Imperialismo


Foi o processo de expansão das potências industriais, ocorrido no século XIX e no início do século XX, que provocou a partilha da África e da Ásia entre essas potências.
O imperialismo também é conhecido como neocolonialismo, pois apresenta aspectos semelhantes ao antigo sistema colonial dos séculos XV ao XVIII, ocorrido na América — a exemplo do eurocentrismo, baseado na ideia de darwinismo social.
A Oceania também foi dominada (basicamente pela Inglaterra), e na América Latina predominou a dominação econômica, pois a região lutou pela sua independência política no século XIX.
As principais potências imperialistas foram os países europeus industrializados, destacando-se Inglaterra, França e Alemanha. Fora da Europa, destacaram-se Estados Unidos e Japão.

Política colonizadora
As principais características da política colonizadora imperialista foram:
● intensificação do mecanismo de exploração internacional;
● diplomacia do canhão — a dominação imperialista conseguida pela força.
 
Tipos de dominação:
• colônias — ocorria a ocupação territorial e militar. Ex.: Argélia, Angola e África do Sul;
• protetorados — mantinham chefes locais, mas a política e a economia eram controladas pela nação imperialista. Ex.: Marrocos, Índia e Egito;
• áreas de influência — a nação imperialista obtinha concessões da região dominada. Ex.: China;
• dominação financeira — países politicamente livres que dependiam de investimento de outros países para se desenvolverem economicamente. Ex.: países da América Latina; Objetivos:
• conseguir mão de obra barata e disponibilidade de matéria-prima;
• controle da produção e do consumo;
• exportação de excedente populacional para conter crises.
 
Causas gerais
As principais causas foram:
● necessidade de novas fontes de matérias-primas — ferro, cobre, petróleo, manganês, trigo, algodão;
● necessidade de mercados consumidores para a produção industrial;
● locais para exportar população diante do crescimento demográfico europeu;
● necessidade de áreas para aplicação dos capitais excedentes;
● interesse no controle de bases estratégicas para o comércio marítimo de cada potência.
 
Justificativa ideológica
Para justificar o imperialismo, foi desenvolvida a teoria da “missão civilizadora”, que consistia em levar o progresso aos povos mais atrasados. Também ficou conhecida como a teoria do “fardo do homem branco” (Rudyard Kipling).
O princípio básico de sustentação ideológica era a teoria pseudocientífica de superioridade do homem branco, ou seja, uma falsa teoria que afirmava que o homem branco europeu era superior às demais raças.
 
África
Partilha da África

Em 1885, os países imperialistas europeus se reuniram numa conferência em Berlim para estudar o continente africano e as melhores formas de conseguir expansão comercial na região. Esse evento foi a Conferência de Berlim. Nessa reunião, esses países concluíram que a melhor maneira de penetrar seus produtos industrializados na África seria por meio dos rios, os quais poderiam escoar rapidamente, entre diversas regiões habitadas, os excedentes da indústria europeia,  promovendo lucro aos países. Porém, perceberam que seriam necessários acordos com chefes tribais locais, pois de outro modo os produtos não seriam permitidos. As negociações falharam, e os países decidiram impor aos africanos o consumo de seus produtos, o trabalho em suas fábricas e a mudança econômica daí derivada. Para isso, utilizaram-se da justificativa do “darwinismo social”, em que categorizavam a África como um país rico, mas atrasado em seu desenvolvimento devido aos ocupantes nativos, que estavam em um processo de desenvolvimento civilizatório, entendido assim pelos europeus: atrasado. A fim de “levar o progresso” à África, os países europeus fizeram uso da força militar para firmar acordos de divisão territorial entre si e estabelecer mercados consumidores e fornecedores de mão de obra e recursos minerais e vegetais. Esse acontecimento ficou conhecido como Partilha da África.
Para ter ideia da importância da reunião, em 1870, pouco mais de 25% do território africano era dominado pelas potências imperialistas. Em 1900, a dominação atingiu 90%, distribuídos entre diversos países.
 
Conflitos imperialistas na África
 
Guerra dos Boers (1899-1902)
No sul da África, os ingleses dominavam a Colônia do Cabo (África do Sul), enquanto os holandeses dominavam as repúblicas livres de Orange e Transvaal.
A intensificação dos atritos entre colonos ingleses e holandeses ocorreu depois da descoberta de diamante e ouro em Joanesburgo (Transvaal).
A Inglaterra, vitoriosa, anexou o Orange e o Transvaal às colônias do Cabo e Natal, gerando a União Sul-Africana.
 
Canal de Suez
O Canal de Suez diminuía a distância entre a Europa e a Ásia por meio da ligação do Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho. Inicialmente o controle era francês e egípcio.
Em 1875, a Inglaterra comprou a parte egípcia. Em 1904, a Inglaterra passou a ter o domínio completo devido a um acordo com a França: os ingleses apoiaram os franceses na conquista do Marrocos.
 
Crise do Marrocos
Foram duas crises:
• 1905 — a Alemanha protestou contra o domínio francês do Marrocos. Uma conferência internacional apoiou o domínio francês;
• 1911 — a Alemanha novamente questionou a França e teve que contentar-se em receber parte do Congo francês.
 
Ásia
Na Ásia, destaca-se o imperialismo na Índia, na China e no Japão.
Domínio britânico da Índia
O domínio inglês sobre a Índia foi efetivado pelo protetorado e pela administração britânica.
Os principais reflexos da presença inglesa foram:
● destruição da tradicional indústria têxtil;
● ruína da economia de subsistência; 
● fome;
● fomento do nacionalismo indiano.
Apesar disso tudo, a presença britânica trouxe alguns benefícios para a Índia:
● o legado de um idioma comum, o inglês: tornou possível a comunicação entre as diversas etnias que habitam a Índia;
● a modernização do país: asfaltamento de rua, construção de ferrovias, disponibilização do telégrafo;
● fundação de universidades: permitiu o surgimento de uma elite indiana letrada;
● coibição, por parte das autoridades britânicas, de cer-tas práticas violentas que eram até então comuns em certos lugares da Índia: por exemplo, houve proibição do sati, ritual que consistia em cremar a viúva (ainda vida) junto com o corpo do falecido marido. Houve também perseguição aos thugs, (ou thuggees), seita de assassinos, adoradores da deusa Kali, que assaltavam e estrangulavam suas vítimas pelas estradas do país.
A reação a isso foi a Guerra dos Cipaios (1857), movimento nacionalista de resistência à dominação imperialista realizado pelos soldados indianos. A revolta foi sufocada, e a Índia, transformada em colônia britânica e depois em área do Império Britânico.
 
Break-up da China
Chama-se break-up o processo de divisão comercial da China, que foi dominada por países europeus, pelos EUA e pelo Japão.
As principais reações anti-imperialistas chinesas foram:
 
Guerra do Ópio (1839-1842)
A grande comercialização do ópio (droga) na China pelos ingleses disseminou o vício e provocou inúmeros malefícios. As autoridades chinesas jogaram ao mar um carregamento inglês de ópio. A Inglaterra exigiu uma indenização, e os chineses não pagaram, gerando a guerra.
A Inglaterra venceu o conflito, assinando o Tratado de Nanquim (1842), no qual a China abria mais cinco portos ao livre-comércio, extinguia a fiscalização e entregava a ilha de Hong Kong.
 
Revolta de Taiping (1851-1864)
Foi o movimento nacionalista composto por milícias não governamentais. A revolta foi sufocada pelo apoio da Dinastia Manchu aos ocidentais contra os nacionalistas.
 
Guerra dos Boxers (1900)
Foi o movimento nacionalista radical chinês que tinha como meta libertar a China da dominação estrangeira:“punhos fechados”. A revolta foi sufocada por uma coligação de vários países imperialistas.
 
Japão e Revolução Meiji
Até o século XIX, o Japão foi marcado pelo isolamento internacional e pelo “feudalismo japonês”.
● micado: o imperador tinha poder apenas formal;
● xógum: líder militar, tinha comando político efetivo;
● daimios: aristocracia feudal;
● samurais: guerreiros profissionais.
A abertura comercial deu-se em meados do século XIX forçada por uma esquadra norte-americana. O governo foi pressionado a fazer acordos comerciais com vários países, gerando a europeização do país.
A Revolução Meiji, em 1868, foi o processo de modernização do Japão. O xógum foi acusado de ser o responsável por ter permitido a abertura, o xogunato foi derrubado e o micado fortalecido.
A modernização foi marcada por investimentos em industrialização, educação e tecnologia.
O domínio dos zaibatsus (megaempresas japonesas) deu início a uma política imperialista.
 
Consequências do imperialismo
As principais consequências do imperialismo foram:
● racismo — o principal exemplo é a África do Sul (apartheid);
● desenvolvimento das potências imperialistas;
● subdesenvolvimento da maior parte do mundo;
● as rivalidades e as disputas coloniais entre as potências fomentaram o armamentismo e a formação de alianças militares;
● Primeira Guerra Mundial.
● O nacionalismo foi importante para os processos de unificação alemã e italiana.
● O imperialismo foi um movimento de dominação das potências europeias em outros continentes como África, Ásia, e posteriormente, América. 
● O imperialismo teve causas econômicas (matérias-primas e mercados consumidores) e ideológicas (“o fardo do homem branco”). 
● As consequências do Imperialismo foram a divisão dos territórios africanos e as rebeliões contra a dominação europeia. A disputa dos territórios entre as potências europeias foi uma das causas da Primeira Guerra Mundial.
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