1 – Animais: artrópodes, equinodermos e cordados

Introdução
Esta Unidade dará continuidade ao estudo da classificação dos seres vivos e dos filos do reino Animalia, iniciado no Volume 3 com o aprendizado dos filos dos poríferos, cnidários, platelmintos, nematódeos, moluscos e anelídeos.
Você verá que os animais podem ser agrupados de acordo com certas características, como tipo de respiração, número de patas, divisões do corpo, existência de antenas, ambiente em que vivem etc.
 
Artrópodes
No primeiro Tema desta Unidade, você vai estudar os artrópodes, grupo de animais invertebrados que possuem patas articuladas. O termo artrópode é de origem grega e significa “articulação” (athros) e “patas” (podos).
 
Quem são os artrópodes?
Como você viu anteriormente, os artrópodes são animais invertebrados que, de acordo com o significado do nome deste filo, possuem patas articuladas. Existem mais de 1 milhão de espécies de artrópodes catalogadas e eles representam mais de três quartos das espécies animais conhecidas do planeta. Trata-se, portanto, do maior grupo do reino Animalia.
Os artrópodes podem ser divididos em cinco classes principais:
  • diplópodes: piolhos-de-cobra;
  • quilópodes: lacraias, também conhecidas como centopeias;
  • aracnídeos: aranhas, escorpiões, carrapatos, ácaros etc.;
  • crustáceos: siris, camarões, caranguejos, lagostas etc.; e
  • Insetos: formigas, moscas, baratas etc.
Apenas entre os insetos há mais de 900 mil espécies, das quais 250 mil são de besouros. Além disso, existem mais de 50 mil espécies de aracnídeos e mais de 30 mil de crustáceos.
Assim como os anelídeos, estudados no Volume 3, os artrópodes apresentam o corpo segmentado, com exceção dos ácaros e dos caranguejos. Antigamente, acreditava-se que eles teriam surgido dos anelídeos, mas estudos recentes de genética e embriologia indicam que o mais provável é que esses filos tenham um ancestral comum, e não que um teria derivado do outro.
Pesquisas indicam também que os artrópodes se originaram nos oceanos há cerca de 540 milhões de anos.
 Os artrópodes se caracterizam por possuir exoesqueleto (esqueleto externo), uma carapaça rígida composta de quitina, que envolve todo o corpo. Esse exoesqueleto, além de os proteger, favorece sua mobilidade. Eles apresentam vários tamanhos, formas e hábitos de vida. Alguns são microscópicos e vivem em ambientes mais secos, como certas espécies de ácaros, que medem menos de 0,5 milímetro e pesam menos de 1 grama. Outros chegam a medir 4 metros e pesar 20 quilogramas, como o caranguejo-aranha-gigante, encontrado em grandes quantidades nas profundezas do oceano em torno do Japão.
Toda essa diversidade está ligada, principalmente, a dois fatores:
  • à capacidade de reprodução rápida e numerosa dos artrópodes; e
  • à sua boa resistência a variações ambientais, o que lhes dá vantagem na luta pela sobrevivência e amplia suas possibilidades de adaptação a qualquer bioma, desde as profundezas do oceano até o topo das montanhas.
 
Características dos artrópodes
De acordo com a espécie, os artrópodes podem ter olhos simples ou compostos. Os olhos simples não formam imagens, apenas distinguem claridade e escuridão. Já os olhos compostos são constituídos por um conjunto de pequenos olhos, cada um deles capaz de capturar a imagem de uma parte da paisagem. A visão dos artrópodes que possuem olhos compostos, como as moscas e as abelhas, depende do número desses pequenos órgãos: quanto maior a quantidade deles, melhor a visão do animal.
Além dessa característica, os artrópodes podem ser classificados segundo outros critérios, como: o hábitat onde vivem, as divisões do corpo, o número de patas e antenas, o tipo de desenvolvimento e respiração etc.
Uma das características dos seres vivos é que muitos passam por diversas fases durante o seu ciclo vital: nascem, crescem, se reproduzem, envelhecem e morrem. Durante esse ciclo, alguns artrópodes apresentam desenvolvimento direto, o que significa que os adultos são muito semelhantes aos indivíduos jovens. É o caso das baratas, aranhas, centopeias e gafanhotos, entre outros. A diferença fundamental entre o jovem e o adulto, nesse caso, está na capacidade de se reproduzir ou não
Outros artrópodes têm desenvolvimento indireto, passando por um processo de metamorfose, no qual as formas jovens (larvas) sofrem uma transformação não apenas no tamanho, mas também na aparência. É o que acontece com as borboletas, mosquitos, moscas etc. Nesse caso, em cada fase do ciclo vital, os indivíduos da mesma espécie se alimentam de recursos distintos, chegando até a viver em ambientes diferentes.
Por causa de sua diversidade, os artrópodes apresentam maneiras diferentes de obter gás oxigênio para realizar os processos de metabolismo. A sua respiração pode ser:
  • cutânea – pela pele;
  • branquial – por brânquias (estruturas que retiram gás oxigênio dissolvido na água);
  • traqueal – por traqueias (sistema de tubos muito finos por onde o ar entra, sai e mantém contato direto com os tecidos); ou
  • pulmotraqueal – por pulmões laminares, que são formados por várias lâminas superpostas (como as folhas de um caderno) por onde o ar circula e realiza as trocas gasosas.
 
PENSE SOBRE
O uso de inseticidas para eliminar insetos é bastante comum. Esses produtos, em geral, matam insetos indiscriminadamente, e não apenas aqueles que se deseja exterminar. Por exemplo, quando alguém utiliza um inseticida para matar uma barata, pode, sem querer, dar fim também a moscas, mosquitos, borboletas, abelhas etc. Além disso, sabe-se que os inseticidas costumam poluir o ambiente e até mesmo intoxicar pessoas, sobretudo crianças, e que o seu uso indiscriminado pode selecionar variedades de insetos mais resistentes ao próprio inseticida. Reflita sobre os benefícios e os malefícios do uso de inseticidas e sobre quais podem ser as alternativas ao seu uso.
 
Equinodermos
Neste Tema, você vai estudar outro filo do reino Animalia: os equinodermos, nome de origem grega que é formado pela conjunção de duas palavras: “espinhos” (echinos) e “pele” (derma). Tal como todos os outros filos já estudados desse reino, você conhecerá quem são, onde vivem e algumas das principais características dos equinodermos
  • O que você conhece sobre animais que vivem na água doce? E na água salgada?
  • Existem animais que vivem somente dentro da água e que não são peixes?
  • Faça uma listagem dos animais que vivem na água que você conhece e tente imaginar como eles se locomovem, respiram e se alimentam.
 
Quem são os equinodermos?
Fósseis indicam que, há 600 milhões de anos, o mar já estava povoado de vários tipos de invertebrados. Nessa época, apareceram os moluscos, os artrópodes e os equinodermos.
Equinodermos são animais marinhos que não nadam nem flutuam. Possuem esqueleto interno e pele calcária, ou seja, basicamente uma coleção de placas feitas de cálcio, cheia de espinhos, que podem ajudá-los a se defender e a se locomover.
Fazem parte desse filo: as estrelas-do-mar, os ouriços-do-mar, as bolachas-do- -mar e os pepinos-do-mar, fáceis de encontrar em praias pouco poluídas.
Os ouriços-do-mar são bastante conhecidos e, na natureza, integram cadeias alimentares nas quais são presas (servem de alimento) de outros animais, entre eles os polvos. Em algumas culturas, como a japonesa, por exemplo, esses animais são apreciados pelo seu sabor, principalmente o de suas ovas, que são saboreadas com arroz. Os ouriços, em geral, apresentam vários espinhos longos, que os tornam facilmente reconhecíveis. Eles se alimentam principalmente de algas e detritos orgânicos, mas também podem comer plantas e minúsculos animais, vivos ou mortos. Deslocam-se pelo fundo do mar ou vivem fixos em rochas, nas quais cavam buracos que servem de moradia.
As estrelas-do-mar se alimentam de pequenos mexilhões e ostras. Não têm olhos, mas contam com um sensor na extremidade de cada braço capaz de detectar diferenças na intensidade da luz. Possuem também um apêndice sem função locomotora, com o qual tateiam o ambiente para se localizar e encontrar alimentos. As estrelas-do-mar têm uma característica muito importante para sua sobrevivência: elas podem regenerar partes do corpo. Assim, se uma parte do seu corpo for atacada e arrancada por algum predador, elas podem reconstituí-la.
 
ORIENTAÇÃO DE ESTUDO
Ao ler um texto para estudar, além de grifá-lo, você também pode organizar listas para ajudá-lo a retomar aspectos que sejam importantes. Porém é necessário que, antes de listar um texto, você decida o que será listado, ou seja, é preciso definir qual tipo de lista será organizada. Você pode listar nomes, datas, conceitos, exemplos ou qualquer outro aspecto de acordo com o texto. Você vai agora organizar uma lista a partir do texto Quem são os equinodermos?. Primeiro releia o texto atentamente.
Lembre-se de que, ao escrever uma lista, é melhor colocar uma palavra embaixo da outra, assim fica mais fácil visualizar as palavras da lista. Uma lista pode ser organizada de diferentes formas. A lista do supermercado, por exemplo, pode ser organizada por tipos de produtos que você vai comprar: alimentos, produtos de limpeza, de higiene, bebidas etc. Outras listas são produzidas em ordem alfabética, como a lista de estudantes de uma classe ou de pessoas aprovadas em um concurso, o que facilita encontrar um nome. Bom estudo
 
Cordados
No último Tema desta Unidade, você estudará o filo dos cordados, que é bastante amplo e diversificado. Os animais que o integram recebem esse nome por possuírem, como característica comum, uma estrutura que sustenta o seu corpo, chamada notocorda.
Pense no que você estudou até agora sobre o reino Animalia e nas espécies de animais que fazem parte do seu cotidiano: aquelas que convivem com as pessoas nas casas, que lhes servem de alimento, que incomodam ou causam medo, repulsa etc.
  • Faça uma listagem e veja quais estão contemplados nos filos já estudados e quais não estão.
  • Como você poderia classificar esses animais?
  • Escolha um ou mais critérios e separe-os em grupos. Quantos grupos você formou? Que nome você daria a cada um desses grupos?
 
Os cordados
O filo dos cordados é bastante diversificado, pois agrupa animais de diferentes formas e tamanhos, adaptados aos mais variados ambientes.
As evidências fósseis indicam que os cordados evoluíram em um ambiente marinho há cerca de 500 milhões de anos. Os cordados têm como principal característica a presença de notocorda, uma estrutura que dá sustentação ao corpo e que, no caso dos vertebrados, é substituída pela coluna vertebral durante o desenvolvimento embrionário.
Possuem simetria bilateral e sistema nervoso bem desenvolvido, o que possibilita a realização de atividades mais complexas. Além disso, apresentam, pelo menos em uma fase da vida, aberturas laterais paralelas na faringe, chamadas fendas branquiais, que dão origem às brânquias, por onde os animais aquáticos respiram, e à mandíbula nos animais terrestres. Também têm cauda, que pode se manter visível ou atrofiar, ou seja, contrair durante o desenvolvimento dos indivíduos, como no caso do ser humano.
Para ter uma ideia da variedade desse grupo de animais, hoje há cerca de 50 mil espécies de vertebrados, que pesam de menos de 1 grama (pequenos peixes e rãs) a mais de 100 toneladas (100 mil quilogramas), como a baleia-azul.
 
Espécies brasileiras ameaçadas de extinção
Ministério do Meio Ambiente
O processo de extinção está relacionado ao desaparecimento de espécies ou grupos de espécies em um determinado ambiente ou ecossistema. Semelhante ao surgimento de novas espécies, a extinção é um evento natural: espécies surgem por meio de eventos de especiação (longo isolamento geográfico, seguido de diferenciação genética) e desaparecem devido a eventos de extinção (catástrofes naturais, surgimento de competidores mais eficientes).
Normalmente, porém, o surgimento e a extinção de espécies são eventos extremamente lentos, demandando milhares ou mesmo milhões de anos para ocorrer. Um exemplo disso foi a extinção dos dinossauros, ocorrida naturalmente há milhões de anos, muito antes do surgimento da espécie humana, ao que tudo indica devido a alterações climáticas decorrentes da queda de um grande meteorito.
Ao longo do tempo, porém, o homem vem acelerando muito a taxa de extinção de espécies, a ponto de ter-se tornado, atualmente, o principal agente do processo de extinção. Em parte, essa situação deve-se ao mau uso dos recursos naturais, o que tem provocado um novo ciclo de extinção de espécies, agora sem precedentes na história geológica da Terra.
Atualmente, as principais causas de extinção são a degradação e a fragmentação de ambientes naturais, resultado da abertura de grandes áreas para implantação de pastagens ou agricultura convencional, extrativismo desordenado, expansão urbana, ampliação da malha viária, poluição, incêndios florestais, formação de lagos para hidrelétricas e mineração de superfície. Estes fatores reduzem o total de habitats disponíveis às espécies e aumentam o grau de isolamento entre suas populações, diminuindo o fluxo gênico entre estas, o que pode acarretar perdas de variabilidade genética e, eventualmente, a extinção de espécies.
Outra causa importante que leva espécies à extinção é a introdução de espécies exóticas, ou seja, aquelas que são levadas para além dos limites de sua área de ocorrência original. Essas espécies, por suas vantagens competitivas e favorecidas pela ausência de predadores e pela degradação dos ambientes naturais, dominam os nichos ocupados pelas espécies nativas. Com o aumento do comércio internacional, muitas vezes indivíduos são translocados para áreas onde não encontram predadores naturais, ou ainda são mais eficientes que as espécies nativas no uso dos recursos. Dessa forma, multiplicam-se rapidamente, ocasionando o empobrecimento dos ambientes, a simplificação dos ecossistemas e a extinção de espécies nativas.
Espécies ameaçadas são aquelas cujas populações e habitats estão desaparecendo rapidamente, de forma a colocá-las em risco de tornarem-se extintas. A conservação dos ecossistemas naturais, sua flora, fauna e os microrganismos, garante a sustentabilidade dos recursos naturais e permite a manutenção de vários serviços essenciais à manutenção da biodiversidade, como, por exemplo: a polinização; reciclagem de nutrientes; fixação de nitrogênio no solo; dispersão de propágulos e sementes; purificação da água e o controle biológico de populações de plantas, animais, insetos e microrganismos, entre outros. Esses serviços garantem o bem-estar das populações humanas e raramente são valorados economicamente.
A conservação da biodiversidade brasileira para as gerações presentes e futuras e a administração do conflito entre a conservação e o desenvolvimento não sustentável são, na atualidade, os maiores desafios do Ministério do Meio Ambiente.
O MMA tem, portanto, enormes responsabilidades em relação às espécies ameaçadas de extinção. Em primeiro lugar, destaca-se a elaboração das listas das espécies ameaçadas, com a finalidade de quantificar o problema e permitir o direcionamento de ações para solucioná-lo; em segundo, a proteção e a recuperação dessas espécies; e em terceiro, e talvez o mais complexo, o desenho de um modelo de desenvolvimento que assegure a utilização sustentável dos componentes da biodiversidade.
[...]
 
PENSE SOBRE
Os mamíferos são os animais que mamam quando filhotes. Entre eles, o ser humano é o único que continua ingerindo leite, mesmo quando se torna adulto. A quais fatores você associa esse fato? Você diria que o hábito de tomar leite quando adulto é uma característica biológica ou social?
Educando Mais! Todos os direitos reservados - © 2019 Educando Mais! 
  • Facebook
  • Canal Educando Mais!
  • Instagram
  • Rádio Educando Mais
  • Rádio Educando Mais
  • Rádio Educando Mais
  • Rádio Educando Mais
  • RSS ícone social
E-mail do Educando Mais!
WhatsApp do Educando Mais!