Fascismos

Ideologia e ascensão
Chamamos de fascistas os governos totalitários desenvolvidos no período entreguerras (1919-1939) na Europa. Nesses governos, os interesses do Estado foram colocados acima dos interesses dos cidadãos.
Dentre as principais características desse modelo político, destacam-se:
• autoritarismo ou totalitarismo — governo ditatorial com submissão de todos ao Estado;
• nacionalismo;
• expansionismo;
• militarismo;
• uni partidarismo;
• culto ao líder (a exemplo do Führer na Alemanha ou do Duce na Itália);
• anticomunismo, antissocialíssimo e antiliberalismo.
Além dessas características comuns aos regimes fascistas, alguns elementos particulares destacaram-se em cada regime, a exemplo do antissemitismo (no caso alemão), e do corporativismo (no caso italiano).
 
Contexto entre guerras
O fortalecimento dos partidos políticos de ideologia fascista só foi possível pelo contexto em que se encontrava a Europa na década de 1930. A realidade europeia do pós-guerra era desoladora. Havia uma crise econômica, social e também de valores por todo o continente. O saldo de mortos, cerca de 10 milhões, pesava sobre a força produtiva dos países. Existiam ainda os amputados e feridos, as viúvas e os órfãos, os quais expunham fragilidade social.
O clima depressivo contrastava com os avanços tecnológicos desenvolvidos durante os conflitos, os quais aludiam a uma nova época, industrial e avançada.
A Crise de 1929 só veio a contribuir para o cenário crítico europeu. Os países que aos poucos superavam as consequências da guerra, foram atingidos por uma nova crise econômica. Nesse contexto, duas ideologias políticas despontaram: o socialismo, modelo político representado pela URSS, que se mostrava forte por não ter sido atingida pela Crise de 1929; e os fascismos, modelo que se mostrava avesso às políticas econômicas liberais que levaram à crise e que defendia medidas de defesa da nação e oposição ao socialismo. 
Nos principais países em que atuaram (Itália e Alemanha), os partidos fascistas contaram também com a insatisfação política e popular em relação aos acordos travados no pós-guerra. A Itália reivindicava o cumprimento dos acordos travados com os demais países vitoriosos; a Alemanha, por sua vez, opunha-se às imposições estipuladas pelo Tratado de Versalhes, e procurava formas de retomar seu crescimento.
Indicamos, então, como causas gerais para a ascensão dos fascismos:
• a crise gerada pela Primeira Guerra Mundial e agravada pela Crise de 1929;
• a insatisfação na Alemanha pelo Tratado de Versalhes;
• a insatisfação na Itália pelos acordos não cumpridos apesar do apoio ao lado vitorioso;
• o medo do avanço das ideias socialistas.
Podemos afirmar que o medo do “perigo vermelho” (socialismo) permitiu ampla adesão social ao fascismo por parte da alta burguesia, dos militares, dos latifundiários e da classe média.
 
Itália fascista
Em 1919, Benito Mussolini fundou o Partido Fascista e organizou milícias armadas (camisas negras) para disseminar as ideias fascistas e combater os opositores do partido.
Em 1921, ocorreu a eleição de políticos fascistas para o Parlamento. Diante da instabilidade político-econômica da Itália pós-guerra, Mussolini liderou a Marcha Sobre Roma (1922), com o intuito de adquirir apoio popular e pressionar o rei Vitor Emanuel III a garantir maior participação do partido fascista no governo. Diante disso, o rei convidou Mussolini para o cargo de primeiro-ministro. Em 1925, Mussolini virou o Duce (líder).
Em seu governo, que teve início em 1925, Mussolini mostrou-se autoritário: declarou ilegais todos os partidos políticos da Itália, exceto o seu, o fascista; instituiu a censura à imprensa e suprimiu as eleições parlamentares. 
Rapidamente, Mussolini conduziu um golpe de Estado, colocando-se como liderança do país. No ano de 1927, foi promulgada a Carta Del Lavoro, que assegurava os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, considerando o trabalho um dever social e os movimentos grevistas ilegais. 
Em 1929, por meio do Tratado e o Concordato de Latrão, o Estado fascista determinou a criação do Estado soberano do Vaticano, que seria neutro e inviolável, respondendo à autoridade do papa.
Mussolini buscou retirar a Itália da recessão econômica e modernizar a nação. Com o medo do comunismo, as elites italianas viam no projeto da Itália fascista a possibilidade de se reerguerem e apoiaram o projeto fascista. Mussolini subsidiou a construção de obras públicas, investiu em educação de base e introduziu novas técnicas de agricultura. Em 1935, o Estado fascista estatizou cerca de três quartos dos negócios industriais e de serviços da Itália. No ano seguinte, instituiu controle de preços para tentar combater a inflação. 
No âmbito externo, os italianos avançaram militarmente em direção à Etiópia, em 1935, e no ano de 1936 atuaram na Guerra Civil Espanhola. O ano de 1939 apresentou o início da Segunda Guerra Mundial e, com ele, a participação da Itália no conflito ao lado da Alemanha de Hitler. 
O caos econômico e o fiasco da participação italiana na Segunda Guerra levaram Mussolini ao declínio da Itália. Em 1944, foi executado por opositores ao fascismo, e seu corpo foi exposto em praça pública, recebendo golpes da população furiosa.
 
Espanha franquista
Até o ano de 1931, a Espanha era uma monarquia. A partir de então, eleições decidiram o futuro da nação, acabando com a monarquia e impondo um regime republicano. Porém, havia muitas contradições sociais e políticas que levaram, em 1936, a Frente Popular à vitória nas eleições e ao início de um conflito civil armado. Dava-se início à Guerra Civil Espanhola (1936-1939), conflito marcante no cenário europeu.    
O conflito foi travado entre os republicanos e os nacionalistas. Os primeiros eram caracterizados por apoiar o governo republicano legal, ideia representada e defendida pela burguesia liberal democrata, entre outros grupos, e por forças europeias dos sindicatos, os partidos da esquerda e partidários da democracia.
Já para os nacionalistas, o objetivo era acabar com a influência comunista e restabelecer os valores da Espanha tradicional. Como resultado dessa crise, no ano de 1930, a ditadura do general Primo de Rivera foi derrubada e, em seguida, caiu também a monarquia. O rei Afonso XIII foi obrigado a se exilar e foi proclamada a república em 1931, chamada de “República de Trabajadores”. 
No dia 18 de julho de 1936, o general Francisco Franco insurgiu o exército contra o governo republicano, dando início ao conflito que anteciparia a Segunda Guerra Mundial.
Porém, o general não contava com a existência de uma forte resistência, com participação popular por parte de socialistas e anarquistas. Logo, a Espanha ficou dividida em duas partes: uma parcela pertencente aos nacionalistas e a outra, aos republicanos.
Os nacionalistas liderados, pelo general Franco, venceram com facilidade o lado republicano, e então implantaram o regime fascista que durou até meados da década de 1970.
Portugal salazarista
Em 1910, foi implantada a república em Portugal e promoveram-se reformas na política e na economia, afetando o meio social. Essa atitude provocou uma reação do lado conservador (militares e burguesia conservadora), que apoiou as ideias fascistas de Antônio de Oliveira Salazar, que assumiu o governo de Portugal no ano de 1928 e manteve-se no poder até 1968.
Salazar implantou em Portugal uma política fundamentada em não fornecer concessões ao liberalismo, à democracia e nem ao socialismo.
No ano de 1933, foi formulada uma constituição de caráter corporativo, antidemocrática e antiparlamentar. Uma das medidas também foi o fim do sufrágio universal. A educação ficou a cargo da Igreja Católica. Foi elaborada a “Carta do Trabalho”, tendo como influência a carta italiana, que estabeleceu os direitos trabalhistas, a chamada Carta del Lavoro.
Essa carta promoveu a formação única dos sindicatos para representar os trabalhadores. O governo implantado por Salazar recebeu o nome de Estado Novo.
No ano de 1970, Salazar veio a falecer, e o regime totalitarista português entrou em decadência. No ano de 1974, o governo fascista foi derrubado pela Revolução dos Cravos, quando membros das Forças Armadas contrárias ao regime ocuparam a cidade de Lisboa. Essa revolução acabou promovendo um impulso aos movimentos de independência das colônias portuguesas na África e na Ásia
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