Feudalismo

A relação vassálica é um laço estabelecido de homem para homem, entre um senhor e seu vassalo. O senhor era o homem mais velho, o vassalo, o mais jovem. Esta relação apenas ocorria entre os grupos dominantes, ou seja, era uma relação entre os nobres.
O vassalo comprometia-se com seu senhor por meio de obrigações do costume feudal. Estas obrigações variavam muito de região e de época, mas mantinham três condutas principais: o vassalo tinha obrigação de se incorporar às operações militares empreendidas pelo senhor; ajudar financeiramente e bem aconselhar seu senhor. Em troca, o senhor devia a seu vassalo proteção e respeito, educar seus filhos e lhe prover um feudo para manter sua posição social. O feudo era, portanto, uma concessão de um poder senhorial de uma terra e de seus habitantes, mas, também, poderia ser referente a um direito particular, como por exemplo exercer a justiça, recolher uma taxa ou cobrar um pedágio.
Essa relação era instituída por meio de um ritual, chamado homenagem. Foi uma prática social típica da França no medievo. O vassalo declarava verbalmente seu comprometimento, fazia o gesto de deixar as mãos unidas às do senhor e jurava sobre a Bíblia sua fidelidade. O ritual de vassalagem instituiu, na visão de Jacques Le Goff, de maneira visível e concreta, uma hierarquia entre iguais, estruturando diferenças internas de uma classe (nobreza) que, em seu conjunto, se queria acima dos homens comuns.
Dentro do feudo existiam as relações de dominium. Georges Duby demonstrou que essa era a forma central de exploração do feudalismo. O dominium era entre o senhor, dono da terra, e os camponeses, que trabalhavam na terra, no regime de servidão. Nesse regime, havia uma série de obrigações do servo para com seu senhor:
• Corveia– o servo deveria trabalhar um tempo nas terras de seu senhor ou em obras de construção ou reparação de pontes, estradas, represas e canais e cuidados com rebanhos;
• Talha– o servo destinava uma parte de sua produção para seu senhor;
• Banalidades– impostos que os servos pagavam para utilizar estruturas nas terras do senhor, como por exemplo celeiros, moinhos, fornos, casas, etc.
Como observa Edward Thompson, o conceito central da tradição feudal não era o de propriedade, mas o de obrigações recíprocas. O senhor era aquele que possuía a terra, não porque tinha o título da propriedade, mas porque ele era aquele que a protegia e nela exercia a dominação sobre os dependentes.
 
Características
● Elementos romanos e germânicos: o beneficium, que consistia em uma concessão de terras que os nobres faziam aos guerreiros; o comitatus, que estabelecia a fidelidade entre nobres e seus guerreiros, e a economia pastoril são elementos germânicos presentes. O regime de colonato que fundamentava as relações servis tem sua raiz nos romanos.
● Sociedade baseada na Trifuncionalidade: Charles Loyseau, parisiense, publicou, em 1610, a obra Tratado das Ordens e Simples Dignidades e a partir da análise dessa obra, o historiador Georges Duby popularizou a teoria da trifuncionalidade, na qual três funções sociais seriam as responsáveis pela ordem feudal: os bellatores, representados pelos nobres cavaleiros, responsáveis pela defesa e expansão da sociedade; os laboratores, refletidos nos camponeses que sustentavam a produção econômica de subsistência agrícola; e os oratores, simbolizados pela Igreja Católica medieval, que mantinha a mentalidade cristã.
● Economia com ausência de moedas e baseada na agricultura de subsistência. A partir do século XII aumento de trocas locais em mercados regulares nas aldeias.
● Nas cidades encontravam-se o castelo senhorial, as igrejas e os mercados. Nelas havia balanças públicas, medidas de pesos, artesanato e comércio. Ali também estavam poços, fontes e banhos, bem como bordéis, tribunais, prisões e cemitérios. A presença das igrejas, centros litúrgicos, centros de devoções e de cerimônias, relicários e pontos de partida de procissões é um destaque. A fortaleza senhorial era outro símbolo forte das cidades medievais, e se utilizava de prisões, do pelourinho e do patíbulo para buscar a manutenção da ordem.
● Durante os séculos XI e XIII o sistema de produção feudal consolidou-se na Europa Ocidental, levando os historiadores a classificar este período como o apogeu da Idade Média. A população que havia diminuído com guerras, fome e pestes voltou a crescer nessa época.
● O comércio medieval teve dois grandes centros: ao sul da Europa, nas cidades da Península Itálica; e ao norte, nas cidades da atual Alemanha.
● Corporações de ofícios: associações profissionais dirigidas pelos mestres de cada ofício que produziam uma única e determinada mercadoria em oficinas, nas cidades. O mestre cedia a matéria-prima, a ferramenta, e ficava com o resultado econômico da produção; em troca, ensinava o ofício, mantinha os empregados em suas necessidades e lhes destinava alguma importância econômica.
● Entre os séculos XI e XIII: crise. Conhecida como crise do século XIV. Devido ao esgotamento das minas – consequência direta dos limites tecnológicos na extração de minérios – e à queda na produtividade agrícola, devido ao mau uso do solo que resultou em péssimas colheitas e, consequentemente, fome. Também, a Guerra dos Cem anos, entre França e Inglaterra, que ajudou a centralizar o poder do rei, abalou a ordem feudal.
● A peste bubônica, chamada de peste negra – ocorrida por volta de 1348 – dizimou a população européia e acabou com toda a estruturação econômica, ocasionando fome. Cerca de um quarto da população europeia morreu vítima desta doença, cuja taxa de letalidade era alta, matando 7 de cada 10 infectados.
● Devido à mortandade ocasionada pela peste negra, houve escassez de mão de obra e os camponeses que sobreviveram eram sobrecarregados. Eles se revoltaram e pressionaram os senhores.
● Cruzadas: deveram-se ao avanço muçulmano sobre territórios sagrados dos cristãos e a ameaça daqueles em destruírem relíquias e locais santos. Também se trataram de peregrinações armadas feitas por cristãos abastados que se arriscavam para conhecer e venerar locais santos. Como se arrastaram por um longo tempo, engendraram outros elementos, tais como: incremento do comércio, incremento de relações entre Oriente e Ocidente, seja pelo comércio ou pela cultura; deslocamento da violência da sociedade cavaleiresca.
 
Cultura
A cultura medieval foi balizada pelos valores religiosos do cristianismo, os quais contavam com desenvolvimento intelectual acentuado, refletido na criação de universidades que dotavam a igreja de pesquisadores, cientistas e teólogos do mais alto gabarito. Também se desenvolveram as artes associadas ao religioso, como a pintura e a escultura e a arquitetura das catedrais, com destaque ao estilo gótico, que refletia a mística cristã para além de um templo religioso, instruía na fé cristã por meio dos vitrais e do espaço direcionado à contemplação.
A partir do século XI uma fase de transformações nas relações feudais se iniciou e configurou um momento de transição. O movimento das Cruzadas, iniciadas para expulsar os muçulmanos de Jerusalém e de locais santos, teve como efeito colateral a reabertura do Mar Mediterrâneo, fato que incrementou o comércio europeu. Juntamente com a maior atividade comercial, notadamente, entre Oriente e Ocidente, as cidades se desenvolveram mais e uma crescente urbanização é acompanhada por uma expansão de manufaturas e de artesanato.

Cruzadas
Devido à necessidade de encontrar novas terras e devido ao crescimento populacional, os exércitos treinados também aumentaram na Europa. As cruzadas foram motivadas devido à ocupação dos muçulmanos da Terra Santa (Jerusalém), a qual estava sob ameaça de ter locais venerados pelos cristãos destruídos pelos islâmicos. Assim, os cristãos europeus organizaram exércitos para partir rumo ao Oriente e retomar a cidade. Porém, este processo foi demorado e desgastante, e durante sua execução engendrou expansão comercial, pois houve aumento do interesse na Europa pelos produtos orientais, explorados pelos comerciantes que movimentavam mercadorias paralelamente às marchas de soldados cristãos. 
Ademais, na mesma época das cruzadas, houve aumento, entre a nobreza, de nobres secundogênitos, que são filhos homens que não recebiam a herança porque esta era reservada ao primogênito. Assim, muitos destes homens adultos integraram-se às cruzadas e ao chegarem ao Oriente perceberam que poderiam adquirir riquezas, como terras para si, oriundas dos conflitos. Assim, as Cruzadas também, colateralmente, trouxeram prestígio social a alguns indivíduos nobres. É importante frisar que os nobres não partiram com essa intenção, mas que no fim do processo cruzadístico, a aquisição de riquezas foi uma consequência.
O ponto de partida das expedições realizadas para o Oriente Médio deu-se com o discurso do papa Urbano II no Concílio de Clermont, em 1095. As três primeiras cruzadas foram de grande importância para os ocidentais. Houve um forte espírito cruzadista e conquistas militares significativas. Porém, a partir da quarta cruzada, outras questões (de ordem econômica e política) fizeram com que os combatentes não lutassem contra os infiéis, e sim, contra os bizantinos. Da quinta até a oitava cruzada, as expedições perderam sua força ideológica. Juntamente com esse fenômeno, enfraqueceu também a conhecida figura do cavaleiro medieval. Os fracassos militares fizeram com que as Cruzadas fossem se extinguindo aos poucos, até o seu fim nas últimas décadas do século XIII.
 
Reconquista da Península Ibérica
A Península Ibérica (onde hoje se encontram os atuais Estados de Portugal e Espanha) foi invadida pelos muçulmanos desde o início do século VIII (mais precisamente em 711, a “segunda expansão islâmica”). Desde aquele momento começou o processo de reconquista territorial.
Em fins do século XI, a luta de reconquista foi patrocinada pelos chefes da Igreja, ganhando a partir daquele período o caráter de Cruzada. A península ficou sob posse dos mouros até o século XV: só em 1492, o Reino de Granada, o último reduto muçulmano, foi tomado pelos cristãos, dando fim ao domínio islâmico.
 
Consequências das Cruzadas
De forma geral, podemos dizer que as Cruzadas fracassaram em seu objetivo central: o de conquistar a Terra Santa. Há, entretanto, várias repercussões importantes a serem salientadas, como o maior contato entre Oriente e Ocidente propiciado pelo movimento. Vários costumes, hábitos e, fundamentalmente, produtos do Oriente – as famosas especiarias – passaram a fazer parte do cotidiano dos europeus. O interesse por tais produtos motivou sua circulação, trazendo benefícios à economia da época, o que se refletiu, por exemplo, nas feiras medievais.
 
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