apresentavam rivalidade entre si. Apesar disso, podemos analisar essas sociedades com praticamente as mesmas características. 
Ao estudar a sociedade egípcia, é importante ter em mente que ela não mantém sua estrutura imutável por toda a Antiguidade. Como você verá no segundo capítulo, a história egípcia é dividida em fases – na última delas, o Novo Império, o Egito torna-se uma potência militar, o que torna os soldados e pessoas ligadas ao Exército como figuras de maior importância naquele momento.

 

O faraó 
Por volta de 3 mil a.C., ocorreu a unificação do Egito e o governo passou a ser exercido pelo faraó, o chefe político, religioso e militar. Os egípcios acreditavam que a origem de seu poder era divina, por isso, essa forma de governo é denominada teocracia. O faraó era considerado a encarnação do deus Hórus e adorado como um deus vivo. O faraó tinha uma só rainha, mas podia ter várias esposas de menor importância. Apenas o filho da rainha era considerado herdeiro e sucessor oficial do trono egípcio.
No Egito Antigo, todas as terras pertenciam ao faraó, por isso ele podia cobrar impostos dos moradores. Ele também podia ceder terras a altos funcionários.
Para controlar todas as atividades e a economia, os faraós contavam com uma rede de funcionários que trabalhavam administrando propriedades, controlando a execução das obras públicas, calculando e cobrando impostos, além de muitas outras funções. 
Além disso, o faraó contava com o auxílio de dois vizires (conselheiros) que comandavam, cada um, o Alto e o Baixo Egito, e muitos outros altos funcionários que faziam parte da classe alta dessa sociedade. Nas cidades havia prefeitos, chefes de polícia e juízes, que asseguravam o controle sobre a população. Era preciso uma grande organização para garantir o aproveitamento de uma vasta mão de obra, que ficava disponível todos os anos durante a época das cheias do Nilo.

 

Os felás trabalham
O calendário egípcio era dividido em três estações, com quatro meses cada, seguindo o ciclo do rio:
• Akhet – de junho (fim do mês) a outubro, época em que o rio inundava;
• Peret – de novembro a fevereiro, época de semear;
• Shemu – de março a junho, época em que faziam a colheita.
A maioria da população do Antigo Egito era composta por camponeses, os “felás”, os quais não podiam cultivar a terra durante as épocas das cheias. Essas pessoas eram então convocadas para serem os “trabalhadores do faraó”, ou seja, trabalhavam como servos no sistema de servidão coletiva.
Os “felás” eram recrutados em suas vilas e cidades e enviados para auxiliar nas construções de templos, palácios e pirâmides. Os camponeses viviam em vilas onde recebiam alimentação, moradia e até tratamento médico. 
Eles criavam animais, como ovelhas, cabras, porcos e diversos tipos de aves, como patos. Na época do plantio, cultivavam trigo, cevada e centeio, papiro e linho. Sobre a área plantada, e de acordo com as cheias daquele ano, os escribas calculavam os impostos a serem pagos. Ou seja, quanto da produção deveria ser destinado ao faraó, que se apropriava do excedente de produção gerado por meio dos impostos e assim podia estabelecer relações comerciais com outros povos da época.
Havia também trabalhadores especializados, como carpinteiros, marceneiros, ourives, oleiros, tecelões e também os que produziam peças de vidro. Muitos trabalhavam diretamente para o faraó, pois eram os únicos que podiam ter contato com as riquezas do reino.
O Egito Antigo contava ainda com mão de obra escrava, geralmente prisioneiros de guerra que também eram empregados nas grandes construções egípcias.

 

Grupos privilegiados 
Os nobres e os sacerdotes integravam um grupo privilegiado no Egito Antigo. Estes cuidavam dos templos que, além de serem locais para ritos religiosos, eram pontos de arrecadação de impostos.
Outro grupo privilegiado era o dos que dominavam a escrita, os escribas, pois os egípcios acreditavam no caráter divino desse conhecimento. Além disso, o sistema de escrita era muito complexo, sendo transmitido somente a algumas pessoas. Ser escriba era mais que ser um escritor, tratava-se também de ser um administrador, uma vez que eram eles quem registravam as transações comerciais e administrativas do Egito.

 

As mulheres e a família 
A mulher na sociedade egípcia convivia com liberdade, mesmo que dependesse financeiramente do marido. De maneira geral, ela possuía muito mais liberdade e autonomia do que outras mulheres da Antiguidade. A mulher egípcia podia trabalhar fora de casa sem constrangimento. Entretanto, as funções de escriba e do comando religioso eram destinadas aos homens.
Normalmente as mulheres casavam-se cedo, entre 12 e 15 anos de idade. Para a sociedade egípcia o casamento era um acordo entre o noivo e o pai da noiva. Os bens eram incomunicáveis, ou seja, não havia a união entre os bens dos noivos. Somente os filhos poderiam receber como herança os bens provenientes do pai e da mãe.
Ainda sobre o casamento, havia liberdade para desfazer esse acordo, fosse por iniciativa da mulher ou do homem. Contudo, era uma atitude muito cara. Na família egípcia havia animais de estimação, como gatos, cachorros, pássaros e macacos. As crianças, à medida que cresciam, acumulavam funções atribuídas aos adultos. Normalmente, as meninas eram educadas pelas mães e os meninos, pelos pais.

 

2. Períodos históricos
O Antigo Egito pode ser definido como uma civilização que durou milênios e deixou construções e conhecimentos que ainda hoje surpreendem.
Mas para conhecer realmente o Antigo Egito é preciso ir além das imagens que geralmente conhecemos. Pirâmides, barcas e joias mostram o trabalho de um povo disciplinado e dedicado aos seus deuses. Toda essa história é dividida em períodos: pré-dinástico e dinástico.

O período pré-dinástico (5000-3200 a.C.)
Os primeiros grupos sedentários se estabeleceram no Delta do Nilo, ao nordeste do continente africano, por volta de 5000 a.C. Acredita-se que esses grupos vieram do Saara e se estabeleceram no Vale do Nilo após o período de grande estiagem, que secou os enormes pântanos da região, favorecendo a agricultura. Esses grupos formaram os primeiros assentamentos independentes, organizando-se territorialmente em nomos (união de várias cidades), governados por nomarcas.
Em meados do quarto milênio, destacaram-se vários nomos, como Tinis e Naqada, que estavam em permanente conflito acarretando a formação de dois reinos: o Alto Egito, ao sul, e o Baixo Egito, ao norte.
Segundo a historiografia tradicional, um príncipe do Alto Egito, chamado Menés ou Narmer, unificou politicamente os dois reinos em, aproximadamente, 3200 a.C. Esse acontecimento marcou o fim do período, mas não dos conflitos entre os nomos. Com Menés houve a formação do Estado e teve início a primeira dinastia, seguida por outras 29 dinastias.

 

O período dinástico 
Com Menés, o Egito Antigo foi unificado iniciando o período dinástico. A centralização política na figura do faraó não foi uma constante nesse longo período da história egípcia, marcado também por instabilidade, invasões e problemas internos. É por isso que, geralmente, a história dinástica do Egito é dividida em períodos: o Antigo Império, o Médio Império e o Novo Império.

 

O Antigo Império (3200-2150 a.C.) 
O Antigo Império começa aproximadamente em 3200 a.C., mas seu auge se dá a partir da 3.ª dinastia, em 2780 a.C.
Durante as primeiras dinastias, houve um grande desenvolvimento urbanístico e arquitetônico no Egito. Muitos dos elementos característicos, que permanecem até hoje em nosso imaginário e em nossas referências sobre esse povo, foram construídos ou são datados do Antigo Império, como as pirâmides. Na verdade, os primeiros túmulos para os faraós eram mastabas (pequeno orifício, normalmente retangular), que já tinham a função de preservar o corpo do faraó para a eternidade.
Como um símbolo do fortalecimento do poder dos faraós, e contando com uma grande quantidade de matéria-prima, Imhotep – vizir (conselheiro) do faraó Djoser, da terceira dinastia – realizou uma mudança radical na arquitetura dessas construções. Imhotep pode ser considerado o primeiro arquiteto de nome conhecido da história, responsável pelo planejamento da pirâmide escalonada de Djoser ou pirâmide de Saqqara.
O processo de desenvolvimento técnico e arquitetônico chegou ao seu apogeu com a construção das pirâmides dos faraós Quéops, Quéfren e Miquerinos (formando as pirâmides de Gizé), da quarta dinastia. Sua função era ser a casa do faraó na eternidade e simbolizavam um Estado forte e uma avançada civilização.
As construções exemplificam o imenso domínio arquitetônico, matemático e astronômico que os egípcios possuíam. Devemos considerar, ainda, sua capacidade de organização, fundamentada em uma vasta rede de funcionários e em uma grande disciplina coletiva. A cobrança de impostos e a disciplina eram os elementos que permitiam ao Estado gerenciar essas obras e manter trabalhadores por décadas, para a construção de uma única pirâmide. A regularidade das cheias permitia um planejamento agrícola e também para as construções, além de fortalecer as crenças nos deuses e na própria autoridade do faraó.
O final desse período foi marcado pela descentralização política. Os nomarcas, que inicialmente eram nomeados pelo faraó, passaram a ter suas funções hereditárias, fortalecendo o poder local e enfraquecendo o poder central. Assim, especialmente a partir da 7.ª dinastia, o rei viu seu poder gradualmente entrar em declínio, o que levou à fragmentação do poder central e ao aumento da autoridade para os príncipes dos nomos.

 

Médio Império (2150-1580 a.C.) 
Passam-se praticamente dois séculos entre a fragmentação do poder central no Egito e sua reunificação, na formação do Médio Império. A retomada do poder faraônico se dá com Mentuotep II, rei de Tebas, que reunifica o Egito (aproximadamente em 2020 a.C.).
Mas são Amenemés e Sésostris (reis da 12.ª dinastia, por volta de 1900 a.C. a 1790 a.C.) que levam o Império ao seu apogeu. Nesse período, foram estabelecidos contatos comerciais com outros povos, em especial os fenícios (devido ao cedro), e foram realizadas expedições – na Península do Sinai, em busca de cobre e pedras semipreciosas, e em direção à Núbia, a fim de obter essências aromáticas e marfim. Nesse momento da história egípcia, a capital passou de Mênfis para Tebas.
Segundo documentos da época, nesse período também ocorreu a entrada de vários povos vindos da Síria-Palestina ao Egito. Um desses povos foram os hicsos, que devido à presença mais numerosa, foram bem-sucedidos na tentativa de impor seu domínio sobre os egípcios.
A 15.ª e a 16.ª dinastias foram formadas por reis hicsos, por meio da superioridade militar que apresentavam, com armas de bronze e carros de guerra puxados por cavalos. Os egípcios assimilaram os conhecimentos do povo inimigo e deram início ao uso de cavalos e carros de guerra. Na verdade, é possível dizer que os hicsos modernizaram o Egito, introduzindo diferentes estilos musicais, a cerâmica, os teares, novas técnicas de colheita e raças de animais.
Foi na 17.ª dinastia, então, sob o comando de reis egípcios do Alto Egito (que se mantivera independente do controle hicso), que os invasores foram expulsos. A partir daí tem início o Novo Império, considerado a “idade de ouro” da história egípcia.

 

O Novo Império (1580-520 a.C.) 
Esse foi o período de apogeu da civilização egípcia. Vários faraós desse período se tornaram conhecidos, como a rainha Hatshepsut (primeira mulher a assumir o trono egípcio), que promoveu uma expedição ao Reino de Punt e transformou o Egito em uma grande potência militar, e Amenófis IV, depois chamado Akenaton. 
Sabe-se também que a 19.ª dinastia sofreu com o confronto com os hititas – Ramsés II derrotou-os na Batalha de Kadesh e manteve-se no poder por 66 anos.
Depois de Ramsés III, o Egito enfraqueceu e, por volta de 670 a.C., os assírios invadiram e dominaram o país durante pouco tempo. Ainda que o Novo Império tenha sido um período de grande desenvolvimento e expansão para os egípcios, eles enfrentaram uma série de invasões, que fragilizaram o poder central mais uma vez.
A partir da 20.ª dinastia o poder no Egito ficou dividido, e até a 25.ª dinastia, contou com faraós estrangeiros, com destaque para os núbios, que fundaram a dinastia dos faraós negros. Assírios e persas sucederam ao domínio do território egípcio, além de macedônios, para, finalmente, a última dinastia encerrar-se em 30 a.C., quando o Egito torna-se província romana, assim permanecendo até o fim da Antiguidade.

 

3. Sistema de escrita e religião 
No Egito Antigo, o domínio da escrita era privilégio de poucos e indicava a condição do escriba na sociedade. Seu prestígio social é explicado pela importância da atividade que exercia, pois o escriba estava encarregado de registrar detalhadamente as informações sobre a condição dos trabalhadores, a entrada e saída de produtos nas transações comerciais. 


 

Sistemas de escrita 
A necessidade de controlar a economia e auxiliar na administração do reino levou os egípcios antigos a desenvolver um sistema de registro, o que resultou em três diferentes sistemas de escrita: 
• a hieroglífica, usada para textos sagrados; 
• a hierática, usada para documentos e fins comerciais; 
• a demótica, usada para registros cotidianos.
Mesmo dominados por outros povos, os egípcios mantiveram sua cultura. Os macedônicos, liderados por Alexandre, o Grande, conquistaram o Egito, mas ainda assim respeitaram a cultura local. Cleópatra era descendente de Ptolomeu, o general macedônico que havia herdado o Egito após a morte de Alexandre. Na época da dominação romana, era ela o faraó.
Com a dominação dos romanos, o Egito perdeu sua independência política em 30 a.C. Posteriormente, em 200 d.C., o país era um importante centro de divulgação do cristianismo. Depois, no século VII, o Egito foi dominado pelos islâmicos e estes introduziram a cultura árabe em suas rotinas.
Somente no século XVIII, quando Napoleão Bonaparte invadiu o Egito, especialistas tiveram contato com a escrita egípcia.
Em 1799, soldados franceses encontraram uma pedra de basalto negro com três textos gravados, denominada Pedra de Roseta. Eles foram traduzidos pelo francês Jean-François Champollion (1790- -1832), comparando as versões do texto, que tinha uma das partes em grego antigo, idioma que já era conhecido, e outra em hieróglifos. Essa descoberta possibilitou a compreensão do sistema de escrita do Antigo Egito.

 

Religiosidade 
A religiosidade é muito presente no cotidiano do Egito Antigo. Os egípcios eram politeístas, pois acreditavam na existência de vários deuses. Esses deuses poderiam ter formas antropomórficas (formas humanas), zoomórficas (formas de animais) ou antropozoomórficas (formas humanas e com cabeças de animais).
As principais divindades egípcias eram:
• Rá – o grande deus representado pelo Sol.
• Ísis – irmã e esposa de Osíris, a deusa da natureza.
• Osíris – deus do mundo dos mortos.
• Anúbis – deus que cuida do embalsamamento dos mortos.
• Hathor – deusa do amor e protetora das mulheres.
• Maat – deusa da justiça.
• Hapy – o deus do Nilo.

 

Pirâmides e múmias: uma civilização para a eternidade 
O desenvolvimento das pirâmides esteve associado à prática do embalsamamento realizado para os faraós. Essa técnica se desenvolveu com base na crença em Osíris, primeiro governante do Egito, casado com sua irmã, Ísis. Os egípcios eram politeístas e cada cidade egípcia tinha seu deus, porém, Osíris pode ser descrito como um deus nacional.

 

Mumificação 
Assim como Osíris, cada faraó era embalsamado por meio de um processo delicado e preciso, somente conhecido pelos sacerdotes. Eram retirados os órgãos internos do morto (fígado, estômago e intestino) e guardados em vasos específicos para esse fim, chamados canopos, potes de barro com tampas em que estão reproduzidas as cabeças de animais sagrados.
O processo de mumificação, mesmo com poucas etapas, podia chegar a 70 dias. O clima quente e seco foi fundamental para a conservação dos vestígios deixados pelos antigos egípcios. Aqueles que não podiam pagar pelo ritual de mumificação eram enterrados na areia. Atualmente, os arqueólogos utilizam a tecnologia eletrônica e digital, como a tomografia computadorizada de múmias e aparelhos de sensoriamento remoto, para localizar tumbas. 
É inegável, porém, que a prática da mumificação levou os sacerdotes egípcios a um profundo conhecimento de anatomia. Além disso, precisaram criar instrumentos semelhantes aos usados pelos cirurgiões hoje. A principal diferença entre a medicina atual e a praticada pelos egípcios, era que a egípcia, como todos os outros conhecimentos que desenvolveram, estava diretamente associada à religião. 
Os médicos egípcios também atuavam com especialidades. Sabiam tratar de ossos quebrados, faziam cirurgias no crânio, e em outras partes do corpo, indicavam o uso de anestésicos e prescreviam receitas aos pacientes. As mulheres egípcias já faziam uso de um teste simples para indicar gravidez. Por motivos como esses, eles eram procurados até por pessoas de outros povos.

 

O Livro dos mortos e a crença na vida após a morte
Os egípcios acreditavam que o espírito do morto seria julgado para definir seu destino final. Por isso havia tantas preparações para sua passagem – cuidados com seu corpo, a presença de seus pertences na tumba, diversas inscrições com desejos para a vida após a morte, e inscritos do Livro dos mortos. Nesse livro havia ensinamentos sobre como o morto deveria se comportar ao passar pelo Tribunal de Osíris, que o julgaria nesse momento final.
A imagem acima representa, assim, o julgamento do morto realizado por Osíris. A balança situada ao centro da imagem é a peça mais delicada do julgamento. Ela mostra dois pratos, em um deles está o coração do morto e no outro, uma pena de Maat, deusa da verdade. O espírito precisava declarar que não cometera más ações durante sua vida na Terra. Isso somente seria comprovado se o coração dele fosse mais leve do que a pena. Nesse caso, ele continuaria sua existência em uma espécie de paraíso. Caso contrário, seu espírito deixaria de existir, pois seu coração seria devorado por um monstro, Thot. Anúbis, o deus que havia dado a escrita aos homens, aparece equilibrando a balança; ele anotava o resultado do julgamento.

 

Os templos 
Os templos eram o centro da atividade religiosa do Egito Antigo. Eles funcionavam como moradas dos deuses e como importantes instituições econômicas. Os mais conhecidos são os templos de Karnac e de Luxor. Havia também templos mortuários, em que eram realizados rituais em honra de algum rei morto. Em alguns casos, havia templos que exerciam tanto a função religiosa como a mortuária.
Entrar no templo não era permitido a qualquer pessoa: era tarefa reservada aos sacerdotes. O único contato que a população tinha com as estátuas guardadas nesses lugares, por exemplo, ocorria apenas durante os festivais anuais, quando as estátuas eram levadas em procissão para fora dos templos. Os sacerdotes, vistos como um grupo superior, seguiam uma série de rígidas normas de pureza física e espiritual para frequentar os templos.
Sendo esses lugares tão exclusivos, como se expressava a religiosidade no cotidiano da população egípcia? Na verdade, é difícil dizer. Sabe-se que as pessoas frequentavam oráculos a fim de sanar dúvidas ou resolver problemas pessoais e o uso de amuletos de proteção eram largamente utilizados entre a população.

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