6. Hebreus, Fenícios e Persas

Hebreus

De origem semita, os hebreus eram nômades que se estabeleceram na região da Palestina no século XVIII a.C. As secas os obrigaram a migrar para lugares mais férteis, como o Delta do Nilo, durante a dominação dos hicsos, em torno de 1700 a.C. Com o fim da dominação estrangeira, os hebreus sofreram com a política do governo egípcio em relação aos outros povos, tendo sido servilizados. Durante este período, fomentaram a ideia de retornar à “Terra Prometida” por Deus (a Palestina). Partiram guiados por Moisés, que morreu antes de chegar ao destino desejado. O Antigo Testamento é a principal fonte da história dos hebreus e trata-se de um conjunto de textos em que existe a narrativa deste período de peregrinação, notadamente no texto do Êxodo. 
De volta à Palestina, tiveram dificuldade para povoar a terra, ocupada por outros povos. Lutaram intensamente para reconquistar a terra (territórios próximos ao Rio Jordão), enfrentando dificuldades devido à fragmentada organização política (divisão em 12 tribos chefiadas por um juiz, líder militar e religioso). Para fortalecê-la, a junção de tais tribos deu origem à monarquia hebraica, cujo primeiro soberano foi o rei Davi. O apogeu dessa forma de governo foi com o rei Salomão, herdeiro do primeiro rei. Sua morte dividiu o reino em dois: Judá e Israel. A divisão enfraqueceu o povo hebreu, que foi dominado por assírios, caldeus (no já mencionado cativeiro da Babilônia, durante o reinado de Nabucodonosor), persas, gregos e romanos. Expulsos por estes últimos no episódio conhecido como diáspora, os hebreus permaneceram até o século XX – mais precisamente, 1948, com a criação do Estado de Israel – sem pátria.
Podemos traçar uma característica dos hebreus fundamental para diferenciá-los dos outros povos da região: o monoteísmo. Tratou-se da primeira experiência bem-sucedida de religião monoteísta da Antiguidade. A religião é o elemento central na civilização hebraica – cuja lei é pautada pela Torá – e estabelece uma união cultural e identitária deste povo.

Fenícios
 
Bem como os hebreus, os fenícios eram um povo semita. Suas origens remontam ao terceiro milênio a.C., quando ocuparam uma estreita faixa litorânea – atual Líbano – ao norte da Palestina. Eis algumas de suas peculiaridades: eram marinheiros e comerciantes, uma vez que suas terras férteis eram escassas. Os fenícios foram grandes navegadores de seu tempo, devido à ampla atividade comercial, pois travaram contato com outras civilizações.
Exportavam seus produtos para todo o Mediterrâneo (vinho, azeite, objetos de madeira, marfim, tecidos tingidos usados pelas altas camadas sociais dos grandes impérios da Antiguidade). Importavam os itens de que necessitavam, sobretudo cereais. Estabeleceram colônias/feitorias em várias partes do Mediterrâneo (Mar Egeu, Ásia Menor, Sicília, Sardenha, Espanha, entre outras). Uma das mais famosas foi Cartago (Golfo de Túnis, norte da África), a mais importante colônia ocidental.
Organização política
Diferentemente dos egípcios, não constituíam um império, dividindo-se em cidades-estados governadas por um rei, juntamente com um conselho de anciões, magistrados e sacerdotes.
Aspectos culturais
Certamente, a grande contribuição da cultura fenícia foi o alfabeto, mais simples (composto por apenas 22 letras) e dinâmico do que o cuneiforme mesopotâmico e o hieroglífico egípcio. Acredita-se que foi elaborado na cidade-estado de Biblos, uma das mais importantes da civilização fenícia. Habitando uma estreita faixa de terras áridas, entre as montanhas do Líbano e o Mar Mediterrâneo, os fenícios dedicaram-se ao comércio marítimo. 
A presença de florestas de cedro na região montanhosa facilitou o desenvolvimento da indústria naval, favorecendo a navegação. Essa civilização se deu entre 1400 e 600 a.C. Os fenícios nunca formaram uma unidade política. Estavam organizados em cidades-estados, governados por oligarquias mercantilistas; entras elas, destacam-se as cidades de Tiro, Sidon, Biblos e Ugarit. Essas cidades comercializavam ouro, prata, estanho, cobre, marfim, âmbar, madeiras, peles finas, seda, linho, gado, perfumes, condimentos, alimentos e escravizados. Pela necessidade de comunicação com outras nações, organizaram um código de escrita: o alfabeto fenício, mais tarde adotado pelos gregos, que colocaram nele as vogais, transformando-o naquele que se conhece hoje.
 
Persas

Os povos medos e persas, de origem ariana e indo-europeia, vêm da região oriental do Cáucaso (Ásia Central). Em busca de boas pastagens, deslocavam-se constantemente, do Cáucaso ao Planalto do Irã. No século VIII a.C., eram grupos organizados em pequenos estados – destacando-se o Reino dos Medos (ao sul do Mar Cáspio) e o Reino dos Persas (a leste do Golfo Pérsico).
Os conflitos em que os medos, juntamente com os caldeus, derrotaram o Império Assírio resultaram na constituição do Império Neobabilônico (para os caldeus) e de um reino englobando persas aos medos. Ciro (550-529 a.C.), então rei da Pérsia, fundiu os dois reinos, formando o Império Persa, cuja expansão territorial foi levada a cabo respeitando as diferenças culturais e religiosas dos povos subjugados. Foi sob o reinado de Ciro que se deu a conquista da Babilônia, libertando os hebreus do cativeiro.
O sucessor de Ciro foi seu filho Cambises, que conquistou o Egito em 525 a.C. e morreu sem deixar filhos. Após sua morte, assumiu o poder Dario, soberano persa considerado um administrador exemplar e responsável pelo apogeu do império. Dario dividiu o império em satrapias, unidades administrativas com relativa autonomia, governadas pelos sátrapas e fiscalizadas por inspetores reais (os “olhos e ouvidos do rei”). Apesar da magnitude e da extensão do Império Persa, as satrapias não ficavam isoladas uma das outras: eram interligadas por uma ampla rede de estradas que cortava todo o império, viabilizando uma rápida comunicação entre elas – evidenciada pelo eficaz sistema de correios –, algo raro à época. A sólida unidade do Império Persa habilitou a circulação da primeira moeda com valor aceito e confiável no mundo antigo: o dárico.
Porém, o bem-sucedido reinado de Dario foi marcado por um conflito militar que visava garantir o domínio completo das colônias gregas: foram as Guerras Médicas, início da decadência do Império Persa. O desgaste da luta e, principalmente, vitória dos gregos desencadearam o declínio irreversível do império que, apesar de conseguir conter várias revoltas da população (já na época de Xerxes), sucumbiu à conquista do território por Alexandre Magno, que derrotou Dário III, um século depois.
 
Características econômicas
Viviam, basicamente, do cultivo agrícola e do recolhimento de tributos cobrados dos povos dominados.

 
Divisão social
Uma minoria integrava a elite, composta por imperador, sacerdotes, sátrapas e inspetores reais. A maioria restante da população englobava camponeses, artesãos, comerciantes e afins.

 
Aspectos culturais
Os persas fizeram uma síntese cultural com outros povos. No campo religioso, merecem destaque o mazdeísmo e o mitraísmo. O primeiro foi fruto de uma profunda mudança na religião, realizada pelo profeta Zaratustra, que alegava haver uma luta entre o bem (deus Mazda) e o mal (deus Ahriman) envolvendo o homem. De acordo com o profeta, o homem deve seguir Mazda, deus que venceria o conflito. Já o mitraísmo valorizava o bem e a vida após a morte.
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