11. SEGUNDO REINADO: POLÍTICAS, GUERRA E O CAFÉ

1. Política interna do II Reinado
O Segundo Reinado é caracterizado como o período de transformação do Estado brasileiro e de organização de um governo civil, composto unicamente da elite. Mas o início desse período é marcado por uma disputa no Parlamento brasileiro quanto à constitucionalidade da antecipação da maioridade de D. Pedro II, que, pela Constituição imperial, só poderia assumir o trono após completar 18 anos.
As leis foram feitas para serem cumpridas ou para atenderem aos propósitos de apenas algumas pessoas?
As leis podem ser criadas para benefício próprio ou de um grupo?
Cena política do II Reinado
O Período Regencial foi caracterizado por grande instabilidade social, política e econômica. Nesse período diversas revoltas colocaram em risco a unidade territorial brasileira, ameaçando a consolidação do Império, uma vez que havia um claro desejo em algumas revoltas de colocar um fim na monarquia, no latifúndio e na escravidão.
Esse cenário político era caracterizado pela divergência de dois grupos políticos formados por membros da elite brasileira: os regressistas e os progressistas, que dariam origem respectivamente aos partidos Conservador e Liberal. Essa elite era composta de proprietários de terras, comerciantes, grandes mercadores e funcionários graduados do governo que, apesar de manterem as divergências, diferenciavam-se pouco no teor ideológico e nos projetos políticos propostos. Para eles, não havia outro grupo que pudesse governar o Brasil; defendiam que o povo e a população escravizada eram incapazes de fazê-lo por não terem instrução.
No decorrer do Segundo Reinado, os liberais e os conservadores dominaram a vida pública por meio da formação de um governo civil, auxiliando na consolidação das instituições imperiais.
Além dos partidos políticos, algumas associações de classes exerceram influência política durante o Brasil Império. A primeira foi a Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional, criada em 1827 e substituída pelo Centro Industrial do Brasil em 1904. A Sociedade publicou com algumas interrupções, de 1833 a 1896, o mensário O Auxiliador da Indústria Nacional, relacionado à atividade agrícola.
A segunda foi a Associação Comercial, criada em 1809 sob o nome de Corpo do Comércio, reaberta em 1834 com o nome de Sociedade dos Assinantes da Praça do Rio de Janeiro. Em 1867, passou a adotar o nome de Associação Comercial. Alguns de seus diretores chegaram a ocupar postos políticos e postos no Banco do Brasil.
A elite no Brasil Império não se diferenciava ideologicamente. Embora dividida em partidos opostos, as divergências respeitavam um limite. Afinal, todos pertenciam à mesma camada social, tendo interesses em comum. Essa homogeneidade no pensamento político e social se devia à educação e ao treinamento para assumir cargos públicos. A educação superior era um elemento de unificação ideológica, pois quase toda a elite possuía estudos superiores, parte dela tinha formação jurídica na Universidade de Coimbra, em Portugal.
Golpe da Maioridade
No último período da Regência, os conservadores dominavam o poder por intermédio de Araújo de Lima. Diversas medidas foram adotadas para acabar com as agitações nas províncias, mas não foram suficientes para encerrá-las. Essa situação aumentava a oposição dos liberais perante o poder dos conservadores, e crescia a defesa da centralização do poder mediante a restauração da monarquia, com D. Pedro II na liderança.
A posse de D. Pedro II passou a representar uma esperança para a estabilidade e a pacificação do país. Para que esse objetivo fosse alcançado, a maioridade de D. Pedro II antes dos 18 anos era fundamental. Desse modo, ele poderia governar o país, os liberais permaneceriam ao seu lado no poder, e as revoltas provinciais seriam pacificadas. A campanha pela antecipação acabou ganhando apoio de parte da sociedade, como revela a quadrinha popular a seguir, divulgada na época.
Há divergências sobre a forma como D. Pedro II recebeu a notícia da antecipação de sua maioridade: para alguns, D. Pedro II mostrava-se alheio às ações do governo; para outros, quando foi questionado sobre o fato, aceitou prontamente, pois se sentia preparado para cumprir sua obrigação.
O golpe da maioridade completou o processo de centralização e fortalecimento do poder central, pois, com sua coroação, D. Pedro II pôde exercer o Poder Moderador, que lhe dava atribuições similares às absolutistas, podendo interferir no Judiciário e no Legislativo.
O primeiro desafio depois do golpe foi acabar com as revoltas provinciais que ainda persistiam. Foi necessária muita habilidade política para pôr fim a uma das principais revoltas: a Revolução Farroupilha.
Uma vez pacificadas essas revoltas, apenas mais duas abalaram o governo do imperador: uma em 1842, a Revolta Liberal, e outra em 1848, a Revolução Praieira. O crescimento econômico que o Brasil passou a ter nesse período colaborou para uma relativa paz interna.
De qualquer forma, D. Pedro de Alcântara, com apenas 14 anos, foi aclamado imperador e defensor perpétuo do Brasil em julho de 1840. Em julho de 1841, foi coroado imperador, com o título de D. Pedro II. Todo o processo de antecipação da maioridade de D. Pedro, da apresentação do projeto de lei até sua aprovação, levou dois dias. A ausência de um debate mais amplo no Senado e a rapidez com que aprovaram a lei na Câmara levaram a oposição a chamar essa aprovação de golpe.
Liberais e conservadores
No Período Regencial, existiam três grupos políticos: os liberais moderados, os liberais exaltados e os restauradores ou caramurus, mas só a partir de 1837 se originaram os partidos no Brasil.
Com a morte de D. Pedro l, em 1834, o grupo dos restauradores deixou de existir, e os liberais exaltados foram excluídos da política. Durante a regência do padre Feijó, os liberais moderados dividiram-se em dois grupos: os progressistas (favoráveis a um pouco mais de autonomia às províncias) e os regressistas (favoráveis a um poder central forte). Posteriormente, os progressistas deram origem ao Partido Liberal, e os regressistas, ao Partido Conservador.
O Partido Conservador era composto de altos funcionários do governo, grandes comerciantes e proprietários de terras, que, com o apoio das províncias do Nordeste, defendiam a centralização política como condição para impor a ordem. Já o Partido Liberal era formado por senhores rurais e camadas médias urbanas, que, com o apoio das províncias do Centro-Sul, era favorável à descentralização e maior autonomia das províncias.
Considerando que os integrantes desses dois partidos eram provenientes da mesma classe social, dedicavam-se em sua maior parte à mesma atividade, não houve profundas diferenças de ideias e interesses entre eles e os principais conflitos concentraram-se nas disputas de poder. Esses dois grupos disputaram e se revezaram no poder durante todo o Segundo Reinado.
Na disputa política, utilizavam os mesmos métodos: a violência, o apadrinhamento e a corrupção. Nenhum dos partidos apresentou programas antes de 1860, sendo que o Partido Conservador jamais elaborou um programa.
O sistema eleitoral do Segundo Reinado permaneceu censitário e masculino. A população pobre e analfabeta era excluída das eleições pela exigência da renda mínima, não participando das disputas políticas partidárias do período.
Eleições do cacete
Após assumir o governo, D. Pedro II convocou eleições para a formação da Câmara dos Deputados. Os liberais venceram, mas os conservadores questionaram o resultado, alegando a existência de fraude nas eleições. Naquele período, o voto era aberto, o que significa que qualquer pessoa podia saber em quem o eleitor tinha votado.
Para garantir a participação no novo governo, os liberais organizaram grupos de capangas, os quais forçavam os eleitores a votarem em candidatos do Partido Liberal. Caso não o fizessem, podiam ser espancados ou até mortos. Muitas listas de eleitores foram falsificadas; incluindo-se nomes de pessoas que já haviam morrido, ou colocando-se uma mesma pessoa _para votar duas vezes, tudo para garantir a vitória dos candidatos liberais.
Por conta do uso da violência excessiva contra os eleitores, essas eleições foram chamadas de "eleições do cacete". A fraude não era novidade, nem deixou de existir, mas os conservadores alegavam que a violência contra os eleitores era intolerável. Em função da pressão que os conservadores exerciam sobre D. Pedro II, as eleições foram anuladas.
Com a anulação, quem passou a liderar o ministério do Imperador foi o Partido Conservador. Entre suas primeiras medidas, estava a dissolução da Câmara dos Deputados, de maioria liberal, eleita por meio de fraudes e violência. Os liberais não aceitaram tais resoluções e, em 1842, lideraram a Revolta Liberal em São Paulo, a qual acabou derrotada, e seus principais líderes, presos.
O parlamentarismo às avessas
Durante praticamente todo o Segundo Reinado predominou o sistema parlamentarista. O parlamentarismo foi introduzido no Brasil em 1847, com a criação da Presidência do Conselho de Ministros por D. Pedro II. Mas para conciliar o interesse dos dois partidos, o imperador instituiu um sistema parlamentarista fora dos padrões, que ficou conhecido como parlamentarismo às avessas ou à brasileira.
No parlamentarismo inglês é a maioria da Câmara (Poder Legislativo) que escolhe o primeiro-ministro (Poder Executivo), sendo que o monarca (rei ou rainha) não governa. No Brasil, essa escolha era feita pelo próprio imperador (Poder Moderador). Era D. Pedro II quem indicava o presidente do Conselho de Ministros, e este, por sua vez, escolhia o ministério (gabinete) e o apresentava à Câmara dos Deputados. Se o ministério fosse aprovado, passava a exercer o Poder Executivo; caso fosse reprovado, a decisão era tomada pelo imperador, que substituía o ministério ou dissolvia a Câmara e convocava novas eleições, impondo sua vontade pela subordinação do Legislativo ao Executivo.
 
POLÍTICA DA CONCILIAÇÃO
Como vimos, o Partido Liberal e o Partido Conservador dominaram a cena política brasileira durante todo o Segundo Reinado. As eleições representavam a vontade dos grandes proprietários rurais, que exerciam completo domínio sobre as províncias, restringiam e controlavam o número de eleitores, além de fraudarem as eleições, exercendo o poder diretamente ou utilizando apadrinhados políticos.
Foi essa semelhança de interesses políticos que levou à instalação, em 1853, do Ministério da Conciliação, com a participação dos dois partidos. Esses interesses semelhantes explicam o fato de a abolição da escravidão, resultado de uma grande campanha liberal, ter sido transformada em lei por um gabinete conservador.
Dessa forma, durante o Segundo Reinado, liberais e conservadores revezaram-se no poder, constituindo 36 gabinetes, o que resultou num tempo médio de governo inferior a um ano e meio para cada ministério.
 
A Revolução Praieira
A maior e principal revolta ocorrida durante o Segundo Reinado foi organizada na região Nordeste, na província de Pernambuco. Entre as províncias do Nordeste, Pernambuco se destacou por seu desenvolvimento econômico açucareiro e por sua longa tradição em revoltas políticas e sociais, sendo palco de um grande conflito durante a consolidação do Império em 1848. De caráter liberal e federalista, o movimento contestatório ficou conhecido como Revolução Praieira.
Durante o século XIX, a situação de Pernambuco era semelhante à de outras províncias. O poder local era exercido por uma aristocracia composta de famílias tradicionais da região. Duas das principais famílias que exerciam o poder na região eram os Rego-Barros e os Cavalcanti, que unidas por laços de parentescos eram membros tanto do Partido Conservador quanto do Liberal, governando a província de 1837 a 1844. Durante o período de governo, usaram o poder público em favor dos interesses privados, além de familiares ocuparem os principais cargos públicos, gerando grande insatisfação popular. Os Cavalcanti também eram donos de um terço dos engenhos pernambucanos e eram conhecidos como "gabiru", que significa rato grande.
Outro fator de descontentamento dos pernambucanos era o monopólio comercial exercido pelos portugueses sobre o varejo. Em 1844, das 77 casas comerciais, apenas 23 eram de brasileiros. Insatisfeitos com a situação, um grupo de intelectuais, jornalistas e profissionais liberais formou um novo partido político, o Partido da Praia. Tal partido era aliado a indivíduos liberais e senhores de engenho. Esse grupo de rebeldes ficou conhecido como "praieiros", pois utilizava um jornal como ferramenta ideológica para a divulgação dos ideais, o Diário Novo, localizado na Rua da Praia, em Recife. Influenciados pela onda revolucionária na Europa, de princípios liberais, nacionalistas e socialistas — chamada "primavera dos povos"—, os membros do partido faziam intensa oposição ao governo imperial e a seus representantes no governo da província.
Os liberais passaram a governar Pernambuco em 1845. Em 1848 0 governo imperial indicou um conservador como presidente da província. Os políticos liberais e o povo pernambucano não o aceitaram e, no dia 7 de novembro do mesmo ano, revoltaram-se em Olinda. Começava assim a Revolução Praieira. Seus principais líderes eram Nunes Machado, Luís Roma, Borges da Fonseca e Pedro Ivo Veloso.
Em |º de janeiro de 1849, publicaram o Manifesto ao Mundo, no qual divulgavam algumas de suas reivindicações, que expressavam a influência dos movimentos europeus. Os praieiros reivindicavam: o fim do Poder Moderador, o voto livre e universal, a liberdade de expressão, o trabalho como garantia de vida para o cidadão brasileiro e o fim do domínio português no comércio.
Os revoltosos tentaram tomar Recife, mas foram derrotados. Sob o comando de Pedro Ivo, eles tentaram ocupar a Paraíba, mas também não conseguiram. Em 1850, os revolucionários foram totalmente derrotados. Vários deles foram condenados à prisão perpétua na Ilha de Fernando de Noronha. Alguns foram anistiados em 1852. Pedro Ivo foi levado à Fortaleza da Laje, no Rio de Janeiro. Fugiu e embarcou para a Europa, mas morreu durante a viagem. Com o fim da Revolução Praieira, encerrou-se o período de grandes revoltas no Império (entre 1831 e 1850), iniciando-se um período marcado por estabilidade política.
 
2. Política externa do II Reinado
A política externa durante o Segundo Reinado foi marcada por várias divergências. Alguns chegaram a estremecer as relações diplomáticas entre Brasil e Inglaterra. As relações com os nossos vizinhos também foram marcadas por diversas tensões que influenciaram o início da maior guerra protagonizada pelo Brasil na América Latina: a Guerra do Paraguai.
  • O que foi a Guerra do Paraguai?
  • Qual a influência de outros conflitos na Guerra do Paraguai?
  • Qual foi o papel do império brasileiro nessa guerra?
 
Questão Christie
Desde o Período Colonial, a Inglaterra influenciou diversos aspectos da política, economia e sociedade brasileira. Considerada a maior potência do século XIX, manteve diversos acordos políticos e económicos com o Império brasileiro. Desde que reconheceu a Independência do Brasil, em 1826, a Inglaterra pressionava o país de vários modos. Durante o Segundo Reinado, algumas pressões inglesas abalaram as relações diplomáticas entre os países. Por exemplo:
a pressão exercida pelos ingleses contra a escravidão; a elevação das tarifas sobre os produtos importados e um episódio que ficou conhecido como "questão Christie", que resultou em um rompimento diplomático entre Brasil e Inglaterra.
Em 1861, uma embarcação inglesa, o navio Prince of Wales, naufragou no litoral do Rio Grande do Sul, tendo parte de sua carga roubada e a tripulação morta. O embaixador inglês William Christie exigiu uma indenização aos britânicos de 3.200 libras, além de autorização para que as autoridades britânicas investigassem o roubo da carga, alegando negligência do governo brasileiro nas investigações.
Enquanto a questão do navio inglês ainda era debatida, outro incidente ocorreu no Rio de Janeiro, agravando as relações diplomáticas entre os dois países. No mês de junho de 1862, três oficiais da marinha britânica à paisana foram presos pela polícia brasileira na capital do Império. Embriagados, foram acusados de promover arruaça nas ruas da cidade. Christie exigiu a libertação dos ingleses e a prisão dos policiais brasileiros, além da retratação pública pelo Império e desculpas às autoridades inglesas.
D. Pedro II recusou-se a atender a essas exigências. Insatisfeito com a atitude do imperador brasileiro, William Christie ordenou que a marinha inglesa apreendesse cinco navios brasileiros ancorados em portos nacionais.
Esse fato gerou uma série de protestos nas ruas do Rio de Janeiro, nos quais os brasileiros reclamavam contra os ingleses. D. Pedro II resolveu pagar a indenização, mas recusou-se a atender às outras exigências: expulsou o embaixador e rompeu a relação diplomática.
Buscando-se uma resolução, foi escolhido como árbitro o rei Leopoldo l, da Bélgica, que deu razão ao Brasil em 1863. Ainda assim, as relações diplomáticas entre os dois países só foram restabelecidas em 1865, já no contexto da Guerra do Paraguai.
Um dos principais fatores para a indisposição entre os dois governos ainda estava concentrado na problemática da escravidão, pois a Inglaterra pressionava por seu fim.
 
As questões platinas
Desde o início do século XIX, a região platina foi palco de disputas entre os países sul-americanos. Era uma região rica e estratégica, cortada por vários rios navegáveis, como o Paraguai, o Paraná e o Uruguai, e com importância vital para o comércio regional e internacional. Além disso, esses rios formam a maior parte das fronteiras naturais entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
O controle da região passou a fazer parte dos planos geopolíticos desses países, causando grande tensão entre eles. No Segundo Reinado, o Brasil buscou consolidar e proteger suas fronteiras, dominando a navegação dos rios Paraná, Uruguai e Paraguai, indispensáveis para a comunicação interna brasileira.
Juan Manuel Rosas (1829-1852), ditador da Argentina, tinha a intenção de Escala aproximada reconstituir o vice-reino da Prata, que Projeção Policónica abrangia Argentina, Uruguai, Paraguai e Mapa da bacia hidrográfica do Rio da Prata. No mapa, Bolívia. O Brasil, se quisesse pôr em ação é possível perceber os rios utilizados pelo Brasil como sua intenção de dominar a navegação via de comunicação com suas províncias. naqueles rios, deveria combater as pretensões argentinas.
A resposta do Brasil veio em 1850, quando se aliou à oposição interna argentina e derrotou as tropas do general Rosas no ano de 1852. Rosas tinha aliados no Uruguai, chamados Blancos, que também foram perseguidos e vencidos pelas tropas imperiais. Cerca de 5 mil homens do Exército brasileiro mantiveram Montevidéu ocupada temporariamente, demonstrando o interesse do Império em controlar a política local do país vizinho. O principal objetivo do Império era obter a livre navegação dos rios da Bacia do Prata e, com o fim dos seus inimigos locais, isso foi conquistado. Apenas o Paraguai poderia representar um empecilho.
Entretanto, os conflitos regionais entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai não cessaram. Em 1864, em uma nova disputa política, as tropas imperiais apoiaram os colorados na guerra civil uruguaia e, posteriormente, cobraram uma resposta do governo do Uruguai à violência na fronteira com o Rio Grande do Sul. Segundo o governo brasileiro, os fazendeiros gaúchos eram vítimas de roubos de gado. Sem ter seu pedido atendido, novamente as tropas imperiais invadiram o Uruguai.
Dessa vez, a atitude brasileira encontrou um obstáculo: o Paraguai se sentiu desrespeitado em seus interesses,
invadindo o Brasil (Mato Grosso) e, mais tarde, a Argentina (Corrientes? Entre Rios). O país via tanto no Brasil quanto na Argentina ameaças à sua soberania — a maneira com que ambos  os países tratavam o Uruguai era um indicativo do que poderia ocorrer com o Paraguai também. Começava assim a Guerra do Paraguai (1864-1870), iniciada pelo ditador paraguaio Francisco Solano  López (1827-1870).
 
A Guerra do Paraguai (1864-1870)
Antecedentes
A Guerra do Paraguai foi um fato impactante para a sociedade brasileira e sul-americana, no século XIX. Vista como o maior conflito ocorrido na América do Sul, essa guerra pode ser considerada um divisor na história dos países envolvidos. Motivada por diversos fatores internos e externos, foi responsável pela consolidação dos Estados da Argentina e do Paraguai e promoveu o apogeu da força militar do Brasil.
Desde meados do século XIX, diversos conflitos ocorreram na região platina, sendo centro de disputas econômica, política e territorial. Até 1840, o Paraguai se manteve afastado das lutas na região platina para garantir sua autonomia e independência em relação à Argentina. Independente desde 181 1, o Paraguai ainda lutava pelo seu reconhecimento como Estado nacional.
Sob o governo de Gaspar Rodriguez de Francia, primeiro presidente do Paraguai, inexistiram contratos oficiais com os governos vizinhos, gerando uma organização e um tipo de economia em que o Estado se tornou regulador. As terras da Igreja e da elite tradicional foram confiscadas, e nelas organizadas as estâncias da pátria, fazendas para o cultivo da erva-mate.
Após a morte de Francia, em 1840, sob à liderança de Antônio Carlos López, o Paraguai encerrou seu isolamento por meio da assinatura de alguns tratados de amizade, comércio e navegação com países vizinhos. Para modernizar a economia, incentivou a criação de indústrias e o aperfeiçoamento dos meios de comunicação. Enviou seu filho Solano López à Inglaterra para recrutar técnicos estrangeiros e comprar navios e máquinas.
Essa modernização possibilitou a abertura do país ao mercado externo e ao desenvolvimento econômico, que não atingia toda a população paraguaia, pois estava restrito a uma pequena parcela da sociedade.
Durante grande parte da década de 1850, o governo paraguaio dificultou a livre navegação de embarcações brasileiras no Rio Paraguai rumo à província do Mato Grosso. Mesmo após a assinatura do tratado de livre navegação, em 1856, o governo paraguaio, por meio de regulamentos, continuava a criar obstáculos à passagem de navios brasileiros na região.
Quando Solano López assumiu a presidência, em 1862, o Paraguai tinha bom desenvolvimento: possuía indústrias de fundição de ferro, armas, pólvora, tecidos, louças, tintas e papel. Já tinha telégrafo instalado, assim como as primeiras ferrovias já haviam sido inauguradas. A produção e o comércio eram controlados pelo governo, bem como o tráfego de navios estrangeiros pelo Rio Paraguai.
A situação herdada por Solano López garantiu a ampliação da modernização e o interesse na expansão do comércio externo, mesmo carecendo de saída para o mar. O governo de Solano López era extremamente autoritário. Além de controlar 80% da economia interna e externa, durante o seu poder, a Igreja foi nacionalizada, devendo obediência ao Estado. López organizou uma economia de caráter extremamente militar, enquanto os camponeses ainda utilizavam técnicas agrícolas do século XVII.
Durante esse período, o Paraguai participou ativamente das questões platinas, formando aliança com as províncias Entre Ríos e Corrientes, contrárias ao governo argentino, e com os Blancos, que governavam o Uruguai, apoiando-os a guerra contra nas divergências contra o Brasil, garantindo, assim, uma saída para mar e livrando-se das altas taxas alfandegárias ao utilizar o Porto de Buenos Aires. A política paraguaia passou a ser vista como ameaça tanto para a Argentina quanto para o Brasil, já que interessava a esses países assegurar suas fronteiras e navegar livremente na região.
 
O início do conflito
Como retaliação à invasão do Uruguai por tropas brasileiras, em 1 1 novembro de 1864, Solano López ordenou a apreensão do navio brasileiro Marquês de Olinda, que se dirigia ao Mato Grosso levando o futuro presidente dessa província. No dia seguinte, enviou um comunicado à embaixada brasileira em Assunção informando o rompimento das relações diplomáticas entre Paraguai e Brasil e, consequentemente, declarando guerra. Em seguida, pediu autorização ao governo argentino para atravessar o seu território e entrar no Uruguai. Diante da recusa, declarou guerra à Argentina. Com a guerra, o ditador paraguaio pretendia alcançar dois objetivos: manter a influência de seu país na região do Prata e garantir uma saída para o mar.
A guerra era um fato consumado. O exército paraguaio invadiu Uruguaiana, no Rio Grande do Sul e fortes localizados no Mato Grosso. No fim de abril de 1865, representantes do Brasil, da Argentina e do Uruguai, agora governado por um aliado, reuniram-se para redigir um tratado de aliança econômica, política e militar contra o Paraguai, conhecido como Tríplice Aliança.
 
Voluntários da Pátria
O Brasil não estava preparado para enfrentar uma guerra, pois seu exército era pequeno, mal treinado e não possuía muitas armas, além das finanças do governo não permitirem gastos sem a realização de empréstimos no exterior. Para aumentar o número de soldados brasileiros, o governo convocou a Guarda Nacional criada em 1831. A situação mudou de fato com o decreto de janeiro de 1865, que criava os Voluntários da Pátria. Esse grupo seria formado, então, por pessoas que espontaneamente participariam da guerra, incluindo africanos escravizados e indígenas, e que teriam uma série de vantagens e regalias pela atuação no conflito — incluindo a alforria, no caso dos escravizados (garantida por um decreto de 1866).
O número de voluntários, alto no início da campanha, caiu com o tempo, de forma que muitos "voluntários" passaram a ser recrutados de forma obrigatória. Os homens evitavam a situação como podiam: fugiam para a mata ou até mesmo casavam-se às pressas na tentativa de serem poupados da participação na guerra. Muitos senhores enviavam escravizados no lugar de seus filhos.
De qualquer forma, as medidas do governo aumentaram o número de combatentes na Guerra do Paraguai, mas também geraram estranhamento no Exército, agora formado por populares e não apenas pela elite social e econômica do país. Assim, a inclusão de libertos na frente de batalha gerou uma situação curiosa: eram justamente os excluídos da sociedade que pegavam em armas e lutavam por ela. E é inegável a participação de africanos e libertos no conflito (que aumentou à medida que o conflito avançava), tornando-se peça-chave para a vitória do Exército brasileiro. A Guerra do Paraguai, dessa forma, fomentou ainda mais as discussões sobre a escravidão e a abolição no Brasil.
 
Os combates
Quando o conflito teve início, em 1865, o exército de Solano López era superior ao de seus inimigos, pois contava com 64 000 homens, contra cerca de 27 000 soldados das forças aliadas. Essa proporção foi se invertendo ao longo do conflito.
Se o Brasil não possuía exército adequado, o mesmo não ocorria em relação à Marinha. A esquadra brasileira era a mais poderosa da América do Sul e seus oficiais eram bem treinados. Era a força armada que dava prestígio às pessoas, tanto que seus oficiais provinham quase sempre das tradicionais famílias de latifundiários.
Desde o início, a guerra teve um objetivo principal: o fim do governo de Solano López. Porém, isso não foi tão fácil, pois o apoio do povo paraguaio ao seu governante era muito forte. Tal apoio se deve ao significado que a guerra ganhou entre os paraguaios: a luta pela manutenção da liberdade, por suas famílias e pelas propriedades ameaçadas pelos invasores.
Os países da Tríplice Aliança tiveram grande vantagem nas batalhas navais, entre elas as batalhas de Riachuelo, Tuiuti e Curuzu. Em terra, o avanço dos aliados pelo interior do Paraguai foi dificultado por doenças e desentendimentos entre seus comandantes. Nessa difícil situação, Caxias assumiu o comando das tropas brasileiras, reorganizou o exército e venceu os paraguaios na segunda Batalha de Tuiuti (1867).
Em 1868, Caxias tomou a fortaleza de Humaitá e derrotou o Exército paraguaio nas batalhas de Avaí, Itororó, Lomas Valentinas e Angostura. No ano seguinte, os brasileiros chegaram a Assunção. Caxias voltou ao Brasil e o comando geral passou para Gastão de Órleans (o conde d'Eu). Os paraguaios foram vencidos em Peruíbe e Campo Grande (1869)
Mesmo o Paraguai derrotado, Solano López ainda tentou resistir com um pequeno grupo. Fugiu para o interior do país, mas foi morto em Cerro Corá (1870), numa batalha em que, aproximadamente, 300 soldados paraguaios enfrentaram cerca de 3 mil brasileiros.
 
Consequências da guerra
Foram cinco anos de longas e sangrentas batalhas terminando em 1870. Os países da Tríplice Aliança tiveram mais prejuízos que benefícios. Apenas a Inglaterra saiu vitoriosa, pois recebeu com juros o dinheiro que havia emprestado ao Brasil e à Argentina, além de conseguir vender produtos ao Paraguai.
O Paraguai saiu arrasado do conflito, que vitimou grande parte de Sua população masculina. Perdeu ainda 140 mil quilômetros quadrados de seu território, parte para o Brasil e parte para a Argentina, mas se manteve independente. Economicamente, saiu fragilizado, perdendo parte de suas indústrias, o que acarretou complicações que se estendem até hoje.
O Brasil também ficou economicamente enfraquecido, pois foi obrigado a assumir pesadas dívidas para financiar as expedições contra o Paraguai. A guerra também trouxe outras consequências para o Brasil:
  • Garantia da navegação brasileira pelos rios da Bacia do Prata.
  • O Exército brasileiro saiu fortalecido e valorizado. A carreira militar passou a ser mais respeitada pela sociedade
  • Grande parte dos militares brasileiros voltou defendendo ideias republicanas, e a escravidão passou a ser questionada.
  • Aumento da instabilidade política do Império.
  • Construção de um imaginário nacional, pois pela primeira vez as províncias brasileiras passaram a integrar um conflito com um ideal comum: garantir as fronteiras territoriais.
 
Economia brasileira no II Reinado
A partir de 1838, o café superou o açúcar como principal produto de exportação brasileiro. O crescimento da economia baseado na exportação do café possibilitou a união do centro político (cidade do Rio de Janeiro) com o centro económico (Sudeste), contribuindo para a consolidação do Estado Imperial. Durante todo o Período Colonial, a monocultura exportadora foi a base da economia brasileira. Essa característica permaneceu após a Independência, mesmo sem existir um único produto capaz de gerar riquezas, como a cana-de-açúcar havia feito. Houve queda nas exportações de produtos como açúcar, tabaco e algodão devido à concorrência com outros centros produtores e às altas taxas alfandegárias cobradas pelo Império.
Em meio a essa crise, um novo produto se destacava pela grande aceitação no mercado europeu: o café. O interesse do mercado europeu pelo café acabou impulsionando a economia brasileira durante o Segundo Reinado.
O café foi introduzido no Brasil por Francisco de Melo Palheta, que trouxe o fruto da Guiana Francesa. As primeiras mudas provavelmente foram plantadas na região próxima a Belém do Pará. A produção era pequena e limitava-se ao consumo doméstico. Em muitos lugares, o café era utilizado como planta ornamental.
A partir de 1830, a produção do café chegou ao vale do Rio Paraíba do Sul e sua produção começou a crescer, mantendo-se em expansão atéo início do século XX. As principais razões para esse crescimento foram o aumento do preço e do consumo do café no mercado internacional (Estados Unidos e Europa); a existência de clima e solo favoráveis ao seu cultivo na região Sudeste do Brasil; os baixos investimentos necessários para o cultivo do café, que não requer equipamentos caros e é menos trabalhoso do que a cana-de-açúcar.
A região Sudeste foi o local onde o café se desenvolveu. No Rio de Janeiro, foram formadas as primeiras fazendas cafeeiras, que se estenderam pelo litoral até Angra dos Reis e Parati no início do século XIX. Essas fazendas apresentavam as mesmas características das fazendas açucareiras: latifúndio, monocultura exportadora e uso da mão de obra escravizada africana. O Porto do Rio de Janeiro funcionava como o local de escoamento, centro controlador e financeiro da produção cafeeira.
Valendo-se de um sistema de agricultura extensiva, os cafeicultores queriam obter lucros rápidos e não se importavam com o desgaste do solo. No Vale do Paraíba, onde foi inicialmente plantado, o cultivo extensivo acabou provocando rápido enfraquecimento do solo. Sendo assim, a produção deslocou-se para São Paulo. No oeste paulista, a planta encontrou melhores condições de desenvolvimento: havia facilidade de plantação, de comunicação e de transporte da produção. Campinas acabou se tornando o grande centro da expansão cafeeira, e o Porto de Santos, o principal ponto de escoamento
Algumas leis aprovadas em 1850 possibilitaram a expansão da produção cafeicultora, por exemplo a Lei de Terras, que estabelecia que as terras públicas poderiam ser adquiridas apenas por meio da compra (tornando extremamente difícil que negros libertos, mestiços, brancos pobres e indígenas comprassem propriedades e permitindo que fossem expulsos, no caso de não terem o título de propriedade registrado em cartório).
Os fazendeiros expulsaram posseiros e tomaram suas terras; comunidades indígenas foram dizimadas por massacres; enormes extensões de mata nativa foram derrubadas para receber os cafezais. O desmatamento era feito, geralmente, por brasileiros, e o plantio e a colheita do café pelos africanos escravizados e pelos imigrantes.
A economia cafeicultora possibilitou grandes transformações. A acumulação de riquezas por essa cultura provocou mudanças na estruturas económica e social brasileiras, iniciando o processo de modernização do país. Africanos escravizados colhendo café no Vale do Paraíba em 1883.
A Lei de Terras de 1850 propôs uma mudança radical no acesso à terra produtiva ou virgem do território brasileiro. Leia o texto a seguir, que analisa essas transformações pé responda às questões.
Se olharmos mais de perto o projeto de lei e os argumentos daqueles que defendiam na Câmara dos Deputados, torna-se óbvio que os legisladores queriam fomentar o desenvolvimento do sistema de plantation, que constituía a base da economia brasileira. Eles estavam dispostos a dar ao governo o poder para controlar a terra e o trabalho, 'apenas para assegurar o sucesso da economia do tipo plantation. Em relação à terra, o governo não era visto como um proprietário, mas como um representante do povo, de quem derivava seu poder para controlar a terra e o trabalho. [...] Conscientes da necessidade de um Inovo tipo de trabalho para substituir o escravo, eles recorreram à imigração como fonte de trabalho. Finalmente, supondo que num país onde a terra era disponível em grandes quantidades o imigrante poderia se tornar proprietário rural em vez de trabalhar numa fazenda, eles tentaram tornar mais difícil o acesso à terra, a fim de forçar os imigrantes a trabalharem nas fazendas.
 
O início das indústrias
O fim do tráfico negreiro e a expansão do café possibilitaram um grande acúmulo de capital, que antes era destinado ao tráfico de escravos. Parte desse capital acabou impulsionando o primeiro surto de industrialização do país, iniciando o processo de modernização capitalista do Império, caracterizado pela aceleração da urbanização e pelo grande desenvolvimento industrial.
Conforme a economia cafeeira se expandia e gerava grandes somas em capitais, os cafeicultores passavam a se tornar empresários também. Com os recursos gerados pelo café, investiam em inovação agrícola, ferrovias, serviços de transporte e iluminação e bancos.
O início da industrialização foi estimulado pela criação da Tarifa Alves Branco, que elevou em até 30% as tarifas alfandegárias sobre os produtos estrangeiros. Esse fator, associado ao lucro gerado pelo café, que podia ser investido em outros setores, bem como a Protecionista: sistema de proteção da indústria ou do comércio de liberação de capitais que antes eram empregados na compra de um país, concretizado em leis que pessoas escravizadas, possibilitou o surgimento de indústrias no proíbem ou inibem a importação de determinados produtos, por Brasil na segunda metade do século XIX. Essa tarifa caracterizava meio da taxação. uma política alfandegária protecionista, pois encarecia as mercadorias importadas e estimulava a produção de similares nacionais.
Em 1846, Irineu Evangelista de Sousa, o barão de Mauá, abriu um estabelecimento industrial em Ponta da Areia — Niterói (RJ), iniciando uma série de empreendimentos. Nesse estabelecimento, fabricava navios, guindastes, prensas, caldeiras a vapor, canos e engenhos de açúcar, entre outros. Mauá foi o responsável pela instalação do primeiro telégrafo, pela iluminação a gás no Rio de Janeiro, por uma companhia de navegação fluvial no Amazonas, além da criação da primeira linha de bondes puxados por burros no Rio de Janeiro. Criou também o primeiro banco particular, o Banco Mauá. Seus negócios estendiam-se ao Uruguai, à Argentina, aos Estados Unidos, à Inglaterra e a França.
Em 1854, inaugurou a primeira ferrovia no Brasil, ligando a Baía de Guanabara a Petrópolis. Em 1858, foi inaugurada outra ferrovia brasileira, a Estrada de Ferro D. Pedro II (Central do Brasil), construída com o objetivo de transportar o café do Vale do Paraíba para o Porto do Rio de Janeiro.
As estradas de ferro foram essenciais no desenvolvimento da economia cafeeira no oeste paulista, possibilitando o início do processo de modernização.
Em 1860, os negócios de Mauá sofreram um revés, pois o governo brasileiro, pressionado por comerciantes ingleses, reduziu as taxas de importação. Com isso, caíram os preços dos produtos importados, e o mercado brasileiro foi inundado por mercadorias estrangeiras. Mauá e centenas de pequenos fabricantes foram arruinados. Além disso, um incêndio criminoso destruiu, quase Pedra fundamental da Estrada de Ferro Mauá, em 1852, a primeira estrada desse tipo no Brasil. completamente, as instalações de Ponta de Areia.
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