5. GUERRA MUNDIAL E REVOLUÇÃO RUSSA

Primeira Guerra
Antecedentes da guerra
O final do século XIX e o início do século XX ficaram conhecido como belle époque por causa do clima de otimismo das elites europeias. Por um lado, o Imperialismo trouxe o luxo e a riqueza para as elites, por outro, a exploração das camadas populares e das regiões dominadas.
Causas gerais
As disputas entre os países europeus acirraram-se ainda mais nesse período, fomentadas, principalmente, pelos interesses imperialistas e pelos movimentos nacionalistas vigentes no período. Nesse contexto, podemos destacar como principais causas para a eclosão da guerra.
● Conflitos imperialistas:
• a disputa de mercados entre as principais potências industrializadas;
• rompimento do equilíbrio europeu – a Alemanha passou a exigir nova divisão de mercados;
• crise do Marrocos (1905 e 1911) – o Marrocos era disputado por França e Alemanha.
● Conflitos nacionalistas:
• revanchismo francês – a França exigia a Alsácia-Lorena, tomada pela Alemanha na Guerra Franco-Prussiana;
• pan-eslavismo – a Rússia defendia a união dos povos eslavos, apoiando a Sérvia, que liderava o movimento na região balcânica. A influência na região daria acesso à Rússia ao Mar Mediterrâneo e ao Mar Vermelho;
• pangermanismo – a Alemanha defendia a união dos povos germânicos, apoiando as pretensões da Áustria-Hungria na Sérvia, para poder construir a estrada de ferro Berlim-Bagdá a fim de barrar o avanço russo e ter acesso às áreas petrolíferas do Golfo Pérsico, ameaçando os interesses ingleses nessa região.
 
Paz armada e a Política de Alianças
O início do século XX ficou conhecido como “paz armada” por causa da corrida armamentista protagonizada pelas potências europeias.
Nesse contexto, organizou-se uma “política de alianças” por meio da qual se alinharam países com interesses em comum. As alianças organizaram-se da seguinte forma:
● Tríplice Aliança – Alemanha, Áustria-Hungria e Itália.
● Tríplice Entente – Inglaterra, França e Rússia.
A guerra
 
O estopim da guerra foi o assassinato do príncipe herdeiro do Império Austro-Húngaro, o arquiduque Francisco Ferdinando, em Sarajevo, na Bósnia. Temendo a anexação da Sérvia, a Mão Negra (organização nacionalista desse país) cometeu aquele atentado em 28 de julho de 1914.
Devido ao atentado, em julho do mesmo ano o Império Austro-Húngaro rompeu relações e declarou guerra à Sérvia. A Rússia declarou apoio à Sérvia, e a Alemanha declarou guerra à Rússia. As alianças vieram em defesa dos envolvidos no conflito.
A Itália, que fazia parte da Tríplice Aliança, trocou suas alianças e entrou na guerra em 1915 — ao lado da Tríplice Entente, devido a promessas de ganhos territoriais ao final da guerra. Essas promessas não foram cumpridas, favorecendo o advento do fascismo e um realinhamento da Itália com a Alemanha na década de 1930.
Fases da guerra
Organizadas as alianças da guerra, teve início o conflito bélico, que se desenrolou em três fases, que serão apresentadas a seguir.
Guerra de movimento (1914-1915)
O período ficou marcado pelo rápido deslocamento dos exércitos e elevada mortalidade diante de modernos armamentos como metralhadoras, granadas de mão, tanques etc.
 
Guerra de trincheiras (1915-1917)
Ficou marcada pela paralisação dos exércitos, por longas e desgastantes batalhas e pelo desgaste das tropas devido à fome e ao frio.
Nessa fase da guerra, os exércitos que combatiam na frente ocidental se protegiam dos inimigos fixando-se em extensas linhas de trincheiras, cavadas na terra. Os soldados passavam longos períodos vivendo nas trincheiras, tentando, aos poucos, avançar em direção à trincheira inimiga. Nesse período, os homens morriam tanto em conflito — nessa tentativa de avanço — como pelas más condições de higiene e de alimentação em que viviam nas trincheiras.
O armamento utilizado nessa fase era bastante variado, com metralhadoras, granadas, minas, canhões de longo alcance, e também gás mostarda, bastante tóxico. Por esse motivo, era comum ver os soldados entrincheirados utilizando máscaras.
Saída da Rússia e entrada dos EUA
No ano de 1917, a Tríplice Entente perdeu um dos países aliados. Após assinar o Tratado de Brest-Lisowski com a Alemanha, a Rússia retirou-se da guerra, para se voltar aos problemas internos pelos quais passava o país.
No mesmo ano, alegando ter tido navios afundados pela marinha alemã, os Estados Unidos da América entraram na guerra ao lado da Entente, em favor também de seus interesses comerciais com França e Inglaterra.
A entrada dos EUA na guerra foi fundamental para seu desfecho. A superioridade bélica norte-americana permitiu avanços da Entente, e a consequente derrota da Tríplice Aliança.
Acordos de paz
Finalizada a guerra, e a Tríplice Aliança rendida, os países vitoriosos discutiram os acordos de paz que oficializaram o final do conflito. O presidente norte-americano Woodrow Wilson propôs uma “paz sem vencedores”, por meio de um acordo com 14 pontos. Inglaterra e França fizeram exigências maiores, gerando o Tratado de Versalhes (1919). Por esse acordo, definiram-se os seguintes pontos:
● a Alemanha foi considerada culpada pela guerra;
● a Alemanha foi obrigada a devolver a Alsácia-Lorena e abrir mão das colônias;
● estipulou-se que a Alemanha pagaria indenizações aos países vencedores;
● proibiram-se o armamento e a militarização da Alemanha;
● criação do corredor polonês: acesso da Polônia ao mar por uma faixa de terra dentro da Alemanha até o Porto de Dantzig (Gdansk)
Consequências da guerra
Dentre as consequências, destacam-se:
● milhares de mortos e feridos;
● enfraquecimento europeu;
● fortalecimento dos EUA;
● desmembramento do Império Austro-Húngaro em Áustria e Hungria;
● surgimento da Polônia, Tchecoslováquia, Hungria e Iugoslávia;
● no Brasil, ocorreu o surto industrial com a substituição de importações;
● origens do nazifascismo;
● a insatisfação com os acordos de paz gerou a Segunda Guerra Mundial.
Participação brasileira
O Brasil declarou guerra à Alemanha no final de 1917, alegando o afundamento de navios mercantes brasileiros por submarinos alemães. A função do Brasil na guerra era o policiamento do Atlântico e o fornecimento de matérias-primas e alimentos.
 
Revolução Russa
Antecedentes da Revolução
No início do século XX, a Rússia mantinha o sistema czarista, baseado no modelo do absolutismo monárquico europeu, tendo como autoridade máxima o czar. A sociedade era marcada por profundas desigualdades sociais, na qual os camponeses representavam cerca de 80% da população. O capital estrangeiro, principalmente francês, motivou a industrialização tardia, com péssimas condições de vida para os operários.
 
Revolução de 1905
Após a derrota na Guerra Russo-Japonesa (1904-1905), ocorreu uma revolta popular contra o governo do czar Nicolau II. 
As perdas sofridas na guerra, de homens e recursos, somadas aos abusos cometidos pela nobreza, à exploração dos trabalhadores e à péssima condição de vida da população, colocaram a população russa em uma situação limite frente ao czar. 
Nesse contexto, greves pulularam pelo país entre dezembro de 1904 e janeiro de 1905, o que levou a uma resposta do governo, com o corte de eletricidade e da circulação de jornais, bem como com o fechamento de áreas públicas. Em 9 de janeiro de 1905, um grupo de mais de mil trabalhadores e suas famílias se reuniram em São Petersburgo, capital do Império Russo, e marcharam em direção ao Palácio de Inverno, a fim de reivindicarem seus direitos em frente à sede do governo. Os manifestantes foram recebidos com extrema violência pelo exército, que disparou contra eles, totalizando mais de 930 mortos. Esse episódio ficou conhecido como Domingo Sangrento.
A repressão do governo gerou violentas manifestações populares, como a greve geral e levantes militares (a exemplo da revolta do Encouraçado Potemkin). Para apaziguar a população, o czar foi obrigado a prometer concessões, destacando-se a constituição da Duma (Parlamento), como conselho legislativo.
 
Partidos políticos
Nesse contexto, foram organizados na Rússia alguns partidos políticos, com o objetivo de reivindicarem direitos no país. A organização partidária se deu da seguinte forma:
● Partido Constitucional Democrata (Kadete) – reformista, era formado pela burguesia e por setores da nobreza “liberal” e defendia a modernização do país e a implantação de um regime constitucional e parlamentar.
● Partido Operário Social Democrata – revolucionário, defendia o socialismo junto aos proletários. Dividia-se em:
• mencheviques — socialistas que defendiam a revolução liberal para fortalecer o proletariado antes de realizar a revolução socialista. Eram liderados por Martov e Plekanov.
• bolcheviques — socialistas que defendiam a imediata implantação da revolução socialista. Eram liderados por Lenin.

Revolução Liberal de Fevereiro de 1917
No contexto da Primeira Guerra Mundial, ocorreu uma grande revolta na Rússia que levou à retirada do país do confronto. 
A elevada mortalidade, aliada ao agravamento da miséria e da fome, aumentou a oposição popular ao czarismo.
Liderado pelos kadetes e com o apoio dos mencheviques, o czar Nicolau II foi derrubado e substituído por um governo liberal, liderado por Alexander Kerensky.
As principais medidas do governo liberal foram:
● anistia aos presos políticos e retorno dos exilados;
● proclamação das liberdades civis;
● promessa para a eleição de uma assembleia constituinte;
● permanência da Rússia na guerra.
 
Teses de Abril
O Governo Provisório implantado após a Revolução Liberal, no entanto, não possuía apoio de todo o Partido Operário Social Democrata. Os bolcheviques viam no governo menchevique algumas posturas contrárias àquelas defendidas pela revolução. A oposição bolchevique ficou explícita no documento conhecido como Teses de Abril.
Publicadas pelo líder bolchevique Lenin, as teses defendiam “Paz, terra e pão. Todo o poder aos sovietes!”, ou seja, a saída da guerra, a reforma agrária e mais alimentos para o povo, além de entregar o poder aos sovietes (conselhos de operários, soldados e camponeses).
 
Revolução Socialista de Outubro de 1917
A permanência na guerra agravou a situação de miséria e fome na Rússia. Liderada pelos bolcheviques, a Revolução de Outubro de 1917 derrubou os liberais e implantou um governo socialista na Rússia.
O líder bolchevique Lenin assumiu o governo, cujas principais medidas foram:
● reforma agrária;
● retirada da Rússia da guerra por meio do Tratado de Brest-Lisowski;
● nacionalização de bancos e indústrias estrangeiras;
● controle das fábricas pelos operários;
● organização do Exército Vermelho.
 
Guerra Civil (1918-1921)
Foi o conflito entre o Exército branco (apoiado pelos liberais com o apoio do capital estrangeiro) e do Exército vermelho (liderado pelos bolcheviques). 
Na época, implantou-se um “comunismo de guerra” com a economia centralizada e planejada pelo Estado.
Na prática, essa forma de comunismo demonstrava um esforço de transição entre o sistema capitalista e o comunismo. Antes de implantar a política econômica comunista, os líderes bolcheviques compreenderam ser importante estabilizar a economia, ainda utilizando políticas capitalistas.
 
Nova Política Econômica (NEP – 1921-1928)
A Nova Política Econômica (NEP, sigla em inglês) consistiu em conciliar o planejamento estatal socialista com iniciativas capitalistas (propriedade privada e lucros). A ideia era “um passo atrás para dar dois passos à frente”. 
O objetivo era incentivar a produção e melhorar o abastecimento, reduzindo a miséria e a fome. Permitiu a recuperação da economia e a reativação da produção industrial e agrícola e do comércio. Nesse período, em 1922, foi criada a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).
 
Stalin X Trotsky
A morte de Lenin, em 1924, gerou a disputa de poder entre os líderes Stalin e Trotsky.
● Trotsky (líder do Exército Vermelho): defendia a revolução permanente, ou seja, a difusão do socialismo pelo mundo.
● Stalin (secretário geral do Partido Comunista): defendia o socialismo num só país, ou seja, a consolidação da Revolução Russa e de um estado revolucionário forte para, depois, expandir a revolução.
Nessa disputa, Stalin saiu vitorioso. Assumindo o poder, Stalin deu início a uma perseguição política a Trotsky e seus seguidores. Em 1927, Trotsky foi expulso do partido por Stalin e, em 1929, expulso da URSS. Em seu exílio, começou a escrever e publicar um boletim mensal de oposição ao governo stalinista da URSS.
 
Governo de Stalin (1924-1953)
No poder, Stalin implantou o socialismo, extinguindo a NEP em 1928. A economia organizou-se em planos quinquenais (planificação de 5 em 5 anos).
No aspecto político, destacou-se o autoritarismo, a censura e a perseguição de seus opositores, com prisões, exílios e mortes.
A importância da Revolução Russa está no fato de ter sido a primeira revolução socialista vitoriosa, ameaçando a ordem capitalista e abalando as relações internacionais do século XX.
Educando Mais! Todos os direitos reservados - © 2019 Educando Mais! 
  • Facebook
  • Canal Educando Mais!
  • Instagram
  • Rádio Educando Mais
  • Rádio Educando Mais
  • Rádio Educando Mais
  • Rádio Educando Mais
  • RSS ícone social
E-mail do Educando Mais!
WhatsApp do Educando Mais!