Deodoro da Fonseca (1889-1891)
Governo Provisório Após a Proclamação da República formou-se, em 1889, um governo provisório sob comando de Marechal Deodoro da Fonseca, visando resolver problemas mais urgentes do Brasil. Ao assumir o governo, Deodoro cercou-se de oficiais positivistas, como o Ministro da Guerra Rui Barbosa, dando mostras de sua política centralizadora. Uma das primeiras medidas do Governo Provisório foi o decreto de banimento da família real, no dia 16 de novembro de 1889. Esse ato foi revogado em 1921, quando os restos mortais de D. Pedro II e de sua esposa voltaram à cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro, onde estão sepultados.
Outras medidas que se destacaram no governo de Deodoro da Fonseca foram: 
● dissolução das Assembleias Provinciais, das Câmaras Municipais e da Câmara dos Deputados; extinção da vitaliciedade do Senado; 
● transformação das províncias em Estados; extinção do Conselho de Estado; 
● criação da bandeira republicana nacional, contendo o lema positivista “Ordem e Progresso”; 
● separação entre Estado e Igreja; garantia de liberdade de culto; a implantação do casamento e do registro de nascimento civil; 
● implantação do projeto de naturalização para estrangeiros residentes no Brasil, que passariam a ser cidadãos brasileiros, caso manifestassem tal desejo.
Assembleia Constituinte 
Em novembro de 1890, instalou-se no Rio de Janeiro a primeira Assembleia Constituinte do Brasil República. Ela era composta, em sua maioria, de deputados contrários a Deodoro, tal era sua impopularidade diante da crise econômica e do centralismo. A Constituição elaborada pela Assembleia foi promulgada em 1891, baseando-se na Constituição dos Estados Unidos da América de 1787, e tinha como princípios:
● adoção do nome Estados Unidos do Brasil como denominação oficial; 
● instituição de regime republicano presidencialista (no qual o presidente, eleito por voto direto, era chefe de Estado e de governo); 
● autonomia estadual para elaborar sua própria constituição, organizar forças policiais e militares, eleger seus governadores (chamados presidentes), formar sua Assembleia Legislativa, contrair empréstimos externos e criar impostos; 
● sufrágio universal direto e aberto para todo cidadão maior de 21 anos, exceto analfabetos, mulheres, mendigos, militares sem patente e religiosos de ordem monástica; 
● manutenção de três poderes de Estado: Executivo, Legislativo e Judiciário; 
● extinção do Poder Moderador; 
● mandato de quatro anos para presidente e vice, sem direito a reeleição; 
● mandato de nove anos para senadores e de três anos para deputados; 
● igualdade perante a lei e liberdade religiosa.
 
Governo constitucional (1891) 
Seguindo determinação constitucional, a eleição do primeiro presidente seria feita por via indireta, por meio do voto da Câmara. Na época, os candidatos montavam chapas que continham presidente e vice-presidente, sendo que ambos deveriam ser escolhidos, de maneira que poderiam ser de chapas diferentes. O vice-presidente da chapa de Deodoro era o almirante Wandenkolk, enquanto a chapa opositora era formada pelo cafeicultor Prudente de Morais e pelo marechal Floriano Peixoto, candidatos a presidente e vice, respectivamente.
Apesar da impopularidade de Deodoro, ele acabou sendo eleito, diante das pressões sobre o Congresso, enquanto a vice-presidência foi ocupada por Floriano Peixoto com apoio da aristocracia cafeeira. Em meio à grave crise econômica, Deodoro envolveu-se numa crise ministerial, após indicar o Barão de Lucena, histórico defensor da monarquia, como chefe do gabinete do Ministério, elevando ainda mais os protestos da aristocracia cafeeira.
Tais problemas geraram grande instabilidade e desgaste governamental, a partir do antagonismo entre governo e Congresso, o qual era dominado pelas oligarquias estaduais opositoras. O Congresso passou a atacar o Ministério do Barão de Lucena, motivado por alguns negócios considerados obscuros, como a construção do porto de Torres no Rio Grande do Sul e a concessão da Estrada de Ferro Central do Brasil.
Em represália, o Congresso aprovou a Lei das Responsabilidades do Presidente, com objetivo de decretar o impeachment de Deodoro da Fonseca. Deodoro vetou a lei e dissolveu o Congresso no dia 3 de novembro de 1891, decretando estado de sítio e censura à imprensa. Contra a tentativa de golpe de Estado, levantaram-se vários setores, a exemplo da greve dos trabalhadores da Estrada de Ferro Central do Brasil. Com apoio dos cafeicultores, Floriano Peixoto pensava num plano para derrubar Deodoro da Fonseca. O almirante Custódio de Melo, correndo o risco de ser preso pelo presidente, ameaçou bombardear a cidade do Rio de Janeiro a partir dos navios ancorados na Baía de Guanabara, caso Deodoro não renunciasse imediatamente. No dia 23 de novembro de 1891, Deodoro renunciou, entregando a presidência a Floriano Peixoto.
 
Floriano Peixoto (1891) 
A sustentação política de Floriano vinha das oligarquias cafeeiras, que viam em seu centralismo moderado a força necessária para consolidar a República, diante da presença de monarquistas na política brasileira. Outros setores que apoiaram seu governo foram as camadas médias urbanas e a ala militar florianista.
As primeiras medidas da administração de Floriano foram a reintegração do Congresso, que havia sido dissolvido por Deodoro, a suspensão do estado de sítio e a substituição dos governadores que haviam apoiado o golpe de Deodoro.
Porém logo colocou-se em questão a legitimidade do governo de Floriano. De acordo com o artigo 42 da Constituição Republicana de 1891, se o presidente da República se afastasse ou fosse afastado do cargo antes de ter completado pelo menos dois anos de mandato, o vice-presidente deveria convocar novas eleições. Como Deodoro governou como presidente apenas nove meses, Floriano era obrigado por lei a convocar novas eleições presidenciais. Contudo, isso não aconteceu. Floriano alegou que não estava contrariando a Constituição, pois fora eleito vice-presidente indiretamente.
Contra a ilegalidade do governo de Floriano, ocorreram revoltas nos fortes de Santa Cruz e Lajes, no Rio de Janeiro, sufocadas com rigor por meio do fuzilamento dos envolvidos. O Manifesto dos Treze Generais exigia convocação imediata de novas eleições e a resposta de Floriano foi clara – a exoneração dos participantes. A severidade das respostas de Floriano não foram suficientes para cessar a oposição. Mais duas revoltas de significativa importância ocorreram ainda em seu governo: a Revolta da Armada, no Rio de Janeiro, e a Revolução Federalista, no Rio Grande do Sul, ambas em 1893.
 
Revolta da Armada (Rio de Janeiro – 1893) 
A Revolta da Armada foi um movimento da Marinha, cuja oficialidade era constituída por elementos da elite aristocrática, que não admitia o governo republicano ser chefiado por um militar do Exército, originário da classe média. Além disso, o almirante Custódio de Melo, líder da revolta, não só se sentiu preterido por Floriano em sua intenção de sucedê-lo na presidência da República, como temia que o presidente cancelasse as eleições presidenciais.
Custódio de Melo sublevou a Marinha contra o presidente, que respondeu prontamente. Ao mesmo tempo, Floriano contou com apoio de populares e de navios encomendados às pressas dos Estados Unidos da América. Custódio de Melo e seus liderados fugiram para o Sul e se aliaram aos federalistas, ampliando o movimento e conquistando a cidade de Desterro, atual Florianópolis. Na Baía de Guanabara, o almirante Saldanha da Gama assumiu a liderança da Armada e o movimento se propagou com a invasão do Paraná e o ataque a São Paulo. A repressão de Floriano não tardou com a deposição dos governos implantados pelos rebeldes no Paraná e em Santa Catarina, além de uma série de fuzilamentos.
 
Revolta Federalista (Rio Grande do Sul – 1893) 
Entre os motivos dessa revolta podemos destacar as tensões políticas devido ao questionamento da legalidade do governo de Floriano e seu autoritarismo, além das lutas partidárias no Rio Grande do Sul entre facções políticas que disputavam o poder (federalistas e castilhistas). Os federalistas, que pretendiam libertar o Rio Grande do Sul do governo de Júlio Castilhos, eram liderados por Silveira Martins, sendo conhecidos como “maragatos”. Defendiam a instalação de um poder central forte – sem Floriano – e adoção do parlamentarismo, além da predominância do poder federal sobre o estadual e a reforma da constituição gaúcha (de caráter positivista e que possibilitava a instituição da ditadura do Poder Executivo no Rio Grande do Sul). Já os castilhistas eram adeptos do presidente do Estado Júlio de Castilhos, aliado político de Floriano Peixoto.
Em fevereiro de 1893, os maragatos que se encontravam exilados no Uruguai e na Argentina retornaram ao Rio Grande do Sul para derrubar Júlio de Castilhos da presidência do estado, tomando as cidades de Alegrete e Dom Pedrito. Porém, os castilhistas, contando com forças do Exército, bateram os rebeldes em Inhanduí e os obrigaram a se refugiar no Uruguai. A Revolução Federalista foi derrotada em junho de 1895, após ter se expandido para Santa Catarina e Paraná. O saldo foi de aproximadamente dez mil mortos.
 
Organização social da República Velha 
A República da Espada (1889-1894) iniciou um período de intensas mudanças no Brasil, que se estenderam dali até o fim da Primeira República, em 1930. É a partir da instauração da República, mesmo sob o governo militar, centralizado e autoritário, que o Brasil realizou o primeiro rompimento definitivo com alguns elementos coloniais que prevaleceram no Brasil até então, como a dissolução do vínculo entre Igreja e Estado, e o fim da adoção de uma religião oficial, vigente até então. A Igreja também perdeu a primazia sobre o controle relativo ao registro de nascimentos, casamentos e mortes no país, que passaram a ser feitos por meio de registro civil.
A República da Espada inaugurou também uma nova fase na história brasileira: foi nesse governo que surgiu a necessidade de lidar com o grande contingente de africanos e seus descendentes presentes no Brasil sem a imposição da escravização sobre essas pessoas. Eram agora negros libertos, todos eles, pela primeira vez na história do país.
O fim da escravidão, como se sabe, não levou a uma imediata inclusão social do negro nem lhe garantiu status de cidadão. Se anteriormente era fácil excluir tais pessoas sob a égide do regime escravista, como as distinções sociais foram mantidas no país a partir de então? Como um país que se baseava e tomava como exemplo os valores europeus burgueses poderia justificar a manutenção da exclusão de um grupo social? 
Nesse contexto, novos artifícios foram colocados em prática para barrar a ascensão da população negra e a não participação social deste grupo. Leis municipais existentes desde o fim da Monarquia, por exemplo, foram mantidas, impedindo a ocupação de certos postos de trabalho por parte de indivíduos negros, mesmo libertos.
A preferência pela mão de obra imigrante em diversas atividades – não só no ambiente rural, mas também urbano – foi outro empecilho à atuação da população negra, preterida. Os imigrantes europeus continuaram vindo para o Brasil, mesmo depois da virada do século (os japoneses chegaram aqui a partir de 1908, por exemplo), e eram a mão de obra mais procurada e valorizada, mesmo para funções que poderiam ser realizadas por negros, que se constituíam população ociosa nas cidades. 
De fato, o esforço do governo para atrair mão de obra estrangeira foi redobrado com a República, intensificando- -se as propagandas favoráveis sobre o Brasil no exterior, que atingiram em cheio uma população europeia empobrecida. A falsa imagem de um Brasil que se igualaria a um paraíso na terra de fato convenceu diversas pessoas, endividadas ou excluídas das transformações sociais que ocorriam na Europa naquele período, a começarem uma nova vida na América, muitas delas tendo o Brasil como destino. As historiadoras Lilia Schwarcz e Heloisa Starling apontam que, entre 1877 e 1903, aproximadamente 70 mil imigrantes entraram no Brasil por ano, sendo mais da metade deles proveniente da Itália. 
Vieram para o Brasil não apenas camponeses e agricultores. Também se encontravam pedreiros, padeiros, pequenos comerciantes, entre outros profissionais em meio à crescente nova população que se instalava no país. Eles foram rapidamente absorvidos não só no meio urbano, como nas cidades também, dinamizando-as. 
Não à toa, sem instrução e sem fonte de renda, muitos negros viam-se sem oportunidades. Eles se deslocaram para as regiões portuárias das cidades ou para áreas centrais, habitando cortiços, locais empobrecidos e que representavam muitas vezes foco de doenças pela falta de limpeza e de estrutura de saneamento presente.
 
Belle Époque 
A República brasileira também contou com um período de desenvolvimento artístico, cultural e urbanístico, conhecido como Belle Époque (tal qual na Europa), em um momento em que afluíam riquezas por parte da elite brasileira. Houve grande impulso em diversas localidades do país, não só na região Sudeste. Belém (no Pará) e Manaus (no Amazonas), por exemplo, foram algumas das localidades que passaram por uma intensa transformação, estimulada pela borracha. O Teatro Amazonas, por exemplo, grandiosa construção localizada em Manaus, conta com materiais europeus em sua composição, ostentando todo o luxo e o requinte permitidos naquela época.
Diversas cidades receberam investimentos e ganharam grandes construções, instalação de bondes elétricos (o primeiro deles foi instalado em 1892, no Rio de Janeiro) e de iluminação, afetando definitivamente o panorama urbano.
Socialmente, a República da Espada ainda mantinha muitos dos aspectos que eram encontrados no Brasil Colonial e Imperial. Esta sociedade ainda era patriarcal acima de tudo, com homens controlando não só a experiência política, mas também cultural no país. A atuação política da mulher era vetada de maneira geral e as mulheres das classes mais altas ainda eram restritas ao ambiente do lar, embora pudessem usufruir de uma atmosfera cultural cada vez mais efervescente.
O Brasil buscava na Europa as referências que almejava para ser alçado ao posto de país “civilizado”. Isso implicava a adoção de diversos hábitos europeus, que incluíam hábitos de lazer, como bailes e o teatro, eventos dos quais a alta sociedade participava. Implicava, por outro lado, a rejeição daquilo que era local.
É importante ressaltar que a instalação da iluminação nas ruas, dos bondes elétricos e outras benfeitorias possibilitaram o desenrolar da vida noturna, de forma que a ocupação das ruas ganhou nova configuração. A distinção entre os espaços públicos e privados tornou-se mais evidente. As mudanças também se deram no plano urbanístico, como seria visto alguns anos mais tarde, no começo do século XX, com o ideal de “embelezamento” do espaço público. 
Além disso, o país também assumiu um compromisso com a educação, até então inédito. De acordo com a Constituição de 1891, o Estado passou a ofertar ensino público gratuito à população, a fim de enfrentar os altos índices de analfabetismo que ainda prevaleciam no país. Tal posicionamento iniciou um grande debate sobre o tema, que avançou século XX adentro. Questionava-se a função das escolas, os métodos de ensino, o acesso à educação formal. Métodos de alfabetização também foram adotados em diversas localidades do país. 
 
Um novo espaço urbano 
Não é possível dizer que o Brasil passou de um país agrário para urbano durante a chamada República da Espada. A supremacia do espaço rural ainda se fazia bastante presente no país, sendo os barões do café pessoas de relevância política incontestável. Entretanto, é possível afirmar que mudanças foram percebidas a partir desse momento na história do país na relação campo-cidade. Como afirmam Lilia Schwarcz e Heloisa Starling: “[...] se no primeiro decênio da República a população rural decresceu 2,2%, na área urbana ela aumentou 6,8%. A urbanização era uma realidade que vinha para ficar, e alterava rapidamente a feição do país”. 
Isso implica dizer que o Brasil, nesse período, apresentou alguns grandes centros urbanos que atraíam destacado contingente populacional. São Paulo e Rio de Janeiro eram dois importantes polos nesse sentido, fortalecendo o papel econômico do Sudeste do país. Ambas as cidades cresceram, recebendo grande número de imigrantes nesse processo. 
O crescimento urbano gerou, nos anos seguintes, novos atritos e conflitos entre a população indesejada e as autoridades, que objetivavam transformar as cidades não por meio da integração do pobre ao seu desenho urbano, mas pela simples negação de seus direitos e pela expulsão dessas pessoas da urbe.
 
Organização econômica 
Durante os primeiros anos da república brasileira, o Marechal Deodoro, com apoio de seu ministro Rui Barbosa, implantou a política do encilhamento, em 1890. O nome tem origem no ato de encilhar o cavalo em corridas, momento em que as apostas atingiam o auge. A intensa especulação financeira nas bolsas de valores lembrava a agitação das corridas de cavalo. Essa política econômica pretendia realizar uma reforma financeira por meio do aumento das tarifas alfandegárias, estímulos à importação de matérias-primas, além de grandes emissões de moeda para ampliar a oferta de crédito. O objetivo da política, enquadrada na lógica positivista de progresso, era promover a industrialização e a independência econômica do Brasil, por meio do crédito livre aos investimentos industriais.
Entretanto o encilhamento acabou provocando intensa inflação, devido à desvalorização da moeda motivada pelas grandes emissões, que muitas vezes não possuíam padrão-ouro correspondente. Além disso, houve grande onda de especulações, em que empresários abriam “empresas-fantasmas” para obtenção de crédito junto ao governo. Essas empresas-fantasmas inundaram o mercado financeiro com ações sem lastro de capital, o que acarretou em falências, inflação e desconfiança nas instituições financeiras, consequências que se arrastaram por anos. O encilhamento acabou gerando forte oposição ao governo militar, concentrada nas oligarquias rurais.
 
República Oligárquica 
A partir de 1894, representantes dos cafeicultores passaram a exercer controle direto sobre a vida política no Brasil. Defendendo seus interesses, procuraram marginalizar a participação política da população por meio de esquemas como a política dos governadores e a política do café com leite, sustentadas pela ação local do coronelismo. Em vários momentos, a estabilidade foi ameaçada tanto por revoltas populares quanto por disputas políticas entre os membros das oligarquias. De qualquer maneira, os latifundiários buscavam incessantemente a consolidação de seus interesses econômicos, encontrando no Estado a forma de garanti-los. A população ficava à margem, diante de um sistema eleitoral que excluía mulheres e analfabetos das eleições, ou seja, a maior parte da população.
Política dos governadores 
Prudente de Morais (1894-1898)
Prudente de Morais foi o primeiro presidente da história do Brasil eleito pelo voto direto da população. Do ponto de vista econômico, sua gestão herdou a grande inflação do governo anterior. Por meio de suas medidas, Morais buscou garantir alguma estabilidade à economia brasileira, de forma que seu governo foi considerado um período de transição. Apenas no governo de Campos Sales houve a consolidação dos interesses dos oligárquicos. 
Ainda no mandato de Prudente de Morais ocorreu a Guerra de Canudos.
 
Campos Sales (1898-1902) 
O governo de Campos Sales lançou as bases políticas que garantiriam a estabilidade do regime republicano, além da superação da crise econômica que se arrastava desde a gestão de Deodoro da Fonseca e da política do encilhamento.
Com o funding loan, Campos Sales conseguiu reverter temporariamente a crise financeira que afetava o Brasil. No campo político, ele criou um dispositivo que possibilitou a permanência dos cafeicultores no poder, a chamada política dos governadores. Ela consistia numa troca de favores entre presidência da República e governos dos estados brasileiros, pois o presidente exigia dos governadores a garantia de que só seriam indicados deputados fiéis às propostas do governo federal, de maneira que se o presidente quisesse aprovar alguma medida, todos os deputados teriam de concordar com ele. Em troca, Campos Sales prometeu apoiar as oligarquias estaduais, que governariam com autonomia de acordo com o projeto liberal de República. A eleição de deputados e senadores fiéis à política oligárquica seria garantida por fatores como:
● Comissão Verificadora de Poderes (comissão da “degola”) – os candidatos eleitos precisavam passar pela cerimônia da diplomação e, nesse momento, o eleito devia dizer quais eram os seus planos de governo, se ele era favorável ao governador e ao presidente. Caso ele não se enquadrasse no projeto político oligárquico, seria cassado, sendo vítima de um processo conhecido como “degola”. 
● Coronelismo – os coronéis eram latifundiários que realizavam o controle político e social a nível municipal. Muitos deles receberam a patente de coronel da Guarda Nacional durante o Brasil Império. O controle eleitoral dos coronéis se dava pelo voto de cabresto, em que o curral eleitoral do coronel era obrigado por jagunços a votar nos candidatos de sua escolha. Por outro lado, a prática do clientelismo era muito comum – em épocas de eleição, o coronel ensinava seus eleitores próximos a assinarem o próprio nome (devido ao critério de alfabetização utilizado nas eleições), fazendo com que estes votassem em seus candidatos.
Para impedir a briga entre as duas maiores oligarquias (São Paulo e Minas Gerais), Campos Sales criou a “política do café com leite”, em que se alternavam na presidência um indicado por mineiros e outro indicado por paulistas. São Paulo era o centro econômico do Brasil e maior produtor de café, e Minas Gerais possuía o maior colégio eleitoral, o que fazia dos dois estados os centros políticos da República Oligárquica.
 
Política do café com leite 
Rodrigues Alves (1902-1906) 
O governo de Rodrigues Alves é conhecido pelo conjunto de obras realizadas para modernizar a capital federal, o Rio de Janeiro. A modernização da cidade foi inspirada em um ambicioso projeto utilizado na cidade de Paris, alguns anos antes. Esse projeto, no entanto, mexeu muito com a vida dos cidadãos do Rio de Janeiro, e sofreu forte oposição na cidade. 
Um dos mais claros exemplos da problemática da modernização foi a Revolta da Vacina, que estudaremos no próximo capítulo. 
Também no governo de Rodrigues Alves, houve a questão da compra do Acre. O governo brasileiro o comprou da Bolívia porque nesse território havia muitos seringais e os brasileiros já estavam extraindo o látex (borracha) da região. Para evitar incidente internacional, o barão do Rio Branco, do Ministério das Relações Exteriores, negociou a compra assinando o Tratado de Petrópolis em 1903. O Acre foi comprado da Bolívia por 2 milhões de libras e mais a promessa da construção da ferrovia Madeira-Mamoré, que traria saída oceânica para a Bolívia.
 
Afonso Pena (1906-1909) e Nilo Peçanha (1909-1910) 
Afonso Pena era mineiro, e foi responsável por uma importante medida no campo econômico, o Convênio de Taubaté. Afonso Pena faleceu em 1909, vítima de ataque cardíaco, dando lugar a seu vice, o cafeicultor fluminense Nilo Peçanha, que criou o Serviço de Proteção ao Índio (SPI), entregue a Cândido Rondon. 
Ao completar o mandato de Afonso Pena, Nilo Peçanha presenciou acirrada disputa eleitoral, algo pouco comum na República Oligárquica, mas que promoveu o primeiro abalo na política do café com leite. O militar e político gaúcho Marechal Hermes da Fonseca buscou apoio de Nilo Peçanha, do Partido Republicano Mineiro, e do influente senador gaúcho Pinheiro Machado para sua candidatura à presidência. Os paulistas se opuseram à escolha de mais um presidente militar, e passaram a apoiar a candidatura do baiano Rui Barbosa, que organizou a Campanha Civilista.
 
Hermes da Fonseca (1910-1914) 
Quando Hermes da Fonseca chegou ao poder, procurou realizar a chamada política das salvações, que constituía numa intervenção do Governo Federal e do Exército nos governos estaduais e municipais, procurando derrubar os políticos que apoiaram a Campanha Civilista de Rui Barbosa.
Contra a política das salvações, insurgiu-se a Revolução Cearense de 1914. Hermes da Fonseca presenciou em seu mandato a eclosão da Revolta da Chibata (1910) e da Guerra do Contestado (1912-1916).
 
Venceslau Brás (1914-1918) 
Durante o governo do mineiro Venceslau Braz ocorreu a eclosão da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Navios brasileiros que comercializavam com países da Entente foram afundados por submarinos alemães, levando o Brasil a declarar guerra à Tríplice Aliança. Entretanto, a participação do Brasil no conflito foi tímida, limitada ao patrulhamento do Atlântico e ao envio de missão médica à França. 
A Primeira Guerra Mundial teve profundas repercussões na economia brasileira, como a aceleração do processo de industrialização, motivada pela substituição de importados por manufaturados produzidos no Brasil, e a queda nas exportações de café.
 
Delfim Moreira (1918-1919) e Epitácio Pessoa (1919-1922) 
Para suceder Venceslau Brás, Rodrigues Alves foi eleito novamente, mas faleceu vítima da epidemia de gripe espanhola, a qual matou cerca de 300 mil brasileiros. O vice Delfim Moreira convocou novas eleições, que foram vencidas pelo paraibano Epitácio Pessoa.
Epitácio deu extrema atenção ao Nordeste, construindo açudes, poços e estradas de ferro. Porém, o que mais se destacou em seu governo foi a sucessão presidencial, mostrando novo abalo na estabilidade política da República Oligárquica.
Para as eleições de 1922, São Paulo e Minas Gerais lançaram a candidatura do mineiro Artur Bernardes. Porém, Rio Grande do Sul, Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro resolveram desafiar as principais oligarquias do Brasil, formando a Reação Republicana e lançando a candidatura do ex-presidente Nilo Peçanha. A Reação Republicana passou a pregar a moralização política, agregando boa parte do eleitorado urbano brasileiro.
A maior tensão surgiu em outubro de 1921, quando o jornal Correio da Manhã publicou uma série de cartas atribuídas a Artur Bernardes, com denúncias de corrupção dentro da instituição. O episódio das cartas falsas foi o estopim para o levante tenentista dos 18 do Forte de Copacabana, em 1922, acirrando ainda mais a disputa eleitoral. Apesar da oposição, a máquina eleitoral fraudulenta garantiu a vitória de Artur Bernardes. 
Em outubro de 1922, iniciava-se um dos principais movimentos culturais do Brasil, a Semana da Arte Moderna, que revelou expoentes das artes e da cultura, além de contestações políticas que contribuíram para desgastar a República Oligárquica.
 
Artur Bernardes (1922-1926) 
O governo de Artur Bernardes foi caracterizado por intensa agitação militar, fazendo com que o presidente reeditasse a política das salvações, intervindo nos estados que não o apoiaram nas eleições, principalmente Rio de Janeiro e Bahia. 
Seu governo teve muitos períodos de estado de sítio, diante das agitações do movimento tenentista e de movimentos de trabalhadores, com limitação do habeas corpus e perseguição de estrangeiros suspeitos de comporem as lideranças operárias. Esse período agitado ainda foi marcado pela Revolução Gaúcha em 1923, comandada pelos “maragatos” gaúchos, liderados por Assis Brasil. O estopim do conflito foi a reeleição pela quinta vez consecutiva, via fraudes eleitorais, de Borges de Medeiros, político ligado ao Partido Republicano Rio-grandense. A revolução foi finalizada após assinatura do Pacto de Pedras Altas, que proibiu as reeleições para governador no estado. Tal medida contribuiu para o aparecimento de importantes políticos gaúchos como Oswaldo Aranha e Getúlio Vargas.
Washington Luís (1926-1930) 
Conhecido pela criação de um programa para construção de estradas de rodagem e pelo lema “governar é abrir estradas”, Washington Luís enfrentou os efeitos nocivos na Crise de 1929. 
Em seu governo, os levantes operários e a presença da Coluna Prestes fizeram com que lançasse a Lei Celerada em 1927, que censurou os meios de comunicação e o direito de reunião, procurando frear a propaganda dos movimentos de contestação à República Oligárquica.
 
Aspectos econômicos 
A República Oligárquica foi o tempo em que os cafeicultores se beneficiaram do controle sobre o aparelho estatal para garantir seus interesses. No entanto, com o decorrer dos anos, a economia brasileira sofreu modificações importantes, fazendo com que se fortalecesse o operariado urbano e a classe média, grupos que passaram a contestar as autoridades federais a partir de vários movimentos. 
Se no início o objetivo era superar a crise econômica do encilhamento, posteriormente o obstáculo foi o controle sobre o preço do café diante da superprodução brasileira. E não só de café vivia o Brasil, a borracha foi um produto que despontou durante a República Oligárquica, diversificando a pauta de exportações.
 
Funding loan 
Em 1898, o presidente Campos Sales partiu para a Europa, com objetivo de estabelecer negociações com bancos credores da dívida externa brasileira. Surgia assim o funding loan, que tinha como princípios: 
● concessão de empréstimo para pagamento dos juros da dívida externa brasileira dos próximos três anos; 
● concessão de prazo de dez anos, além dos três iniciais, para que o Brasil começasse a pagar a nova dívida; 
● penhora de toda a receita da alfândega do porto do Rio de Janeiro, além das receitas da Estrada de Ferro Central do Brasil e de outros serviços, como garantia do pagamento dos juros da dívida. 
A suspensão temporária do pagamento da dívida externa acabou por equilibrar as contas do governo, que cortou gastos em várias áreas, fazendo com que o Brasil superasse a crise financeira provocada pela política emissionista de Rui Barbosa. 
 
Crise do café 
A expansão da lavoura cafeeira gerou um grave problema: superprodução de café. A produção elevou-se a níveis superiores à demanda mundial, de maneira que os preços caíam gradativamente. Diante de tal problema, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro selaram, em 1906, o Convênio de Taubaté, no qual o governo nacional se comprometeria a realizar empréstimos estrangeiros que pudessem garantir a compra do excedente da produção de café, mantendo-o estocado até o aquecimento do mercado consumidor, o que elevaria o preço do produto, de acordo com política de valorização do café. 
O Convênio de Taubaté foi inicialmente apresentado a Rodrigues Alves, que se recusou a aceitá-lo. Somente o presidente Afonso Pena legitimaria o convênio com pedido de empréstimo de 15 milhões de libras para compra dos estoques de café. A manutenção artificial dos preços do produto garantiu lucro aos cafeicultores, porém socializou os prejuízos com o restante da população brasileira, que sustentava com seus impostos o Convênio de Taubaté. A dívida externa brasileira crescia à mesma proporção dos estoques, que conviviam com o apodrecimento de toneladas de café.
 
Produção de borracha 
A Floresta Amazônica é rica em seringais, de onde é extraído o látex, matéria-prima fundamental para fabricação da borracha. A procura pelo látex acentuou-se ainda no século XIX, em razão das indústrias bélicas e automobilísticas que surgiram na Segunda Revolução Industrial. A valorização internacional do látex fez com que uma legião de pessoas – incluindo imigrantes e migrantes muitas vezes fugindo da seca e da exclusão social no Nordeste – migrasse para a Amazônia, contribuindo fortemente para a ocupação da região Norte e de cidades como Manaus e Belém.
A exploração do látex foi tão intensa que nos primeiros anos do século XX sua exportação atingiu o segundo lugar, perdendo apenas para o café. Apesar dos lucros, as técnicas de exploração aplicadas eram extremamente precárias, assim como as condições de vida dos trabalhadores. Os lucros sustentavam os luxos de uma restrita classe de organizadores da extração, que passaram a ser os proprietários da terra, muitas vezes por meio de falsos títulos de propriedade. A prosperidade da exportação de borracha trouxe a modernidade para o norte do país, representada por iluminação nas casas, telefone, água encanada e até pelo suntuoso Teatro Amazonas, em Manaus. 
As técnicas eram predatórias e inutilizavam muitas árvores, fazendo com que os seringueiros se deslocassem cada vez mais em direção à Amazônia boliviana. Quando as autoridades da Bolívia perceberam a presença de brasileiros em seu território, gerou-se um mal-estar diplomático, o qual foi superado pelo barão do Rio Branco, que anexou o território do Acre por meio do Tratado de Petrópolis de 1903.
O período de exploração do látex foi extremamente rápido. A partir de 1910, as técnicas precárias e a concorrência da produção inglesa no Ceilão e na Malásia fizeram com que a produção de borracha no Brasil entrasse em decadência. 
 
Investimentos estrangeiros
Um dos objetivos do Imperialismo, adotado pelas potências europeias, seguidas pelos Estados Unidos da América, era a exportação do excedente de mercadorias e capitais para países periféricos, garantindo sua reprodução. No Brasil, muitos setores passaram a ser controlados pelo capital estrangeiro, como transporte ferroviário, bondes, fornecimento de eletricidade, água encanada e outros serviços, acentuando a dependência da economia em relação ao capital internacional.
Nesse período, instalaram-se no Brasil importantes empresas como Light & Power, os frigoríficos Wilson, Swift e Anglo, além da General Motors, Ford e Belgo Mineira. 
A Primeira Guerra Mundial alterou profundamente a economia brasileira ao promover rápido crescimento industrial motivado pela substituição de importações. Por meio da guerra, em 1914, as indústrias europeias passaram a se dedicar à produção bélica, reduzindo a oferta de produtos no mercado internacional. Com isso, o Brasil passou a produzir principalmente bens de consumo não duráveis, como têxteis e alimentos processados.
A mão de obra era recrutada principalmente entre imigrantes, conhecedores de técnicas produtivas, em detrimento dos africanos e descendentes ex-escravizados e seus descendentes, mais uma vez marginalizados socialmente. 
Os capitais aplicados na industrialização eram oriundos do café, fazendo com que São Paulo concentrasse as atividades industriais nesse período. Entretanto, a industrialização não foi uma política concreta do Estado com objetivo de modernizar a economia brasileira. 
Apesar da brevidade, esse surto industrial contribuiu para o desenvolvimento de importantes classes sociais. Os setores urbanos ligados à classe média, ao mesmo tempo em que se desenvolviam, passavam a questionar a predominância política do meio rural, o operariado se manifestava contra o Estado, exigindo melhores condições de trabalho.

Urbanização brasileira 
Durante o governo do presidente Rodrigues Alves, o prefeito do Rio de Janeiro, Pereira Passos, organizou um conjunto de reformas, com o objetivo de modernizar locais públicos e melhorar as condições sanitárias da capital federal. As medidas de Rodrigues Alves não se restringiram à questão sanitária. A urbanização e modernização dos espaços públicos, especialmente no Rio de Janeiro, capital do país, foram parte importante de seu governo. 
A cidade do Rio de Janeiro crescia de maneira desordenada, agregando no centro da cidade tanto pessoas da alta sociedade brasileira quanto das classes mais baixas, que precisavam morar próximas ao centro devido aos locais de trabalho. Morar no centro da cidade, no entanto, era caro, de forma que a população mais pobre vivia em cortiços, casarões antigos e abandonados, sem qualquer infraestrutura sanitária e que abrigavam grande número de pessoas. Esgoto correndo a céu aberto e excreções de animais nas apertadas ruas do centro contribuíam para a difusão de epidemias como febre amarela e varíola, que matavam cariocas e muitos estrangeiros. 
Para superar esses problemas, o prefeito Pereira Passos inspirou-se nas obras de modernização de Paris realizadas pouco antes pelo prefeito Barão de Haussman e começou por um audacioso projeto, que ficou conhecido como “bota-abaixo”. Tal projeto pretendia demolir os cortiços, dando início ao processo de segregação do espaço urbano, uma vez que a população mais carente foi deslocada para a periferia e encostas de morros, dando origem a várias favelas no Rio de Janeiro. 
Pereira Passos também foi responsável pela abertura da Avenida Central (atual Rio Branco), rua larga que permitiria ampla circulação de automóveis.
 
Revolta da Vacina (1904) 
A modernização como processo histórico carrega uma série de contradições. Se por um lado as transformações arquitetônicas e sanitárias do governo tiveram impactos estéticos importantes, por outro modificaram a vida da população, sobretudo das camadas mais populares. Nesse processo, destaca-se a campanha de vacinação obrigatória, instituída pelo médico sanitarista e secretário da saúde, Oswaldo Cruz.
Em 1903, Oswaldo Cruz deu início à campanha da vacinação obrigatória contra a varíola, epidemia que matava principalmente cariocas e estrangeiros, que tinham no Rio de Janeiro a porta de entrada para o Brasil. A campanha de Oswaldo Cruz conseguiu reduzir drasticamente os índices de contaminação, mas a obrigatoriedade da vacina e a brutalidade dos agentes sanitários e dos policiais que os acompanhavam, desencadearam a desconfiança e descontentamento da população, e acabaram gerando a Revolta da Vacina, em 1904.
A revolta justificava-se pela falta de informações, pois não foi explicado à população como a vacina funcionava. Muitos populares acreditavam que a vacina era um meio de contrair a doença, contestando a eficácia de sua ação. O que se viu no Rio de Janeiro, a partir de 11 de novembro de 1904, foram choques entre a polícia e a população, centenas de mortos e feridos, bondes e prédios quebrados. Essa oposição popular levou o governo a revogar a lei que tornava obrigatória a vacinação, no dia 16 de novembro de 1904.
 
Grupos políticos e dinâmica social 
Revoltas Rurais 
Nas primeiras décadas da República e até as primeiras décadas do século XX, o Brasil testemunhou movimentos contestatórios nascidos no campo, onde se concentrava a maioria da população brasileira neste período. Diante da excludente política das oligarquias, abriu-se brecha para a organização de refúgios de massas populares em torno de lideranças regionais.
 
Guerra de Canudos (1896-1897) 
A Guerra de Canudos está ligada à figura de Antônio Vicente Mendes Maciel, o Antônio Conselheiro, beato de origem humilde que percorreu o sertão baiano, na localidade denominada Arraial do Belo Monte, às margens do Rio Vaza- -Barris. A condição de exploração inerente ao latifúndio monocultor, a seca e o descaso das autoridades governamentais diante da grave situação dos nordestinos originaram a formação, nessa região, de uma comunidade popular, liderada por Conselheiro, que se intitulava um messias enviado para salvar o povo nordestino do sofrimento.
O Arraial do Belo Monte – ou comunidade de Canudos –, chegou a ter cerca de trinta mil pessoas, atraídas pela agricultura de subsistência e pelo consolo espiritual e afetivo que o líder lhes propiciava. De fato, Canudos não apenas alimentou os populares que reunia, mas também conseguiu produzir excedentes que eram comercializados com as comunidades vizinhas. Diante desse crescimento, a comunidade começou a incomodar muitos setores. 
Os latifundiários, gradativamente, perdiam a mão de obra barata para Canudos e preocupavam-se. A Igreja Católica também se preocupou, pois Antônio Conselheiro se dizia católico, no entanto, não seguia os dogmas da Igreja; na realidade, reinterpretava a fé ao seu modo e agia como um sacerdote, mesmo sendo leigo. O governo suspeitava de um levante político de Canudos, pois desconfiava das pregações de Conselheiro contra a instituição do casamento civil, a qual veio à tona após a Igreja ser separada do Estado em ocasião da Proclamação da República. Desse modo, as autoridades governamentais começaram a veicular nos meios de comunicação a ideia de que Conselheiro era monarquista.
Nesse contexto, não demorou muito para as autoridades locais e federais responderem com violência. A primeira campanha militar contra Canudos ocorreu no governo de Prudente de Morais, em 1896, e foi desarticulada pelos homens de Conselheiro. Apenas a quarta missão oficial, em 1897, sob o comando do general Artur de Andrada Guimarães, formada por cerca de 8 mil homens extremamente bem equipados, conseguiu acabar com Canudos. Seus habitantes foram massacrados numa guerra registrada pelo então jornalista Euclides da Cunha, que cobria o conflito. Mais tarde, Euclides da Cunha escreveria, com base na Guerra de Canudos, o livro Os Sertões, um dos clássicos da literatura brasileira.
 
Guerra do Contestado (1912-1916) 
Os estados do Paraná e de Santa Catarina, desde meados do século XIX, disputavam o território situado atualmente entre as cidades catarinenses de Curitibanos e Campos Novos. Por esse motivo, essa área era conhecida como região do contestado. A região era dominada por latifundiários ligados à produção de erva-mate.
Em 1908, a empresa britânica Brazil Railways obteve concessão para construir uma ferrovia ligando São Paulo ao Rio Grande do Sul, cortando a região do contestado e expulsando os habitantes humildes daquele local. Na construção da ferrovia, a companhia britânica contratou no Rio de Janeiro, em Santos e em Salvador, milhares de trabalhadores que, com o fim da obra, foram abandonados na região, juntando-se à massa de camponeses que já havia sido expulsa para a construção da ferrovia.
Nesse ambiente surgiu o beato e monge messiânico José Maria, que pregava a necessidade da formação de uma comunidade na região de Taquaraçu. O latifundiário Francisco de Albuquerque enviou tropas para desarticular a comunidade que se refugiou em Irani, no Paraná. Diante de novo ataque, José Maria foi assassinado, o que acentuou ainda mais o fanatismo de seus seguidores, fanatismo esse que fez com que os camponeses fossem reprimidos de maneira violenta após várias expedições militares serem enviadas sob o comando do general Setembrino de Carvalho. A guerra foi finalizada em 1916.
 
Cangaço 
Outro fenômeno da época foi o banditismo social, expresso no movimento conhecido como cangaço, que se desenvolveu no Nordeste do Brasil de 1870 até 1940. A origem do cangaço está relacionada à produção pecuarista existente no sertão nordestino, em que as relações entre vaqueiros e fazendeiros eram estabelecidas pelo compadrio e pela fidelidade. O vaqueiro defendia os interesses do fazendeiro, mesmo que para isso tivesse que usar de violência. Com interesses ligados a disputas territoriais pela demarcação das fronteiras de fazendas vizinhas, muitos fazendeiros possuíam verdadeiros exércitos particulares de jagunços.
Com a grave seca que ocorreu entre os anos de 1877 e 1879, surgiram os primeiros bandos de jagunços armados, que agiam com autonomia em relação aos fazendeiros, sendo que o mais conhecido aterrorizou o Nordeste entre 1920 e 1938. Era o grupo de Virgulino Ferreira da Silva, conhecido como Lampião. Somente em 1938, portanto no governo de Getúlio Vargas, as tropas conhecidas como volantes, que perseguiam os cangaceiros nordestinos, capturaram e mataram Lampião e sua companheira Maria Bonita.
 
Revolução Cearense (1914) 
A política das salvações implementada pelo presidente Hermes da Fonseca para derrubar os políticos que manifestaram seu apoio à Campanha Civilista de Rui Barbosa. O Ceará também foi vítima do intervencionismo de Hermes da Fonseca quando o coronel do Exército, Franco Rabelo, lançou sua candidatura à presidência da província. Rabelo tinha consigo o apoio de Hermes da Fonseca e da oposição ao governador do Estado, Nogueira Accioly, que utilizou de extrema violência contra os partidários de Rabelo – as pressões contra sua ação geraram a demissão de Accioly, abrindo espaço para a vitória de Rabelo nas eleições.
Entretanto, logo após as eleições, o deputado Floro Bartolomeu, ligado a Accioly, organizou a Revolução Cearense, em 1914, tomando a cidade de Juazeiro e reconduzindo Accioly ao poder político no Ceará. A Revolução Cearense contou com a bênção do Padre Cícero, uma das figuras mais eminentes da religiosidade nordestina. Padre Cícero era um misto de beato e coronel proprietário de terras, ocupando lugar de destaque na política cearense das primeiras décadas do século XX. É considerado por muitos nordestinos um milagreiro, sendo que milhares de fiéis se destinam anualmente à cidade de Juazeiro, no Ceará, para obter graças junto à sua grandiosa estátua.
A Revolução Cearense mostrou a Hermes da Fonseca que ele não poderia exercer sua política sem o apoio de algumas oligarquias estaduais, em nome do ideal de “salvação nacional”. Os coronéis pretendiam derrubar o governador do estado do Ceará e assumir o controle do governo estadual, livrando-o do poder de interferência do governo central. A revolta foi violenta, resultando em muitas mortes. O governo federal resolveu ceder: anulou a intervenção no governo cearense e devolveu o poder à família Accioly.
 
Revoltas Urbanas 
Anteriormente vimos que, enquanto a oligarquia rural brasileira realizava sua política excludente, a população rural manifestava em revoltas sua oposição. Nas cidades o clima de agitação também era percebido e tinha como núcleo o operariado e a classe média, que questionavam os abusos políticos.
 
Revolta da Chibata (Rio de Janeiro - 1910) 
Em 1910 o marinheiro Marcelino Rodrigues Menezes, que servia no navio Minas Gerais, foi condenado a 250 chibatadas, sendo seus companheiros obrigados a assistir o castigo corporal, como de costume. Isso foi o estopim de uma revolta iniciada no dia 22 de novembro de 1910, sob a liderança do marinheiro João Cândido, com a adesão de aproximadamente 2 000 homens.
A revolta era contra os castigos corporais na Marinha, que recrutava de maneira autoritária seus marinheiros (formados por um grande contingente de negros), e também reivindicava o pagamento de melhores soldos. João Cândido liderou a sublevação dos encouraçados de Minas Gerais e São Paulo, chegando a assassinar alguns oficiais presentes e a ameaçar a cidade do Rio de Janeiro de bombardeio, caso o governo não acatasse as reivindicações. O pânico instalado no Rio de Janeiro fez com que o então presidente Marechal Hermes da Fonseca aceitasse as reivindicações dos revoltosos, que foram anistiados. 
Porém, dias depois, ocorreu uma sublevação de fuzileiros navais da Ilha das Cobras, por motivos semelhantes. O governo desta vez reprimiu violentamente os revoltosos, e temendo perder a ordem sobre a força armada, prendeu e torturou os marinheiros envolvidos na Revolta da Chibata. Um dos poucos sobreviventes aos castigos da prisão foi o marinheiro João Cândido.
 
Movimento Operário e Greve Geral de 1917 
O processo de industrialização no Brasil fez com que se desenvolvesse uma classe operária sob péssimas condições de trabalho. Eram comuns altas jornadas de trabalho, exploração da mão de obra infantil e discriminação sexual no pagamento de salários, além de precárias condições de trabalho que mutilavam e vitimavam vários operários. Não existiam férias, descanso semanal remunerado, seguro contra acidentes, aposentadoria e nem sequer regulamentação dos sindicatos. As greves, por exemplo, eram vistas como atividades criminosas. 
A industrialização concentrou-se principalmente nas regiões produtoras de café, como Rio de Janeiro e São Paulo, onde os capitais excedentes dos cafeicultores, somados a um mercado consumidor em expansão e a uma grande oferta de mão de obra, de origem imigrante, geravam condições favoráveis para sua prosperidade. Os imigrantes eram os mais procurados pelos empresários - não somente pelo preconceito contra a massa de ex-escravizados que habitava os centros urbanos, mas também por possuírem uma melhor qualificação profissional, fruto de experiências anteriores nas fábricas europeias.
Muitos dos imigrantes que chegaram ao Brasil, tinham familiaridade com as ideologias e doutrinas sociais do século XIX, sendo o anarquismo muito influente nas primeiras décadas do século XX. Essa ideologia defendia a melhoria nas condições de trabalho e o combate à religião, à propriedade privada e ao Estado, que era visto pelos anarquistas como um instrumento de imposição de interesses das elites econômicas sobre o restante da população. Eram também contrários à formação de partidos políticos, vistos com desconfiança, pois poderiam gerar um grupo de burocratas que manifestariam seus próprios interesses, marginalizando o restante dos componentes.
No final do século XIX, surgiram as ligas operárias, que realizavam greves nos principais centros urbanos sob influência do anarquismo. A intensificação das greves e de jornais que difundiam as aspirações dos trabalhadores levou o governo brasileiro a editar a Lei de Expulsão de Estrangeiros, também conhecida como Lei Adolfo Gordo, em 1907. Esta medida procurava expulsar todos os estrangeiros acusados pelo crime de serem anarquistas e promoverem a agitação popular na defesa de seus interesses. 
No dia 9 de julho de 1917, morreu em São Paulo um sapateiro na porta das empresas Matarazzo, após choque com a polícia. O enterro, no dia 11 de julho, foi o estopim da Greve Geral de 1917, que culminou com o fechamento de estabelecimentos comerciais e de indústrias, e a paralisação dos transportes e de praticamente toda a cidade por cerca de 30 dias. A greve só foi finalizada com a negociação entre patrões e operários, intermediada por advogados e jornalistas. Chegou se a um acordo em que os trabalhadores obtiveram aumento salarial e a promessa da não punição aos grevistas. A vitória permitiu que o movimento operário se desenvolvesse ainda mais, ao passo que as ideias socialistas ganhavam força.
Foi somente a partir do sucesso da Revolução Russa de 1917, particularmente a Revolução Bolchevique, que o socialismo passou a predominar como ideologia de luta do proletariado, a partir da defesa de uma revolução proletária capaz de criar uma sociedade que acabasse com a propriedade privada, estatizando os meios de produção. No ano de 1922, fundou-se o Partido Comunista Brasileiro (PCB), sob a liderança de Astrogildo Pereira, Leônidas Resende e Cristiano Cordeiro. Porém, no ano de 1924, a sede do PCB foi invadida pela polícia e o partido teve a sua ilegalidade decretada. Restou aos componentes a luta clandestina, difundida por meio de encontros secretos e de jornais como Movimento Operário e A Nação.
Os membros do PCB, atuando na clandestinidade, formaram uma agremiação que aglutinava não só comunistas, mas também anarquistas e trabalhadores independentes, chamada Bloco Operário Camponês (BOC). A agremiação, formada em agosto de 1927, defendia o voto secreto, a luta contra as oligarquias, a eleição de parlamentares representantes da causa dos trabalhadores e a luta contra o imperialismo e as péssimas condições de trabalho.
 
Tenentismo 
Se por um lado o processo de industrialização fez crescer o contingente de operários no Brasil, o desenvolvimento urbano consequente gerou a ascensão da classe média, que de várias formas expressou seu descontentamento com a República Oligárquica.
A jovem oficialidade do Exército (formada basicamente por tenentes e alguns capitães) era recrutada principalmente entre a classe média e trazia consigo suas aspirações, exigindo a volta da participação política do Exército nas decisões referentes ao destino do Brasil. As aspirações dos tenentes estavam ligadas a questões principalmente políticas, fruto de um grupo – a classe média – que estava isolado do poder político diante do controle da aristocracia rural.
Uma das principais exigências dos tenentes era o voto secreto. Na República Oligárquica, o controle eleitoral era em grande parte obtido por meio da coerção, pois o voto era aberto, fazendo com que o eleitor tivesse que manifestar sua opção na hora da eleição. Essa prática favorecia a ação do coronel, que procurava se informar sobre a opção de seu “curral eleitoral”, punindo aqueles que ousassem desafiar a viciada máquina eleitoral do Estado brasileiro.
A jovem oficialidade também questionava a vinculação de muitos oficiais superiores, acomodados e beneficiados pela política oligárquica. Estes não questionavam a exclusão política do Exército que se arrastava desde o fim do governo de Floriano Peixoto, em 1894.
 
Revolta dos 18 do Forte de Copacabana (Rio de Janeiro-1922) 
Nesse contexto, as disputas eleitorais constituíam momentos nos quais as tensões políticas tendiam a se escancarar. As eleições que sucederam o presidente Epitácio Pessoa foram extremamente concorridas, fazendo surgir a Reação Republicana, aglutinando estados como Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Bahia em torno da candidatura de Nilo Peçanha. A Reação Republicana foi contrária à candidatura de Artur Bernardes, a qual foi apoiada por Epitácio Pessoa. São Paulo e Minas Gerais contaram com o apoio de muitos jovens oficiais, sob a liderança do chefe do Clube Militar, o ex- -presidente marechal Hermes da Fonseca. Apesar da vitória de Artur Bernardes nas eleições, um incidente ocorrido em 1921 acirrou os ânimos entre o Exército e o governo oligárquico. O jornal Correio da Manhã publicou uma série de cartas contendo críticas do então candidato Artur Bernardes ao marechal Hermes da Fonseca.
Embora, mais tarde, tenha-se descoberto que as cartas eram falsas, a resposta incisiva do marechal Hermes da Fonseca a isso fez com que o ainda presidente Epitácio Pessoa decretasse a prisão do marechal e o fechamento do Clube Militar. Foi o estopim do primeiro levante tenentista: a Revolta dos 18 do Forte de Copacabana. No dia 5 de julho de 1922, partiu do Forte de Copacabana um grupo de rebelados, sob a liderança de Eduardo Gomes e Siqueira Campos. O grupo, que recebeu a adesão do engenheiro Otávio Correa, pretendia impedir a posse de Artur Bernardes e derrubar Epitácio Pessoa. A repressão do governo foi violenta.
 
Revolução Paulista de 1924 
Já no governo de Artur Bernardes o movimento tenentista promoveu um novo levante. Sob o comando dos generais Isidoro Dias Lopes e Miguel Costa, com a participação de inúmeros tenentes, entre os quais se destacam Juarez Távora e Eduardo Gomes, no dia 5 de julho, os rebeldes tomaram a cidade de São Paulo durante 22 dias, obrigando o governador a fugir e exigindo a renúncia de Artur Bernardes, uma nova constituição para o Brasil e a instalação do voto secreto.
Apesar da aparente vitória, logo se revelou uma das maiores limitações do movimento tenentista. O elitismo das propostas afastava o grosso da população, fazendo com que o movimento se isolasse. Depois de sangrentos combates, os tenentes iniciaram a retirada de São Paulo, com um grupo de revoltosos comandados por Luís Carlos Prestes.
 
Coluna Prestes 
Em 1925 eclodiu no Rio Grande do Sul um levante tenentista comandado por Luís Carlos Prestes, Siqueira Campos e João Alberto. Furando o cerco das tropas governistas enviadas para reprimir o movimento, o grupo se dirigiu a São Paulo onde se encontrou com os insurgidos da Revolução Paulista, em abril de 1925. Formava-se a Coluna Prestes, que entre 1925 e 1927 marchou cerca de 24 000 quilômetros pelo interior do Brasil buscando convencer a população a apoiar o movimento.
Depois do épico esforço e de embates contra as tropas governistas, a Coluna Prestes terminou isolada, sem conseguir a adesão popular para sua proposta. Seus membros acabaram exilados na Bolívia, mas Luís Carlos Prestes não desapareceu do cenário político brasileiro. Em dezembro de 1927, Astrogildo Pereira, pertencente ao Bloco Operário Camponês (BOC), viajou para a cidade boliviana de Puerto Suarez, encontrando-se com Luís Carlos Prestes, que se tornou uma das principais lideranças do PCB ao longo do século XX.
 
Semana de Arte Moderna de 1922 
No Brasil, o desenvolvimento urbano teve repercussões importantes como a evolução dos transportes, das indústrias, dos meios de comunicação, a criação dos automóveis, o cinema, novidades que simbolizavam o início de uma nova era, que foi representada por meio de um “espírito moderno”, por meio de estilos artísticos como o futurismo, o dadaísmo, o cubismo, entre outros. 
Intelectuais anunciavam uma época na qual os artistas deveriam se conectar às questões mais importantes da sociedade. Anita Malfati, Oswald de Andrade, Villa Lobos, Mario de Andrade, Menotti Del Picchia e Di Cavalcanti são alguns dos expoentes do modernismo brasileiro. 
Entre 11 e 18 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo, esses artistas organizaram a Semana de Arte Moderna, expondo quadros, conferências e concertos que receberam duras críticas da maior parte dos acadêmicos paulistas, que acusavam os modernistas de futurismo. Apesar das críticas feitas, esses artistas tornaram-se alguns dos maiores nomes da cultura brasileira num evento que articulou exposições artísticas e discussões políticas de desagrado à política oligárquica.
O movimento modernista deu origem a duas correntes: o movimento antropofágico de Oswald e Mário de Andrade que aceitava a cultura estrangeira desde que ela fosse elaborada, reprocessada a partir da aglutinação de aspectos típicos da cultura brasileira, e o verde-amarelismo de Plínio Salgado, que rejeitava a cultura estrangeira, num xenofobismo que deu origem ao Movimento Integralista.
O movimento modernista deve ser compreendido no contexto brasileiro do início do século XX. A ideia de modernização esteve muito presente na realidade brasileira nos mais variados aspectos. As medidas modernizadoras de Rodrigues Alves e Pereira Passos, assim como a Semana de Arte Moderna, representam setores da sociedade que, inspirados nos ideais europeus, buscaram transformar sua própria realidade. No entanto, as tentativas de modernização contrastavam com as estruturas ainda hierárquicas e desiguais do país.

2. BRASIL REPÚBLICA: OLIGARQUIAS NO PODER

Proclamação da República
A Proclamação da República, em 1889, aconteceu por meio de um golpe de Estado que depôs o imperador D. Pedro II, e instaurou um novo sistema de governo no país. O movimento republicano organizado no Brasil a partir de meados do século XIX tomou força após a Guerra do Paraguai, quando passou a ser uma bandeira do Exército nacional.
Na década de 1880, o Marechal Deodoro da Fonseca assumiu a liderança desse movimento. Com as intenções de Exército e sociedade alinhadas, o afastamento de D. Pedro II foi o momento perfeito para que a proclamação acontecesse sem violência, como queria Deodoro. Então, em 15 de novembro de 1889, Deodoro acompanhado por outros membros do Exército proclamou a República no Brasil, definindo não apenas a deposição de D. Pedro II, como também o exílio da família real.
República Velha 
A expressão República Velha é utilizada para denominar o primeiro período republicano do Brasil. Período este que foi dividido em duas partes: a República da Espada (1889-1894), em que os militares exerceram o comando direto do Executivo Federal, e a República Oligárquica (1894-1930), fase em que os cafeicultores estavam diretamente ligados à política do Estado, de acordo com interesses particulares.
A república liberal era projeto da aristocracia rural, que articulou a Proclamação da República. Defendia a construção de um Estado republicano federalista que garantisse autonomia das províncias (posteriormente transformadas em Estados). A base social dessa corrente era composta pelos cafeicultores paulistas que buscavam criação de três poderes autônomos e independentes, proteção de garantias econômicas e políticas, separação entre Igreja e Estado, instauração de eleições e adoção de Legislativo bicameral, composto por uma Câmara dos Deputados e por um Senado, ambos eleitos.
A descentralização das decisões era defendida pelos cafeicultores, pois estes pretendiam gozar de supremacia administrativa e econômica local, sem intervenção do governo federal. O projeto “República Jacobina”, em referência à fase mais radical da Revolução Francesa, era sustentado por setores da população urbana, entre eles membros da classe média, comerciantes, funcionários públicos e intelectuais que defendiam maior participação popular nas decisões do Estado, além da realização de reformas sociais. 
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