5 - Diferentes tipos de regionalização

Divisão geográfica e histórica
O espaço geográfico mundial é complexo e diverso. Ele é formado por natureza e sociedade, ambas representando diversas partes do globo. Constituído em sua maior parte por água, ele todo é permeado por relações humanas e naturais.
Lembre que o espaço geográfico é formado por elementos fixos e outros que se alteram. Existe alguma parte do planeta que não é espaço geográfico? Ao observar a imagem você consegue identificar vários continentes, não é? Mas será que eles foram sempre conhecidos pelas pessoas?
 
Divisão continental
Até o final do século XV, poucos eram os povos que conheciam as populações de outros continentes. A maioria das pessoas vivia restrita à escala do lugar. Até o evento das Grandes Navegações, ninguém conhecia o espaço geográfico planetário como conhecemos hoje.
A partir de então, com as descobertas de novas terras e mares por parte dos europeus e da mundialização capitalista que se iniciava, novos espaços foram incorporados às economias europeias. O mundo passou a ser mais conhecido, explorado e mapeado economicamente e culturalmente.
Os mapas passaram a representar áreas cada vez maiores do planeta até serem capazes de representar o globo terrestre como um todo. Surgia o planisfério.
 
Continente
Continente é uma grande extensão de terras emersas limitada pelas águas de mares e oceanos. A distinção entre continente e ilha baseia-se na extensão. Por exemplo, a Oceania é formada por uma enorme ilha; a Austrália, juntamente a outras ilhas menores, forma o menor dos continentes.
Embora bastante utilizada, a divisão em continentes apresenta algumas confusões. A Europa, por exemplo, sempre foi considerada um continente, embora esteja ligada à Ásia, como se fosse uma península.
Dessa forma, alguns autores, levando em conta apenas os aspectos físicos, preferem falar em Eurásia, e não em continente europeu ou asiático. No entanto, sob o ponto de vista étnico- -cultural, a divisão Europa/Ásia existe, pois a maior parte da população europeia difere em suas características físicas e culturais da população asiática.
Em geral, podemos dividir o mundo em seis continentes: América, Ásia, Europa, África, Oceania e Antártida.
 
Divisão histórica dos continentes
Com base no critério histórico, os continentes são classificados de acordo com os diferentes períodos de expansão e colonização europeia pelo mundo.
Será que as pessoas que viviam nesses locais também usariam essa classificação?
Leia a explicação para ela do ponto de vista europeu:
Velho Mundo – é constituído pela Europa, Ásia e África. O uso do adjetivo “velho” é explicado pelo fato dessa porção do planeta ter sido o berço da maioria das civilizações antigas e dos povos que conquistaram os demais continentes.
Novo Mundo – compreende o continente americano, por ter sido descoberto pelos europeus somente em fins do século XV, e é dividido em:
• América do Norte – composta por Canadá, Estados Unidos e México.
• América Central – constituída pela faixa de terra chamada istmo e por um conjunto de ilhas conhecido como Caribe. É composta também por mais onze territórios.
• América do Sul – composta por Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela. É composta também por mais seis territórios.
Novíssimo Mundo – recebe essa denominação por ter sido descoberto pelo navegador e explorador britânico James Cook. Constituído pela Austrália, Nova Zelândia e milhares de ilhas localizadas no Oceano Pacífico. Pode ainda ser dividido em:
• Australásia (Austrália e Nova Zelândia) – ilhas que correspondem a países independentes.
• Melanésia – pequenas ilhas localizadas ao norte, nordeste e leste da Austrália.
• Micronésia – ilhas muito pequenas, situadas ao norte e nordeste da Melanésia.
• Polinésia – ilhas muito afastadas da Austrália.
 
Oceanos
Além dos continentes, o planeta apresenta uma grande parte líquida: as grandes massas de água salgada que recobrem a superfície terrestre, conhecidas como oceanos. Para facilitar os estudos e a localização, eles são comumente divididos:
Oceano Pacífico – é o mais extenso. Nele, encontram-se as mais profundas fossas submarinas, como a Fossa das Marianas, com 11 033 metros, e algumas das áreas afetadas por terremotos, maremotos e intenso vulcanismo (Cinturão do Fogo), devido ao encontro e separação de placas tectônicas.
 
Oceano Atlântico – o segundo maior oceano do planeta, porém, o que mais banha as terras firmes. Possui uma longa cordilheira de montanhas submersas conhecida como Dorsal Meso atlântica. Sua maior profundidade é a Fossa de Porto Rico, com 8 380 metros de profundidade.
 
Oceano Índico – suas águas situam-se quase totalmente na região tropical do planeta. Banha a África, a Ásia e a Oceania. Sua fossa mais profunda é a de Java, na Indonésia, com aproximadamente 7 725 metros.
 
Oceano Glacial Ártico – localizado totalmente no Hemisfério Norte. Boa parte de sua área permanece coberta por gelo, independentemente da época do ano. Sua maior profundidade é de 5 502 metros.
 
Oceano Glacial Antártico – localiza-se no Hemisfério Sul, circundando totalmente o continente Antártico. Seus limites foram estabelecidos pelo Tratado da Antártica em 1956. Ele vai da costa do continente até 60° graus de latitude sul. Sua profundidade máxima é a Fossa Sandwich, com 7 235 metros.
 
Dividindo o espaço geográfico mundial
Você pode estar se perguntando: por que dividir o mundo em diversos blocos ou grupos? A divisão territorial não basta?
Podemos responder que não, e que é necessário dividir o espaço mundial de várias maneiras por causa da sua complexidade socioeconômica e conforme a necessidade local, nacional ou mundial, a fim de que seja entendido em sua totalidade. Por exemplo, o Brasil faz parte de três grupos diferentes, com regionalizações distintas:
• Grupo de países que usam o português como língua oficial.
• Mercado Comum do Sul (Mercosul), com outros países da América do Sul.
• BRICS, bloco formado pelo nosso país, além da Rússia, da Índia, da China e da África do Sul (a sigla vem das iniciais desses países, o S vem de South África, África do Sul em inglês).
Para compreender melhor essa divisão, é importante saber o conceito de região. Ele foi desenvolvido ainda no início do estudo da Geografia enquanto ciência, no final do século XIX. Apresentava a ideia de que uma região era um conjunto de lugares com aspectos sociais e ambientais muito parecidos. O geógrafo francês Paul Vidal de La Blache foi o grande precursor e pensador desse conceito, o qual foi utilizado desse modo durante muito tempo.
Com o passar do tempo e com as revoluções ocorridas dentro da ciência geográfica, o conceito foi se modificando, até chegar aos dias atuais, em que o termo “região” é entendido como uma área delimitada com base em vários aspectos, como:
• Regiões econômicas
• Regiões naturais
• Regiões culturais
• Regiões de influência de certa cidade
 
Primeiro, Segundo e Terceiro Mundo
Com a Revolução Russa, em 1917, o mundo passou a ter, além dos capitalistas, países socialistas de fato.
Após a Segunda Guerra Mundial (1939- 1945), os blocos de países socialistas e capitalistas passaram a viver intensos conflitos e disputas ideológicas, surgindo assim “dois mundos”: dos países capitalistas, EUA e seus aliados versus URSS com os países socialistas aliados.
Esse período ficou conhecido como Guerra Fria, pois não ocorreu de fato uma guerra entre esses “dois mundos”, mas uma guerra tecnológica e uma corrida armamentista. A intenção era decidir quem seria a nova potência econômica no cenário mundial.
Alguns países não se aliaram aos EUA nem à URSS. No ano de 1955, em Bandung (Indonésia), houve uma conferência dessas nações não aliadas, em sua grande maioria ex-colônias asiáticas e africanas, todos países pobres. Esse grupo ficou conhecido como “Terceiro Mundo”, termo que foi generalizado para todos os países pobres.
O Brasil, por exemplo, não participou da conferência de Bandung; porém, por ser pobre para os padrões econômicos do período, foi chamado de “país do Terceiro Mundo”. O critério utilizado para classificar o Primeiro Mundo e o Segundo Mundo foi o modo de produção (capitalista ou socialista).
• Primeiro Mundo: países capitalistas desenvolvidos, também chamados de “países do Norte” ou “países centrais”.
• Segundo Mundo: países socialistas, de economia planificada.
• Terceiro Mundo: países capitalistas subdesenvolvidos, atrasados social e economicamente em função de suas relações comerciais desfavoráveis com países do Primeiro Mundo. Normalmente exportavam seus produtos (em geral matérias-primas) a baixo custo e importavam produtos industrializados e tecnologia a um custo elevado, agravando um quadro de pronunciada desigualdade social.
O socialismo, que surgiu como uma alternativa ao capitalismo, acabou fracassando nas mãos de governos ruins. Dentre os principais problemas destacam-se: contradições internas, incapacidade de produção e de competitividade, além de governos autoritários.
Com a queda do Muro de Berlim em 1989, chegou ao fim o período da Guerra Fria. Em 1991, ocorreu a desintegração da União Soviética (URSS), iniciado pela independência de suas repúblicas. Assim, a Europa se redesenhou, países foram se desmembrando e novas fronteiras foram surgindo.
 
Países Desenvolvidos
  • Dominação econômica;
  • Apresentam estrutura industrial completa, produzem todos os tipos de bens;
  • Agropecuária moderna e intensiva, emprego de máquinas e mão-de-obra especializada.
  • Desenvolvimento científico e tecnológico elevado;
  • Modernos e eficientes meios de transporte e comunicação;
  • População urbana é maior que a população rural, são urbanizados. Exemplo: Inglaterra, EUA, Alemanha, etc.
  • População Ativa empregada, em principalmente, nos setores secundário e terciário. Exemplo: Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha;
  • Pequeno número de analfabetos;
  • Elevado nível de vida da população;
  • Boas condições de alimentação, habitação e saneamento básico;
  • Reduzido crescimento populacional;
  • Baixa taxa de natalidade e mortalidade infantil;
  • Elevada expectativa de vida.
As sociedades desses países são altamente consumistas isto é percebido sobretudo devido ao poder aquisitivo elevado da sociedade e a grande quantidade produtos com tecnologia avançada, que são lançados no mercado a cada ano. Se todas as nações do mundo passassem a consumir supérfluos com a mesma intensidade das nações desenvolvidas o mundo entraria em colapso, pois, não haveria matéria prima suficiente para abastecer a todos os mercados.
A luta por melhores condições de vida da população é visível, principalmente no que diz respeito a uma melhor distribuição de renda, não existindo grandes disparidades entre uma classe social e outra. Para que isso fosse possível foi necessário a participação direta da sociedade, exigindo dos seus governantes uma postura voltada para os interesses da população.
Os governos passaram a cobrar mais impostos das classes sociais mais favorecidas em prol da sociedade. Os impostos cobrados são direcionados à construção de escolas, habitações, estradas, hospitais, programas de saúde, aposentadorias mais justas, etc., isto foi possível graças ao engajamento consciente de todos os cidadãos na formação do Estado Democrático.
A democracia existe de fato nas nações desenvolvidas, e consiste num Estado de direito que resulta de reivindicações permanentes por parte dos cidadãos. A democracia é um processo contínuo de invenção e reivindicações de novos direitos.
 
Países subdesenvolvidos
Os países subdesenvolvidos são caracterizados por possuírem significativos problemas sociais e expressiva desigualdade social, além de limitada capacidade de autonomia e desenvolvimento tecnológico e estrutural.
O termo subdesenvolvimento surgiu à partir da Segunda Guerra Mundial e foi amplamente utilizado para designar nações que necessitavam evoluir nos aspectos econômicos, sociais e produtivos. No entanto esta classificação, embora muito utilizada, possui alguns problemas:
Países apresentam níveis distintos de desenvolvimento mesmo quando classificados dentro do grupo dos países subdesenvolvidos, há nações com gravíssimas questões sociais, e outros apresentam índices melhores.
A ilusória ideia de que o os países vão evoluindo e transpondo níveis, até alcançar a condição de desenvolvidos, o que não corresponde à realidade.
Entendendo o desenvolvimento como objetivo, várias nações priorizam aos aspectos econômicos, relegando a segundo plano as questões sociais.
O Brasil, por exemplo está entre os maiores números do PIB mundial e ao mesmo tempo tem indicadores sociais preocupantes.
 
Quais são os países subdesenvolvidos?
Ainda que não haja um consenso quanto à classificação dos países em desenvolvidos e subdesenvolvidos, em geral, categoriza-se as seguintes regiões do globo como reduto dos países subdesenvolvidos:
  • Países da América Latina
  • Países do Continente Africano
  • Países do Continente Asiático – exceto Japão, Coreia do Sul e Rússia
Alguns autores incluem nações do leste europeu, que pertenciam ao bloco socialista no período da Guerra fria e excluem nações asiáticas como a China, Tailândia, ou Emirados Árabes Unidos do grupo dos subdesenvolvidos.
 
Características dos países subdesenvolvidos
Embora devamos considerar a diversidade de níveis de desenvolvimento dos países e suas especificidades, a seguir, listamos algumas características comuns à maior parte dos países considerados subdesenvolvidos.
  • Foram explorados durante o período colonial.
  • Grande dependência econômica e cultural em relação aos países desenvolvidos;
  • A economia baseia-se em atividades primárias, como agricultura e pecuária.
  • Têm relações comerciais desfavoráveis: importam produtos tecnológicos e exportam produtos primários.
  • Muitos trabalhadores alocados no mercado informal e em subempregos.
  • Centros urbanos com crescimento acelerado e infraestrutura deficiente.
  • Desigualdade social significativa. Grande distância entre ricos e pobres.
  • Elevadas taxas de natalidade, mortalidade infantil e baixa expectativa de vida.
  • Baixos níveis de escolarização, formação profissional e qualificação.
  • Baixa renda per capita e má distribuição de renda.
  • Baixo nível de industrialização, exceto países, como: os Tigres Asiáticos, Brasil e México.
  • Estrutura de transportes e comunicação deficitária.
  • A agricultura com baixa produtividade e pouco mecanizada.
 
Os países emergentes
São aqueles classificados como subdesenvolvidos e que, no entanto, apresentam um relativo desenvolvimento econômico e social em comparação com as nações mais pobres do planeta. São países que possuem níveis médios ou até um pouco elevados de Desenvolvimento Humano, bem como um certo nível de industrialização e crescimento econômico, embora seja praticamente impossível generalizar dados e informações semelhantes para todos os países inseridos nessa classificação.
É importante ressaltar que os países emergentes não formam um grupo “acima” dos países subdesenvolvidos, haja vista que suas sociedades não se encontram livres dos problemas relativos ao subdesenvolvimento. Trata-se, na verdade, de uma espécie de “subgrupo” dentro das generalidades dessas economias mais frágeis no contexto mundial. Assim, se dizemos que o Brasil é um país emergente, por exemplo, não se exclui o fato de ele ser também um país subdesenvolvido.
Em linhas gerais, os países emergentes apresentam economias de industrialização recente, que se desenvolveram na segunda metade do século XX e no início do século XXI. É válido ressaltar que a maior parte desses processos de industrialização ocorreu pela massiva entrada de indústrias estrangeiras, advindas quase sempre de países desenvolvidos em busca de mão de obra barata e outras vantagens locacionais.
Nesse contexto, excetuam-se os países que viveram períodos socialistas ou, mais precisamente, de economia planificada, tais como a Rússia e a China, embora a abertura posterior de suas economias tenha permitido a ampla entrada também de empresas estrangeiras. No caso da China, essas empresas, via de regra, devem-se sempre se associar em Joint Venture a uma empresa local e instalarem-se nas áreas denominadas por Zonas Econômicas Especiais (ZEEs). Já a Rússia – enquanto União Soviética – priorizou uma industrialização focada nas indústrias de base e de bens de capital, concentrando os esforços no desenvolvimento de siderúrgicas, metalúrgicas, indústrias químicas, têxteis, entre outras. Veja a seguir outros países emergentes, por continente, que são bastante industrializados:
  • América Latina: Brasil, Argentina e México;
  • Ásia: Tigres Asiáticos (Coreia do Sul, Taiwan, Hong Kong e Cingapura), os Novos Tigres (Tailândia e Indonésia) e também a Índia; - África: África do Sul.
É claro que existem outros países emergentes e subdesenvolvidos industrializados, mas essa industrialização ainda é pouco avançada em comparação com as economias acima enumeradas. Todas elas apresentam uma escala produtiva relativamente diversificada, além de altas taxas de urbanização e, mais recentemente, uma progressiva terceirização de suas economias.
Além desses países, vale ressaltar como também integrantes do grupo de países emergentes algumas outras nações, tais como a Turquia, a Sérvia, a Croácia, o Uruguai, a Venezuela, a Nigéria, entre outros. Trata-se de uma divisão que, em muitos momentos, não se apresenta de forma clara, havendo, nesse sentido, muitas discordâncias sobre quais territórios podem ou não ser considerados emergentes.
A fim de melhor categorizar os principais países que se apresentam em desenvolvimento, foram criadas algumas classificações. Em 2001, o economista Jim O'Neill criou a expressão “BRIC” – que em inglês significa “tijolo” – para referir-se às quatro grandes economias que, à época, apresentavam grandes perspectivas de crescimento: Brasil, Rússia, Índia e China.
Esses países aproveitaram o termo e articularam-se em torno desse nome por meio de um mecanismo informal e não regulamentado de cooperação, o qual incluiu a África do Sul mais tarde. Essas economias, ao final, superaram em muitos aspectos as expectativas de O'Neill, mas vêm sofrendo com limitações econômicas nos últimos anos.
Outro termo bastante utilizado é o “MIST”, sigla para as iniciais de México, Indonésia, Coreia do Sul e Turquia. Em alguns momentos, vários economistas chegaram a colocar que esses países superariam o BRICs no desenvolvimento econômico e até social, mas eles acabaram sofrendo graves impactos durante a recente crise econômica financeira.
De toda forma, além do desenvolvimento econômico e industrial, os países emergentes possuem muitos desafios a enfrentar, principalmente no que se refere ao desenvolvimento humano e social. É preciso, pois, diminuir ainda mais a concentração de renda, que permanece acentuada nesses países, além de promover melhores condições de vida no espaço das cidades e democratizar a oferta e posse de terra no campo.
 
A Divisão do Mundo entre Norte e Sul 
Durante a ordem geopolítica bipolar, o mundo era rotineiramente dividido entre leste e oeste. O Oeste era a representação do Capitalismo liderado pelos EUA, enquanto o Leste demarcava o mundo Socialista representado pela URSS. Essa divisão não era necessariamente fiel aos critérios cartográficos, pois no Oeste havia nações socialistas (a exemplo de Cuba) e no leste havia nações capitalistas. Contudo, esse modelo ruiu. Atualmente, o mundo é dividido entre Norte e Sul, de modo que no Norte encontram-se as nações desenvolvidas e, ao sul, encontram-se as nações subdesenvolvidas ou emergentes. Tal divisão também segue os ditames da Nova Ordem Mundial, em considerar preferencialmente os critérios econômicos em detrimento do poderio bélico. Observa-se que também nessa nova divisão do mundo não há uma total fidelidade aos critérios cartográficos, uma vez que alguns poucos países localizados ao sul pertencem ao “Norte” (como a Austrália) e alguns países do norte pertencem ao “Sul” (como a China).
 
Classificação econômica dos países
Esta classificação é feita através de índices econômicos que cada um dos países apresenta e leva em consideração seu Produto interno Bruto (PIB), PIB per capita, Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), Índice de Analfabetismo, Estrutura Industrial e etc.
De acordo com os índices apresentados os países são classificados em três grandes grupos, São eles: Países Desenvolvidos, Países Emergentes ou Em Desenvolvimento e Países subdesenvolvidos.
Produto Interno Bruto
O PIB (Produto Interno Bruto) é caracterizado pelo total de valores contabilizados a partir dos bens e serviços produzidos por regiões, sendo Cidade, Estado ou País, em certo período, que pode ser anual, mensal ou trimestral. É um indicador bastante difundido e aplicado nas análises socioeconômicas com o fim de mensurar o nível de desenvolvimento e economia de determinadas localidades. Os bens de consumo não são incluídos na margem de contagem.
O PIB possui duas vertentes, conhecidas como Nominal e Real. O PIB Nominal é relacionado ao valor dos preços atuais, o Real é calculado sobre o valor constante, ou seja, de acordo com o ano-base escolhido para análise. Para se calcular estes dois indicativos, é utilizado o deflator do PIB, cuja estatística é mensurada pela divisão do PIB Nominal com o Real e multiplicado pelo valor de Cem. O deflator do PIB irá analisar quais mudanças foram significativas para a alteração do fator somado e serve como base para monitorar o nível básico dos preços. Este indicador também é usado como base para o cálculo da Taxa de Inflação.
Além do PIB existe o PIL (Produto Interno Líquido), que é a base de referência para se calcular o valor da depreciação do capital. A diferença destes dois indicadores é justamente o índice Depreciação. Também se difere do indicador PNB (Produto Interno Bruto), o qual utiliza como base de análise a renda líquida enviada ao exterior (RLEE), pois o resultado do PNB é gerado pela soma do valor do PIB contabilizados com os valores de entrada e saída de capital.
Por ser uma medida com base no fluxo de produção não considera o estoque de capital (denominado Economia), tampouco o capital social, natural e humano. O índice de PIB Per Capita é mensurado com base em estatísticas de desenvolvimento humano, como os cidadãos que se beneficiaram do desenvolvimento e crescimento do país, e tiveram um incremento em suas rendas (porém não em renda mensal). Com o intuito de esclarecer a linha de medição do PIB, não leva em consideração a Distribuição de Riqueza, trata a Qualidade de Bens e Serviços como aditivos cujos registros são registrados da mesma forma. Exclui as transações que não sejam com base na economia do mercado, como serviços voluntários e serviços da internet.
O indicador de Renda Per Capita se baseia nos índices de despesa, renda e produtos, os quais somados atingem um montante absoluto, sendo dividido pelo número da população do país.  O termo per capita foi o primeiro a ser utilizado para quantificar e analisar a qualidade de vida de determinado país, portanto uma região pode obter um elevado PIB, por ser populoso, no entanto isso não significa que seu PIB Per Capita seja alto, pois a soma da renda deve ser dividida pelo número de pessoas. Países com índices baixos são China e Índia, já Dinamarca, Noruega e Suiça apresentam PIB moderado, o que garante uma excelente qualidade de vida a seus poucos habitantes.
 
O que é o Produto Interno Bruto?
O PIB é um indicador para medir a atividade econômica do país. Quando há queda de dois trimestres consecutivos no PIB, a economia está em recessão técnica. Os economistas costumam dizer que o PIB é um bom indicador de crescimento, mas não de desenvolvimento, que deveria incluir outros dados como distribuição de renda, investimento em educação, entre outros aspectos.
 
Como o PIB é calculado?
O PIB pode ser calculado de duas maneiras. Uma delas é pela soma das riquezas produzidas dentro do país, incluindo nesse cálculo empresas nacionais e estrangeiras localizadas em território nacional. Nesse cálculo entram os resultados da indústria (que respondem por 30% do total), serviços (65%) e agropecuária (5%). Entra no cálculo apenas o produto final vendido, por exemplo, um carro e não o aço e ferro da produção. Evita-se, assim, a contagem dupla de certas produções.
Outra maneira de medir o PIB é pela ótica da demanda, ou seja, de quem compra essas riquezas. Nesse caso, são considerados o consumo das famílias (60%), o consumo do governo (20%), os investimentos do governo e de empresas privadas (18%) e a soma das exportações e das importações (2%).
Esses dois cálculos devem sempre chegar ao mesmo resultado.
 
Quem calcula o PIB?
No Brasil, o cálculo do PIB é feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), instituição federal subordinada ao Ministério do Planejamento, desde 1990. Antes disso, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) era responsável pela medição.
 
O que é a Formação Bruta de Capital Fixo divulgada junto com o PIB?
Pela ótica da demanda, A FBCF é justamente a conta de investimentos do PIB. A FBCF mede o quanto as empresas aumentaram os bens de capital - aqueles que que servem para produzir outros bens, como máquinas, equipamentos e construção civil.
 
Qual a diferença entre PIB nominal e PIB real?
O PIB nominal é calculado a preços correntes, ou seja, considera os valores do ano em que o produto for produzido e comercializado. Já o PIB real exclui os efeitos da inflação.
 
O que é o PIB per capita?
Este indicador é calculado a partir da divisão do PIB pelo número de habitantes da região. Ele indica quanto cada habitante produzido em determinado período.
 
Qual a diferença para o Produto Nacional Bruto?
No PNB entra toda a produção nacional, em território do Brasil ou não. Assim, empresas brasileiras que tenham fábricas no exterior também se somam a este indicador. Em geral, países desenvolvidos possuem PNB maior do que o PIB, mostrando assim que a soma da produção nacional é mais forte do que a soma da riqueza produzida em território nacional, que inclui as empresas estrangeiras localizadas ali.
 
Quem criou o conceito do PIB?
O primeiro cálculo de produção nacional foi publicado em 1953 nas Nações Unidas, baseado em um documento do economista Richard Stone. O título era 1ª Versão do Manual de Contas Nacionais. Stone foi eleito em 1984 o Prêmio Nobel de Economia.
 
Desenvolvimento Humano e IDH 
O conceito de desenvolvimento humano nasceu definido como um processo de ampliação das escolhas das pessoas para que elas tenham capacidades e oportunidades para serem aquilo que desejam ser. 
Diferentemente da perspectiva do crescimento econômico, que vê o bem-estar de uma sociedade apenas pelos recursos ou pela renda que ela pode gerar, a abordagem de desenvolvimento humano procura olhar diretamente para as pessoas, suas oportunidades e capacidades. A renda é importante, mas como um dos meios do desenvolvimento e não como seu fim. É uma mudança de perspectiva: com o desenvolvimento humano, o foco é transferido do crescimento econômico, ou da renda, para o ser humano.  
 
O que é IDH? 
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é uma medida resumida do progresso a longo prazo em três dimensões básicas do desenvolvimento humano: renda, educação e saúde. O objetivo da criação do IDH foi o de oferecer um contraponto a outro indicador muito utilizado, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita, que considera apenas a dimensão econômica do desenvolvimento. Criado por Mahbub ul Haq com a colaboração do economista indiano Amartya Sen, ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 1998, o IDH pretende ser uma medida geral e sintética que, apesar de ampliar a perspectiva sobre o desenvolvimento humano, não abrange nem esgota todos os aspectos de desenvolvimento.  
Este índice é calculado com base em dados econômicos e sociais. O IDH vai de 0 (nenhum desenvolvimento humano) a 1 (desenvolvimento humano total). Quanto mais próximo de 1, mais desenvolvido é o país. Este índice também é usado para apurar o desenvolvimento de cidades, estados e regiões. 
No cálculo do IDH são computados os seguintes fatores: educação (anos médios de estudos), longevidade (expectativa de vida da população) e Produto Interno Bruto per capita. 
 
O que é RDH? 
O Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) é reconhecido pelas Nações Unidas como um exercício intelectual independente e uma importante ferramenta para aumentar a conscientização sobre o desenvolvimento humano em todo o mundo. Com sua riqueza de dados e abordagem inovadora para medir o desenvolvimento, o RDH tem um grande impacto nas reflexões sobre o tema no mundo todo. 
Os RDHs incluem o Índice de Desenvolvimento Humano e apresentam dados e análises relevantes à agenda global e abordam questões e políticas públicas que colocam as pessoas no centro das estratégias de enfrentamento aos desafios do desenvolvimento. O PNUD publica anualmente um RDH Global, com temas transversais e de interesse internacional, bem como o cálculo do IDH de grande parte dos países do mundo. Além dele, são publicados periodicamente centenas de RDHs nacionais, incluindo os do Brasil. Até hoje, o PNUD Brasil já publicou três Relatórios e dois Atlas de Desenvolvimento Humano nacionais. 
 
Classificação de acordo com o IDH (leva em consideração a classificação, ranking): 
  1. 25% de menor IDH - desenvolvimento humano baixo (geralmente países pobres).  
  2. 25% acima dos de menor IDH - desenvolvimento humano médio (geralmente países em processo de desenvolvimento).  
  3. 25% abaixo dos países de melhor IDH - desenvolvimento humano alto (geralmente países em rápido processo de crescimento econômico - emergentes).   
  4. 25% de melhor IDH - desenvolvimento humano muito alto (geralmente países ricos e bem desenvolvidos).  
De acordo com dados para 2015 (Pnud de 2016), o IDH do Brasil é 0,754 (79º entre 188 países). Embora apresente deficiências no sistema educacional, o IDH do Brasil é considerado de alto desenvolvimento humano, pois o país vem apresentando bons resultados econômicos e sociais. A expectativa de vida em nosso país também tem aumentado, colaborando para a melhoria do índice nos últimos anos. 
 
PNUD
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) é a agência líder da rede global de desenvolvimento da ONU e trabalha principalmente pelo combate à pobreza e pelo Desenvolvimento Humano. O PNUD está presente em 166 países do mundo, colaborando com governos, a iniciativa privada e com a sociedade civil para ajudar as pessoas a construírem uma vida mais digna.
Em todas as suas atividades, o PNUD encoraja a proteção dos direitos humanos e a igualdade de gênero e raça. Desde 2000, o programa fomenta também o comprometimento e a discussão em prol do alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio.
Presente no Brasil desde a década de 60, a atuação do PNUD no país tem tido como temas centrais o desenvolvimento de capacidades, ciência e tecnologia, a modernização do Estado e o fortalecimento de suas instituições, o combate à pobreza e à exclusão social, a conservação ambiental e uso sustentável de recursos naturais.
Através do desenvolvimento e implementação de projetos de cooperação técnica em parcerias com instituições nacionais, o PNUD Brasil visa apoiar: implementação de políticas para fortalecer setores críticos para o desenvolvimento humano; promoção dos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio; desenvolvimento de capacidades institucionais nos governos federal, estaduais e municipais; e fortalecimento do papel da sociedade civil e do setor privado na busca do desenvolvimento humano e sustentável.
Neste sentido, estas parcerias têm se desenvolvido em diversas áreas temáticas, como políticas sociais, governança democrática, segurança pública, e meio ambiente buscando responder aos desafios específicos do Brasil e às demandas do país dentro de uma visão integrada de desenvolvimento. Para além da atuação dentro do país, o PNUD Brasil tem colaborado na implementação da cooperação horizontal (Sul-Sul) do governo brasileiro.
No campo de políticas sociais, o PNUD vem trabalhando com as áreas de saúde, educação, es- portes, cultura, turismo e desenvolvimento social. Os projetos incluem temáticas e ações como: desenvolvimento de capacidades; aplicação e desenvolvimento de metodologias; sistemas de informação, de monitoramento e avaliação; formação e treinamento; desenvolvimento curricular; inovações pedagógicas e metodológicas; revisões de normas e regulamentos; construção de mecanismos de controle social e metodologias de construção de consenso; tecnologia e informação em saúde; epidemiologia; vigilância sanitária; políticas preventivas; humanização da gestão da saúde; saúde suplementar; combate ao HIV/AIDS; estudos e pesquisas; transferências de renda; desenvolvimento humano local; justiça econômica e mercados inclusivos.
Na área de Governança Democrática o PNUD Brasil apoia políticas e a administração pública na sua instrumentalização para uma gestão modernizada, eficaz, transparente e participativa com mecanismos de promoção e exigibilidade dos direitos humanos. Os projetos focam nos processos de modernização do Estado, através do fortalecimento de capacidades, da estruturação de instituições, do desenvolvimento de metodologias e sistemas de monitoramento e gestão.
Na área de Segurança Pública e Justiça a cooperação técnica oferecida pelo PNUD no país segue o conceito de Segurança Cidadã, que envolve a adoção de um enfoque integral no tratamento da segurança pública, de implementação de atividades multissetoriais para a prevenção e controle da criminalidade e da violência.
Esta estratégia inclui a articulação de todas as instâncias do sistema de justiça: as forças policiais, instituições judiciais e sistema prisional. Incorpora ações em diversas áreas temáticas relacionadas aos fatores de risco da violência e ambientes onde a violência pode ser gerada, além de agregar múltiplos atores para o trabalho conjunto. As áreas de foco do trabalho são na elaboração de metodologias e iniciativas para a prevenção e controle da violência; promoção do acesso à justiça; fortalecimento institucional e apoio à reformulação da política nacional de segurança pública, reforma judicial e reforço do sistema prisional.
A área de meio ambiente do PNUD foca em garantir a gestão eficaz e equitativa da biodiversidade e dos ecossistemas; garantir acesso a água potável e a serviços de saneamento; reduzir e mitigar a variabilidade climática; e os desastres naturais. Os projetos têm trabalhado com: a erradicação da pobreza e a melhoria de qualidade de vida; a agregação de valor e disseminação de produtos da biodiversidade e agricultura familiar; o empoderamento das populações e povos tradicionais no manejo sustentável da biodiversidade; a conservação, monitoramento e zoneamento de recursos naturais; o fortalecimento de instituições governamentais e da sociedade civil; a capacitação e disseminação de melhores práticas; e a mediação de conflitos por recursos naturais.
O escritório do PNUD no Brasil apoia também as ações de cooperação horizontal (Sul-Sul) do Governo brasileiro, com foco na construção de um marco programático e operacional para ampliação e fortalecimento das ações da Agência Brasileira de Cooperação (ABC); dá-se atenção especial ao desenvolvimento e necessidades dos países parceiros.
Nesse contexto, as principais ações são: o apoio à rede de cooperação; o desenvolvimento e aplicação para fortalecimento programático; o desenvolvimento de um Banco de Produtos para cooperação horizontal; o fortalecimento da rede de atores; e estratégias de comunicação para disseminar e fortalecer a troca de experiências no âmbito da Cooperação Sul-Sul. São mais de 50 países parceiros na África, Ásia, Europa e América Latina e Caribe.
 
Mudanças no Pnud 2011 
Em 2010 foram analisados 169 países. Já em 2011 e 2012, o número de países e territórios analisados foi de 187. Esta mudança dificulta a comparação de ranking entre os dados dos relatórios de 2010 e anos seguintes.
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