8 – Solo e meio ambiente: Poluição do solo

Introdução
Nesta Unidade, você vai dar continuidade ao estudo do manejo inadequado do solo. Serão abordados, agora, os principais fatores que contribuem para sua poluição e contaminação. Identificar os principais agentes de poluição, como os agrotóxicos e os metais pesados, e saber como esses agentes atuam é muito importante para que você possa ampliar seu conhecimento e se posicionar de forma mais consciente no meio em que vive, de modo a prevenir problemas ambientais e de saúde deles decorrentes.
Também será apresentada nesta Unidade uma questão que ganha espaço no mundo e preocupa governantes e cidadãos: a geração e o destino do lixo produzido em larga escala pela sociedade.
Finalmente, será discutida a importância das ações governamentais (por exemplo, as políticas de saneamento básico) que objetivam minimizar a degradação do ambiente e evitar a incidência de doenças veiculadas pelo solo e pela água.
 
Poluição do solo
Neste Tema, você conhecerá alguns dos fatores que contribuem para poluir o solo em que vivemos: o lixo que geramos diariamente e os componentes químicos produzidos e utilizados, por exemplo, para adubar a terra nas atividades agrícolas.
  • A poluição é um tema bastante debatido nos noticiários.
  • Em sua opinião, ela é uma característica apenas das cidades mais populosas?
  • Olhando para a cidade em que você vive, para as ruas onde mora e circula, você a considera poluída? Por quê?
  • Para você, de modo geral, o que mais polui as cidades?
  • Será que no campo os fatores de poluição são os mesmos? Se não, quais são eles?
 
ORIENTAÇÃO DE ESTUDO
Nesta Unidade, é proposto um procedimento de estudo diferente. Você está acostumado a ler em voz alta ou para outras pessoas? Pois bem, ler em voz alta é importante por vários motivos:
  • A leitura de textos em voz alta ajuda a memorizar e, como consequência, auxilia no processo de aprendizagem.
  • Ler em voz alta envolve tanto o estímulo visual – ver e ler as letras grafadas – quanto o auditivo – ouvir a própria voz, auxiliando no estabelecimento de ligações entre letras e sons.
  • Adequar o ritmo, a entonação, o volume e a articulação das palavras, respeitando os sinais de pontuação e as marcas gráficas do texto, facilita a compreensão das ideias expostas.
  • É também um momento de aprendizagem, pois facilita a compreensão na medida em que o leitor precisa se concentrar no texto.
  • Favorece a autoestima, uma vez que, quanto mais fluente é nossa leitura, mais nos envolvemos e envolvemos nossos ouvintes com o texto.
  • Acima de tudo, ler em voz alta é uma prática de linguagem que envolve tanto o domínio das ideias, como o do corpo, na medida em que precisamos controlar a respiração, por exemplo.
Que tal você exercitar a leitura em voz alta durante o estudo dos textos? Lembre-se, nem sempre em uma primeira leitura conseguimos ler com fluência, do mesmo modo que nem sempre em uma primeira leitura compreendemos todas as ideias do texto.
Por isso, retome a leitura quantas vezes julgar necessário. Você também pode utilizar os procedimentos de grifos, anotações, produção de sínteses, formulação de esquemas, que foram apresentados nas unidades anteriores, para ajudá-lo na compreensão dos conteúdos.
 
O que polui o solo?
A poluição do solo resulta do descarte inadequado de alguns materiais. Ela envolve tanto o lixo doméstico como o descarte de produtos químicos em locais inadequados e em concentrações maiores do que o permitido, o que prejudica os seres humanos e outros organismos que vivem ali. Por isso, chamamos de poluente qualquer substância que não entra na ciclagem natural, por ser de composição estranha a determinado ambiente ou por estar em concentração acima do tolerável nesse ambiente.
Até meados do século XVII, a maior parte do lixo produzido era biodegradável, pois era formado basicamente de restos de alimento, fezes e outros resíduos orgânicos, e se decompunha rapidamente. Com o crescimento das cidades e da população humana, o surgimento das indústrias e o desenvolvimento de novas tecnologias e materiais (combustíveis, plásticos, borrachas e ligas metálicas), cada vez mais são produzidos resíduos que se acumulam no ambiente e demoram mais a ser decompostos, seja por serem formados por novos materiais, seja por estarem em concentrações muito elevadas.
Atualmente, o lixo despejado no solo em grandes quantidades diminui pouco a pouco a qualidade do solo para o plantio e para a sobrevivência dos seres vivos e, muitas vezes, torna-o até inabitável. Por isso, é fundamental estar atento a essas questões e auxiliar, na medida do possível, a reduzir a contaminação do solo por resíduos.
Existem vários elementos causadores desse tipo de poluição: metais pesados, como o cobre, o chumbo e outros; agrotóxicos, como os pesticidas; e ainda outros resíduos, tais como o óleo de cozinha e os insumos hospitalares.
Contaminação do solo
A imagem a seguir mostra uma paisagem na qual se pode observar um solo contaminado.
Que tipo de produto contaminante você acha que há nesse solo? Existe algum elemento da figura que pode ajudar a sustentar essa afirmação?
 
Metais pesados
Você já parou para pensar que o nosso organismo precisa de metais pesados para funcionar bem? Se estamos anêmicos, por exemplo, nosso organismo necessita de ferro, um metal pesado. Nosso organismo também precisa de outros metais, como o zinco (que aumenta a nossa resistência), o lítio (controla o humor e é utilizado para tratar pessoas depressivas e bipolares) e o manganês (ativa enzimas nos processos fisiológicos). Esses são exemplos de metais pesados necessários para a saúde, pois exercem funções específicas no organismo humano. No entanto, há outros metais pesados, como o mercúrio e o chumbo, que, em razão de sua toxicidade, podem provocar doenças graves, entre elas câncer, distúrbios respiratórios, cardiovasculares ou cerebrais. Mesmo os metais que o organismo utiliza normalmente, como ferro, manganês etc., quando em excesso, também causam danos à saúde.
A poluição do solo por metais pesados ocorre, principalmente, por causa do lançamento de resíduos industriais sem tratamento no ambiente, como, por exemplo, o despejo químico das indústrias metalúrgicas e de tintas.
As indústrias podem poluir o solo com metais pesados, diretamente, pelo despejo de resíduos sólidos no solo; indiretamente, pela emissão de pequenas partículas (pedaços muito pequenos) de material sólido ou líquido na atmosfera (que depois se deposita no solo); ou ainda pelo lançamento de resíduos líquidos nos rios, que também contaminam o solo.
 
Contaminação por mercúrio
O mercúrio é utilizado no garimpo (tema que você estudou na Unidade anterior) para separar o ouro de outros metais. Ele é um metal líquido que, quando misturado à água dos rios, reage com o ouro, formando uma mistura chamada amálgama. Essa mistura é peneirada e queimada com um maçarico pelos garimpeiros para extrair o ouro, pois o mercúrio evapora.
Quando inalados, os vapores de mercúrio podem causar sérios problemas no sistema nervoso, nos rins e nas vias respiratórias. Além disso, o mercúrio misturado à água dos rios contamina toda a região por eles banhada. Ao se acumular no organismo dos seres vivos, ele causa sérios danos à saúde, como disfunções do sistema nervoso central, dormência nos braços e nas pernas, visão nebulosa, letargia e irritabilidade, e pode levar à cegueira, à loucura e à morte.
IMAGEM V4-2
Pesquisas realizadas por cientistas da Universidade de Brasília em amostras sanguíneas e de cabelos de populações ribeirinhas do Amazonas constataram que o nível de mercúrio no organismo de pessoas dessas comunidades é quase cinco vezes maior que o considerado normal, mesmo em algumas regiões sem histórico de atividade garimpeira. Ainda assim, em junho de 2013, o Estado do Amazonas liberou o uso de mercúrio para o garimpo com algumas poucas restrições. A justificativa é de que isso é necessário para a manutenção da atividade por pequenas famílias e comunidades.
 
Discutindo questões sobre trabalho e saúde
Ao refletir sobre o tema saúde e trabalho, é importante pensar sobre as condições de trabalho. Elas envolvem fatores presentes na estrutura física em que a atividade é exercida, ou seja, iluminação, ventilação, mobiliário, ruídos produzidos pelo processo de produção das máquinas e pelas vozes. Tudo deve estar adequado ao trabalhador. Mas as condições de trabalho não podem ser compreendidas apenas por esses aspectos.
Por exemplo: imagine um local de trabalho com amplas janelas, que permitem a entrada de luz e ar naturais; mobílias ou maquinário adaptados ao trabalhador; níveis de ruído de acordo com os padrões internacionais, não causando danos à audição; e equipamentos de proteção individual que obedecem às normas para determinado tipo de trabalho etc. Entretanto, se nesse ambiente houver um ritmo de trabalho acelerado, prazos reduzidos para grande produção, chefias desrespeitosas ou que fazem pressão contínua, com uso exagerado de autoridade, haverá boas condições de trabalho?
E, ainda: em empresas que atrasam o pagamento do salário, desobedecem à jornada legal de trabalho, burlam os direitos do trabalhador, entre outros, haverá boas condições de trabalho? Ao pensar em condições de trabalho, é preciso considerar um conjunto de situações e, para isso, é importante conhecer algumas delas de forma detalhada.
 
Doença profissional e doença do trabalho
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e o Ministério da Previdência Social (MPS), segundo a Lei nº 8.213/1991, art. 20, fazem distinção entre doença profissional, que é produzida ou desencadeada pelo exercício de algum trabalho próprio de determinada atividade e que já é reconhecida pela Previdência Social, e doença do trabalho, que é adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado.
Veja essa situação: uma pessoa que tenha contato com produtos químicos pode ser intoxicada durante o trabalho; caso contraia alguma doença em função dessa exposição aos produtos, essa será considerada uma doença profissional. Elas são reconhecidas pela Previdência Social, pois as relações entre a doença e a causa, ligada à atividade que o trabalhador desempenha, já estão classificadas.
A doença do trabalho é diferente. Ela pode ser provocada por um ambiente inadequado que leva ao adoecimento, mas o trabalhador precisa provar na Justiça que adoeceu em função da atividade produtiva que ele exerce. Um exemplo é o caso de um profissional que recorre à Justiça afirmando que ficou surdo em função de um ambiente de trabalho barulhento.
 
Agrotóxicos
O crescimento da produção de alimentos trouxe consigo maior utilização de produtos químicos artificiais que atuam no aumento da produtividade agropecuária. Contudo, a médio prazo, os efeitos desses recursos nem sempre são favoráveis ao solo e à saúde humana.
Chamamos de agrotóxicos os produtos químicos usados na agropecuária como defensivos ou suplementos para plantas e animais. Os defensivos (herbicidas, pesticidas, bactericidas e vermífugos) atuam como uma espécie de vacina contra pragas e doenças. Já os suplementos (adubos químicos, vitaminas, aminoácidos, minerais e hormônios, entre outros) são usados para facilitar e acelerar o crescimento de plantas e animais.
No entanto, por se dissolverem na água, esses produtos se infiltram no solo, levando à eliminação de vários microrganismos que vivem ali, alterando a composição e o equilíbrio desse solo. É possível ainda que atinja águas subterrâneas, contaminando a água de toda uma região. Em qualquer dos casos, comprometem o ambiente e podem afetar a saúde humana e de outros seres vivos.
É uma tendência recente tentar diminuir o uso de agrotóxicos na agricultura, com a produção de alimentos orgânicos, que são cultivados com adubos naturais (terra preta, húmus e esterco), sementes resistentes e utilização de controle biológico de pragas. Nesse caso, a produtividade ou capacidade de produção tende a ser menor.
 
CONTROLE BIOLÓGICO DE PRAGAS
Chamamos pragas, na agricultura, os seres vivos que atacam a lavoura e diminuem sua produtividade. Elas podem ser controladas com a aplicação de agrotóxicos ou com a introdução, na plantação, de algum de seus predadores naturais. Por exemplo, as joaninhas se alimentam de pulgões, ácaros e cochonilhas, que são três tipos comuns de pragas agrícolas. Essa forma natural de eliminar as pragas é denominada controle biológico.
 
3 Outras formas de contaminação do solo
Além da indústria, existem vários outros setores (ou áreas) da economia que também contribuem para deteriorar o solo, produzindo resíduos.
Outros tipos de resíduos
Há outros resíduos sólidos que podem contaminar o solo e que são gerados por diferentes atividades. Eles podem ser de vários tipos.
  • Resíduos domésticos: que resultam das atividades residenciais. Aproximadamente 60% desses resíduos são matéria orgânica (restos de alimentos) e 40% de embalagens (plásticos, latas, vidros, papéis etc.).
  • Resíduos comerciais: produzidos em escritórios, lojas, bancos etc.; ou seja, pelo setor de serviços em geral. São compostos, principalmente, por papel, papelão e plástico. Também há uma parte orgânica, produzida por bares e restaurantes.
  • Resíduos públicos: originados dos serviços de limpeza pública urbana. Incluem os resíduos de varrição das ruas, limpeza de galerias pluviais, córregos, terrenos, praias etc. Sua composição inclui restos vegetais e animais diversos, embalagens, restos de cigarro etc.
  • Resíduos hospitalares: produzidos em hospitais, farmácias, postos de saúde e clínicas veterinárias. São resíduos muito perigosos, pois podem trazer diferentes tipos de danos ao ser humano. São compostos por seringas, aventais, curativos, remédios, entre outros materiais descartados pelos serviços de saúde.
  • Resíduos tecnológicos: atualmente são produzidos em grande quantidade. Trata-se, basicamente, de aparelhos ou restos de aparelhos eletrônicos, como computadores, celulares, CDs, DVDs, impressoras, eletrodomésticos, pilhas e baterias, lâmpadas etc.
  • Entulho: relacionado a restos de obras de construção civil, como tijolos, pedaços de cano, fios metálicos, vidros etc.
  • Resíduos nucleares: produzidos nas usinas nucleares, hospitais e clínicas terapêuticas, são produtos radioativos, como restos de combustível nuclear, cápsulas utilizadas para tratamentos médicos etc.
 
Lixões
Durante muito tempo, o único destino dos resíduos de qualquer origem era o depósito a céu aberto, em locais conhecidos como lixões. Neles, o lixo fica exposto, sem nenhum tratamento ou procedimento que evite prejudicar ou danificar o meio ambiente e a sociedade.
O acúmulo de resíduos sólidos nesses locais contamina o solo e gera um foco para a proliferação de pragas, como ratos, baratas, moscas e outros vetores de doenças.
 
PENSE SOBRE
Embora os lixões sejam lugares onde as pessoas apresentam alto risco de contrair doenças, há crianças, adolescentes e adultos que trabalham neles, recolhendo materiais recicláveis para vender e até restos de comida para se alimentar. Reflita sobre o modo de vida desses trabalhadores e os fatores que os levaram a fazer esse tipo de trabalho. O que poderia ser feito pelos governos para ampliar seus direitos e gerar novas oportunidades de trabalho para esses trabalhadores?
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