6. A QUEBRA DA BOLSA EM 1929 E OS MOVIMENTOS NAZI-FASCISTAS

Estados Unidos pós-Primeira Guerra
A Crise de 1929 teve início nos Estados Unidos da América, e se alastrou pelos países com os quais possuía relações comerciais. Com origem na superprodução industrial e agrícola, a crise econômica norte-americana passou pela quebra da Bolsa de Valores de Nova York, e culminou em uma grave crise social no país, que implicou em altos níveis de miséria e desemprego. 
Podemos indicar como as principais causas para a crise:
• euforia econômica norte-americana no pós-guerra;
• ausência de controle diante do liberalismo econômico;
• superprodução — avanço das forças produtivas e aumento da produtividade;
• subconsumo — mercado interno limitado e o externo arrasado, aliado aos baixos salários pagos aos trabalhadores;
• especulação financeira — extrema valorização das ações.
 
Quebra da Bolsa de Nova York
O estopim da crise foi a Quebra da Bolsa de Nova York (crash). 
Em 24 de outubro de 1929, o dia que ficou conhecido como quinta-feira negra, o preço das ações da Bolsa de Valores de Nova York começou a declinar. Atemorizados, os investidores reduziram as quantias que empregavam na bolsa e os empresários diminuíram sua produção industrial. Muitos clientes correram para os bancos a fim de retirarem suas poupanças. No entanto, as casas bancárias estavam em falência, conforme um efeito dominó. Logo, muitos perceberam que os bancos não poderiam devolver o dinheiro depositado.
Do dia para a noite, 12 milhões de norte-americanos estavam desemprega-
dos, casas e terras foram vendidas e filas de pessoas em busca de emprego (e também de assistência do Estado) se formavam pelas cidades. Foi esse contexto que gerou a grande depressão econômica norte-americana, que perdurou pelos anos de 1929 a 1932.
Entre as principais consequências da quebra da Bolsa de Valores, destacam-se:
• recessão econômica;
• falências e redução de empresas;
• redução do consumo e da produção;
• desemprego e arrocho salarial;
• miséria e fome;
• crise no comércio mundial;
• repatriamento de capitais estrangeiros;
• crítica ao liberalismo e à democracia – fascismo;
• New Deal.
 
New Deal (1933-1939) 
Frente à crise econômica e social que se instaurou no país, o então presidente Franklin Delano Roosevelt traçou um plano para a recuperação econômica norte-americana, e consequente solução dos problemas sociais do país.
O New Deal defendia o planejamento econômico com intervenção do Estado. Baseou-se nos princípios do economista Keynes (keynesianismo), que defendia a intervenção estatal para estimular a prosperidade liberal. As principais medidas foram:
• concessão de empréstimos aos fazendeiros para reorganizarem a produção;
• controle da produção visando à manutenção dos preços dos produtos;
• criação do salário-desemprego;
• incentivo à construção de obras públicas;
• legalização dos sindicatos;
• emissões monetárias;
• criação de um fundo para proteger os depósitos populares nos bancos.
Como consequências do New Deal, podemos citar: as origens do “estado vigilante”, no qual o liberalismo passou a admitir intervenções para conter crises; as origens dos modernos sistemas previdenciários e das políticas de bem-estar social, ou welfare state. Essas nomenclaturas designavam um papel mais assistencialista do Estado, que deveria garantir padrões suficientes de educação, saúde, habitação, renda e seguridade social a todos os cidadãos. Tais políticas tiveram seu início na década de 1930, mas despontaram no período pós-Segunda Guerra Mundial.
 
A Crise de 1929 pelo mundo
Como previamente mencionado, a crise não atingiu apenas os EUA, mas também os países que possuíam relações comerciais com ele. Ao longo da década de 1930 foram muitas as repercussões dessa crise pelo mundo. 
 
Alemanha
Na Europa Ocidental, especialmente em países como a Alemanha, que possuíam a economia já fragilizada por conta da guerra, os efeitos foram desastrosos. Um dos reflexos foi a grande desvalorização do Marco (moeda alemã) e a alta no índice de desemprego. Conjuntura essa essencial para a ascensão do partido nazista.
 
Brasil
A economia agroexportadora brasileira, especialmente de café, dependia das compras dos EUA e de países europeus, todos afetados pela crise. Dessa forma, as vendas do café atingiram os piores índices após décadas. Essa queda das vendas influenciou diretamente a política brasileira, refletindo-se na política do café com leite, que consistia na divisão do poder entre o Partido Republicano Paulista e o Partido Republicano Mineiro, produtores de café e leite, respectivamente. 
A crise na economia cafeeira foi responsável por uma mudança na política brasileira, pois criou o ambiente de insatisfação necessário para a Revolução de 1930 e do golpe que levou Getúlio Vargas ao poder.
Fascismos
Ideologia e ascensão

Chamamos de fascistas os governos totalitários desenvolvidos no período entreguerras (1919-1939) na Europa. Nesses governos, os interesses do Estado foram colocados acima dos interesses dos cidadãos.
Dentre as principais características desse modelo político, destacam-se:
• autoritarismo ou totalitarismo — governo ditatorial com submissão de todos ao Estado;
• nacionalismo;
• expansionismo;
• militarismo;
• uni partidarismo;
• culto ao líder (a exemplo do Führer na Alemanha ou do Duce na Itália);
• anticomunismo, antissocialíssimo e antiliberalismo.
Além dessas características comuns aos regimes fascistas, alguns elementos particulares destacaram-se em cada regime, a exemplo do antissemitismo (no caso alemão), e do corporativismo (no caso italiano).
 
Contexto entre guerras
O fortalecimento dos partidos políticos de ideologia fascista só foi possível pelo contexto em que se encontrava a Europa na década de 1930. A realidade europeia do pós-guerra era desoladora. Havia uma crise econômica, social e também de valores por todo o continente. O saldo de mortos, cerca de 10 milhões, pesava sobre a força produtiva dos países. Existiam ainda os amputados e feridos, as viúvas e os órfãos, os quais expunham fragilidade social.
O clima depressivo contrastava com os avanços tecnológicos desenvolvidos durante os conflitos, os quais aludiam a uma nova época, industrial e avançada.
A Crise de 1929 só veio a contribuir para o cenário crítico europeu. Os países que aos poucos superavam as consequências da guerra, foram atingidos por uma nova crise econômica. Nesse contexto, duas ideologias políticas despontaram: o socialismo, modelo político representado pela URSS, que se mostrava forte por não ter sido atingida pela Crise de 1929; e os fascismos, modelo que se mostrava avesso às políticas econômicas liberais que levaram à crise e que defendia medidas de defesa da nação e oposição ao socialismo. 
Nos principais países em que atuaram (Itália e Alemanha), os partidos fascistas contaram também com a insatisfação política e popular em relação aos acordos travados no pós-guerra. A Itália reivindicava o cumprimento dos acordos travados com os demais países vitoriosos; a Alemanha, por sua vez, opunha-se às imposições estipuladas pelo Tratado de Versalhes, e procurava formas de retomar seu crescimento.
Indicamos, então, como causas gerais para a ascensão dos fascismos:
• a crise gerada pela Primeira Guerra Mundial e agravada pela Crise de 1929;
• a insatisfação na Alemanha pelo Tratado de Versalhes;
• a insatisfação na Itália pelos acordos não cumpridos apesar do apoio ao lado vitorioso;
• o medo do avanço das ideias socialistas.
Podemos afirmar que o medo do “perigo vermelho” (socialismo) permitiu ampla adesão social ao fascismo por parte da alta burguesia, dos militares, dos latifundiários e da classe média.
 
Itália fascista
Em 1919, Benito Mussolini fundou o Partido Fascista e organizou milícias armadas (camisas negras) para disseminar as ideias fascistas e combater os opositores do partido.
Em 1921, ocorreu a eleição de políticos fascistas para o Parlamento. Diante da instabilidade político-econômica da Itália pós-guerra, Mussolini liderou a Marcha Sobre Roma (1922), com o intuito de adquirir apoio popular e pressionar o rei Vitor Emanuel III a garantir maior participação do partido fascista no governo. Diante disso, o rei convidou Mussolini para o cargo de primeiro-ministro. Em 1925, Mussolini virou o Duce (líder).
Em seu governo, que teve início em 1925, Mussolini mostrou-se autoritário: declarou ilegais todos os partidos políticos da Itália, exceto o seu, o fascista; instituiu a censura à imprensa e suprimiu as eleições parlamentares. 
Rapidamente, Mussolini conduziu um golpe de Estado, colocando-se como liderança do país. No ano de 1927, foi promulgada a Carta Del Lavoro, que assegurava os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, considerando o trabalho um dever social e os movimentos grevistas ilegais. 
Em 1929, por meio do Tratado e o Concordato de Latrão, o Estado fascista determinou a criação do Estado soberano do Vaticano, que seria neutro e inviolável, respondendo à autoridade do papa.
Mussolini buscou retirar a Itália da recessão econômica e modernizar a nação. Com o medo do comunismo, as elites italianas viam no projeto da Itália fascista a possibilidade de se reerguerem e apoiaram o projeto fascista. Mussolini subsidiou a construção de obras públicas, investiu em educação de base e introduziu novas técnicas de agricultura. Em 1935, o Estado fascista estatizou cerca de três quartos dos negócios industriais e de serviços da Itália. No ano seguinte, instituiu controle de preços para tentar combater a inflação. 
No âmbito externo, os italianos avançaram militarmente em direção à Etiópia, em 1935, e no ano de 1936 atuaram na Guerra Civil Espanhola. O ano de 1939 apresentou o início da Segunda Guerra Mundial e, com ele, a participação da Itália no conflito ao lado da Alemanha de Hitler. 
O caos econômico e o fiasco da participação italiana na Segunda Guerra levaram Mussolini ao declínio da Itália. Em 1944, foi executado por opositores ao fascismo, e seu corpo foi exposto em praça pública, recebendo golpes da população furiosa.
 
Espanha franquista
Até o ano de 1931, a Espanha era uma monarquia. A partir de então, eleições decidiram o futuro da nação, acabando com a monarquia e impondo um regime republicano. Porém, havia muitas contradições sociais e políticas que levaram, em 1936, a Frente Popular à vitória nas eleições e ao início de um conflito civil armado. Dava-se início à Guerra Civil Espanhola (1936-1939), conflito marcante no cenário europeu.    
O conflito foi travado entre os republicanos e os nacionalistas. Os primeiros eram caracterizados por apoiar o governo republicano legal, ideia representada e defendida pela burguesia liberal democrata, entre outros grupos, e por forças europeias dos sindicatos, os partidos da esquerda e partidários da democracia.
Já para os nacionalistas, o objetivo era acabar com a influência comunista e restabelecer os valores da Espanha tradicional. Como resultado dessa crise, no ano de 1930, a ditadura do general Primo de Rivera foi derrubada e, em seguida, caiu também a monarquia. O rei Afonso XIII foi obrigado a se exilar e foi proclamada a república em 1931, chamada de “República de Trabajadores”. 
No dia 18 de julho de 1936, o general Francisco Franco insurgiu o exército contra o governo republicano, dando início ao conflito que anteciparia a Segunda Guerra Mundial.
Porém, o general não contava com a existência de uma forte resistência, com participação popular por parte de socialistas e anarquistas. Logo, a Espanha ficou dividida em duas partes: uma parcela pertencente aos nacionalistas e a outra, aos republicanos.
Os nacionalistas liderados, pelo general Franco, venceram com facilidade o lado republicano, e então implantaram o regime fascista que durou até meados da década de 1970.

Portugal salazarista

Em 1910, foi implantada a república em Portugal e promoveram-se reformas na política e na economia, afetando o meio social. Essa atitude provocou uma reação do lado conservador (militares e burguesia conservadora), que apoiou as ideias fascistas de Antônio de Oliveira Salazar, que assumiu o governo de Portugal no ano de 1928 e manteve-se no poder até 1968.
Salazar implantou em Portugal uma política fundamentada em não fornecer concessões ao liberalismo, à democracia e nem ao socialismo.
No ano de 1933, foi formulada uma constituição de caráter corporativo, antidemocrática e antiparlamentar. Uma das medidas também foi o fim do sufrágio universal. A educação ficou a cargo da Igreja Católica. Foi elaborada a “Carta do Trabalho”, tendo como influência a carta italiana, que estabeleceu os direitos trabalhistas, a chamada Carta del Lavoro.
Essa carta promoveu a formação única dos sindicatos para representar os trabalhadores. O governo implantado por Salazar recebeu o nome de Estado Novo.
No ano de 1970, Salazar veio a falecer, e o regime totalitarista português entrou em decadência. No ano de 1974, o governo fascista foi derrubado pela Revolução dos Cravos, quando membros das Forças Armadas contrárias ao regime ocuparam a cidade de Lisboa. Essa revolução acabou promovendo um impulso aos movimentos de independência das colônias portuguesas na África e na Ásia
Nazismo
Alemanha nazista

A Alemanha foi um país bastante afetado pelos acordos que deram fim à Primeira Guerra Mundial, visto que assumiu a derrota e, com ela, o compromisso de indenizações aos países vencedores.
A partir de 1919 até o ano de 1933, foi instituída no país a República de Weimar — sistema de governo em que o presidente da República nomeava um chanceler, que era responsável pelo poder executivo. Quanto ao Poder Legislativo, era constituído por um parlamento federal (Reichstag) e por parlamentos estaduais (Landtag). Dessa forma, a Alemanha se tornou uma república parlamentar.
Também no ano de 1919, foi fundado o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (Partido Nazista), que tinha em Adolf Hitler um de seus principais líderes.
Durante a década de 1920, a crise econômica e social apenas crescia na Alemanha, de forma que em 1923, Hitler e o Partido Nazista tentaram tomar o poder. A inciativa foi contida pelo governo, e Hitler preso.
Na prisão, Hitler escreveu o livro Mein Kampf (Minha luta) expondo os ideais nazistas.
O nazismo defendia princípios comuns aos fascismos, e também a pureza da raça ariana, a necessidade de conquista de um “espaço vital” (restauração das fronteiras de 1914 e conquista da Europa oriental) e o antissemitismo (ódio aos judeus).
Em 1933, diante da grave crise econômico-social pós-1929, o presidente Hindenburg convidou Hitler para ocupar o cargo de chanceler (primeiro-ministro). 
Usando táticas violentas como o incêndio do Reischtag (Parlamento) e as ações das Seções de Segurança (SS) e da Polícia Política (Gestapo), Hitler conseguiu eliminar a oposição, tornando-se o Führer (líder).
Durante seu governo, Hitler implementou ações na área econômica a fim de combater a crise. Os investimentos nas áreas bélica e militar foram responsáveis pela criação de milhares de empregos no país. Hitler adotou uma política econômica muito similar ao New Deal norte-americano, incentivou obras públicas e promoveu uma forte intervenção do Estado na economia. Ainda na área econômica, destaca-se a declaração de moratória e não cumprimento das multas e sanções que foram aplicadas à Alemanha pelo Tratado de Versalhes.
Em 1935, Hitler criou as Leis de Nuremberg, que determinavam a negação da cidadania alemã para o povo judeu e proibia direitos políticos, como o de votar, e o casamento com pessoas da raça ariana, considerada pela ideologia nazista a única raça pura. A política antissemita do nazismo perseguiu, aprisionou e assassinou os judeus (e muitas outras minorias como negros, ciganos e homossexuais) em campos de concentração e extermínio, como o de Auschwitz.
Uma forma encontrada por Hitler para difundir os ideais nazistas foi a educação de jovens. O controle ideológico escolar através da juventude hitlerista, instituição obrigatória para jovens da Alemanha nazista, objetivou o treinamento de crianças e adolescentes alemães de 6 a 18 anos de ambos os sexos para os interesses nazistas.
Nesse contexto, Hitler também deu início à política de expansão territorial, a fim de conquistar os territórios que considerava necessários para a conformação do espaço vital, e da expansão do povo ariano. A prática expansionista foi o estopim para a eclosão da Segunda Guerra Mundial. 
 

Nota do Editor: Hoje o livro Mein Kampf, infelizmente está sendo reproduzido, editado e vendido, já que o governo do Estado alemão da Baviera, já que Adolf Hitler não deixou herdeiros. Por 70 anos o livro fora proibido de ser publicado ou acessado. Mas, repito infelizmente, essa propriedade chegou ao fim e o livro se encontra em venda. Peço como ser humano, não o leia.

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