6 - América Anglo-Saxônica: Aspectos físicos, econômicos e populacionais

A América Anglo-Saxônica é formada por um conjunto de países situados na América do Norte que possui laços linguísticos, históricos, culturais e étnicos com o Reino Unido devido à forte colonização britânica.
A América Anglo-Saxônica localiza-se no Hemisfério Norte, limitando-se ao norte com o Oceano Glacial Ártico; ao sul com o Golfo do México, fazendo fronteira com esse país; ao leste com o Oceano Atlântico; e ao oeste com o Oceano Pacífico.
Como você pôde observar, os Estados Unidos e o Canadá (menos a região de Quebec, que teve colonização francesa e por esse motivo poderia até não ser considerada parte da América Anglo-Saxônica, porém, convencionalmente é agrupada com o restante da região) são os países que detém a maior extensão territorial do continente americano.
Os Estados Unidos possuem dois estados não contíguos ao seu território, o Alasca e o Havaí. Este último é um arquipélago de ilhas vulcânicas no Oceano Pacífico, anexado em 1898, e que se tornou 50.° e último estado em 1959.
É importante ressaltar que os Estados Unidos possuem territórios fora de seu bloco continental. É o caso, por exemplo, das seguintes possessões: Ilhas Virgens Americanas, Samoa Americana, Guam, Ilhas Midway, Atol Johnston, Ilhas Wake, Ilhas Howland, Jarvis e Baker (na Polinésia Central), Ilhas Palmira e Kingman (no Arquipélago Line).
Ainda têm ligação com esse país, na qualidade de territórios autônomos associados, as Ilhas Marianas do Norte e Porto Rico.
O Alasca, atualmente o maior estado e um dos menos povoados, foi comprado da Rússia, em 1867, por 7,2 milhões de dólares e provocou, na época, críticas da população que o apelidou de “Caixa de Gelo de Seward”, em referência ao senador William Seward que defendeu a compra. Ocupa a extremidade noroeste da América do Norte e compreende a porção continental, várias ilhas e arquipélagos, como as Aleutas, o arquipélago Alexander e a Ilha de São Lourenço
Aspectos gerais
Os países da América Anglo-Saxônica, Canadá e Estados Unidos, destacam-se pelo alto grau de desenvolvimento de suas economias. Isso está ligado à forma diferenciada com a qual eles foram colonizados, uma vez que os povos que ocuparam esses territórios almejavam a colônia de povoamento, cujo objetivo era a fixação definitiva no território e não apenas a apropriação de suas riquezas para a metrópole, como aconteceu nos demais países do continente americano.
A maior parte do território foi colonizada por ingleses com parcela significativa de franceses. Nesses dois países, vivem cerca de 38% de toda a população do continente.
Analise o quadro a seguir que apresenta alguns dados sobre Canadá e os Estados Unidos. Nessa região desenvolvem-se uma das mais avançadas agricultura e pecuária do mundo. Os elevados rendimentos são consequência do alto grau de tecnologia empregada.
O setor de serviços está vinculado ao grau de progresso. Por isso, as atividades relacionadas ao comércio e aos bancos ocupam 70% da sociedade anglo-saxônica: é a chamada sociedade pós-industrial.
A rede de comunicações por rodovias e estradas de ferro é muito extensa e bastante estruturada. Os Estados Unidos tornaram-se, por razões variadas, mas sobretudo históricas e sociológicas, o ponto alto da sociedade moderna.
A convergência entre os impulsos ideológicos e os recursos físicos e humanos determinou um ritmo de desenvolvimento que tornou a antiga colônia britânica uma potência mundial, símbolo do grande avanço tecnológico pelo qual o mundo tem passado recentemente.
Geologia e relevo
A América Anglo-Saxônica apresenta áreas geológicas diversificadas que vão desde formações muito antigas até bastante recentes.
Na porção atlântica estão os Montes Apalaches, constituídos de formações bastante antigas (Pré-Cambrianas), desgastadas pelo processo de erosão. No lado oeste estão os dobramentos modernos, formações recentes representadas pela Cordilheira do Alasca, Cadeia da Costa e pelas Montanhas Rochosas.
A região central é formada por terrenos cobertos por sedimentos que recobrem as terras baixas interiores denominadas de planícies centrais. Essa formação é do período Pré-Cambriano, porém os sedimentos são recentes.
Quanto ao relevo da América Anglo-Saxônica podemos identificar três partes ou porções:
  • Porção oeste ou ocidental: junto ao Oceano Pacífico, com grandes cadeias montanhosas, apresenta planaltos com altitudes variadas e estreitas faixas litorâneas, onde se situam cidades importantes como Los Angeles e São Francisco, nos Estados Unidos.
Nessa porção estão as Montanhas Rochosas, cadeias da Era Cenozoica que apresentam atividades vulcânicas e sísmicas, que vão desde o Alasca até o México.
Entre a borda ocidental das Montanhas Rochosas e a Costa do Pacífico, estão situadas cadeias costeiras como a Cadeia da Costa que, com a Serra Nevada, formam vários vales, destacando-se o Vale Central na Califórnia. Em função das elevadas altitudes, a Serra Nevada dificulta a passagem de massas de ar úmido, vindas do Oceano Pacífico para o interior do continente, provocando, assim, o aparecimento de áreas desérticas, como o Deserto do Arizona e de Mojave.
Os planaltos de Colúmbia, da Grande Bacia e o famoso planalto do Colorado situam-se logo após a Serra Nevada, sendo que o último é cortado pelo Rio Colorado. Esse rio aprofundou de forma fantástica o vale, conhecido como Grand Canyon – um dos mais belos espetáculos oferecidos ao homem pela natureza.
  • Porção central ou interior: formada por terras de altitudes baixas e vastas planícies, é muito utilizada para atividades agrícolas mais ao sul, com o cultivo de trigo, milho, aveia, centeio e algodão.
Essas planícies recebem os nomes de Planície Canadense, Planície dos Grandes Lagos e Planície do Mississipi, sendo que esta apresenta solos bastante férteis.
  • Porção leste ou oriental: junto ao Oceano Atlântico, existem terras de baixas altitudes, interrompidas principalmente pelos Montes Apalaches, uma cordilheira que se estende da Terra Nova e Labrador, no Canadá, ao estado do Alabama, no sudeste dos Estados Unidos.
A altitude média desta cordilheira é de aproximadamente 900 m, pois faz parte de dobramentos antigos, do período Paleozoico. O ponto culminante é o Monte Mitchell, localizado no estado da Carolina do Norte, com 2 037 m de altitude, o ponto mais elevado do leste da América Anglo-Saxônica.
No Brasil, a Serra do Mar é muito semelhante aos Montes Apalaches, pois ambos têm formações antigas, já desgastadas pelo tempo.
Hidrografia
A hidrografia da América Anglo-Saxônica é muito rica em lagos e rios que transportam grandes volumes de água. Quanto aos aspectos lacustres (relativos a lagos), podemos destacar os Grandes Lagos: Lago Superior, Michigan, Huron, Ontário e o Erie.
Entre os Lagos Ontário e Erie existe o curso do Rio Niágara formando as famosas cataratas de mesmo nome.
Os Grandes Lagos compõem uma área equivalente ao Reino Unido e uma das maiores extensões de água não congelada da Terra. A região é densamente povoada, bem como os litorais do Atlântico e do Pacífico dos Estados Unidos, contrastando com as áreas pouco habitadas do norte da região. A maioria da população da América Anglo-Saxônica vive em áreas urbanas de grandes cidades como Nova York e Toronto.
Entre as bacias hidrográficas existentes na América Anglo-Saxônica destacamos a do Rio São Lourenço, Mississipi-Missouri, Colúmbia e Colorado.
As bacias do São Lourenço e do Mississipi-Missouri atravessam áreas de planície e, por isso, são muito utilizadas para a navegação. As do Colorado e do Colúmbia estão relacionadas a áreas planálticas e são utilizadas para gerar energia.
O Rio Mississipi nasce nas Montanhas Rochosas e segue irrigando terras férteis com suas cheias periódicas. Além de ser o mais extenso, foi importante para o desenvolvimento da região no século XIX, quando barcos a vapor percorriam suas águas e favoreciam o comércio. Atualmente, em seu curso há inúmeros e movimentados portos fluviais. Os rios da América Anglo-Saxônica são amplamente aproveitados, por exemplo, os de planície servem para o transporte de mercadorias, interligando, assim, várias regiões, e os de planalto são utilizados na produção de energia elétrica.
Clima da América Anglo-Saxônica
Os tipos climáticos da América Anglo-Saxônica são definidos por alguns fatores principais: posição geográfica (latitude), disposição do relevo e correntes marítimas.
• Clima polar: em razão das elevadas latitudes, as temperaturas são baixas. Caracterizado pela presença de gelo e neve durante o ano.
• Clima frio: as temperaturas são negativas no inverno e próximas a zero. O curto verão apresenta temperaturas em torno de 10°C.
• Clima temperado: continental – apresenta verão e inverno rigorosos; oceânico – a proximidade do oceano diminui o rigor do inverno e torna o verão mais ameno.
• Clima frio de montanha: conforme aumenta a altitude a temperatura vai diminuindo.
• Clima desértico: grande amplitude térmica diária, escassez de chuvas. • Clima semiárido: as temperaturas são elevadas durante o ano, com escassez de chuvas.
• Clima subtropical: apresenta as quatro estações do ano mais bem definidas.
• Clima mediterrâneo: inverno moderado e chuvoso, verão muito quente e seco.
O Canadá e os Estados Unidos localizam-se nas zonas de médias latitudes, entre o Trópico de Câncer e o Círculo Polar Ártico ou entre 23° e 66° de latitude norte, portanto, as temperaturas são bem definidas em relação às quatro estações do ano. O Canadá possui terras em altas latitudes, ou seja, ao norte do Círculo Polar Ártico, onde as temperaturas são extremamente baixas.
A disposição de relevo influencia na ocorrência de climas semiáridos nos planaltos interiores à oeste, pois as massas de ar carregadas de umidade, ao se chocarem com essas formações, acabam perdendo grande parte da umidade. A massa de ar, já desprovida de umidade, continua a trajetória, ocasionando secas nos trechos pelos quais percorre.
As correntes marítimas que atuam na região podem diminuir as temperaturas (como a Corrente do Labrador), ocasionar chuvas (Corrente do Golfo) e, em alguns casos, provocar secas.
• Corrente do Labrador (fria) chega ao Oceano Atlântico, vinda do Ártico e provoca queda de temperatura na porção leste do Canadá e nordeste dos Estados Unidos.
• Corrente do Golfo ou Gulf Stream (quente) ocasiona temperaturas mais elevadas na Flórida e no sudeste dos Estados Unidos, mesmo durante o inverno
• Corrente da Califórnia (fria), resfria o ar atmosférico que circula sobre sua trajetória pelo Oceano Pacífico e, em consequência disso, as massas de ar quente e úmido têm o vapor d’água condensado, ocasionando chuva no litoral e seca no interior do país.
No estudo do clima de uma região não podemos esquecer que a distribuição da população pelo território, a agricultura e as formações vegetais originais estão diretamente relacionadas a ele. Por isso há baixa densidade demográfica nas áreas do norte do Canadá, onde o clima é polar.
A vegetação da América Anglo-Saxônica
A vegetação original da América Anglo-Saxônica está bastante alterada pela ação humana. O grande crescimento das áreas urbanas e as atividades agropecuárias, além do extrativismo vegetal e mineral, provocaram grandes mudanças nesse meio. A diversidade climática origina grandes variedades de paisagens vegetais.
  • Tundra – durante o curto verão aparece uma vegetação rasteira formada por musgos e liquens.
  • Floresta boreal ou de coníferas – formada basicamente por coníferas, como os pinheiros, capazes de suportar baixas temperaturas e a presença de neve.
  • Floresta temperada – bastante devastada devido à ocupação humana e à extração de madeira. Esse tipo de floresta perde as folhas com a proximidade do inverno e tem as estações do ano bem definidas.
  • Estepes e pradarias – vegetação rasteira. As pradarias são favoráveis à agricultura e as estepes são, basicamente, formadas por herbáceas
  • Desertos e semidesertos – apresentam vegetação pobre, adaptada ao clima seco (xerófilas).
  • Vegetação de altitude – a vegetação varia de acordo com a altitude. Aparecem florestas em médias altitudes até vegetação rasteira, nas grandes altitudes.
 
Formação territorial e populacional
As formações territorial e populacional dos Estados Unidos e Canadá são complexas e longas. Imagens como as da Guarda Continental, que lutou pela independência dos Estados Unidos, são simbólicas para ambos os países. O Canadá teve uma independência tranquila, mas, como veremos, apresenta diversos conflitos internos com forte tendência ao separatismo. Você visualiza alguma semelhança entre a luta pela independência brasileira e pela independência da América Anglo-Saxônica?
 
A formação territorial dos Estados Unidos
A partir do século XVI, europeus de diferentes origens chegaram à costa atlântica.
Nas duas primeiras décadas do século XVII foram criadas as primeiras colônias: Jamestown (Virgínia) e Nova Amsterdã (Nova York), fundada pelos holandeses em 1614 e tomada pelos ingleses em 1664, quando seu nome foi alterado para Nova York.
A partir de 1620, os colonos, que fugiam das perseguições religiosas na Inglaterra, começaram a chegar. Na Europa eram conhecidos como puritanos, e ao chegarem à América, ficaram conhecidos como peregrinos.
A colonização inglesa estabeleceu-se sobre uma faixa de terra a leste do território, banhada pelo Oceano Atlântico, na qual foram implantadas Treze Colônias, que se diferenciaram de outros locais de migrações mundiais pelo tipo de colonização implantada: a colonização de povoamento, cujo objetivo é povoar e desenvolver o lugar. Ou seja, a colonização não estava ligada à exploração de riquezas com a intenção de enviá-las para a metrópole, mas sim de abastecer os próprios habitantes.
Essas colônias eram baseadas no trabalho familiar livre e assalariado, em pequenas e médias propriedades, cujo objetivo principal era o mercado interno. Os puritanos ali instalados passaram a cultivar diferentes plantas e, também, introduziram a criação de gado leiteiro naquela área. Os produtos locais eram comercializados com a Europa e a África.
O comércio que se desenvolveu possibilitou a criação de uma classe social privilegiada com grande poder econômico. Além disso, com os agricultores, fixaram-se muitos artesãos cujo trabalho foi a base para a industrialização futura.
Na porção sul do território implantaram-se grandes fazendas – nas quais se cultivava arroz, tabaco e algodão – com a utilização do trabalho escravo. Essa produção tinha como destino o mercado europeu, iniciando-se, assim, a construção de espaços voltados para a exportação. Portanto, no sul, predominaram as colônias de exploração, semelhantes às estabelecidas na América espanhola e portuguesa.
Essa diferente forma de ocupação e aproveitamento da terra gerou regiões diferenciadas economicamente. No norte, havia melhor distribuição da renda entre os colonos, e no sul as desigualdades sociais eram acentuadas, com a concentração da riqueza nas mãos dos grandes proprietários de terras.
A Inglaterra procurou manter as colônias da América sob controle, mas isso não foi possível, pois, em 4 de julho de 1776, as Treze Colônias declaram-se independentes do domínio inglês.
Como a Inglaterra não reconheceu a independência, as lutas dos colonos, apoiados pelos franceses, intensificaram-se até 1781, quando os ingleses, após várias derrotas, reconheceram a Independência dos Estados Unidos, em 1783. Após esse fato, os Estados Unidos iniciaram conquistas que ampliaram sua configuração territorial.
A dimensão atual do país é resultado de sucessivas anexações, tratados e compras, na maior parte das vezes pelo uso de armas. O México foi o país mais prejudicado com a ampliação territorial dos Estados Unidos. Observe como isso aconteceu:
Entre os séculos XVIII e XIX, o território dos Estados Unidos começava a ampliar graças à chamada “Marcha para o Oeste”. No início, o contato entre colonizadores e indígenas era mais ou menos amistoso, pois não havia grande disputa por espaço, porém, pouco a pouco a relação foi se tornando conflituosa. Além disso, essa forma de ocupação do espaço e as alterações na natureza foram rompendo o equilíbrio entre a fauna e a flora, como também, destruindo a base de sustentação dos indígenas.
Em 1867, os Estados Unidos compraram o Alasca, que pertencia à Rússia. Essa negociação atendeu à estratégia política, pois afastava qualquer pretensão russa na América, além de ter sido um bom negócio, pois essa área toda recoberta por gelo apresenta grandes jazidas de petróleo, ouro, cobre e outros recursos que, posteriormente, foram descobertos.
Com o território configurado pela ampliação de suas áreas, os Estados Unidos, passaram a dedicar-se à expansão para outras regiões, fora de seu território. Por exemplo, em 1898, anexaram o Havaí e territórios espanhóis – Porto Rico, Guam e Filipinas – após vencer a Espanha na Guerra Hispano-Americana. Em 1903, os Estados Unidos instalaram uma base naval em Guantánamo, hoje utilizada para abrigar suspeitos de terrorismo.
 
Formação territorial do Canadá
Desde o século IX, as terras canadenses já eram conhecidas pelos europeus. Os irlandeses, que tinham bases na Islândia, e os vikings, povo escandinavo, chegaram por volta do ano 1000, vindos da Groenlândia. Os contatos mais importantes com as terras canadenses ocorreram em 1497, quando John Cabot desembarcou na Terra Nova, declarando-a possessão inglesa. Porém, em 1534, o francês Jacques Cartier explorou o Rio São Lourenço, abrindo possibilidades para a colonização francesa.
Após as expedições de Cartier, a ocupação europeia recebeu novo impulso com a fundação, por Samuel de Champlain, em 1608, da primeira colônia francesa (núcleo de povoamento de Quebec às margens do Rio São Lourenço) na América Anglo-Saxônica setentrional. Pouco depois, interessado no desenvolvimento comercial, o Cardeal Richelieu fundava na metrópole a Companhia dos Cem Associados, dando início à expansão econômica do Vale do Rio São Lourenço.
Várias guerras entre a Inglaterra e a França, motivadas por essas terras, dificultaram o desenvolvimento do território. Além disso, ocorriam conflitos entre os índios iroqueses (aliados dos ingleses) e os hurões (aliados dos franceses).
Sob outro aspecto, a má administração dos povoamentos pelas companhias comerciais faria com que, em 1663, a coroa francesa abolisse o monopólio privado e criasse um governo real no Canadá, com a nomeação do primeiro governador.
Vinte e seis anos depois, ocorreu a guerra entre a Nova Inglaterra (antiga Nova Holanda, ocupada pelos ingleses) e a Nova França. Esse conflito só terminou em 1697 com a França cedendo a Baía de Hudson à Inglaterra, porém mantendo a Terra Nova. Finalmente, em 1763, a derrota dos franceses transformou a Nova França em província britânica, com o nome de Quebec. Seus habitantes, porém, conquistaram o direito de continuar a se reger pelo código civil francês.
Quase trinta anos depois, o ato institucional de 1791 criava um governo representativo e o território da colônia era dividido em duas províncias: o Alto Canadá (atual Ontário) onde se encontravam os colonos protestantes, e o Baixo Canadá (atual Quebec), totalmente francês ocupado pelos colonos católicos.
O início do século XIX foi marcado pelo surgimento de vários movimentos nacionalistas franceses. Algumas revoltas contra a administração favoreceram a ideia da criação de um único país englobando os diversos agrupamentos existentes entre a Terra Nova e Vancouver.
Em 1867, Quebec, Ontário, Nova Escócia e Nova Brunswick uniram-se numa Confederação. O novo país foi, assim, ampliando-se progressivamente com a aquisição de novas terras e a formação das Províncias de Alberta e Saskatchewan.
Em 1949, a anexação da Terra Nova à Confederação consumou a união dos antigos territórios coloniais, dando ao Canadá a jurisdição sobre os atuais limites. Em 1969, o francês tornou-se uma das línguas oficiais do país, bem como o inglês, que hoje é a principal.
A colonização do Canadá, assim como a dos Estados Unidos, foi caracterizada como colônia de povoamento. Os franceses que lá chegaram para formar essa colônia eram fugitivos de perseguições religiosas que queriam reconstruir suas vidas.
A formação canadense é, de certo modo, dupla, pois tanto franceses quanto ingleses colonizaram o país.
Devido ao frio extremo no norte, as maiores cidades se situam na fronteira com os Estados Unidos.
 
A sociedade Anglo-Saxônica
O Canadá e os Estados Unidos apresentam, juntos, uma população absoluta de aproximadamente 360 milhões de habitantes.
Os Estados Unidos são o país mais populoso do continente americano com população estimada, em 2016, de 324 milhões de habitantes, apresentando densidade demográfica de 32,94 hab/km2 .
A imigração foi um fator decisivo no processo de desenvolvimento dos Estados Unidos. Foi, sem dúvida, o país que mais recebeu imigrantes.
O Canadá, apesar de ser o país mais extenso do continente, possui pouco mais de 35 milhões de habitantes, com densidade demográfica de 3,54 hab/km2 .
A principal razão do baixo povoamento do Canadá está relacionada ao fato de grande parte do território estar situado em áreas de alta latitude do globo terrestre, onde as temperaturas são muito baixas dificultando a fixação populacional.
O Vale do Rio São Lourenço e a região dos Grandes Lagos, que abrangem as províncias de Quebec e Ontário, concentram mais de 65% da população canadense. Ao longo da fronteira com os Estados Unidos existem áreas mais povoadas nas proximidades das cidades de Winnipeg, Regina e Edmonton. Também na costa do Oceano Pacífico, na região onde se situa a cidade de Vancouver existe grande concentração populacional.
A população da América Anglo-Saxônica está concentrada, sobretudo, nas áreas urbanas, principalmente nas grandes cidades. Nos Estados Unidos, as áreas com maiores índices populacionais estão no nordeste, junto à costa atlântica e próximo à região dos Grandes Lagos além de uma concentração mais recente na costa da Califórnia.
 
A questão étnica do Canadá
Calcula-se que vivem no Canadá cerca de 540 mil indígenas, formando 634 grupos, além de 60 mil inuits (esquimós). Os indígenas reivindicam os direitos sobre as terras, habitadas há séculos por seus ancestrais.
Após muitos encontros e acordos, foi criado, em 1992, o território de Nunavut (“Nossa Terra”, na língua inuit), encravado nos territórios do noroeste, situado ao norte da Baía de Hudson e abrangendo uma área que equivale a cerca de 21% do território canadense.
Nunavut, é habitada por cerca de 25 mil inuits e não tem total autonomia. Entretanto, eles possuem direitos sobre a exploração dos recursos naturais da região, além de ter o próprio governo. É um exemplo bastante promissor para outros povos cujos direitos ao próprio território já não existem mais.
Além dos inuits, há o reconhecimento, maior ou menor, por parte do governo canadense, dos direitos de outros povos nativos, principalmente dos que vivem da caça e da pesca: denes, crees, innus, iroqueses e haidas.
Nos últimos anos, tem havido uma preocupação com a questão étnica e de áreas territoriais pertencentes às diferentes etnias, apesar de ainda existirem muitos problemas a serem resolvidos.
A questão dos povos originários canadense está, como vimos, sempre presente no dia a dia desse país. No caso brasileiro, você acha que tratamos de modo adequado os indígenas aqui presentes?
 
A questão separatista no Canadá
As rivalidades religiosas, culturais e econômicas sempre incentivaram a província canadense de Quebec, de maioria católica, a se separar do restante do país.
Em Quebec vive cerca de 23% da população canadense, sendo que mais de 80% são de descendência francesa. Essa questão sempre foi motivo de conflitos, já que envolve revanchismos (o fato de os franceses terem perdido o Canadá para os ingleses), além de questões econômicas.
Em 1987, foi assinado o Pacto Lake Meech, buscando conciliar rivalidades que remontam à era colonial. O governo concordou em reconhecer o Quebec como uma sociedade diferenciada, dispondo-se a dar maior autonomia política e garantindo o direito à preservação da língua e cultura francesas.
Esse pacto passou a enfrentar oposição no início de 1990, quando uma revolta nacionalista antifrancesa contestou as concessões que o Quebec obteve com o acordo (que lhe deu maior autonomia). Parte significativa dos empresários do Quebec apoia a separação, pois acusam o governo de se beneficiar da prosperidade da província ao longo dos últimos 25 anos.
A população de Quebec conseguiu uma série de conquistas no decorrer do tempo. Em 1969, a língua francesa tornou-se oficial e, em 1974, foi reconhecida como única língua oficial da província. Em 1980, foi realizado um plebiscito, mas a maioria da população se declarou favorável à manutenção da integração ao Canadá.
O apoio popular ao separatismo tem diminuído consideravelmente a cada ano. Caso ocorra a independência do Quebec, outras províncias certamente seguirão o mesmo caminho. Na Colúmbia Britânica, alguns políticos iniciaram conversações com o governo dos Estados Unidos para uma possível anexação a esse país. Outras províncias como Alberta, Saskatchewan e Manitoba poderiam aderir à essa situação, já que seus cidadãos compartilham a mesma cultura.
As quatro províncias do Atlântico (New Brunswick, Nova Escócia, Ilha Príncipe Eduardo e Terra Nova) poderiam se unir a Ontário e formar um novo país ou também aderir aos Estados Unidos. Da mesma forma, existe a possibilidade da união de Quebec e Ontário para formarem um país bilíngue e muito rico, já que a Província de Ontário é o centro econômico e financeiro do Canadá e a Província de Quebec possui riquezas minerais e é bastante industrializada. Essas ideias separatistas fragilizam a unidade do país, pois demonstram que não existe uma identidade nacional canadense muito bem construída.
 
A questão racial nos Estados Unidos
Apesar de defender a democracia, ou seja, a liberdade do povo e os direitos assegurados pela Constituição, a Carta Magna dos Estados Unidos não aplica a igualdade de direito entre as pessoas como o texto determina. Desde a colonização, surgem problemas raciais que levam à discriminação e ao preconceito na população.
Os negros, inicialmente, foram utilizados como escravos nos estados do sul do país, no plantio do algodão, e como serviçais nas casas dos brancos mais ricos.
Mesmo em 1863, após a abolição da escravatura, sobressaiu-se outra fase de relações entre brancos e a população negra nos Estados Unidos.
A maioria branca impôs vários obstáculos à ascensão social dos negros, intensificando o preconceito. Essa parcela da população foi marginalizada dos melhores postos de trabalho e proibida de frequentar escolas em certas regiões do país. Com a criação da ONU, a Declaração Universal dos Direitos Humanos e a descolonização da África, a questão se intensificou e a população negra passou a exigir mais os direitos de igualdade. A Suprema Corte dos Estados Unidos, em 1954, estabelece uma incrível contradição: “Negros e brancos seriam separados, mas iguais”. Mais tarde, após muitas lutas, foi decretado o Ato dos Direitos Civis, que permitiu o acesso às escolas e ao voto. Um líder pacifista negro, chamado Martin Luther King, teve papel de destaque na reivindicação dos direitos dos negros, mas foi assassinado, por defender a igualdade racial.
Até hoje, embora mais atenuados, os problemas de integração dos negros na sociedade dos Estados Unidos continuam existindo e manchando o papel de liderança que essa nação desempenha no mundo. Entre os anos de 2014 e 2016, uma grande crise racial explodiu no país. Diversos negros foram mortos pela polícia, e esse fato gerou grandes tumultos.
 
A questão dos latinos nos EUA
As pessoas originárias de países que falam a língua espanhola são chamadas nos Estados Unidos de “hispânicos”, inclusive seus descendentes, mesmo aqueles que já nasceram no país.
Eles constituem um grupo étnico muito numeroso, que já ultrapassa o dos negros, mas não formam um grupo racial, pois são constituídos por brancos, negros, indígenas e mestiços. O traço comum predominante é a cultura, principalmente a língua e a religião católica.
Eles podem ser divididos em três grupos:
• os de origem mexicana (os chicanos) que vivem principalmente no Novo México, Texas, Colorado, Califórnia e Arizona;
• os porto-riquenhos (que podem viver legalmente no país já que Porto Rico é um estado associado aos Estados Unidos);
• os exilados cubanos que vivem principalmente no sul da Flórida. Além desses grupos, existem outros, também provenientes de países de língua espanhola e portuguesa, como os brasileiros.
Atualmente, é comum caminhar pelas ruas de uma cidade norte-americana e ouvir as pessoas falando espanhol. Em 1950, menos de quatro milhões de residentes dos Estados Unidos eram provenientes de países onde se fala o espanhol. Hoje esse número atinge cerca de 30 milhões. Aproximadamente 50% dos hispânicos nos Estados Unidos, são de origem mexicana. Os outros 50% vêm de muitos países, incluindo El Salvador, República Dominicana e Colômbia; 36% dos hispânicos do país vivem na Califórnia.
 
Economia
A economia da América Anglo-Saxônica é diversificada e muito forte. Nova York pode ser considerada o símbolo disso tudo. A cidade é enorme, conta com o principal centro do capitalismo financeiro mundial, a Bolsa de Valores de Nova York (New York Stock Exchange, também conhecida somente por sua localização, Wall Street), além de contar com diversos escritórios para aplicações financeiras. O que você pensa quando se trata da economia da América Anglo Saxônica? Qual o maior símbolo disso para você?
 
A economia dos Estados Unidos
Hoje, os Estados Unidos da América são o maior centro comercial e financeiro do mundo, dispondo de um importante e diversificado parque industrial com indústrias de ponta, têxteis, metalúrgicas, químicas, alimentícias, entre outras.
Os fatores que contribuíram para que esse país atingisse o atual nível tecnológico e científico estão relacionados, ao longo da história, à (ao):
• colônia de povoamento;
• abundância de matérias-primas existentes em seu território;
• contribuição dada pela imigração, que possibilitou a formação de um grande mercado consumidor;
• desenvolvimento de tecnologias avançadas que incrementaram a economia;
• as guerras e os tratados militares, com o fornecimento de armamentos para a Segunda Guerra Mundial e outros conflitos que garantiram volumosas vendas e levaram várias outras indústrias ligadas a esse tipo de produção a obter grandes lucros.
As áreas de influência em todo o mundo garantem mercados de consumo para seus produtos e serviços, além de assegurar fontes de abastecimento de matérias-primas. Quanto à distribuição das indústrias nos EUA, houve influência de alguns fatores como a localização das matérias-primas e de energia e também a proximidade do mercado consumidor, além de disponibilidade de mão de obra. Atualmente, os Estados Unidos estão vivenciando o período técnico-científico-informacional, dessa forma, os fatores anteriormente citados não são mais tão relevantes para a localização das indústrias. O que importa são os polos de pesquisas de tecnologias avançadas, pois a existência desses recursos permite que as indústrias e empresas se espalhem pelos diversos espaços mundiais, sem perder o controle administrativo, de produção, de comercialização e de distribuição.
As maiores concentrações industriais no território dos Estados Unidos localizam-se no nordeste, na região dos Grandes Lagos. Nessa área, as atividades industriais são muito diversificadas com indústrias siderúrgicas, elétricas, eletrônicas, mecânicas, automobilísticas, aeronáuticas, aeroespaciais, informáticas, químicas e de bens de consumo.
Para fornecimento de energia a essas indústrias, existem, no nordeste e na região dos Grandes Lagos, usinas que produzem eletricidade e energia nuclear, além de petróleo, carvão e gás natural explorados nos Montes Apalaches.
Quanto ao petróleo, as necessidades do país ultrapassam a produção interna e, por isso, apesar de ser o segundo produtor mundial, é também o maior comprador desse produto.
Também concentram-se na região nordeste os centros financeiros: Bolsa de Valores de Nova York (sede do capitalismo financeiro mundial) e a Bolsa de Valores de Chicago.
No sudeste dos Estados Unidos encontra-se um grande polo industrial, com indústrias siderúrgicas e metalúrgicas, além de empresas do setor elétrico e eletrônico.
No sul, próximo ao Golfo do México, desenvolveu-se a indústria do setor petroquímico.
Também na Costa Oeste dos EUA há grandes centros industriais da área bélica. Washington, Oregon e Califórnia possuem importantes centros industriais. A produção dessa região diz respeito à fabricação de tecidos, roupas, alimentos, aviões, navios, aparelhos eletrônicos e elétricos, produtos mecânicos, aço e produtos da indústria aeroespacial. Além disso, o Vale do Silício, na Califórnia, é um importante polo industrial de tecnologia, destacando-se o setor de informática.
Nos Estados Unidos existem áreas agrícolas especializadas, conhecidas como cinturões (belts em inglês).
Vários fatores influenciaram na formação dessas áreas especializadas: o clima, o solo, a proximidade do mercado consumidor, a oferta de mão de obra e a facilidade de escoamento dos produtos agrícolas. O país possui a mais desenvolvida agricultura do mundo em decorrência da grande produtividade e mecanização, centros de pesquisa para produção de sementes e mudas, protecionismo do governo por meio de subsídios, empréstimos a juros baixos, isenções fiscais, apoio técnico entre outros fatores. É o país que mais concede incentivos aos agricultores e pecuaristas, com créditos a longo prazo, juros baixos, isenções fiscais e apoio técnico-científico
 
As grandes regiões dos Estados Unidos
Os Estados Unidos são compostos por 5 regiões geoeconômicas. Porém, didaticamente, para uma visão mais ampla, vamos dividir o território em 5 grandes regiões. Cada uma delas vai nos apresentar características geográficas, econômicas e culturais próprias.
 
Região Nordeste
É a região sul dos Grandes Lagos, com predominância de terras baixas onde se localizam os Montes Apalaches a leste. A maior cidade da região é Nova York, cuja parte central é ocupada pela Ilha de Manhattan, centro financeiro dos Estados Unidos da América.
A cidade de Boston, outra cidade importante na região, possui um extenso centro financeiro, comercial, industrial e universitário e fica a 700 quilômetros de Washington – capital e centro administrativo do país.
Além das cidades acima, outras duas relevantes são Baltimore e Detroit. A primeira é um importante centro de exportação, principalmente de carvão e petróleo. Enquanto a segunda, na extremidade do Lago Erie, foi o berço da indústria automobilística e ainda hoje sedia as grandes indústrias desse setor no país
Chicago é um importante centro ferroviário e de navegação do país e contorna o Lago Michigan. Cleveland, Pittsburgh, Buffalo e Duluth são algumas das principais cidades da região Nordeste dos Estados Unidos, que se configura como a principal área industrial do país e onde se encontra a maior concentração urbana do globo. Essa área conta com importante concentração industrial devido a fatores como reservas minerais, disposição de mão de obra numerosa e qualificada, grande produção de energia e dinâmica rede de transporte.
 
Região Sul
A cidade de Richmond, no estado da Virgínia, foi o centro da confederação sulista durante a Guerra da Secessão. Durante décadas, do estado da Virgínia ao estado do Texas, o algodão foi a principal cultura agrícola. Após exaustivos plantios com a utilização de mão de obra escrava, o solo tornou-se estéril e a região se transformou em uma das mais pobres dos EUA.
Hoje, a situação mudou com o controle de comportas e diques de rios, como o Tennessee, e na região predominam grandes plantações. Na Península da Flórida e na região do Golfo do México predomina a fruticultura, além dos cultivos de arroz, cana-de-açúcar, tabaco e outros produtos de clima subtropical.
No Texas, a criação extensiva de gado é uma atividade significativa associada à exploração de petróleo e gás natural, com os estados de Oklahoma, Arkansas e Louisiana.
O grande centro industrial é a cidade de Houston com destaque para as indústrias petroquímica, de alumínio, metalúrgica, têxtil e de alimentos.
 
Região das Planícies Centrais
Em princípio era uma região inóspita, de poucas chuvas. No verão, apresenta um calor sufocante e no inverno as temperaturas são gélidas. O relevo não impede a passagem dos ventos e a água é escassa. Apenas os índios, popularmente chamados de peles-vermelhas, sabiam como sobreviver na região, capturando cavalos selvagens e búfalos que lhes propiciavam transporte, alimento e roupas.
Na segunda metade do século passado ainda predominavam os “dias do Velho Oeste Selvagem” quando índios e vaqueiros brigavam entre si pela posse das terras.
Somente após as prairies ou pradarias da Bacia Central e os vales do Pacífico terem sido razoavelmente colonizados a região começou a se desenvolver.
Hoje, é dotada de modernas técnicas de irrigação e de mecanização agrícola e é caracterizada como o celeiro agrícola dos Estados Unidos.
 
Região Oeste
Exatamente como a região anterior, esta, em princípio, também não atraiu os colonizadores. Era uma área que apresentava apenas as Montanhas Rochosas e a Cadeia da Costa, com predominância do clima árido. As pessoas passavam por ali o mais rapidamente possível em direção à Costa do Pacífico. Então, descobriu-se ouro na região. Isso foi o chamariz para seduzir as pessoas e encorajá-las a buscar, além de ouro, prata, cobre e estanho.
Pessoas enriqueceram rapidamente, mas o ouro se exauriu, também rapidamente. O que restou foram “cidades-fantasma”, que atualmente atraem turistas. Outras cidades surgiram, como Las Vegas – famosa pelos cassinos.
Extensos desertos, como o Vale da Morte, dominam a região e há ainda parques famosos como o Yellowstone e o Grand Canyon.
Apesar da hostilidade das regiões áridas e semiáridas, o oeste tem exploração de minérios nos estados de Montana, Arizona e Utah e em determinadas áreas, ocorre o cultivo de irrigação de legumes e frutas.
 
Região da costa do Pacífico
Caracteriza-se como uma região bastante fértil, sendo uma estreita planície, limitada a leste pela Cadeia da Costa. Possui grande potencial hidrelétrico com rios curtos e de percurso acidentado, como o Colorado e o Colúmbia, portanto uma série de represas fez da região um importante vale agrícola.
A costa do Pacífico, que vai de São Francisco até Seattle, foi descoberta, inicialmente, por exploradores russos e ingleses. A região foi cartografada pela primeira vez em 1803, pelos exploradores Lewis e Clark, que subiram o Rio Mississipi e desceram pelo Rio Colúmbia.
Posteriormente, outros exploradores subiram e desceram ao longo da chamada Trilha do Oregon e, nos vales litorâneos, encontraram clima ameno, solo rico e água em abundância.
Nessa região está localizado o estado da Califórnia onde a vinicultura é o principal destaque. Nela encontramos também, grandes centros industriais como os de São Francisco, São Diego, Los Angeles e Seattle. A região também é destaque em informática, que se desenvolve no famoso Vale do Silício.
 
A economia canadense
A exemplo do que ocorre na agricultura, a indústria canadense também se caracteriza pelo elevado nível de modernização. Isso significa que o país detém o domínio de tecnologias bastante avançadas.
O Canadá apresenta um parque industrial moderno e produtivo, com empresas que atuam em diversos ramos de atividade, como: alimentício, têxtil, fabricação de papel, automobilístico e eletrônico. Essa diversidade resulta em uma alta produtividade, a base da economia canadense. O desenvolvimento industrial faz do Canadá um grande exportador de máquinas e equipamentos.
Será que o fato de os países da América Anglo-Saxônica serem industrializados pode explicar o seu alto grau de desenvolvimento econômico?
Podemos dizer que a industrialização não é sinônimo de desenvolvimento porque nem todos os países industrializados são economicamente desenvolvidos. O que caracteriza uma economia desenvolvida é o grau tecnológico, fator que resulta em altos lucros para quem o detém, ou seja, vale mais a pena deter o controle sobre a tecnologia presente nas fábricas e no campo, do que ter grandes fábricas e agroindústrias.
 
As grandes regiões canadenses
As províncias marítimas correspondem à Costa do Atlântico; as pradarias ou Centro-Sul, uma área mais plana e com solos férteis; o Grande Norte – vazio demográfico – clima muito frio e vegetação de tundra; o sudeste que compreende a região do Vale do Rio São Lourenço e o norte os Grandes Lagos; o sudoeste – região de colonização inglesa – encontram-se a floresta caducifólia (litoral) e a floresta de coníferas (interior).
 
Região da costa Leste
A economia da região é baseada na pesca, no turismo e na indústria naval. Esta, concentrada na cidade de Halifax, Nova Escócia, possui um importante porto, junto às cidades de Vancouver e Montreal.
A região apresenta grande potencial em recursos minerais como urânio, níquel, carvão, cobre, ferro e alumínio, além de uma desenvolvida rede de transportes, o que facilita a integração econômica e o desenvolvimento. As indústrias ferroviária e aeronáutica estão localizadas em Toronto e Montreal.
 
As pradarias ou Centro-Sul
Correspondem às províncias de Alberta e Saskatchewan. Geograficamente se estendem às pradarias dos Estados Unidos. Nessa região se praticam as atividades agropecuárias altamente mecanizadas. Condições climáticas mais propícias, de clima temperado, solos férteis e relevo plano, favorecem o cultivo de cereais, cujo destaque é o trigo.
Nas proximidades das Montanhas Rochosas, atualmente são extraídos petróleo, gás natural e carvão.
 
O grande Norte
Corresponde à Província de Yukon, aos territórios do noroeste de Nunavut e ao norte da Província de Quebec. Transpondo as pradarias e a populosa região dos Grandes Lagos e do Rio São Lourenço, ao norte, encontramos a floresta boreal. Essa área é, geralmente, coberta por neve durante mais da metade do ano. O “verão” – período sem congelamento – mal dura dois meses. A precipitação é leve, com exceção da costa do Labrador, onde a influência do Atlântico é sentida.
Mais ao norte ainda, além da floresta, fica o Ártico. Lá, as temperaturas ultrapassam 0°C somente durante algumas semanas do ano. A apenas um metro abaixo da delicada camada de vegetação, que cresce durante o verão, é possível verificar que o solo se mantém permanentemente congelado. Com esse quadro, é natural que se apresente um grande vazio demográfico. Na região da tundra habitam os esquimós ou inuits como eles próprios se denominam. Ao longo do inverno, que dura aproximadamente nove meses, os 2,6 milhões de quilômetros do alto Ártico constituem uma região desolada, com muito gelo e açoitada por ventos fortes e nevascas.
Durante muitos séculos, os esquimós canadenses existiram em total isolamento do mundo, desenvolvendo uma economia baseada na caça e pesca de subsistência. Mais ao sul, o clima se modifica para o temperado frio e surge a vegetação da taiga canadense. Nessa região a economia baseia-se na exploração madeireira.
 
Sudeste
Corresponde à Província de Ontário e ao sul da Província de Quebec. Mais da metade da população canadense vive nas proximidades dos Grandes Lagos ou às margens do Rio São Lourenço. Essa região é privilegiada por apresentar a maior industrialização do país e ser vizinha da região nordeste dos Estados Unidos, o maior parceiro comercial. As maiores cidades são Toronto, Montreal e Ottawa, as quais abrigam a maior concentração populacional.
Na economia destacam-se: a indústria metalúrgica, a petroquímica, a automobilística, a de equipamentos, a siderúrgica, a de papel, a de extração mineral, a da construção, a têxtil e as usinas hidrelétricas. As barragens construídas nos rios, principalmente na Bacia do São Lourenço, são fundamentais para a produção de energia. A via marítima do Rio São Lourenço – St. Laurence Seaway – corta regiões populosas e industrializadas e liga a região dos Grandes Lagos ao Atlântico, escoando boa parte da produção agrícola tanto do Canadá como dos Estados Unidos.
No setor agrícola há predominância da criação intensiva de bovinos destacando-se a pecuária leiteira e a produção de aves. O clima ameno favorece a policultura alimentícia.
 
O Sudoeste – Colúmbia Britânica
Essa região apresenta a segunda maior concentração populacional do país. Na cidade de Vancouver encontra-se grande contingente de asiáticos. As duas cidades principais, são: Vancouver e Vitória. Nessa área há verões agradáveis e relativamente secos e invernos suaves e úmidos.
A Colúmbia Britânica é uma das províncias que mais exporta papel jornal, resultado da exploração da madeira da Floresta Fria ou Mista. Também apresenta a policultura alimentícia e frutífera e a atividade pesqueira, sobretudo do salmão.
 
Relação econômica entre Canadá e Estados Unidos
A proximidade com a fronteira do nordeste dos Estados Unidos, onde se concentram os grandes centros industriais, foi um dos fatores que favoreceu a transferência de diversas empresas norte-americanas para o Canadá. Essas companhias foram muito importantes no processo de industrialização desse país.
No fim da Segunda Guerra Mundial, investimentos norte-americanos reforçaram a dependência e a integração do Canadá aos Estados Unidos da América. Esses investimentos foram direcionados em vários setores como: exploração de petróleo, gás natural, recursos minerais, indústrias de transformação, comércio e serviços.
O capital norte-americano está em quase todos os ramos de negócios no Canadá. Em alguns setores o controle norte-americano chega a 100%, como no caso das indústrias automobilísticas. A principal região de concentração industrial localiza-se no vale do Rio São Lourenço e na região dos Grandes Lagos, pois essa região tem um bom sistema de transportes, tanto por ferrovias, como por rodovias, e é servida por uma grande via marítimo-fluvial e lacustre, a Saint Lawrence Seaway.
O Tratado Norte-Americano de Livre Comércio (Nafta) tem grande influência na economia canadense. Desde a criação do Nafta, em 1994, a dependência canadense em relação à economia dos Estados Unidos vem crescendo. Isso ocorre porque cerca de 86% de tudo o que o Canadá produz, como petróleo, gás natural, cereais, produtos têxteis, papel, metais e componentes eletrônicos, são absorvidos pelos Estados Unidos e, em contrapartida, esse país tem também o controle acionário de grande parte das empresas daquele.
Dessa maneira, a economia do Canadá torna-se cada vez mais subordinada aos interesses dos empresários norte-americanos. Esse tipo de dependência econômica é muito diferente da dependência que existe entre os países em desenvolvimento e os desenvolvidos, pois o Canadá não apresenta os mesmos problemas dos países pobres, além de ser altamente industrializado e possuir elevado índice de desenvolvimento científico e tecnológico.
 
Influência dos Estados Unidos na economia mundial
Cerca de 40 países do mundo têm os Estados Unidos como principal parceiro econômico. Esse número caiu devido à crise econômica de 2008 e à expansão da China. Exemplo disso é o Brasil, parceiro histórico, que agora tem como maior parceiro a China. Contudo, o poder estadunidense segue forte, perdendo um pouco no âmbito econômico, mas ainda sendo muito mais influente que os chineses na parte política.
A partir da segunda metade do século XX, os EUA iniciaram uma fase de expansão das empresas em busca de novos mercados, passando a atuar nos mais diversos países. Ao ampliar a participação no mercado mundial, as multinacionais norte-americanas ampliaram a acumulação de capitais, aumentando a influência estadunidense em relação às demais nações. Houve também investimentos nos mercados consumidores dos países em desenvolvimento. Entre eles, Brasil, Argentina e México.
O governo norte-americano pratica uma política econômica externa protecionista, pois interfere no comércio internacional, não permitindo, muitas vezes, que alguns produtos entrem no mercado interno, impondo barreiras alfandegárias e impedindo que os próprios produtos enfrentem concorrência, fatos que causam conflitos com a China, União Europeia e Mercosul.
Também são aplicados embargos comerciais e sanções econômicas, as quais resultam em suspensões de importações e bloqueios comerciais aos países que não cumprem com suas determinações. Exemplo mais recente disso é o embargo econômico à Rússia, em virtude da anexação da Península da Crimeia, da Ucrânia.
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