10 - Colonização portuguêsa na América

* Na ocasião da chegada de Cabral, haviam na milhões de indígenas agrupados em mais de mil povos que habitavam o território que hoje é o Brasil. Potiguar, os Caetés, Tupinambás e os Tupiniquim falavam línguas do tronco Tupi. Litoral com presença mais forte dos Tupi-Guarani.
* Os povos Tupi-Guarani tinham cultura semelhante e uma origem comum. Acredita-se que tenham se originado na floresta amazônica, e que por volta de 500 a.C, tenham migrado em direção ao litoral e pelo interior até o sul da América. Tinham cultura e língua semelhantes, o que facilitava o convívio.
* Suas tribos chegavam a ter de 500 a 3 mil pessoas. As casas estavam dispostas em torno de um pátio, aonde eram realizadas as festas e reuniões. AS casas eram habitadas por diversos membros da família, entre pai, mãe, avó, primos, sobrinhos e outros membros da família.
* Entre os Tupis, o poder era dividido. Cada aldeia tinha um líder, chamado de Morubixaba, e seu poder era igual aos demais líderes da aldeia. Para ser escolhido, eram levadas em conta características como saber falar em público, conhecimento de costumes, ser valente e guerreiro. Outra figura importante era o chefe religioso, o Pajé.
* Antes de decidir, a opinião dos outros era levado em conta, e dada a importância da decisão, os mais velhos eram consultados. Não havia uma liderança central, e no caso de guerra, os líderes se reunião em forma de um conselho. Suas fronteiras variavam conforme as necessidades e alianças.
* Os tupiniquins estranharam o encontro com os portugueses. A pele rosada, armas de fogo, roupas, botas, chapéus. Os portugueses também estranharam, como registrado na carta de Pedro Vaz de Caminha.
* O contato entre eles ocorreu tanto de forma pacifica, quanto por meio da guerra. As relações pacíficas se deram por meio de: Escambo, Casamento e alianças.
* Entre as causas das mortes de indígenas estão as armas de fogo trazidas pelos portugueses, e as doenças como por exemplo, a gripe, varíola, sarampo, tuberculose, que acabavam se tornando epidemias e dizimavam tribos inteiras de uma vez. Cabe citar também como causa de inúmeras mortes o trabalho escravo imposto pelos europeus.
* Alimentação: Batata-doce; Amendoim; Mandioca; Tomate; Batata-inglesa; Feijões; Milho
* Plantas medicinais: Jaborandi; Copaíba; Quinino; Curare
* Plantas estimulantes: Erva-mate; Guaraná
Após os primeiros contatos, os portugueses foram incorporando elementos da cultura indígena, da mesma forma que os indígenas foram adotando padrões europeus. O contato entre culturas promove esse intercâmbio e a adoção de novos costumes por ambas as partes, mesmo que essa relação seja caracterizada como de dominação, como nesse caso. Muitos portugueses tinham esposas nativas e seus filhos já não eram lusos, mas mestiços. Aprendiam a língua local, assim como os costumes transmitidos pelos indígenas, aprendendo a se alimentar com os produtos da terra, como mandioca, milho e frutas, sem esquecer-se dos peixes nativos. Os indígenas, aprisionados ou catequizados, foram inseridos em formas de trabalho sistemático, seja pelo colonizador, interessado em explorar a sua mão de obra, seja pelos jesuítas, que entendiam o trabalho como forma de lidar com a indolência, considerada natural ao nativo.
No interior, de escasso povoamento, predominavam os costumes indígenas. A primeira área colonizada do interior do continente tinha como centro o sertão de Piratininga, onde surgiu a cidade de São Paulo, marcando a história de toda a colonização das terras interiores do Brasil. Diferentemente da costa – ligada ao comércio de cana-de-açúcar –, o interior estava ocupado por jesuítas e pelos poucos que se aventuravam a subir a Serra do Mar. Os jesuítas, preocupados em catequizar os nativos, logo aprenderam a língua local e, como bons gramáticos, estudaram o tupi. Acredita-se que estruturas de suas línguas de origem (latim, português) foram se incorporando ao tupi. Como se vê, a língua é um bom exemplo de como a relação entre culturas resulta em fenômenos singulares de representação do sincretismo que o convívio promove. O resultado foi que, por mais de duzentos anos, a principal língua falada nos sertões era o tupi.
Os bandeirantes, a maioria de origem paulista, falavam o português e o tupi, sendo responsáveis pela difusão deste último para o que viria a ser Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Paraná. Por esse motivo, os topônimos predominantes em todo o Brasil são tupis. Embora muitos bandeirantes fossem mestiços e falantes do tupi, eram caçadores de indígenas. As mulheres podiam servir como esposas, ou, como os homens, eram utilizadas como escravas nas fazendas portuguesas na América. Um grande número de indígenas foi escravizados dessa maneira. Isso significa que esses indígenas foram vitais para a produção agrícola portuguesa. Eles eram chamados de negros da terra, para diferenciá-los dos negros da Guiné, como eram chamados os africanos.
Os jesuítas fizeram dos povos indígenas o foco de sua atuação no continente americano. Criaram as missões, lócus da catequese e do aprendizado da cultura europeia, como também buscaram resguardar os guaranis dos ataques bandeirantes e das autoridades lusas e espanholas. Essas missões eram comunidades geridas sem interferência direta das coroas e estavam sob controle eclesiástico. Contudo, ali os indígenas podiam, por exemplo, preservar seu idioma, como parte de seus costumes, mesclados com a catequese cristã. O aprendizado do catolicismo e a adoção de novos costumes, mesmo que misturados aos de origem, levou gradativamente à modificação da cultura indígena. As missões foram um dos alvos preferidos dos bandeirantes na busca do aprisionamento dos indígenas, já que eles se encontravam agrupados e aculturados.
A expulsão dos jesuítas, em meados do século XVIII, e o Tratado de Madri, entre as coroas de Portugal e Espanha, selaram o destino das missões, que foram destruídas e seus povos dispersos. Vestígios desses povos missioneiros sobrevivem no Paraguai, na Argentina e no Brasil atuais.
A mineração do século XVIII viria a pôr termo, com o passar do tempo, ao uso do tupi no interior do Brasil. Os costumes indígenas, a toponímia e as tradições caboclas, contudo, nunca deixaram de predominar. O Brasil não pode se reconhecer sem incorporar essa influência determinante em sua formação.
 
Senhor,
posto que o Capitão-mor desta Vossa frota, e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza a notícia do achamento desta Vossa terra nova, que se agora nesta navegação achou, não deixarei de também dar disso minha conta a Vossa Alteza. [...]
A feição deles é serem pardos, um tanto avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem-feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. Nem fazem mais caso de encobrir ou deixar de encobrir suas vergonhas do que de mostrar a cara. Acerca disso são de grande inocência. Ambos traziam o beiço debaixo furado e metido nele um osso verdadeiro, de comprimento de uma mão travessa, e da grossura de um fuso de algodão, agudo na ponta como um furador. Metem-nos pela parte de dentro do beiço; e a parte que lhes fica entre o beiço e os dentes é feita a modo de roque de xadrez. E trazem-no ali encaixado de sorte que não os magoa, nem lhes põe estorvo no falar, nem no comer e beber.
Os cabelos deles são corredios. E andavam tosquiados, de tosquia alta antes do que sobrepente, de boa grandeza, rapados todavia por cima das orelhas. E um deles trazia por baixo da solapa, de fonte a fonte, na parte detrás, uma espécie de cabeleira, de penas de ave amarela, que seria do comprimento de um coto, mui basta e mui cerrada, que lhe cobria o toutiço e as orelhas. E andava pegada aos cabelos, pena por pena, com uma confeição branda como, de maneira tal, que a cabeleira era mui redonda e mui basta, e mui igual, e não fazia míngua mais lavagem para a levantar. [...]
Parece-me gente de tal inocência que, se nós entendêssemos a sua fala e eles a nossa, seriam logo cristãos, visto que não têm nem entendem crença alguma, segundo as aparências. [...] Eles não lavram nem criam. Nem há aqui boi ou vaca, cabra, ovelha ou galinha, ou qualquer outro animal que esteja acostumado ao viver do homem. E não comem senão deste inhame, de que aqui há muito, e dessas sementes e frutos que a terra e as árvores de si deitam. E com isto andam tais e tão rijos e tão nédios que o não somos nós tanto, com quanto trigo e legumes comemos.
Nesse dia, enquanto ali andavam, dançaram e bailaram sempre com os nossos, ao som de um tamboril nosso, como se fossem mais amigos nossos do que nós seus. [...] Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela, ou outra coisa de metal, ou ferro; nem lha vimos. Contudo a terra em si é de muito bons ares frescos e temperados como os de Entre-Douro-e-Minho, porque neste tempo d’agora assim os achávamos como os de lá. Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem!
Contudo, o melhor fruto que dela se pode tirar parece-me que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar. E que não houvesse mais do que ter Vossa Alteza aqui esta pousada para essa navegação de Calicute bastava. Quanto mais, disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentamento da nossa fé!
E desta maneira dou aqui a Vossa Alteza conta do que nesta Vossa terra vi. [...]
Beijo as mãos de Vossa Alteza.
Deste Porto Seguro, da Vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de maio de 1500.
Carta de Pero Vaz de Caminha.
Colonização Portuguesa
* Ao chegar aqui em 1500, os portugueses não encontraram ouro nem prata, e já vinham obtendo altos lucros com o comercio com as Índias. Este fato explica o pouco interesse pelo território brasileiro.
* Mesmo assim o rei de Portugal enviou expedições exploradoras e policiadoras. Em 1503, os portugueses descobriram o Pau-Brasil: madeira muito utilizado para tingir tecidos e construir casas e móveis.
* Ao saber da existência do Pau-brasil, o governo português mandou construir feitorias, para guardar os produtos. Eram os indígenas que cortavam e transportavam as toras, e lá eram trocados por produtos úteis aos índios (Colares, facas, machados, espelhos).
* Logo os franceses começaram a frequentar o território Brasileiro, e através de acordos com os índios, levaram grandes carregamentos de pau-brasil. Portugal reagiu enviando uma expedição policiadora, mas se deu conta que era impossível proteger o território. Portugal enfrentava outro problema, a redução dos lucros no comércio com o oriente. E em 1530, D. João III, decidiu enviar uma missão colonizadora, comandada por Martim Afonso de Sousa, que fundou São Vicente em 1532, a 1ª vila do Brasil, ergueu casas, igreja e um engenho.
* O governo português dividiu o território em 15 grandes faixas de terra, as capitanias hereditárias, e entregou sua administração a 12 homens, os capitães hereditários, e através da carta foral, tinha direitos e deveres:
* Deveres: desenvolver a agricultura da cana-de-açúcar; expandir a fé cristã; cuidar da defesa.
* Direitos: Cobrar impostos; escravizar e vender índios; tirar para si 5% no negócio do pau-brasil; julgar os habitantes; doas sesmarias, que deveriam ser doadas a quem tivesse condições de produzir e dar lucro.
* Poucas capitanias tiveram sucesso: Pernambuco, Bahia e São Vicente; as outras fracassaram devido a: Falta de recursos; grandes extensões de terra; falta de comunicação; resistência dos índios; ataques piratas.
* Diante deste fracasso, Portugal aumentou seu controle sobre o território, criando em 1548 o governo-geral, cargo ocupado por grandes colaboradores, parentes ou pessoas cujo interesse português era maior.
* Em 1549, Tomé de Souza foi o primeiro Governador-geral, trouxe consigo capitão-mor, ouvidor-mor, provedor-mor, carpinteiros, soldados e jesuítas liderado por Manoel da Nobrega, e fundou a cidade de Salvador.
* O segundo governador, Duarte da Costa (1553-1558) também veio acompanhado de vários colonos e jesuíta, entre eles Padre José de Anchieta, que em 1554 fundou o Colégio de São Paulo. Porem Duarte deu pouca atenção as capitanias do Sul, e em 1555, a França invadiu a Baia de Guanabara e fundou a França Antártica com ajuda de índios, permanecendo aqui por 12 anos.
* Mem de Sá (1558-1572) reprimiu as revoltas indígenas e seu sobrinho, Estácio de Sá, mandou erguer um forte na Baía de Guanabara que deu origem a São Sebastião do Rio de Janeiro, em 1565, e expulsou os franceses anos depois. Em 1621, para melhorar a defesa, Brasil dividido em 2 partes: Estado do Maranhão, com capital em São Luís (que em 1751 passaria a se chamar Estado do Grão-Pará e Maranhão) e Estado do Brasil, com capital em Salvador.
* Também foram criadas as Câmaras Municipais para administrar as vilas aonde os "Homens Bons", decidiam sobre os impostos, conservação, limpeza e arborização. Quando havia desentendimentos com o governo geral, Portugal intervinha de forma violenta.
* A igreja teve forte presença na colonização do Brasil, o Símbolo desta presença era a cruz de madeira com as armas do rei de Portugal, e enquanto Portugal cuidava do aproveitamento econômico, a Igreja introduzia hábitos europeus de trabalho e comportamento entre os indígenas, mas também exercendo grande controle sobre a vida social dos colonos.
* No Brasil, os Jesuítas deram especial atenção a formação e conversão das crianças indígenas, e fundaram colégios e as principais vilas do Brasil, e até 1580 foram os Missionários "oficiais" do governo Português. Após isso entraram outras ordens religiosas no Brasil, entre eles os Carmelitas, Capuchinhos e oratorianos.
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