8 − Os seres vivos e seus reinos

Neste Tema, você estudará como se dá a classificação dos seres vivos em reinos – Monera, Protista, Fungi, Plantae e Animalia – e conhecerá com mais detalhes as características dos seres vivos que pertencem aos reinos Monera, Protista e Fungi.
Antes que esses reinos sejam abordados, você estudará os vírus, portadores de características tão particulares que há dúvidas, entre os cientistas, se eles devem ser considerados seres vivos.
  • Você já foi ou levou alguém a um médico e ouviu dele que o problema é uma virose? O que isso significa?
  • Em sua opinião, o que deve ser feito quando se tem uma virose? Tomar remédio é uma boa solução?
 
Os seres vivos e seus reinos
Como visto na Unidade 2, os seres vivos podem ser classificados em vários grupos. Uma classificação muito utilizada, segundo os critérios científicos, divide os seres vivos em cinco grandes reinos: Monera, Protista, Fungi, Plantae e Animalia.
 
Vírus
Os vírus apresentam características tão peculiares que alguns cientistas afirmam que não deveriam ser considerados seres vivos. Como eles não podem ser classificados em nenhum dos cinco reinos, outras formas de classificação foram propostas, de modo a abranger até mesmo os vírus.
Os vírus são parasitas que dependem da célula hospedeira para realizar todas as suas funções biológicas. Fora de uma célula hospedeira, eles são incapazes de se reproduzir e de realizar os processos metabólicos. Ou seja, quando não está associado a outro ser vivo (ou está fora de outro ser vivo), um vírus parece um ser inanimado qualquer. Eles se comportam como seres vivos apenas no interior de células vivas de animais, plantas ou bactérias.
Apesar de dependerem de outros seres vivos, os vírus muitas vezes chegam a matar as células para sobreviver. Mas, diferentemente de outros seres vivos, um vírus nem sempre se decompõe após a morte do hospedeiro. Sua estrutura permite que sobreviva em uma espécie de dormência, por muito tempo, até infectar outras células.
Além disso, os vírus não são formados por células. São extremamente pequenos (em 1 cm seria possível enfileirar 2 bilhões de vírus!) e apresentam estrutura bastante simples. Ainda que existam vários tipos de vírus, todos possuem apenas uma cápsula, chamada capsídeo. No interior dessa cápsula, encontram-se uma ou mais moléculas de seu material genético (carregando seus genes).
Para se reproduzir, o vírus introduz esse material em uma célula. A partir daí, passa a controlar o metabolismo da célula infectada e utiliza o material que encontra dentro dela para fazer cópias de si mesmo.
Assim, um único vírus pode originar milhares de outros em um curto intervalo de tempo. Nesse processo, os vírus podem levar à morte um grande número de células, o que explica os efeitos das infecções virais. Além disso, em outras situações, os vírus podem não ocasionar a morte celular, mas deixam parte de seu material genético misturado ao das células hospedeiras, podendo originar diversos problemas de saúde, caso, por exemplo, do vírus HPV, que pode causar câncer de útero.
Praticamente todos os tecidos e órgãos humanos podem ser alvo de alguma infecção viral. Algumas dessas infecções são transmitidas por insetos, como a febre amarela e a dengue. Outras, como a Aids (sigla em inglês que significa síndrome de imunodeficiência adquirida) e o condiloma, são doenças sexualmente transmissíveis (DSTs). Além delas, existem viroses mais comuns, como resfriado, caxumba, hepatite, herpes, meningite, mononucleose, poliomielite, raiva, rubéola, sarampo, varíola etc.
 
Prevenção e tratamento de doenças virais
Os vírus têm capacidade de adaptação bastante eficaz em função, principalmente, de sua forma de se reproduzir (estratégia reprodutiva) e da elevada taxa de mutação (modificação genética), que produz formas diferenciadas do vírus em um curto intervalo de tempo. Os vírus são conhecidos por infectarem células de tecidos específicos. Ou seja, um vírus da gripe, por exemplo, é especialista em infectar células das vias respiratórias, ao passo que o vírus da hepatite infecta células do fígado. Essa especificidade deve-se ao fato de os vírus apresentarem algumas moléculas que mimetizam moléculas que as células normalmente incorporam. Dessa forma, por estarem “mimetizados”, eles conseguem entrar com facilidade em suas células-alvo. A grande variabilidade dos vírus, com sua elevada taxa de mutação, dificulta sua identificação pelos mecanismos de defesa do corpo, o que torna também difícil a prevenção e o tratamento de viroses. As vacinas são a principal e mais eficiente solução para as doenças virais, e há drogas que tratam os sintomas ou inibem o metabolismo do vírus. Por isso, é importante estar sempre com a carteira de vacinação em dia.
Algumas pessoas acreditam que os antibióticos podem auxiliar no tratamento das viroses, mas não podem. Esse tipo de medicamento inibe o metabolismo celular, principalmente de bactérias. Como os vírus são acelulares, os antibióticos não têm o menor efeito sobre eles.
 
Vacinação
Você sabe quais são as vacinas que um adulto deve tomar? E as crianças? Você tem carteira de vacinação? Além de informações sobre as vacinas, o que mais se anota em uma carteira de vacinação?
 
Reino Monera
O reino Monera é composto de bactérias e cianobactérias (bactérias que realizam fotossíntese), que podem ser encontradas em todos os biomas da Terra e até mesmo no interior de outros seres vivos. São os menores e mais antigos organismos celulares conhecidos; seu tamanho varia entre 0,5 e 10 milésimos de milímetro. Os primeiros organismos desse reino teriam surgido na Terra há aproximadamente 3,4 bilhões de anos. Por isso, são considerados os precursores das formas de vida atuais.
As bactérias e cianobactérias são organismos unicelulares, embora várias espécies se apresentem como colônias formadas por agrupamentos de células que, juntas, podem chegar a medir 1 metro, como acontece com as cianobactérias. A célula desses seres não contém um núcleo organizado. Portanto, seu material genético encontra-se disperso em seu interior.
 
A importância das bactérias
Existem mais de 20 mil espécies de bactérias conhecidas. Algumas delas são de grande importância para a saúde, o ambiente e até mesmo para a economia de um país, já que sua existência leva à fabricação de produtos que podem ser comercializados.
É comum associar as bactérias a infecções e doenças, mas a maioria não é nociva à saúde. Existem as que vivem no trato digestório, por exemplo, participando do processo da digestão, além de produzirem vitaminas essenciais à saúde. Com o desenvolvimento da biotecnologia, as bactérias passaram a ser utilizadas também na síntese (fabricação) de várias substâncias, entre elas a insulina (para o tratamento da diabete) e o hormônio de crescimento, e na produção de antibióticos e vitaminas.
As cianobactérias, ao realizarem a fotossíntese, transformam o gás carbônico em outras substâncias e liberam gás oxigênio no ar. Foram seus ancestrais que, provavelmente, liberaram todo o gás oxigênio que há hoje na atmosfera.
Além disso, diversas outras espécies de bactérias são importantes para o ser humano. Alguns exemplos são as que realizam a fermentação acética, utilizadas na fabricação do vinagre, e os lactobacilos, que provocam a coagulação do leite e são usados na preparação de coalhadas, queijos e iogurtes (como apresentado na Unidade 3 do Volume 2 do Caderno de Ciências, quando foi proposta a preparação de uma receita de iogurte).
 
Doenças causadas por bactérias
A maioria das doenças causadas por bactérias é transmitida pela contaminação de alimentos ou água (cólera, febre tifoide) e pela contaminação do ar (pneumonia, tuberculose). Conheça, no quadro a seguir, quais bactérias transmitem cada uma dessas doenças, como ocorre o contágio e quais são os sintomas e o tratamento.
Reino Fungi
Os fungos mais conhecidos são cogumelos, bolores, mofos, leveduras, fermentos, orelhas- -de-pau e trufas. A princípio, quando todos os organismos eram classificados como animais ou plantas, os fungos foram incluídos no reino das plantas. Atualmente, constituem o reino Fungi, que abrange organismos eucariontes e heterótrofos, podendo ser unicelulares ou pluricelulares.
Esse é um grupo bastante numeroso, formado por cerca de 200 mil espécies espalhadas por praticamente todo tipo de ambiente. A maioria sobrevive obtendo alimento da decomposição de organismos mortos.
Existem espécies de fungos que se desenvolvem de maneira independente e outras em associação com outros seres vivos. Essa associação, chamada simbiose, oferece vantagens a ambos os organismos, como é o caso da relação de mutualismo entre os fungos e as algas que formam os liquens.Contudo, algumas espécies são parasitas, pois se alimentam das substâncias que retiram dos organismos vivos nos quais se instalam, mantendo relações desarmônicas com
Reino Protista
As algas e os protozoários constituem o reino Protista. Os protistas possuem células eucarióticas (ou seja, que possuem uma membrana que envolve o núcleo) e podem ser autótrofos (produzem seu próprio alimento) ou heterótrofos (não produzem seu alimento, precisando se alimentar de outros animais ou plantas).
Alguns organismos desse reino são unicelulares, como amebas e paramécios, e outros são pluricelulares, como as algas gigantes, que chegam a atingir vários metros.
A célula dos organismos unicelulares é tão complexa que é capaz de executar sozinha todas as funções (locomoção, respiração, excreção, reprodução etc.) que os tecidos, os órgãos e os sistemas realizam em um ser pluricelular.
 
Protozoários
Até meados do século XX, os protozoários eram considerados animais primitivos. São seres unicelulares que se alimentam por ingestão e alguns são parasitas. Para se locomover, alguns protozoários possuem flagelo, como a leishmânia, e outros, cílios, como o paramécio. Ambos têm movimento constante em uma única direção.
Três características diferem o flagelo dos cílios:
  • o formato: os cílios são menos curvos;
  • o tamanho: os flagelos são mais longos; e
  • a quantidade: os cílios são numerosos, enquanto o flagelo é único.
Os protozoários podem ser encontrados nos mais variados biomas, sobretudo em ambientes aquáticos e terra úmida.
Algumas espécies de protozoários convivem em relação harmônica (mutualismo ou comensalismo) com outros seres vivos, enquanto outras parasitam alguns animais. Os protozoários parasitas podem se alojar em várias partes do corpo, como no sangue e no tubo digestório.
 
Os mapas das doenças
Leishmaniose é uma doença transmitida por um tipo de mosquito, que, ao picar uma pessoa ou animal, introduz em sua circulação o protozoário Leishmania. Os primeiros sintomas da doença são febre, perda de apetite, fraqueza e anemia.
Observe o mapa a seguir, que representa as áreas com transmissão de leishmaniose no Brasil entre 2008 e 2010.
plantas e animais. Além desses mais comuns, existem alguns grupos de fungos considerados predadores, que capturam pequenos animais para se alimentar.
Os fungos estão mais presentes em nosso dia a dia do que se pode imaginar. Assim como algumas bactérias, os fungos fazem parte do grupo de organismos decompositores que realizam a ciclagem de nutrientes. Essa ciclagem é de grande importância ecológica, pois a matéria orgânica contida nos organismos mortos é devolvida ao ambiente, podendo ser reutilizada por outros organismos.
Além disso, os fungos são usados na fabricação de remédios, como antibióticos, de bebidas alcoólicas e de alimentos, como pães, tortas, massas e queijos. A penicilina, por exemplo, é um poderoso antibiótico natural derivado de um fungo: o bolor do pão.
 
Doenças causadas por fungos
Os fungos também podem ser responsáveis pela decomposição de alimentos frescos, pelo apodrecimento de materiais utilizados em diferentes tipos de construção, pela destruição de tecidos e utensílios de madeira, além de prejudicar lavouras e causar doenças em plantas e animais.
Esses organismos afetam também o ser humano, provocando micoses e outras doenças. As micoses aparecem, de modo mais frequente, na pele e se manifestam em qualquer parte da superfície do corpo, sendo mais comuns as das unhas e dos pés, conhecidas como frieira ou pé de atleta. Podem ainda afetar a mucosa vaginal, como acontece na candidíase.
A candidíase é uma doença sexualmente transmissível e uma das causas mais frequentes de infecção genital. Nas mulheres, a candidíase se caracteriza por coceira e ardor na região dos órgãos genitais, dor durante a relação sexual e corrimento vaginal esbranquiçado, semelhante à nata do leite. Nos homens, é comum inchaço e avermelhamento do pênis, além da presença de pequenas lesões puntiformes (em forma de pontos) e avermelhadas, que provocam intensa coceira. O tratamento deve ser feito com remédios específicos, conhecidos como antifúngicos. Quando a candidíase afeta a boca, provoca os conhecidos “sapinhos”, muito comuns em crianças ou adultos com sistema imunológico fragilizado.
 
PENSE SOBRE
Você percebeu que muitas doenças geradas por vírus, bactérias, protozoários e fungos são sexualmente transmissíveis. Quais medidas de prevenção as pessoas devem tomar para evitar a transmissão dessas doenças, que podem ter como consequência sérios transtornos ou mesmo a morte de quem as desenvolve?
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