Crise de 1929 e seus efeitos

Estados Unidos pós-Primeira Guerra
A Crise de 1929 teve início nos Estados Unidos da América, e se alastrou pelos países com os quais possuía relações comerciais. Com origem na superprodução industrial e agrícola, a crise econômica norte-americana passou pela quebra da Bolsa de Valores de Nova York, e culminou em uma grave crise social no país, que implicou em altos níveis de miséria e desemprego. 
Podemos indicar como as principais causas para a crise:
• euforia econômica norte-americana no pós-guerra;
• ausência de controle diante do liberalismo econômico;
• superprodução — avanço das forças produtivas e aumento da produtividade;
• subconsumo — mercado interno limitado e o externo arrasado, aliado aos baixos salários pagos aos trabalhadores;
• especulação financeira — extrema valorização das ações.
 
Quebra da Bolsa de Nova York
O estopim da crise foi a Quebra da Bolsa de Nova York (crash). 
Em 24 de outubro de 1929, o dia que ficou conhecido como quinta-feira negra, o preço das ações da Bolsa de Valores de Nova York começou a declinar. Atemorizados, os investidores reduziram as quantias que empregavam na bolsa e os empresários diminuíram sua produção industrial. Muitos clientes correram para os bancos a fim de retirarem suas poupanças. No entanto, as casas bancárias estavam em falência, conforme um efeito dominó. Logo, muitos perceberam que os bancos não poderiam devolver o dinheiro depositado.
Do dia para a noite, 12 milhões de norte-americanos estavam desempregados, casas e terras foram vendidas e filas de pessoas em busca de emprego (e também de assistência do Estado) se formavam pelas cidades. Foi esse contexto que gerou a grande depressão econômica norte-americana, que perdurou pelos anos de 1929 a 1932.
Entre as principais consequências da quebra da Bolsa de Valores, destacam-se:
• recessão econômica;
• falências e redução de empresas;
• redução do consumo e da produção;
• desemprego e arrocho salarial;
• miséria e fome;
• crise no comércio mundial;
• repatriamento de capitais estrangeiros;
• crítica ao liberalismo e à democracia – fascismo;
• New Deal.
 
New Deal (1933-1939) 
Frente à crise econômica e social que se instaurou no país, o então presidente Franklin Delano Roosevelt traçou um plano para a recuperação econômica norte-americana, e consequente solução dos problemas sociais do país.
O New Deal defendia o planejamento econômico com intervenção do Estado. Baseou-se nos princípios do economista Keynes (keynesianismo), que defendia a intervenção estatal para estimular a prosperidade liberal. As principais medidas foram:
• concessão de empréstimos aos fazendeiros para reorganizarem a produção;
• controle da produção visando à manutenção dos preços dos produtos;
• criação do salário-desemprego;
• incentivo à construção de obras públicas;
• legalização dos sindicatos;
• emissões monetárias;
• criação de um fundo para proteger os depósitos populares nos bancos.
Como consequências do New Deal, podemos citar: as origens do “estado vigilante”, no qual o liberalismo passou a admitir intervenções para conter crises; as origens dos modernos sistemas previdenciários e das políticas de bem-estar social, ou welfare state. Essas nomenclaturas designavam um papel mais assistencialista do Estado, que deveria garantir padrões suficientes de educação, saúde, habitação, renda e seguridade social a todos os cidadãos. Tais políticas tiveram seu início na década de 1930, mas despontaram no período pós-Segunda Guerra Mundial.
 
A Crise de 1929 pelo mundo
Como previamente mencionado, a crise não atingiu apenas os EUA, mas também os países que possuíam relações comerciais com ele. Ao longo da década de 1930 foram muitas as repercussões dessa crise pelo mundo. 
 
Alemanha
Na Europa Ocidental, especialmente em países como a Alemanha, que possuíam a economia já fragilizada por conta da guerra, os efeitos foram desastrosos. Um dos reflexos foi a grande desvalorização do Marco (moeda alemã) e a alta no índice de desemprego. Conjuntura essa essencial para a ascensão do partido nazista.
 
Brasil
A economia agroexportadora brasileira, especialmente de café, dependia das compras dos EUA e de países europeus, todos afetados pela crise. Dessa forma, as vendas do café atingiram os piores índices após décadas. Essa queda das vendas influenciou diretamente a política brasileira, refletindo-se na política do café com leite, que consistia na divisão do poder entre o Partido Republicano Paulista e o Partido Republicano Mineiro, produtores de café e leite, respectivamente. 
A crise na economia cafeeira foi responsável por uma mudança na política brasileira, pois criou o ambiente de insatisfação necessário para a Revolução de 1930 e do golpe que levou Getúlio Vargas ao poder.
Educando Mais! Todos os direitos reservados - © 2019 Educando Mais! 
  • Facebook
  • Canal Educando Mais!
  • Instagram
  • Rádio Educando Mais
  • Rádio Educando Mais
  • Rádio Educando Mais
  • Rádio Educando Mais
  • RSS ícone social
E-mail do Educando Mais!
WhatsApp do Educando Mais!