2. Da Ordem Bipolar à Geopolítica atual

Guerra Fria
Encerrada a Segunda Guerra Mundial, observamos que o colapso do totalitarismo abriu portas para que Estados Unidos e União Soviética tomassem frente à reorganização do cenário político internacional. Uma primeira demonstração da cisão entre esses dois blocos apareceu na própria ocupação da Alemanha, quando os dois países citados disputaram palmo a palmo o território germânico. Com a construção do muro de Berlim, presenciamos a materialização dessa disputa. 
Mais do que duas nações, Estados Unidos e União Soviética representaram o antagonismo entre dois modos de organização da sociedade, da economia e das relações políticas. Sendo assim, a chamada “guerra fria” simbolizou o enfrentamento dessas duas ideologias fomentadas pelo suporte ideológico dos valores de ordem socialista e capitalista. Além disso, devemos destacar que a “guerra fria” ganhou esse nome por não ter havido um confronto direto entre soviéticos e norte-americanos. 
Na verdade, ao longo dessa época, a Guerra Fria se desenvolveu através de ações governamentais pelos líderes de cada bloco, cada um interessado em expor a hegemonia do sistema que representava. Desse modo, filmes, cartazes, textos e outras manifestações foram vistos como um modo de propagandear a visão de mundo de cada um dos blocos. Apesar de significativas, tais manifestações culturais não encerraram a questão do desenvolvimento da guerra fria. 
Visando manter a hegemonia em suas áreas de interesse, os envolvidos na Guerra Fria montaram grandes planos de ajuda financeira para auxiliar as nações que sofreram os efeitos e perdas decorrentes da Segunda Guerra Mundial. Entre os norte-americanos, o Plano Marshall determinou o envio de dinheiro para nações da Europa Ocidental e do Continente Americano. Já na União Soviética, o Comecon estabelecia os mesmos objetivos com os países integrados ao socialismo. 
Além de tais recursos, os blocos desse sistema bipolar se envolveram em questões políticas que estavam relacionadas à expansão e à retração do capitalismo ou do socialismo ao redor do mundo. Sendo assim, a Guerra Fria foi marcada pela intervenção ou o auxílio militar de exércitos que defendiam o interesse ideológico do bloco que representavam. A Guerra da Coreia, a Revolução Chinesa, a Guerra do Vietnã e a própria Revolução Cubana expuseram a ação capitalista e socialista em tal situação. 
Nessas situações de conflito indireto, acontecia paralelamente uma corrida tecnológica e armamentista que também demarcou o auge dessa disputa. O desenvolvimento de armas nucleares, o anúncio de novas tecnologias de destruição, o aprimoramento de armamento militar, a ampliação de exércitos e até a exploração espacial figuravam nesse outro braço da disputa dos blocos. Sendo assim, a Guerra Fria determinou o gasto de quantias exorbitantes. 
Por volta da década de 1970, observamos que essa tensão passou a se enfraquecer com a assinatura de acordos que estabeleciam a distensão da corrida armamentista. Logo em seguida, o colapso da economia soviética determinou a realização de mudanças estruturais na economia da grande nação socialista. Ao fim da década de 1980, a crise do socialismo soviético e a queda do Muro de Berlim demarcaram historicamente a desintegração do bloco socialista e o fim da Guerra Fria.
Guerra das Coreias
O término da Segunda Guerra Mundial abriu portas para que as práticas de natureza neocolonial perdessem seu vigor. Entre as zonas de exploração imperialista perdidas pelo Japão, a Coreia passou a ser controlada pelo poderio militar e econômico dos norte-americanos e soviéticos. Na medida em que se desenvolvia a Guerra Fria, a presença destas duas nações em território coreano instalou a divisão política desse território. 
Na porção setentrional, formou-se a República Democrática da Coreia do Norte, de orientação socialista e influenciada pelos ditames do regime socialista soviético. Na região sul, a orientação capitalista prevaleceu com a formação da República da Coreia do Sul. Divididos por uma linha situada no Paralelo 38º, esses dois países logo entraram em conflito, objetivando restabelecer a hegemonia dos territórios sob o comando de um único governo. 
A primeira ação nesse sentido foi tomada pelos norte-coreanos, que inspirados pela vitória da revolução comunista de Mao Tsé-tung, resolveram tentar experiência semelhante em território coreano. Logo depois da primeira ofensiva militar que deu início ao conflito, as principais nações do mundo se reuniram em torno da Organização das Nações Unidas para discutir essa questão. O bloco capitalista, aproveitando a ausência soviética, não reconheceu a legitimidade deste conflito. 
Os Estados Unidos, maiores interessados em dar fim ao conflito, enviaram um conjunto de tropas lideradas pelo general MacArthur. O propósito inicial da ofensiva norte-americana era expulsar os norte coreanos e, logo em seguida, conquistar o restante da Coreia passando pelas fronteiras do território chinês. Inconformados com as pretensões norte-americanas, os chineses resolveram participar do conflito quando, em novembro de 1950, enviou tropas de apoio aos norte-coreanos. 
A entrada dos chineses na guerra fez com que os esforços militares norte-americanos fossem intensificados. Ao longo de mais dois anos, o conflito chegou a um equilíbrio de forças que colocava em risco o interesse de ambos os lados. Dessa forma, os Estados Unidos resolveram possibilitar negociações diplomáticas que pudessem dar fim à Guerra da Coreia. Em 1953, a assinatura do Armistício de Pan-munjom encerrou os conflitos e restaurou a linha divisória no Paralelo 38º. 
Entretanto, o fim da guerra não significou o fim das tensões entre a Coreia do Norte e o bloco capitalista. Ao longo do século XX, os norte-coreanos aproveitaram das discordâncias entre União Soviética e China para estabelecer um projeto de maior autonomia política. Com a queda do bloco socialista a Coreia do Norte enfrentou graves dificuldades econômicas. Entretanto, desenvolveu políticas eficientes nas áreas de educação e saúde. 
Nas últimas décadas, a Coreia do Norte desenvolveu um projeto de tecnologia nuclear com fins militares. Esta atitude preocupa as nações capitalistas e órgãos internacionais, que insistem em obter maiores informações sobre os objetivos da ação norte-coreana. Indiferentes às pressões exercidas, as autoridades daquele país reivindicam os princípios de soberania nacional para negar os pedidos vindos, principalmente, dos EUA. Com isso, há pouco tempo, o presidente George W. Bush resolveu incluir a Coreia do Norte entre os países que integram o chamado “Eixo do Mal”.
Geopolítica: da Guerra Fria até a Nova Ordem Mundial
Uma ordem mundial diz respeito às configurações gerais das hierarquias de poder existentes entre os países do mundo. Dessa forma, as ordens mundiais modificam-se a cada oscilação em seu contexto histórico. Portanto, ao falar de uma nova ordem mundial, estamos nos referindo ao atual contexto das relações políticas e econômicas internacionais de poder. 
Durante a Guerra Fria, existiam duas nações principais que dominavam e polarizavam as relações de poder no globo: Estados Unidos e União Soviética. Essa ordem mundial era notadamente marcada pelas corridas armamentista e espacial e pelas disputas geopolíticas no que se refere ao grau de influência de cada uma no plano internacional. Este era o mundo bipolar. 
A partir do final da década de 1980 e início dos anos 1990, mais especificamente após a queda do Muro de Berlim e do esfacelamento da União Soviética, o mundo passou a conhecer apenas uma grande potência econômica e, principalmente, militar: os EUA. Analistas e cientistas políticos passaram a nomear a então ordem mundial vigente como unipolar. 
Entretanto, tal nomeação não era consenso. Alguns analistas enxergavam que tal soberania pudesse não ser tão notável assim, até porque a ordem mundial deixava de ser medida pelo poderio bélico e espacial de uma nação e passava a ser medida pelo poderio político e econômico. 
Nesse contexto, nos últimos anos, o mundo assistiu às sucessivas crescentes econômicas da União Europeia e do Japão, apesar das crises que estas frentes de poder sofreram no final dos anos 2000. De outro lado, também vêm sendo notáveis os índices de crescimento econômico que colocaram a China como a segunda maior nação do mundo em tamanho do PIB (Produto Interno Bruto). Por esse motivo, muitos cientistas políticos passaram a denominar a Nova Ordem Mundial como mundo multipolar. 
Mas é preciso lembrar que não há no mundo nenhuma nação que possua o poderio bélico e nuclear dos EUA. Esse país possui bombas e ogivas nucleares que, juntas, seriam capazes de destruir todo o planeta várias vezes. A Rússia, grande herdeira do império soviético, mesmo possuindo tecnologia nuclear e um elevado número de armamentos, vem perdendo espaço no campo bélico em virtude da falta de investimentos na manutenção de seu arsenal, em razão das dificuldades econômicas enfrentadas pelo país após a Guerra Fria. 
É por esse motivo que a maior parte dos especialistas em Geopolítica e Relações Internacionais, atualmente, nomeia a Nova Ordem Mundial como mundo unimultipolar. “Uni” no sentido militar, pois os Estados Unidos é líder incontestável. “Multi” em razão das diversas crescentes econômicas de novos polos de poder, sobretudo a União Europeia, o Japão e a China.
Mundo Multipolar
Após a queda do regime socialista, diversos países se aproximaram do mundo capitalista com a finalidade de ingressar nesse sistema e alcançar uma integração no mercado. No entanto, isso não tem sido uma tarefa fácil, em virtude da complexidade que envolve a transição de um regime para outro. Os países que se encontram nessa fase devem submeter a vários anos de adaptação para o novo regime. Isso porque as mudanças executadas englobam fatores políticos, econômicos e sociais. 
O que acontece na maioria das vezes com esses países é o surgimento de problemas que anteriormente não possuíam; dentre eles: inflação dos preços, desemprego, salários baixos, ascensão da desigualdade social, violência, criminalidade, entre diversos outros. 
Com o declínio do regime socialista em âmbito global, o capitalismo despontou hegemonicamente como sistema político-econômico mundial. No período da Guerra Fria existiam duas potências mundiais: Estados Unidos e União Soviética. Naquele momento o mundo era considerado bipolar.
Mas após tais acontecimentos históricos, o mundo passou a ter uma nova organização geopolítica, de forma que há distintos centros de poder, exercendo influência no campo político, econômico e militar, isto é, um mundo multipolar. 
Hoje, a principal potência militar, econômica e política é os Estados Unidos, essa nação superou em todos os aspectos os soviéticos após o seu declínio, e assim é responsável pela maioria das intervenções de caráter militar no globo. 
No campo econômico, o Japão atualmente ocupa a condição de segunda potência mundial. Sua ascensão financeira ocorreu a partir do término da Segunda Guerra Mundial. A aplicação de medidas direcionadas à saúde e educação resultou em crescimento acelerado de sua economia. 
A Europa é considerada também como uma potência econômica, condição que resultou do sucesso da União Européia, o principal bloco econômico do planeta, que tem como principais líderes Alemanha, França e Inglaterra.
Fim Da URSS
Após o término da Segunda Guerra Mundial, a Europa entrou em um processo de reconstrução, e não demorou muito para ingressar em um intenso desenvolvimento industrial e econômico, salvo os países do leste Europeu que nesse mesmo período enfrentou sucessivas crises de caráter financeiro. 
A crítica situação na qual a população convivia ocasionou o surgimento de inúmeros movimentos, decorrentes da imposição do sistema socialista que estava em vigor no bloco de países socialistas liderados pela União Soviética. Todas as formas de manifestações contra o governo e seu regime político era repreendido pelo uso da força, ordenados pelos líderes dos governos dos países em que tais fatos ocorriam, inclusive a União Soviética. 
Na segunda metade da década de 80, o sentimento de insatisfação por parte da população atingiu a União Soviética, com isso foi necessária a implantação de inúmeras reformas no território. 
Dentre as várias mudanças, uma delas era uma menor interferência por parte dos soviéticos no leste Europeu, desse modo os países que integravam o bloco socialista ganharam sua independência para buscar sua inserção em outras formas de governo, regime político e econômico. 
Todas as medidas de mudanças desenvolvidas no leste europeu foram executadas de forma pacífica e levou ao desmembramento do bloco socialista na Europa, proveniente das decisões dos países que integravam o bloco em questão de não dar continuidade ao regime político-econômico oriundo da União Soviética, a partir desse ato buscou estabelecer medidas e reformas com intuito de integrar suas economias internacionalmente no mundo capitalista para que as respectivas nações alcançassem um maior desenvolvimento e oferecessem uma melhor qualidade de vida às suas populações. 
Em toda fase de transição dos regimes de governos e a queda do socialismo aconteceram várias transformações e mudanças, no entanto, a mais importante delas ocorreu na segunda metade da década de 80, quando, em 1989, houve a queda do Muro de Berlim, esse fato marcou o fim da Guerra Fria e o começo da implantação de reunificação da Alemanha que no ano seguinte veio a ser executado. 
Todas as transformações ocorridas no processo de desmembramento político geraram uma modificação nas relações diplomáticas entre os líderes das nações que integravam o bloco socialista e o governo da União Soviética. Além disso, houve uma intensa dispersão de sentimentos de autonomia na região, derivando a independência de várias Repúblicas em 1991, decretando assim o fim da União Soviética e do mundo bipolar. 
A Federação Russa, devido o seu enorme arsenal militar foi designada pela comunidade internacional para ocupar o espaço da ex-União Soviética, reconhecida também pelo Conselho de Segurança Permanente da Organização das Nações Unidas. 
Apesar da fragmentação da União Soviética e a unificação da Alemanha, a configuração cartográfica e geopolítica da região não terminou, pois logo depois houve a independência da Tchecoslováquia e da Iugoslávia. Com isso, fica evidente que o leste europeu ainda tem grandes possibilidades de outras fragmentações, principalmente derivados de divergência ética-religiosa.
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